filhofobia

Quando era pequeno. Eu sempre queria ter um irmão. Mas a minha mãe sabia como ninguém como era duro cuidar de uma criança como este que vos posta. Eu não era uma pestinha e sempre ela tinha que me levar para APAE e psicologas para tentar resolver o problema de eu não conseguir fazer amizades com os meus coleguinhas de escola.

Percebo hoje que os meus contemporâneos estão nervosos só de saber que terão um filho. Lembro do meu amigo Hawk com orgulho de ter um rebento como poucos. Mas tem gente que tem horror a crianças pelo simples fato de perder a liberdade de ser um homem ou mulher livres e sem amarras pelo fato de não ter que cuidar de alguém.

Isso é uma tolice. Eu não tenho filhos porque não daria conta. Mas vejo os meus contemporâneos sendo os velhos narcisistas de sempre que temem que uma criança estrague suas vidas. Isto me lembra o filme Love, de Gaspar Noé onde Murphy fica se lamentando de ter tido um filho do que ser um atleta sexual para a sua amante Elektra.

Hoje, os meus contemporâneos querem ter filhos. Mas esqueceram do fato de cuidar de uma criança exige trabalho e custo-bebe é alto porque tem a conta da TV fechada, a mensalidade da escola junto com o salário da babá que cuida do rebento enquanto o casal está trabalhando para pagar tais contas com um esforço árduo que todo mundo entende.

No meu caso, meus pais foram mais maduros e responsáveis que a geração atual de pais e mães. Posso ter nascido de forma acidental, mas tenho orgulho pelo fato de minha mãe e meu pai ter orgulho de um filho que tinha problemas psicológicos. Mas nunca se abateu. Bem, estou vendo um bando de mimados e imaturos com filhofobia extrema.

Minhas amigas mais velhas

No filme “O Estranho caso de Benjamin Button”. Button faz amizade com uma senhora de idade interpretada por Tilda Swilton. A relação afetiva de um homem e de uma mulher em um hotel com poucos hospedes durante a segunda guerra mundial se faz presente na minha vida quando lembro de minhas amigas mais velhas que fiz no mundo virtual.

A amizade se construiu através de meu jeito educado de ser. Em tempos em que o amadurecimento foi deixado de lado em prol de uma eterna adolescência imatura e medíocre. Ter amigas mais velhas te dá uma sensação que possa compartilhar experiências em uma conversa através de uma troca de ideias interessante para ambos os lados.

Eu me sinto um Benjamin Button onde tenho uma maturidade de adulto mesmo para uma criança de 11 anos que vai voltando a tenra idade aos 28 anos quando vê um desenho da Hanna Barbera em um canal de desenhos animados que só existe no mundo das TV por assinatura. Isso seria um equilíbrio perfeito para um sujeito de minha estirpe.

Minhas amigas mais velhas como Rosana e Ana Paula se impressionam comigo por ser um jovem que tem uma mentalidade onde discute as grandes questões do mundo moderno como o Oriente Médio e o Brexit atrás de um computador onde faz piadas que este planeta que perdeu juízo com as suas lutas internas que ninguém compreende direito.

Essa é uma reflexão que faço quando converso com a Ana Paula e a Rosana. Afinal, sou um ser jovem que faz reflexões sobre a vida e deseja ter amigas mais velhas para poder conversar sobre as últimas do continente europeu e da política britânica por exemplo. Porém, é muito importante ouvir a voz da experiência como dizia o jogador do Tabajara Futebol Clube, Wantuirson, interpretado pelo casseta Beto Silva.

Enfim, essas amizades valem a pena.

Entre os detritos do Skylab e os pagamentos da BBC

Eu escrevo sobre política britânica e australiana rotineiramente desde do ano passado. As minhas fontes de informação são as newsletters do jornal britânico The Guardian e do diário americano New York Times. Além do serviço do Daily Telegraph junto com algumas visitas esporádicas no The Australian e acompanhar o twitter.

Percebo que certos fatos passam despercebidos por nossa imprensa tupiniquim. Um exemplo é a queda de detritos da estação espacial americano SkyLab em 1979 que assustou os moradores do sul da Austrália. Na época, o então premiê australiano Malcolm Frasier disse que estava impressionado com a avançada tecnologia yankee tinha caido em sua nação. Tanto que o presidente americano Jimmy Carter pediu desculpas.

