Brexit no Twitter

13515346_10153926298288218_1195696274_n

Nas últimas semanas, eu tenho postado textos sobre o referendo britânico sobre a permanência de tal nação na União Europeia. Bem, os britânicos decidiram sair do bloco europeu e vão ter longos dois anos de negociações com Bruxelas para que o divórcio seja feito sem maiores problemas a menos que os franceses querem fazer um processo doloroso para quem se atreva a sair da UE.

Mas na noite do dia 23 de junho de 2015. Fiquei no twitter para acompanhar as reações em torno da votação. A experiência foi fascinante porque tive uma troca de informações como o colunista da revista Época e excelente resenhista Helio Gurovitz junto com um velho conhecido repórter do jornal Folha de S.Paulo Raul Juste Lores que tinha preocupações com o ex-prefeito londrino Boris Johnson.

Sem esquecer da intensa conversa que tive com o meu amigo MV no facebook. Ele terá muito trabalho pela frente para esclarecer as minúcias do divórcio anglo-europeu. Eu esqueci de perguntar para o âncora da rede de tv britânica ITV, Alistair Stewart, sobre tais implicações sobre o cenário político britânico diante da eminente saída da União Europeia. Mas lembro que ele me enviou uma resposta que manteria sua imparcialidade diante de um cenário nebuloso que o Reino Unido irá viver nos próximos dois anos.

Mas tão logo comecei a minha jornada de desocupado muito ocupado. Meu amigo Diego me perguntou se iria escrever sobre o Brexit nos meus blogs. Caro Diego, vou postar textos de tal tema para que possa entender quão complexa vai ser tal separação de Londres do continente europeu. Vou ter que explicar para os meus amigos como Ron Groo e o britânico Colin Musk.

Passado-se longos três anos de idas e vindas. Os britânicos desejaram viver fora das padronagens europeias que tanto lhe irritaram. Mesmo que Paris vier a oferecer um jogo duro como uma forma de conter um sentimento euroceticismo nutrido pelos nacionalistas. Fica claro para mim que terei mais trabalho nos próximos meses em questões europeias.

Até tu, Boris

Mal começou a campanha pela permanência do Reino Unido na União Europeia. O campo anti-Europa ganhou um excelente apoio. O prefeito londrino Boris Johnson anunciou sua adesão ao grupo que é contra o acordo costurado pelo primeiro-ministro David Cameron. Ele deu uma declaração a imprensa na tarde. Mas o argumento viria em sua coluna publicada pelo jornal Daily Telegraph da amanhã.

Boris defendeu que o Brexit como uma forma do Reino Unido pudesse uma maior liberdade para assinar um acordo de livre-comércio com outros páises. Além de evitar uma maior federalização da União Europeia que diminua o poder dos parlamentos nacionais. Neste ponto é defendido afinco por Boris em sua coluna no Daily Telegraph que já ganha repercussão no Reino Unido neste final de noite (horário de Londres).

A adesão de Boris ao campo anti-Europa pode tanto lhe catapultar o prefeito londrino a liderança do partido conservador quanto lhe criar problemas na sua sucessão a prefeitura de Londres tendo Zac Goldsmith como o candidato tory. Johnson é um pendulo dentro dos tories pelo fato de ter um grande apoio popular além de ter uma escrita e fala de fácil entendimento entre os britânicos.

A grande discussão de amanhã no Reino Unido será como fica o campo político. Tanto o primeiro-ministro conservador David Cameron quanto o líder da oposição trabalhista Jeremy Corbyn irão prestar contas na câmara dos comuns. Ambos apoiam a permanência do país na União Europeia. Mas enfrentam um revigorado grupo eurocético tendo políticos populares como o próprio Boris e o eurocético Nigel Farage.

O artigo de Boris Johnson pode criar uma luta interna dentro do partido conservador, históricamente europeísta. Mas desde da ascensão de Margaret Thatcher e sua visão de uma Europa sem ter uma federalização criou uma nova visão dentro dos tories. Agora, Cameron consegue um acordo que cria um status especial para o Reino Unido dentro da União Europeia. Mas enfrenta uma formidável oposição de Boris Johnson.

O encontro de Downing Street

Hoje, o primeiro-ministro britânico David Cameron se reuniu com o seu secretariado para discutir a posição oficial do governo em questão do acordo que garante a permanência do Reino Unido na União Europeia. Após a reunião, Cameron anunciou a data do referendo para o dia 23 de junho e afirmou que a votação será uma decisão de uma vida inteira para os britânicos.

