Alegria em Teerã e preocupação no Oriente Médio

Hoje, o Irã viu as sanções econômicas impostas pela ONU em 2006 fossem revogadas como parte do acordo entre a nação persa e as potências mundiais ratificado em julho de 2015. Mas isso cria uma incerteza em Teerã. Com a entrada do Irã no mercado pode oferecer um queda abrupta no preço do barril de petróleo que está na faixa de 30 dólares, o menor preço desde de 2004.

Isso preocupa e muito o Oriente Médio já que as monarquias do golfo pérsico dependem das receitas do petróleo. A Arábia Saudita pode enfrentar uma falência descomunal se não fizer a lição de casa do FMI de cortar gastos e benefícios para fortalecer a economia. O Qatar está com problemas para financiar a emissora estatal Al Jazeera. Tanto que decidiu fechar o serviço americano da empresa.

Não se sabe como será as reações de outros países a nova enxurrada de ouro negro com a entrada do Irã no mercado internacional. Mesmo com o presidente iraniano Hassan Rouhani festejando a suspensão das sanções como um novo capítulo nas relações diplomáticas entre Teerã e a comunidade internacional. Esse é um novo caminho para a nação persa.

Mesmo assim, novas sanções foram impostas a Teerã pelo Estados Unidos por causa do programa de misseis balísticos. 11 pessoas e entidades terão suas contas congeladas para evitar o financiamento do projeto militar. Isso soa com um alívio para Arábia Saudita e Israel por verem uma ação dos Estados Unidos para conter o desenvolvimento bélico da nação persa.

Este é um momento de incertezas no Oriente Médio. A ascensão iraniana não pode ser ignorada. Trata-se de um momento de negociações entre os países do Oriente Médio para estabelecer como serão as relações diplomáticas em um futuro próximo. A queda abrupta do preço do barril de petróleo pode indicar um novo caminho que precisa ser percorrido com sensatez no mundo árabe.

 

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Alegria em Teerã e tristeza em Tel Aviv

Hoje, o mundo foi testemunha de algo sem precedentes. O acordo negociado entre Irã, Estados Unidos, China, Rússia, Alemanha, França e Reino Unido sobre o programa nuclear iraniano foi um feito histórico. Ao mesmo tempo que AIEA vai supervisionar os fins pacíficos da infraestrutura atômica iraniana como a limitação do uso de centrífugas para enriquecimento de urânio em troca do fim das sanções econômicas impostas ao país persa ao longo de 12 anos de negociações duras e cansativas.

A sorte mudou para o lado iraniano com a eleição do clérigo Hassan Rowhani ao cargo de presidente. Desde de então, seu ministro de relações exteriores, Mohammed Javad Zarif, teve a carta branca para negociar um acordo nuclear que reconhecesse que a existência do programa iraniano com os seus objetivos pacíficos. Desde 2013, Javad Zarif consegue convencer as potências mundiais da intenção iraniana de não fabricar uma bomba atômica. Algo temido por Arábia Saudita e Israel.

Com o anúncio do acordo, um dos primeiros críticos ao novo tratado foi o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu. Ele afirmou que Israel vai se defender contra Teerã e que o mesmo foi grande erro. Netanyahu tem sido um opositor as conversas entre as potências mundias e o Irã por temer não ser mais protegido pelas mesmas em caso de uma operação militar contra as usinas nucleares iranianas como era cogitado anos atrás quando o país persa era comandado por Mahmoud Ahmadinejad.

As celebrações em Teerã mostram que a população estava certa em confiar na palavra da dupla Rowhani e Javad Zarif. Até agora, o líder supremo iraniano Aiatolá Ali Khamenei não se pronunciou sobre o acordo nuclear. A aprovação do resultado das negociações será feita tanto pelo conselho de segurança da ONU quanto pelo congresso dos Estados Unidos. O presidente americano Barack Obama teme que a proposta possa rejeitada pelo senado e a câmara dos representantes que estão sob o controle da oposição republicana.

É possível prever a festa que será feita em Teerã para receber Javad Zarif como um herói. Com a revogação da sanções impostas pelas potências mundiais. A economia iraniana terá uma injeção de 100 bilhões de dólares em caso da liberação de seus ativos que foram congelados ao longo de 12 anos de negociações complicadas. Assim, se evita uma guerra que aparecia ser iminente há alguns anos atrás. Agora, a paz no Oriente Médio foi restaurada e será construída em um futuro próximo com a credibilidade de Teerã sendo respeitada.

