As primeiras reclamações

Tão logo o presidente interino Michel Temer assumiu o poder. Ele terá que aparar umas arestas como a recente crítica feita pelo deputado federal Paulinho (SD-SP) contra o ministro da fazenda Henrique Meirelles pelo simples fato de defender uma reforma da previdenciária como uma forma de cortar custos com o funcionalismo ao longo dos anos.

Se não bastasse as críticas por ter um ministério sem negros e minorias junto com o fato de extinguir pastas como Cultura e Ciência e Tecnologia. Isso despertou a ira das comunidades tanto artísticas quanto científicas por ter nomes como pouca identificação com tais assuntos importantes para o desenvolvimento do país em meio a crise.

As reformas para equilibrar as contas públicas junto com o corte de ministérios para encarar uma nova realidade mostra uma visão pragmática e menos ideológica onde se tem um claro objetivo em por o país nos trilhos mesmo que tenha que enfrentar resistências em fazer cortes e uma capacidade de criar um cenário onde a economia possa crescer e gerar empregos.

Temer frustrou as expectativas ao nomear um ministério de políticos invés de chamar os tais notáveis. O presidente interino quer resolver os problemas da nação apelando para um vasto apoio no congresso para que se possa aprovar as reformas necessárias para por o país nos trilhos. Seu foco em ter uma base aliada fiel e comprometida com suas ideias não é fácil.

O presidente interino terá que dissipar as dúvidas em torno das medidas que serão tomadas tanto na economia quanto na área social. Isso vai permitir que o mandatário tenha uma marca em sua gestão para se diferenciar dos erros cometidos pelo governo passado. Isso vai exigir uma ampla habilidade política para lidar com as primeiras reclamações.

 

Voltemos a vida normal

Nos últimos meses, as tramas políticas dominaram as conversas tanto familiares quanto de bar. Nós ouvimos um festival de impropérios contra o governo e além dos velhos xingamentos contra a classe política. Mas pergunto como será o futuro da política em si após a população se desinteressar de um assunto tão importante para a vida do nosso país?

Nas últimas semanas, não comento política dentro da minha casa porque a minha família se unia para xingar a presidente afastada e ao mesmo tempo, divergia quem seria o sucessor. Tanto que só expresso a minha visão sobre espinhoso assunto neste humilde blog para apenas não ficar enferrujado na questão da política interna de nosso país.

O que ficava claro para mim é que o brasileiro pensa que uma discussão política é como se fosse um maniqueismo de um jogo de futebol ou questões religiosas que navegam entre o sagrado e o profano. Sinto que precisamos amadurecer mais no campo político para que tenhamos debates com bons argumentos do que a velha lógica de cada deve ter razão.

Precisamos amadurecer mais em nossa jovem democracia. Não tive estomago quando via os adeptos da intervenção militar e os esquerdistas que pregavam a frase “Não vai ter golpe”. Era uma demagogia escancarada e que pouco ajudava a população a entender a real situação do país como uma crise política-econômica sem precedentes em nossa história.

Se queremos ter um país melhor nos próximos meses. Temos que acompanhar de perto a atuação de nossos políticos. Mas vamos aprender a discutir política de uma forma mais educada com bons argumentos e sem a pose de sermos donos da razão que não resolve nossos problemas. Assim, voltemos a ter uma vida normal depois do dia 12 de maio de 2016.

A realpolitik brasileira

Hoje, o senado irá votar o pedido de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff. Tanto que a chefe de estado já prometeu assinar a demissão coletiva de seu gabinete ministerial amanhã de manhã para que o vice-presidente Michel Temer possa assumir o cargo interinamente tão logo ela deixar o Planalto. Mas como fica o status quo político brasileiro?

Não se sabe os nomes para o novo ministério. Temer afirma que pretende construir relações institucionais com os partidos que vão lhe dar apoio no congresso. Tanto que o gabinete ministerial vai ser composto por nomes técnicos ou por notáveis. Mas isso causa estranheza para quem acompanha a política por não nomes considerados competentes para tal trabalho.