Mas é nítido o racha dentro do secretariado conservador. Entre os europeístas contam com apoio da secretária do interior Theresa May e o chancellor of exchequer George Osborne. No lado eurocético estão o secretário de justiça, Michael Gove; e seu colega de cultura, John Whittingdale; e de trabalho e pensões, Iain Duncan-Smith. Mostra-se uma tensão em Downing Street.

No primeiro referendo sobre a União Europeia em 1975. O primeiro-ministro trabalhista Harold Wilson deu carta branca para o secretário de relações exteriores James Callagham para negociar o acordo. Mas havia uma clara divisão entre eurocéticos e europeístas representados por Tony Benn e Roy Jenkins respectivamente que protagonizaram uma acalorada discussão em um debate do programa Panorama, da BBC One.

Agora, Cameron permitiu que seus secretários tivessem liberdade para adotar qualquer posição sobre tal assunto. Mas um fator decisivo será a posição adotada pelo prefeito de Londres Boris Johnson. Johnson é considerado um dos políticos mais populares do Reino Unido e tem se mostrado reticente em relação ao acordo entre a nação britânica e União Europeia nos últimos dias.

As palavras de Cameron ditas hoje em Downing Street mostram como será difícil nos próximos meses a campanha tanto pró-Europa quanto pró-eurocética. Se David disse que será a decisão de nossas vidas mostra que seu esforço não foi em vão. Mas ainda vai precisar de confiança de ambos os lados para mostrar qual é a melhor decisão que pode  ser tomada pelo voto no dia 23 de junho de 2016.

Cameron dobra Bruxelas

Há poucos minutos, o primeiro-ministro britânico David Cameron anunciou que conseguiu um acordo que garante a permanência do Reino Unido com a União Europeia com a contrapartida de um status especial em questões como regulação financeira e uma quarentena de 7 anos para que imigrantes do países-membros do bloco europeu tenham acesso aos programas assistencialistas do governo britânico.

Podemos considerar que isso é uma vitória de Cameron. Mas ainda está longe de terminar. Amanhã, Cameron irá se reunir com o seu gabinete para decidir a posição oficial do governo sobre o acordo e poder anunciar a data do referendo que poderá ser realizado em junho. Não se sabe a reação tanto dos eurocéticos quanto dos europeístas neste momento vital na história britânica.

Durante a tarde de hoje, a BBC afirmou que o secretário de justiça Michael Gove poderia ser juntar aos eurocéticos. Mas a campanha do não pode ter o apoio do prefeito de Londres, Boris Johnson. Boris é um político muito popular entre os britânicos. O resultado da reunião pode consolidar a posição pró-Europa mesmo com secretários discordando da proposta de Cameron.

Cameron conseguiu dobrar Bruxelas mesmo tendo a sua liderança contestada dentro do Reino Unido. A resistência dos países da Europa Central, França e Áustria mostrou ser frágil diante do interesse comum do pragmatismo da Alemanha e da Comissão Europeia que fizeram concessões para evitar a saída do Reino Unido do bloco europeu de maneira sútil e consistente.

Agora, o primeiro-ministro terá uma longa discussão com a população sobre as vantagens do acordo que deu um status especial para o Reino Unido em contrapartida do país permanecer na União Europeia. Mas os próximos meses serão intensos tanto por causa das eleições locais na Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte além do próprio referendo que será realizado em junho. Mas de momento, Cameron dobrou Bruxelas.

 

A batalha de Bruxelas

Hoje, o primeiro-ministro britânico David Cameron foi a Bruxelas para tentar mudar o rumo das negociações para a permanência do Reino Unido na União Europeia. Mas encontra um longo desafio de convencer o bloco europeu de suas propostas de reforma da UE. A primeira rodada de negociações criou impasses em torno dos pontos polêmicos da mesma.

Isso que inclui pontos como a proteção dos países que não fazem parte da zona do Euro. A soberania dos parlamentos nacionais para vetar legislações europeias. Vetar qualquer mudança na regulação financeira para proteger Londres e criar uma quarentena de 4 anos para imigrantes europeus para receberem auxílio financeiro do Reino Unido e que remetem tais quantias para sua terra natal.

Isso criou uma resistência tanto para os países de leste europeu que defendem os interesses de seus cidadãos que vivem no Reino Unido quanto para a França que não quer privilégios para Londres na questão de oferecer serviços financeiros a baixo custo e com uma menor regulação. Esse foi o ponto central da fala do presidente francês François Hollande hoje em Bruxelas.