Outro fato dessa dicotomia é não termos alguém em Londres para cobrir a mídia britânica. Amanhã, a BBC irá divulgar a lista de empregados que ganham mais de 100 mil pounds por ano como uma contrapartida que o governo exigiu para renovar a Royal Charter que criou a emissora pública de rádio e TV. Isso cria controvérsias em Londres.

Mas nossa imprensa pede que os nossos correspondentes em Londres foquem apenas em cobrir a última exposição do National Gallery invés de se credenciar para acompanhar os eventos no Nº10 da Downing Street e no parlamento britânico em Westminster. Pior ainda a negligência da mídia em mandar um correspondente para a Austrália em um momento de expansão dos serviços do Guardian e do NYT.

Fico me perguntando porque os nossos jornalistas e editores ainda pensam que Londres é uma cidade onde os britânicos tem o sotaque como estivessem falando com batata na boca e que a Austrália é um território de bichos exóticos como o Canguru, Coala e o Ornitorrinco. Afinal, ainda somos um país fechado para a cultura anglo-australiana. É uma pena para nós que gostamos de falar inglês e ver Doctor Who.

 

As amizades de gasolina

Quando eu era criança. Tinha um coleguinha chamado Gustavo. Ele gostava de revistas de carro. Meu amigo tinha uma deficiência mental que lhe comprometia suas funções cerebrais. Não tinha conhecimento disso, mas sempre queria ler a revista Quatro Rodas que o Gustavo trazia para escola. Mas sempre fracassava em tal tarefa.

Isso se refletia na minha vida. Minha mãe comprou a minha primeira revista de carro em setembro de 1994 no caminho de volta pra casa em um jornaleiro que ficava perto de uma lotérica. Um ano se passou e meu pai ganhou uma assinatura da revista 0KM quando comprou um Fiat Uno e sempre me dava tais revistas para que eu pudesse ler.

Quando terminou a assinatura da 0KM. Passamos um tempo sem comprar revistas e comecei a ver corridas de Formula 1 e Indy. Só que não tinha amigos para poder conversar sobre tal assunto além da minha mãe sempre passar em uma banca no caminho de volta da minha psicóloga para ver as últimas novidades de revista de carro até 1997.

De 1997 a 2007, minha tia me deu uma assinatura da Quatro Rodas. Mas apartir de 2003, isso não adiantava porque sempre ia na banca do seu Carlos para poder comprar uma edição especial de Quatro Rodas como guias de automobilismo, carros antigos,  Tuning e os anuários de carros novos. Isso durou até a minha vida adulta porque tinha outros interesses.

Mas os carros me ajudaram a ter amigos quando voltei a esse universo em 2013 quando o meu amigo Felipe Pires me chamou para ver uma corrida de Nascar. Disso, comecei a trabalhar como tradutor de notícias do esporte a motor. Conheci amigos como Fernando, Fern, AVC, Romulo e Fabio. Hoje, tenho um portal de esporte a motor. Ou seja, tenhos os amigos de gasolina.

A última balada

Em julho de 2016, eu estava a toa em uma quinta-feira com a minha casa com problemas de fornecimento de água e acompanhando as notícias da convenção do Partido Democrata. Então, um conhecido me mostra um convite para uma balada no Rio de Janeiro e vou a tal evento no facebook que se chamava Sex Tape e era organizado pelo Marky.

Vejo um post onde adicionavam números do whats. Coloquei o meu nome na lista e fui adicionado. Então, me vieram com um questionário com perguntas sobre o meu comportamento sexual. O capiau respondeu tudo com áudios usando termos chulos como maneira de fazer um humor politicamente incorreto sobre a sexualidade humana.

Cai nas graças do grupo. Então, conheci pessoas com Ben 10, Romulo, Vini Depp, Maria Valle, William, Jonatas, Germano entre outros. O capiau que vos fala virou um primeiro-ministro francês para tentar organizar as coisas como o Luau do Vini Depp ou ajudar uma amiga a se encontrar com um amigo via uma mensagem deste que vos posta.

