O velho amigo

Tem momentos em nossas vidas em que nos deparamos com uma crise existencial. Tal dilema foi explorado pelo existencialismo francês pós-segunda guerra mundial com pensadores como Albert Camus, Jean Paul Sartre e Maurice Merleau-Ponty. Passei por isso na adolescência quando via os meus colegas de ensino médio indo para a faculdade enquanto trabalhava na oficina de motores elétricos do meu finado pai.

Escrevo sobre isso por causa de um fato que deparei hoje. O professor da FAAP estava inconformado com a vida diante de tantos fracassos nas ultimas semanas em conseguir algo que não vou citar nesse texto por respeito a ele. Tal ser culto desabafou comigo e lhe contei se não fosse as nossas conversas. Eu não teria criado um portal de política internacional como o Periscópio do Mundo.

É um sentimento de gratidão com uma pessoa que me extendeu a mão com a sua generosidade. Mas senti que este mundo governado pelas circunstâncias do imponderável pode ser cruel aqueles que são boas almas no mundo. Lembro de um amigo falando que tinha a doença de Jó onde um ser humano digno aguenta as dores da humanidade.

Nesses sete anos de redes sociais. Tive que lidar com os problemas de amigos meus com uma paciência e procurando entender o que se passava na vida de tais pessoas. Tem gente que não tem essa habilidade porque quer salvar a humanidade, mas esquece de seu semelhante que sempre lhe dava atenção nos momentos em que estava na fronteira entre o céu e o inferno.

Meu amigo professor da FAAP pensa que deus lhe esqueceu. Mas vejo da seguinte forma. O chefão não lhe poderia esquecer daquele que acredita piamente em suas palavras, orações e homilhias. Ele ainda vai conversar com o ser humano culto por meio de sonhos ou reflexões para que possa achar um rumo certo para sua vida diante do caos das incertezas.

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O caipira cosmopolita

Em 2013, estava em um grupo de descolados de Curitiba no facebook quando a dona do grupo, uma dançarina burlesca nascida em Minas Gerais, me achou chato e prevísivel por ouvir a BBC Radio Four. Volto nesse tema porque lembrei de tal história em uma conversa com uma amiga minha que mora no Rio de Janeiro que ficou impressionada com tal mente aguçada que tenho.

Muita gente que mora em cidades grandes do Brasil tem um certo preconceito com os moradores do interior. Escrevo sobre isso porque convivo com pessoas inteligentes que moram longe das megalópolis como o meu amigo sergipano que escreve roteiros de séries. Ele assiste a aclamada série americana Madmen e entende muito sobre a cultura do sul americano.

No meu caso, eu comecei a assistir a BBC One e BBC Two no fim de 2012. Isso me permitiu ter uma cultura sobre países distantes como acompanhar séries como Last Tango in Halifax e Doctor Who. Sem contar as vezes que assistia o BBC News At Ten e o Newsnight para me preparar para cobrir as eleições gerais no Reino Unido e as desventuras de David Cameron no Brexit.

Mas temos que lidar com tais moradores de metrópolis que ficam assustados quando vossa senhoria fala da coalizão entre conservadores e liberais-democratas no Reino Unido de 2010. Eles ficam se perguntando como um caipira entende sobre Downing Street e Westminster invés de ficar ouvindo as últimas novidades do mundo sertanejo universitário.

Bem, fui deletado do grupo de descolados de Curitiba por razões que nunca saberei. Tempos depois, um amigo curitibano comentou comigo que o pessoal paga de descolado mesmo não tendo uma relação com a cidade dos contos de Dalton Trevisan. Eu perdi os amigos, mas continuei a ser um caipira cosmopolita mesmo assim e não me arrependo disso.

Afobados

Estava no whatsapp quando os baladeiros cariocas estavam ansiosos por conhecer alguém novo. Tive que exercer a função de speaker da Câmaras do Comuns no parlamento britânico pedindo para sossegar o faxo para não amedrontar o novato em sua iniciação em uma balada LGBT. Mas consegui compreender o motivo de tanta afobação.

Meus amigos LGBTs sempre foram muito afoitos e com medo de serem rejeitados por pessoas que atiçam sua volúpia. Eles são muitos agressivos em suas cantadas e flertes. Mas no jogo da sedução humana exige um pouco de tato para evitar problemas futuros onde possam causar frustrações por não serem compreendidos em sua sexualidade aflorada.