O julgamento de Jason Rezaian

O Irã pode criar um novo incidente diplomático com os Estados Unidos. O correspondente do jornal americano Washington Post em Teerã, Jason Rezaian e sua esposa Yeganeh estão sendo julgados pelo tribunal revolucionário islâmico por publicar reportagens e informações contrárias aos interesses do país persa. Jason é um americano de origem iraniana. A corte não tem júri e tem sido usado por militantes linha-dura do regime iraniano para punir aqueles que criticam a teocracia local e pelo simples fato de discordar do pensamento dominante.

Teerã utiliza um sistema adotado pela revolução islâmica de 1979 para se perpetuar no poder. Mas a imprensa internacional sofre para ter correspondentes no país persa. Desde de 2009, quando uma revolta popular contra a reeleição do então presidente Mahmoud Ahmadinejad tomou conta do território. Esse tribunal foi usado para julgar os casos políticos como uma forma de repressão de qualquer tentativa de reação de uma população contra a teocracia dos aiatolás e seus clérigos e aliados.

Os jornalistas não conseguem ter acesso as informações vindas de Teerã. Uma jornalista do jornal espanhol El Pais foi expulsa do país. Enquanto outros órgãos de comunicação já retiraram seus jornalistas do Irã. Mesmo assim, serviços persas de emissoras públicas como a BBC persian e o escritório da rede de tv árabe Al jazeera mantém seus funcionários no país. A ascensão de moderados como o presidente Hassan Rouhani tem sido um alento diante da marginalização dos políticos linha-dura.

Jason e sua mulher podem pegar 20 anos de prisão. Os Estados Unidos estão empenhados em reverter a situação de Rezaian. A eventual aproximação entre EUA e Irã por causa do acordo nuclear negociado em março e que pode ser ratificado em junho mostra uma nova faceta da relação diplomática entre estes dois países. A oposição linha-dura iraniana pode tentar sabotar as futuras negociações por um tratado definitivo. O julgamento do correspondente do Washington Post é um teste para este novo Irã.

O congresso americano pode usar o julgamento de Rezaian como uma forma de pressionar o governo Barack Obama enquanto a oposição linha-dura pode exigir uma posição de Rouhani sobre como iria ser a relação entre Teerã e Washington D.C. O Washington Post está fazendo uma campanha pela libertação de seu funcionário para que ele volte para os Estados Unidos. Mas por enquanto, o julgamento de Jason Rezaian é mais um capítulo da complicada relação entre Estados Unidos e Irã.

Arábia Saudita termina bombardeios no Iêmen por não conseguir derrubar os Houthis

Após um mês de bombardeios aéreos. A Arábia Saudita anunciou o fim das operações militares no Iêmen. Riad considera a ofensiva um sucesso mesmo que não consiga deter o avanço da milicia xiita Houthi no país vizinho. Pelo jeito, o Irã está muito feliz com essa notícia.

As palavras de Khamenei

Ontem, o líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei publicou uma declaração sobre dois assuntos: o acordo nuclear entre o país persa e as potências mundiais e a guerra cívil no Iêmen. Ele disse que não tem garantias sobre o mesmo e afirmou que a intervenção da Arábia Saudita no Iêmen é um genocídio. Khamenei é um líder religioso muito poderoso no Irã desde da morte do aiatolá Khomeini em 1989. Desde de então, tem dado as ordens sobre o futuro e o destino do Irã mesmo desautorizando os presidentes e políticos locais.

Se temia que o Irã adotasse uma atitude agressiva contra os Estados Unidos após o apoio americano a coalizão saudita que iniciou os bombardeios ao Iêmen antes da última rodada de negociações. Mas Khamenei tem sido pragmático ao exigir apenas a suspensão das sanções econômicas impostas por potências ocidentais para que o acordo possa ser efetivado no dia 30 de junho. O presidente Hassan Rowhani e o ministro de relações exteriores Mohammad Javad Zarif tem sido habilidosos em convencer o líder supremo sobre suas ações.