Nesse tempo, fui confundido como um terrorista por ter dito que estava acompanhando o desenrolar da construção de uma usina nuclear no Reino Unido e além de ser um porta-voz de assuntos que são pouco conhecidos pelos baladeiros cariocas como o referendo da consttuição da Tailândia e as nuances de minha vida de nerd-geopolítico.

Eu sai do grupo duas vezes por sentir que não era levado a sério como se fosse um Charles De Gaulle da vida pós-moderna. Após um longo exílio, eu voltei ao grupo por via de um link. Então, soube que ontem que eles iriam organizar a última festa Sex Tape. O que posso dizer é agradecer a eles por me compreenderem neste um ano de relacionamento e vou ter que exercer a função de premiê francês mais uma vez.

O caipira de Pindamonhangaba

Eu tenho raízes caipiras pelo fato de minha família vir do campo. Tanto que nasci em um cidade do interior como Pindamonhangaba (onde moro até hoje). Isso me faz ter que me explicar porque o DDD é 12 enquanto os baladeiros cariocas usam o DDD 21. Tanto que as pessoas pensam que sou um fake por ter uma fala tão estranha para um público acostumado com palavras como sarrar.

Isso é normal para mim. Muitas pensam que uma pessoa como eu que mora em uma cidade do interior não acompanha os dramas do mundo. Existe uma visão de quem mora nas capitais ou em grandes cidades do interior de quem é um caipira possa ser um sujeito ingenuo e deslumbrado com a metrópole. Mas isto é uma visão equivocada.

Isto me lembra uma vez em que um conhecido virtual que estudava história na Unicamp não sabia da Operação Oxigene onde o serviço secreto francês queria sabotar um navio do Greenpeace na Nova Zelândia para evitar um protesto contra os testes nucleares na polinésia francesa. Então, espantado. Ele me perguntou que François Mittiterrand era um terrorista?

Muitas pessoas que moram nos grandes centros ignoram que exista uma vida inteligente em lugares improváveis como Pindamonhangaba. Não temos por exemplo, um teatro. Mas temos uma faculdade de artes cênicas junto com cursos de teatro amador onde pode entender a dramaturgia de maneira interessante e tendo alunos ávidos por conhecimento.

Isso já me fez amigos e inimigos ao longo da minha vida. Lembro de uma dançarina burlesca que me deletou de comum acordo porque me considerava chato e prevísivel pelo fato de sempre estar citando ouvir a BBC Radio 4 em 2013. Depois, um amigo me disse que ela era de Minas e ficava sendo poser em Curitiba. Coisas de um caipira de Pindamonhangaba.

Meu lado Roy Jenkins

1967, o Reino Unido discutia se a homossexualidade ainda era considerada crime. Mas isso foi resolvido com a decisão do então secretário do interior trabalhista Roy Jenkins. Ele foi considerado o mais liberal chefe do Home Office na história por permitir que os gays não fossem punidos e ter permitido o aborto em um país em seu momento conservador como o GBR dos anos 1960.

Percebo isso quando converso com os meus amigos gays sobre variados assuntos. Eles confiam em mim como bom confidente além de não me julgarem por ser um liberal-conservative. Jenkins é considerado um verdadeiro social-democrata por entender as demandas de uma sociedade em constante mudança como uma revolução em marcha.

Isso se reflete em questões externas como a entrada do Reino Unido na então comunidade europeia em 1973 e no referendo de 1975 onde ele fez uma campanha onde gastou a sola do sapato por todo país para explicar as vantagens do mercado comum europeu para uma sociedade que estava desconfiada com o temor da perda de empregos com a integração europeia.

Um momento importante disso foi um debate entre Jenkins e o eurocético Tony Benn (então secretário das indústrias) exibido ao vivo no programa Panorama da BBC One para o desespero do primeiro-ministro trabalhista Harold Wilson que temia uma profunda divisão dentro do partido trabalhista que pudesse permitir a volta dos conservadores liderados por Margaret Thatcher.

Se sempre existiu a figura personalista de um homem que personificou os ecos de uma sociedade ansiosa por mudanças e ao mesmo tempo, se propôs ao oferecer uma agenda de ideias e propostas que julgavam ser necessárias para o futuro de sua pátria. Tenho que reconhecer o trabalho de Roy Jenkins em favor do Reino Unido e dos homossexuais.