Falo disso porque fui alvo de uma cantada de um amigo meu. Precisei ter jogo de cintura para poder lidar com tal ato aflorado da pessoa em questão. Ele compreendeu porque fui educado e dei a dica para não ir tão afobado quando conversa com uma pessoa sendo crush (este termo dos jovens que não querem usar a palavra amante por questões morais).

Isso me lembra da ansiedades dos americanos quando sabiam que os soviéticos estavam a frente da conquista da Lua na corrida espacial dos anos 1960. Mas meus amigos LGBTs não iriam entender tal cobiça e a ânsia de ter um amante em um dark room em uma balada local. Afinal, não iriam descansar em conseguir alguém para realizar de tais fantasias.

Mas se eles ouvissem músicas como Thunderstruck, do AC/DC invés de ficar no festival vulgar da dança do acasalamento prometido pelo cancioneiro do funk brasileiro como balançar a raba ou fazer sarradas (as vezes sinto falta de um bom rock inteligente nessas horas). Eles entenderiam que estão forçando a barra por terem o medo de ficarem sozinhos no mundo.

Como entender a cidade eterna

O nobre leitor e leitora deste blog compreendem que tem conversas com o colunista do Estadão. Pois bem, no último domingo. Ele ficava preocupado com a incompreensão do sistema político italiano diante do fato de não termos correspondentes em Roma e como os brasileiros que visitam a praça São Pedro não compreendiam os 63 governos em 72 anos de vida republicana.

Como não faço turismo. Resolvi criar um blog sobre política italiana chamado Cartas de Roma. Tanto que já postei um texto sobre a recente decisão do presidente Sergio Mattarella de não aceitar o gabinete do primeiro-ministro Giuseppe Conti e suas implicações no cenário político na terra da macarronada e do coliseu romano em ruínas eternas.

Mas o meu amigo colunista do Estadão ainda não entendeu como os italianos aguentaram 63 governos de primeiros-ministros como Aldo Moro, Bettino Craxi, Giulio Andreotti, Silvio Berlusconi, Romano Prodi, Mario Conti, Enrico Letta, Matteo Renzi e Paolo Gentiloni. Ele tem razão em não entender como funciona a democracia parlamentar da cidade eterna.

A Itália do meu amigo colunista do Estadão é dos filmes do neo-realismo de Pier Paolo Pasolini, Federico Fellini, Victorio Gasman, Luchino Visconti. Sem contar as peças de teatro de Dario Fo onde exaltava-se o anarquismo e a poesia de Cesare Pavese. Enquanto a minha Itália é da geração de chefes de equipe de montadoras como Fiat e Lancia como Luca Di Montezemolo, Danielle Audetto e Cesare Fiorio.

Enfim, terei mais uma eleição para cobrir diante do fato de Mattarella não aceitar um governo de coalizão populista entre o Movimento 5 estrelas e a Liga. Terei que destrinchar o cenário político da cidade eterna para entender como tal nação sobreviveu a 63 governos entre idas e vindas. Mas meu amigo colunista do Estadão ainda vai ter muito trabalho pela frente.

Os leitores do Linked In

Eu tenho uma conta no Linked In. Tal rede social para contatos profissionais que mantenho para divulgar os meus textos. Para a minha surpresa, um post sobre política australiana que compartilhei no Linked In que escrevi no blog The Oceania teve 200 acessos. Isso é muito para um diário virtual pequeno que se dedica a destrinchar o mundo político da nação de Malcolm Turnbull e Bill Shorten.

Isso me faz perceber que tem um mercado inexplorado para a blogosfera que solenemente ignora. Nós mantemos o foco no Twitter, Facebook e Instagram. Mas nos esquecemos que a humanidade gosta de textos escritos de forma simples e não de um elaborado manifesto sobre os rumos do mundo como uma forma conclamar o povo para salvar a civilização.

Além da aposta de publicar textos sobre mundos distantes como a política da Austrália e Nova Zelândia. Isso fez que expandisse o serviço internacional do Periscópio do Mundo criando blogs para regiões como Portugal, Espanha, Itália, Europa Ocidental, Leste Europeu, Escandinávia, Extremo-Oriente e União Europeia como uma maneira de fortalecer a cobertura internacional.

