A crise dos canais de noticias

Em 1981, o conceito de canal de notícias foi posto em prática com a criação da CNN por Ted Turner para abastecer o nascente mercado americano de TV fechada. Mas passados 35 anos. Fica-se claro que este modelo de televisão não pode ser praticado por emissoras públicas como a britânica BBC e a qatari Al Jazeera diante dos altos custos de manutenção e produção de conteúdo.

No Reino Unido, está se discutindo o debate do fim do BBC News Channel e que seus jornalistas possam trabalhar no site da BBC e em aplicativos em celulares. A emissora britânica está passando por um preço de corte de gastos além do processo de renovação do Royal Charter que regula as atividades da mesma que vai ser analisada pelo parlamento britânico durante esse ano.

No caso da Al Jazeera, a emissora qatari luta com todas as suas forças para entrar no mercado americano desde do lançamento do serviço em inglês no ano de 2006. A monarquia decidiu comprar uma operadora de TV por assinatura e criar o Al Jazeera America como uma forma de fortalecer a sua posição diante de concorrentes como CNN e Fox News.

Os custos dos canais de noticia mostram muito caros por causa de manter uma ampla rede de correspondentes e jornalistas para produzir conteúdos 24 horas por dia e 7 dias por semana. Enquanto a BBC News pode ser fechada por custar caro. O governo britânico decidiu repassar mais recursos para a BBC World News e o serviço de rádio BBC World Service.

O debate sobre os canais de notícia vai exigir uma ampla discussão sobre como as pessoas vão consumir conteúdos noticiosos através de computadores e celulares. A sobrevivência dos mesmos vai depender em como se resolver a questão dos custos de produção junto com a manutenção de tais serviços. Assim teremos informação de boa qualidade a qualquer hora do dia.

 

O futuro da BBC

A grande questão midiática que se discute no Reino Unido é a renovação do decreto real (Royal Charter) que criou a BBC. Enquanto as negociações seguem de maneira dura. A editoria de mídia do jornal britânico The Guardian publicou um excerto do livro The BBC Today: Future Incertain, do jornalista Ray Snoddy onde são expostos os bastidores da negociações entre os executivos da rede de tv pública junto com setores do governo.

A pergunta que fica é como será feito o financiamento da BBC diante da proposta do chancellor of excherquer (ministro das finanças) George Osborne de permitir que pessoas com mais de 75 anos de idade não possam pagar o license fee (uma taxa cobrada para que um britânico possar ter licença para ter um aparelho de TV). Tal imposto serve para financiar a operação da BBC que inclui canais de televisão e serviços da rádio.

Enquanto o diretor-geral da corporação, Tony Hall tenta convencer o governo conservador sobre a importância da manutenção da estrutura atual. Mas a grande questão é a BBC é muito cara para ser mantida pelo estado britânico por mais que seja uma empresa muito eficiente com os seus gastos segundo a auditoria da PwC. Mas o Osborne exige o fechamento de dois canais de tv, a BBC 2 e a BBC 4 além do fim dos serviços nacionais de rádio na Irlanda do Norte, País de Gales e Escócia.

Desde que os conservadores chegaram ao poder no Reino Unido em 2010. O repasse da License Fee foi congelado além de milhares de pessoas foram demitidas para atender a nova realidade da corporação. As discussões serão duras pelo fato de Tony Hall defender uma BBC pronta para os desafios do futuro, mas enfrentando criticos poderosos como o secretário de cultura John Whittingdale, que defende que a empresa faça somente prestação de serviços.

O debate sobre o futuro da BBC vai exigir uma ampla discussão sobre o conceito de rádio e TV públicas. Whittingdale e Hall terão que acertar os ponteiros sobre o futuro da corporação. Isso vai exigir que ambos os lados apresentem propostas que possam proteger os interesses da BBC ao mesmo tempo que os gastos da emissoras sejam mantidos. Essa promete ser uma longa batalha na mídia britânica e a sua mais respeitada instituição chamada BBC.

A questão BBC

Em 1932, o rei George V promulgou uma royal charter (decreto real) criando um serviço público de rádio, a BBC. Tal organização teria a missão de preservar a língua inglesa e informar os britânicos tanto residentes no Reino Unido quanto colonos na vasto império britânico através da BBC Empire Service. Passados mais de 80 anos, a emissora pública britânica está prestes a enfrentar o desafio da renovação de sua licença pelo parlamento em 2016. As negociações entre os diretores da BBC e o governo já começaram.