Cameron quer conseguir um acordo definitivo para convocar um referendo para junho. Mas fica nítido que as negociações irão se arrastar até março por causa da falta de uma contrapartida tanto para o leste europeu quanto a França. A recente oposição de Paris tem o fator de muitos investidores podem retirar seus investimentos caso uma reforma financeira seja implementada por Hollande.

Amanhã, será um dia intenso para Cameron. Tão logo consiga arrancar um acordo com a União Europeia. Ele voltará para Londres para convocar uma reunião de emergência de seu gabinete para decidir uma posição oficial do governo sobre o mesmo e assim anunciar a data do referendo. Mas poderemos ter uma série da BBC onde a batalha de Bruxelas vai terminar sem um final feliz tanto para Londres quanto para União Europeia.

 

Os apoios de Copenhague e Varsóvia

Hoje, o primeiro-ministro britânico David Cameron visitou a Polônia e a Dinamarca para conquistar apoios para a sua proposta de permanência do Reino Unido na União Europeia. Enquanto o premiê dinamarquês Lars Lokke Rasmussen defendeu a mesma dizendo ser aceitável e compreensível. A primeira-ministra polonesa Beata Szydlo apoiou o acordo afirmando que o plano bretão aumenta o poder dos parlamentos nacionais.

As palavras de Szydlo e Rasmussen vem em uma boa hora para o primeiro-ministro britânico. Isso com o fato que a campanha eurocética está dividida e deflagrada em um conflito interno sobre qual grupo vai liderar a campanha como o Vote Leave e o Leave EU. Isso facilita o trabalho dos europeístas que podem adotar uma postura única e aglutinar vários grupos com diferenças ideológicas, mas defendendo a permanência do país na UE.

A viagem a Polônia e Dinamarca tem sido estratégica porque os dois países são considerados eurocéticos e inclinados a adotar reformas na União Europeia em clausulas pétreas como a livre-circulação de pessoas entre os países-membros e o controle das fronteiras para a imigração. Tanto que Copenhague não adotou o Euro para manter sua soberania monetária.

Mas Varsóvia está receosa sobre a quarentena de 4 anos imposta aos cidadãos dos países-membros do bloco europeu que vivem no Reino Unido. Tanto que Szydlo prometeu discutir este assunto com o seu gabinete. Mas Cameron teve um encontro com o ex-premiê e lider do partido governista Justiça e Lei, Jaroslaw Kaczinski, para garantir o apoio polonês.

Nos próximos dias serão de intensas negociações entre Londres e Bruxelas sobre o acordo definitivo que possa ser aprovado pelos chefes de estado e de governo dos 28 países-membros da União Europeia. Vai ser um longo trabalho para formar um consenso que possa diminuir os ânimos tanto no Reino Unido quanto no continente europeu onde Cameron tem apenas o apoio de Copenhague e Varsóvia.

A Europa rejeita Cameron

Quando um continente tem problemas graves e um líder de um país tenta apresentar uma proposta para reformar as instituições continentais. Isto cria um sentimento de ojeriza e rejeição a qualquer palavra dita por ele. É assim que transcorre as negociações entre o primeiro-ministro britânico David Cameron com a União Europeia para a permanência da ilha britânico no bloco europeu.

A proposta apresentada por Cameron não agrada tanto europeístas quanto eurocéticos. O acordo que inclui a quarentena de quatro anos para que imigrantes europeus tenham acesso aos programas sociais junto com a clausula que permite que os parlamentos nacionais possam vetar leis e decisões feitas pela União Europeia cria uma sensação de que pouca coisa foi feita.

Cameron quer evitar mudanças nos tratados que regem a União Europeia, que demandaria uma ampla discussão entre os países-membros. Com a proposta que foi aprovada nessa semana poderia alterar o processo de admissão de novos países-membros junto com a alteração dos futuros acordos transnacionais. Isso cria um embaraço onde o premiê britânico aparece como um naufrago em uma ilha deserta.

Essa sensação é evidente pelo desconforto da imprensa local pelas proposta feita por Cameron. O primeiro-ministro exigia grandes mudanças e amplas reformas na União Europeia para depois prometer apenas novos controles sobre o sistema migratório junto com a resolução dando poderes aos parlamentos nacionais para vetar leis aprovadas pelo bloco europeu.

Há duas semanas da cúpula da União Europeia em Bruxelas mostram quão difícil será convencer os 27 líderes europeus sobre a necessidade das mudanças propostas por Cameron. Com a oposição do presidente francês François Hollande e dos mandachuvas dos países do leste europeu. Teremos uma longa negociação que vai exigir mais argumentos do que uma retórica fraca como foi adotada por David Cameron.