Mesmo que o senado aprove o impeachment. Fica claro que a teimosia de Dilma em não renunciar pode entrar na história como uma retórica vitimista em que foi alvo de uma conspiração. Mas isso só serve para agradar a militância petista e desagradar ainda mais os brasileiros irritados com a incompetência econômica e administrativa de seu governo.

Os brasileiros querem que uma melhora na economia e estancar a alta taxa de desemprego. Não sabemos se o governo Temer poderá ser capaz de conter a divida pública e o deficit fiscal. As medidas adotadas terão que ser importantes para ganhar a credibilidade dos investidores internacionais e do mercado financeiro para trazer o investimento estrangeiro.

Mas a realpolitik brasileira vai ter que ser feita em longas discussões e acordos nada republicanos. A costura do novo ministério se mostra andar um campo minado. Temer vai ter um longo trabalho de recuperar a credibilidade política-econômica perante a população desconfiada com os políticos. Isso vai levar um longo tempo para ser feito em Brasília.

Entre cusparadas e estupidez

Não vejo TV por ficar muito tempo no computador. Mas percebo a reação irada despertada pela participação do ator José de Abreu no Domingão do Faustão onde teve que se explicar sobre uma cusparada que deu em um casal por lhe criticar seu petismo vigilante. Mas não entendo como os brasileiros podem soar tão imaturos politicamente falando.

Todos pedindo a sua demissão. Mas não quero defender um cara que dá uma cuspida desnecessária. Os brasileiros são ótimos em jogar a culpa nos outros, mas péssimos em reconhecer seus defeitos. Isso me soa uma imaturidade política sem tamanho entre os coxinhas e petralhas que mal sabem o significado da palavra pluralismo, mas usam e abusam ao citar-la.

Os brasileiros precisam de um pouco de civilidade quando tratam de política. Não adianta usar a velha desculpa esfarrapada da retórica do nós contra eles ou fazer patrulhas ideológicas como se fosse uma cruzada patriótica. Vamos discutir a política de forma honesta e acompanhar isso de forma atenta como faz outras nações do mundo.

O que me irrita é ver o facebook com memes pedindo a cabeça de alguém como se fosse o período do Terror da Revolução Francesa onde poucos sobreviveram a loucura revolucionária. Os brasileiros precisam compreender que política é feita de discussões e propostas pragmáticas que são feitas como uma matéria-prima intelectual para a consciência da população.

Não quero que amizades sejam desfeitas porque se tem uma discordância política. Quero um país melhor que não ficam entre cusparadas e a estupidez para termos uma nação melhor para as futuras gerações. Será que é muito para pedir um país onde se tem uma discussão civilizada e sem ter a figura de um ser paternalista ou maternalista. Afinal, o Brasil é maior do que uma cusparada de José de Abreu.

A política e os meus amigos

Em tempos que é mais fácil xingar um político do que propor um projeto alternativo para o nosso país. Eu tenho que lidar com um certo desconhecimento da população tem sobre questões políticas. Isso me lembra um amigo que cita uma teoria conspiratória com tanta convicção que deixo de prestar atenção a sua fala para ler uma matéria do New York Times.

As pessoas tem que entender que a política não é como um futebol onde as pessoas se digladiam por jogadores que mal chutam uma bola de maneira decente. O Brasil padece do mal de não termos uma tradição política e ainda não saber lidar com o contraditório. Os brasileiros confiam em sites de credibilidade duvidosa do que ler uma Folha de S.Paulo.

Isso as vezes torra a minha paciência. Tanto que a minha mãe me chama atenção por exceder no volume de minha voz quando me deparo com uma situação dessas. Isto lembra a conversa que tive com umas amigas no twitter em que elas reclamavam da falta de pessoas para conversar sobre política de maneira sóbria e sensata para entendermos o Brasil.

Se não bastasse isso, o meu amigo professor da FAAP reclamou do tratamento nada lisonjeiro dado por militantes maoístas por ele simplesmente defender uma tese de viés conservador. Parece que o nosso Brasil é pior do que um jardim de infância sem ter aquela diretora ou o inspetor de alunos (isso me lembra o meu amigo que virou padre que cuida de andarilhos por sua bondade e sempre ficar de marcação em minha pessoa).