A BBC é uma instituição nacional dos britânicos com quatros emissoras de TV e 9 rádios nacionais além dos serviços internacionais em 27 idiomas. Toda qualquer discussão sobre a renovação do decreto real que criou a mesma é uma batalha política-comercial. Muitos jornalistas e executivos tem rejeitado a nomeação de John Whittingdale para o cargo de secretário de Cultura. Ele é conhecido por suas críticas a corporação e tem apoio dos jornais de linha conservadora para conter a influência do jornalismo feito pela BBC.

Mas o relatório Green Paper indica que a BBC pode ser superada por seus concorrentes privados como a emissora privada ITV, o canal de notícias Sky News e pelo provedor de internet BT além da entrada dos serviços de streaming Netflix e Amazon Prime como foi relatado pelo colunista de mídia do jornal The Guardian, Stephen Hewlett. A pressão de MPs conservadores para que a BBC mude a sua orientação de corporação de produtos de entretenimento e informação para apenas uma prestadora de serviços públicos é enorme.

Em entrevista ao programa The Andrew Marr Show (BBC One) semanas atrás, o diretor-geral Tony Hall reafirmou que irá defender os interesses da corporação além de preservar o status que a BBC conquistou ao longo dos anos. A grande questão é o modo de financiamento. A BBC depende dos recursos vindos do pagamento para a taxa chamada License Fee, onde os britânicos pagam 145 pounds para ter o direito de ter um aparelho de TV em casa. Isso é uma garantia de independência da empresa pública.

Nos últimos anos, a BBC sofre críticas por causa de gastos exagerados com o pagamento de indenizações a seus executivos que ficam na casa de centenas de milhares de pounds. A proposta da corporação de fortalecer o seu serviço de internet, o BBC Iplayer, em caso de fechar a BBC Three ainda está sendo analisada. A questão de manter a sua influência na vida dos britânicos é essencial para a corporação. A BBC é uma instituição cujo o destino é decidido tanto pelos políticos quanto pelo espectador.

Jeremy Clarkson é demitido da BBC para desespero dos britânicos

Após semanas de suspense e uma petição online com mais de 1 milhão de assinaturas. A rede de tv pública britânica BBC decidiu demitir o apresentador do programa Top Gear, Jeremy Clarkson, após a briga entre ele e um produtor. O diretor-geral da emissora, Tony Hall disse que não pode ser condescendente com as atitudes de Clarkson. A BBC anunciou que irá continuar com Top Gear e irá reformular o mesmo. O primeiro-ministro britânico David Cameron condenou Clarkson por seu comportamento abusivo em local de trabalho. Datavênia, os homens do Reino Unido poderão ter tempo para as suas mulheres após perder o Top Gear.

Um milhão de britânicos pedem a volta de Jeremy Clarkson para o desespero da BBC

O Reino Unido está engajado em uma campanha sem precedentes. Desde que a rede de tv pública BBC suspendeu o apresentador do programa Top Gear, Jeremy Clarkson por ter brigado com um produtor. Os britânicos se uniram em prol da causa mais importante do que as picuinhas reais ou problemas econômicos. Uma petição online conseguiu o apoio de mais de 1 milhão de pessoas. Tanto que Harry Cole do blog político Guido Hawkes foi a sede da emissora em um tanque militar para entregar as assinaturas. O primeiro-ministro britânico David Cameron já declarou apoio a causa. Pelo jeito, preservar o Top Gear é bem melhor do que ficar vendo os documentários chatos de animais produzidos por David Attenborough.

O fim do mundo segundo a CNN

Semana passada, o blog Echo Chambers, da BBC divulgou a descoberta de um vídeo sobre o fim do mundo feito pelo canal de noticias americano CNN. A história foi descoberta pelo blogueiro Michael Ballaban, que publicou a descoberta em seu próprio site, Jalopnik. Os rumores deste começaram na década passada e só foram confirmados em 2009 pela própria CNN. A gravação de um minuto conta a história do legado do fundador da CNN, Ted Turner, que tem um histórico frases sobre o apocalipse. O mesmo nunca foi divulgado.