Um dos grandes problemas do brasileiro é que não sabia romper com o pensamento de umbigo do mundo. Isso não permite uma reflexão sobre o papel de nosso país no contexto mundial como tão bem fazem a BBC do Reino Unido e a Al Jazeera do Qatar. Temos que evoluir muito nesse quesito para não ficarmos para trás diante do constante avanço da globalização.

Meus amigos de Linked In querem informações que possam ajudar na tomada de decisões desde de compra de ações de uma empresa chinesa até uma melhor compreensão sobre o momento político da Irlanda. Enfim, este é um trabalho que terei que fazer com o maior orgulho do mundo para poder atender a demanda do público por noticias pelo globo.

Em tempos de Tinder e Friendzone

No sábado passado, estava no twitter conversando com um amigo jornalista sobre o amor nos tempos contemporâneos. Ele comentou que prefere a sedução do que um match no aplicativo Tinder. Hoje, me deparei com isso quando entrei em um grupo novo no whatsapp onde uma garota ficou impressionada pelo fato de ter comentado que leio as newsletters do New York Times.

Isso remonta a 2013 quando estava um grupo de jovens que não conseguiam namorar por estarem na friendzone. Mesmo nunca ter namorado na vida. Percebi tal sofrimento de seres humanos que não conseguem concretizar o ato de namoro porque tal pessoa inspiradora os vê com um mero amigo. Homens e mulheres se sentem rejeitados diante disso.

Se caso uma pessoa namore. Ela deve anunciar nas redes sociais como se fosse um plantão do Taggeschau na época que o Muro de Berlim caiu em 1989 ou fazer vários cartazes com ares culturais como aconteceu na França em maio de 1968. Só faltam entoar os slogans como “É proibido proibir” e “A imaginação no poder” para conquistar o amor de sua vida.

Eu lembro de minha amiga paraense do twitter ter postado como seria uma cantada em um idioma estrangeiro. Então, usei a frase comum entre os primeiros-ministros britânicos quando se encontram com a sua majestade: Her majesty, I pledge to form a new government. Mas como dizia o jornalista americano H.L. Mencken afirmando que a democracia é o sexo da política

Não usei o pedido de formação de um novo governo como uma forma de sedução a minha amiga paraense do Twitter porque ela já tem um namorado. Mas percebo que os meus contemporâneos de geração não sabem lidar com a rejeição e términos de namoros como é comum nas democracias parlamentaristas. Afinal, eles gostam de dar um match e seja que deus abençoe a América

Conversando sobre o Queen

Estava de madrugada no whastapp para ler uns emails e fazer a pauta do blog. Quando comentei que gosto das músicas do Queen. Então, meu amigo sergipano e este que vos posta trocamos boas idéias sobre nossa banda de rock cujo o vocalista foi o maior frontman que não vi chamado Freddie Mercury logo na véspera de sair o trailer do filme Bohemian Rhapsody.

As conversas entre eu, o amigo sergipano, o filósofo baiano, o mestrando do Paraná e o senhor do churrasco no mostraram um elo comum que é a música. Ao mesmo tempo que comentávamos o fato de pensarem que as canções podem ser usadas de uma forma de dizer que somos superiores a humanidade enquanto na verdade se trata de uma maneira de expressar a nossa opinião e não bancarmos os idiotas intelectualoides.

O amigo sergipano ouve o southern rock americano. O filósofo baiano curte o jazz fusion. O senhor do churrasco gosta de músicas bregas. O mestrando do Paraná escuta o som eletrônico enquanto eu sou um especialista do pós-punk. Mesmo nós temos gostos musicais tão diversos. Respeitamos as opiniões alheias e trocamos ideias como aconteceu nessa madrugada.

Ultimamente, o gosto musical tem sido usado como algo de status em uma república tão bem retratada no livro Casa Grande e Senzala, de Gilberto Freyre. Eu vejo isso quando percebo que meus conhecidos ouçam bandas desconhecidas do grande público como uma forma de dizer que são diferentones e tal ato é uma resistência ao maligno mainstream.

O amigo sergipano e eu fícavamos trocandos idéias sobre o Queen desde dos primeiros álbuns nos anos 1970 até o derradeiro LP Innuendo que foi lançado antes da morte de Freddie Mercury acometido pelo vírus da Aids em 1991. Nossa conversa rendeu muito para ambas as partes e ensina que a música não é um status pessoal, mas sim uma forma de unir mundos distantes entre nós.