Isso nos dá um desânimo sem tamanho. Mas temos esperança de um certo amadurecimento político onde a população possa discutir a política sem ter o fator do fla-flu maniqueista. Assim, meu amigos possam defender suas teses com bons argumentos e possam ter um senso de questionamento sem ter que basear suas teorias de uma fonte de credibilidade duvidosa, xingamentos políticos e maoístas irritados.

Golpe em New York

Os presidentes brasileiros sempre tem uma predileção de fazer discursos na ONU. O Brasil é o primeiro país a abrir as assembleias gerais das Nações Unidas por uma tradição para evitar o predomínio de Estados Unidos e União Soviética durante a Guerra Fria. Mas hoje, o discurso de um mandatário tupiniquim serve apenas para agradar o público interno.

Foi isso que fez a presidente Dilma Rousseff ao comparecer a assinatura do acordo do clima de Paris. Ele fez um discurso de 7 minutos sem mencionar a palavra golpe. Invés disso, afirmou que o Brasil vive um retrocesso. Bem, a palavrinha mágica foi mencionada a exaustão durante uma entrevista coletiva para a imprensa brasileira em New York.

O que fica claro é que a retórica do governo se resume a simples palavra: Golpe. Parece um samba de uma nota só. A presidente deveria se defender do processo com argumentos. Mas isso é esquecido em se tratando de uma esquerdista que justifica suas palavras para lutar contra um inimigo íntimo como Michel Temer ou interno como a sociedade.

O Brasil é um país onde a população é de direita e a elite é de esquerda. Ambos vivem se digladiando para ser um porta-voz dos oprimidos para denunciar uma tentativa de ruptura do status quo. Propostas como a convocação de uma eleição presidencial antecipada feita pelo senador João Capiberibe (PSB-AP) soa uma tentativa de por panos quentes.

A nação quer resolver tais problemas sem soluções mágicas ou retóricas ridículas. Isso exige respeito as instituições e a constituição de 1988. O processo de impeachment está transcorrendo de forma correta mesmo tendo uma condução demagógica. Agora, o Brasil quer uma solução para tais problemas que não será resolvido com a menção da palavra golpe em um discurso da ONU.

Olhos abertos

Quando personalidades públicas adotam uma posição controversa. Isso pode gerar questionamentos na imprensa tanto local quanto internacional. Isso acontece em nossa crise política onde os intelectuais de esquerda adotam um engajamento estranho e a mídia estrangeira denuncia um golpe se esquecendo a realidade tupiniquim.

Quando vejo uma The Economist mostrando uma clareza intelectual ao afirmar que o impeachment está sendo feito a luz das leis e um processo constitucional transparanete. Mostra-se uma honestidade interessante que não é adotada por exemplo pelo The Guardian e The Independent que questiona a legitimidade da condução do processo feita por dois acusados como Eduardo Cunha e Renan Calheiros.

A esquerda está entorpecida intelectualmente como uma iminente queda de um governo que está sendo julgado por seus erros e a má gestão da economia. Parece que temos a ressuscitação da Internacional Socialista. A imprensa internacional precisa conhecer a realidade brasileira e analisar o processo de impeachment de forma sensata.

Isso vale para os nossos intelectuais que protagonizam um belo abraço de afogado diante da possibilidade da população deseja ver a queda de uma presidente impopular por passar a mão em notórios acusados por crimes como corrupção e afins. Isso cria uma animosidade desnecessária além de eles não exigir um processo de expurgo por aqueles esquerdistas que cometeram os erros.

A população está de olhos abertos tanto na imprensa seja local seja internacional quanto nos políticos seja de direita seja de esquerda. Nós não queremos ser tratados como ovelhas que precisam ser conduzidos por um cão pastor. Tal metáfora serve para ilustrar a atuação de um país. O Brasil não é uma república de bananas que se ofende com qualquer crítica. O bom do processo de impeachment é que recuperamos a autoestima e um certo amadurecimento político. Assim espero.