O próprio Echo Chambers pediu para que seus leitores enviassem sugestões sobre uma gravação que seria transmitida no dia do juízo final. Muitos pediram que a BBC fizesse um vídeo sobre o fim do mundo ao som do hino britânico, God Save The Queen. Tal canção já foi interpretada por bandas de rock como Queen e Sex Pistols nos anos 1970 e sempre foi usada no final das transmissões da BBC Radio 4. Mas como seria este momento apocalíptico sendo transmitido ao mundo todo em plena crise social?

O Homo Causticus nunca vai fazer um vídeo que seria transmitido no dia do fim do mundo. Até porque não sabemos quando isso vai acontecer, menos nos filmes de Hollywood. As 24 horas do juízo final seriam transmitidas pelos canais de noticias além de termos aqueles comentaristas que estão analisando este momento do termino da raça humana por algum holocausto nuclear, desastre natural, pandemias e afins. Como a humanidade iria reagir ao tempo de extinção que pode acontecer a qualquer momento.

O vídeo da CNN foi gravado em um momento onde o mundo se perguntava sobre a catástrofe nuclear. Tanto que em 1983, o governo britânico fez uma simulação sobre uma eventual ataque nuclear soviético ao solo bretão. A coisa foi tão necessária que a rainha Elizabeth 2º ensaiou um discurso a nação e explicando porque o país iria a guerra. Este discurso só foi revelado em 2013 dado o fato que a lei de acesso a informação britânica classificou a minuta como confidencial por 30 anos.

O fim do mundo é um evento temido pela humanidade. Mas temos que ser realistas. O planeta precisa ser preservado tanto das loucuras governamentais quanto do idealismo ecochato. Mas isso leva um tempo para que o ser humano tome conta de si mesmo e procure evitar novos problemas. Mas o vídeo apocalíptico da CNN é uma forma engraçada de lembrarmos sobre este tema sem termos paranoias ou teorias da conspiração. Assim caminha o planeta terra em sua complicada existência.

As promessas da Apple.

Apple goes to war with the BBC

Fonte: Daily Telegraph

Ontem, o programa Panorama (BBC One) mostrou que a gigante da computação Apple não conseguiu cumprir a promessa de melhorar as condições da trabalho dos empregados de seus fornecedores. Hoje, a resposta vem em um email enviado aos trabalhadores britânicos da companhia enviado por um executivo da mesma que critica a BBC. O estrago já foi feito quando tal reportagem mostrou a dura realidade daqueles que trabalham nas fábricas chineses ou nas minas da Indonésia, de onde vem a matéria-prima de Iphones, Ipads e afins.

A BBC fez o papel de investigar as violações de princípios impostos a Apple aos seus fornecedores e prestadores de serviço. Enquanto a empresa emprega mais de 300 mil funcionários nos Estados Unidos e 1 milhão em vários países do mundo como China e Indonésia. Ela não tem controle sobre o modo como esses trabalhadores estão sendo tratados nas fábricas chinesas ou na minas da Indonésia. Isso reforça a sensação de que a empresa se importa mais com o lucro do que o ser humano.

Em 2010, as denúncias de maus tratos a trabalhadores da fabricante chinesa Foxconn, onde 14 trabalhadores se suicidaram nas dependências da fábrica foi um sinal de alerta para a companhia, que teve que criar uma política de responsabilidade social e ambiental. Mas isso não vinha sendo cumprido por outros fornecedores como a Pegatron e as empresas que fornecem materia-prima como o Tin, que serve para as baterias dos Iphones, Ipads, Ipods, Imacs e o Mac Book Air.

O email do executivo da empresa afirma que o presidente Tim Cook está profundamente ofendido com as denúncias feitas pela BBC. Mas a pergunta que fica é como a Apple não pode responder as acusações feitas pela de rede de tv pública britânica fez ao longo de um documentário de 58 minutos exbido no horário nobre? Não vai ser com uma propaganda engraçadinha feita as pressas para tentar manipular a mente dos consumidores de gadgets que a companhia sempre criou nos últimos anos.

A denúncia da BBC foi soco no estômago para aqueles que acreditavam que a gigante americana conseguiu convencer seus fornecedores e prestadores de serviço sobre as vantagens de seguir o manual do politicamente correto. O consumidor comum vai ter que lidar com um dilema: vou comprar um Iphone porque todo mundo quer ter mesmo não sabendo dos horrores que os trabalhadores chineses passam para fabricar um simples aparelho? Bem, quem viu o Panorama não vai ter dúvidas sobre isso.