Mas o outro front é a guerra cívil no Iêmen. O anúncio da saída do Paquistão no grupo de países que formam a coalizão após o parlamento paquistanês aprovar uma resolução onde se exige a neutralidade do país durante o conflito é um duro golpe para a Arábia Saudita e uma vitória para o Irã. O principal motivo do recuo de Islamabad é uso de tropas militares para uma ofensiva terrestre para conter o avanço de milicia Houthi que está perto de conquistar a cidade de Aden, ao sul do país árabe.

O grande conflito entre Arábia Saudita e Irã se dá no campo religioso onde os Sauditas são da corrente wahhabista (radicalismo sunita) enquanto os iranianos são xiitas (uma interpretação radical do islamismo). Sunitas e Xiitas disputam corações e mentes do islamismo por defender que tais grupos são herdeiros diretos do profeta Maomé. Isso explica porque temos um conflito aberto que paralisa a evolução do islamismo. Mas o rei saudita Salman e o aiatolá iraniano Khamenei estão em constante estado de desconfiança mutua.

As palavras ditas por Khamenei podem mostrar um Irã preparado para ser conciliador com as potências mundiais e agressivo em sua rivalidade regional com a Arábia Saudita diante do conflito iemenita. Não se sabe se a coalizão poderá usar tropas militares no país árabe para conter o avanço Houthi, que é apoiado por Teerã. Mas temos que esperar por novos atos feitos por sauditas e iranianos nas próximas semanas. Por enquanto, temos que esperar por mais pronunciamentos de Khamenei.

Irã não vai trapacear para desespero de Bibi

Ontem, o presidente iraniano Hasan Rowhani fez um discurso a nação. “Vamos manter a nossa palavra. O mundo precisa saber que não trapaceamos. Não somos duas caras”, afirmou Rowhani. “Se nós compremetemos (…) vamos agir de acordo com esse compromisso” Pelo jeito, o premiê israelense Bibi Netanyahu está emputecido com a comunidade internacional.

Mohammad Javad Zarif e John Kerry

Na história mundial, os personagens deste fatos sempre foram esquecidos por uma teoria onde impessoalidade era norma (coisa de teoria marxista). Mas ontem, o mundo foi capaz de ver que o dialogo é importante para evitar os erros históricos. Após 12 anos de contenda, Estados Unidos e Irã chegaram a uma acordo sobre o programa nuclear iraniano. Isso se deve ao amplo esforço de dois homens, o ministro de relações exteriores do Irã, Mohammad Javad Zarif e o secretário de estado americano, John Kerry.

Javad Zarif foi recepcionado como um herói nas ruas de Teerã por ter conseguido um acordo que não desmantela o desenvolvimento do programa nuclear local. Isso vai ajudar o país persa na melhora das relações com a comunidade internacional e ainda eliminar as sanções econômicas imposta pelas potências ocidentais. Mohammad é um reformista, mas foi muito hábil em impor condições e fazer concessões. As comemorações no Irã são justificadas pelo exito e confiança na população em seu ministro de relações exteriores.

Kerry é um senador democrata que tem problemas com falas em público. Ele foi candidato a presidente dos Estados Unidos em 2004 quando enfrentou George W. Bush e perdeu. Mas quando se pensa em um fracasso. John se fortaleceu como o presidente da poderosa comissão de relações exteriores do senado americano. Isso o alçou ao cargo de secretário de estado em 2013, quando teve que substituir Hillary Clinton. Ele conseguiu reverter isso ao ser um hábil negociador.

Irã e Estados Unidos não tem relações diplomáticas desde da revolução islâmica de 1979. Mas as longas conversas entre Javad Zarif e Kerry permitiram uma aproximação nunca antes vista na história mundial. Desde da reeleição de Barack Obama e a eleição de Hassan Rouhani. Os dois países adotaram um tom diplomático. O tom beligerante deu lugar a sensatez da mesa de negociações representadas por um esforço descomunal para se chegar a um acordo compreensivo para ambos os lados.

O acordo ainda precisa ser aperfeiçoado e questões técnicas terão que ser resolvidas até a conclusão de um pacto definitivo entre o Irã e as potências ocidentais que será ratificado no dia 30 de junho. O mundo respira aliviado com a demonstração de civilidade entre a nação persa e território americano. Mas precisamos ser cautelosos com os próximos passos que serão dados por ambas as partes. Se tem um longo caminho pela frente que será percorrido por John Kerry e Mohammad Javad Zarif.