Estes homens que não tem assunto para conversar com uma mulher

Em 1999, completava-se 30 anos que o homem foi a Lua. Naquele tempo onde se discutia a corrida espacial entre americanos e soviéticos nos anos 1960. Eu conversava com uma amiga e amor platônico sobre isso quando estávamos na van escolar. Hoje, ela é analista de sistemas enquanto este que vos posta está escrevendo neste humilde blog sobre o mundo e a humanidade.

Conto-lhes tal história porque vi dois conhecidos conversando sobre como conversar com uma garota. Parecia um papo de colegial onde os garotos tinham uma enorme insegurança ao lidar com suas reações e medos perante uma garota bonita que lhe provocava o senso de conquista amorosa mesmo não tendo habilidades para lidar com isso.

No meu caso, eu tive tal problema no ensino fundamental em 2002 quando tinha 13 anos e nenhuma amiga mais velha. Mas tinha uma determinação em ter uma conversa com o mundo feminino que consegui em julho daquele ano quando conversei com uma tia de uma colega minha que tinha a minha idade e tinha levado um exemplar da revista capricho onde fizemos um teste juntos e a convenci a dançar comigo para o espanto dos meus provocadores.

Mas os meus contemporâneos de geração perderam a tal habilidade de conversar com o sexo oposto. Principalmente em assuntos relacionados aos gostos pessoais. Muita gente quer conversar sobre a teoria junguiana, mas se depara com um intelecto que ouve sertanejo universitário. Tal tentativa de construir a ponte para o desconhecido se dá em uma balada e isso não dá certo em momento onde todo mundo quer pegar geral.

Meus amigos querem ter uma conversa interessante com uma mulher. Mas lhe recomendo abrir a mente para novas possibilidades. Pode ser assustador para um homem moderno que defende teorias abstratas sobre o mundo contemporâneo. Mas é essencial para que tenhamos uma boa conversa com uma garota sobre a corrida espacial dos anos 1960.

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O apanhador

JD Salinger criou o conceito moderno de adolescência ao escrever O apanhador no campo de centeio onde contava a história de Howden Caufield e seus dilemas sobre a vida. Ele sempre mostrava um mundo desconhecido para o grande público em uma fase da vida que era ignorada até o pós-segunda guerra mundial com a ascensão do Rock com Elvis Presley e Beatles.

Percebi isso quando uma amiga minha vive as turras com o mundo pelo desejo de viver a sua própria vida. Isso me lembra quando o porta-voz do ministério das relações exteriores da União Soviética, Genady Garassimov, comentou sobre a queda do Muro de Berlim: Os alemães-orientais estão fazendo uma glasnost em seus próprios termos”. Isso é a melhor declaração sobre independência pessoal.

Ter as rédeas do mundo é uma tarefa complicada. A humanidade quer dar palpites sobre o que vossa senhoria pode comer, vestir e até mesmo com quem pode namorar. Isso é um autoritarismo de fundo de quintal pior nos tempos do comunismo no leste europeu onde qualquer um que tinha inveja alheia denunciava para as polícias secretas de tais nações por crimes contra a ideologia comunista.

O mundo não aceita o individualismo como uma forma de ameaça ao pensamento coletivo que nos engessa. Principalmente na adolescência e na vida adulta onde queremos ter a liberdade de cuidar do próprio nariz. Mas deparamos com a família, amigos e a sociedade que temem por nosso destino para não terem dores de cabeça conosco.

Howden Caufield vivia em um mundo onde não tinha internet ou redes sociais. Porém, sentia uma pressão descomunal para ser perfeito diante da sociedade. Então, ele tinha uma rebeldia indomita capaz de questionar tudo e a todos em suas reflexões. A vida nos permite isso como se fosse um salvo-conduto para tocar o barco. Mas esqueceram de avisar isso para a humanidade.

Quanto custa um litrão?

Estava no twitter para ajudar dois amigos acompanhando o jogo 3 dos playoffs da NHL entre Anaheim Ducks e San Jose Sharks. Quando vi minha amiga Hanna reclamando dos homens com razão e o meu amigo Chimpa lamentando o fato de não ter uma namorada para ver um jogo de Hockey. Nisso, fiz companhia aos dois desacreditados na fé humana com uma campanha de vaquinha pra comprar uma garrafa de cerveja tipo Litrão.

Isso pode parecer uma situação banal da humanidade. Mas nos revela que temos um problema onde as pessoas criam expectativas em relações amorosas. Já passei por isso nos tempos de amores platônicos em minha adolescência. Agora, Hanna e Chimpa tem que lidar com tal momento embaraçoso da mente humana onde a solidão se torna muito presente.

Ontem, estava conversando com a minha amiga Luma onde reclamava da falta de homens que gostam de ouvir Caetano Veloso quando acordam de manhã após uma longa noite de amor. Então, ela me explicou a teoria da peneira dita pela Youtuber Jout Jout. Vendo o vídeo, me lembrou a demissão de Gough Whitlam por John Kerr na Austrália em 1975.

A atual geração tem um problema de ficarem sozinhos no mundo e serem rejeitados por aqueles que julgam ser a metade de sua laranja como diria Fábio Jr. Eu tinha tal preocupação na adolescência. Mas criei um modo de lidar com isso com um senso de humor onde poderia levar a vida sem ter as neuras de uma sociedade onde o pecado é ser solteirão.

Os meus amigos como Luma, Hanna e Chimpa vão ter que lidar com tal abismo da solidão. Eles são jovens e vão ter que amadurecer para lidar com as rejeições e as frustrações do mundo. Isso não é um soco no estomago como pretendia Jean Paul Sartre em seu livro “O ser e o nada”. Mas por enquanto, vou ter que pesquisar o preço de uma garrafa de cerveja tipo litrão.

Caipira sofisticado?

Eu estava no whatsapp quando comentei que uma conversa entre este que vos posta e uma amiga minha dura menos de 3 minutos. Equivalente a uma transa de coelho. Ela falou no grupo que tem problemas para digitar e pediu desculpas. Então, comentei que estava assistindo a um documentário do partido trabalhista britânico no YouTube junto com os talks shows da netflix.

Ela disse que era sofisticado demais.

Então, relembrei das vezes que várias pessoas disseram essa frase para mim porque falava de assuntos que acompanhava vendo o Jornal Nacional ou na minha adolescência lendo a Folha de S.Paulo e a Veja para o espanto de meus professores de ensino médio como a Eunice (Geografia), Ana Paula (Biologia), Gonzaga (História), Maria Alice (literatura) e Ademar (Português).

Muitas pessoas se surpreendiam comigo por ver que tinha uma inteligência aguçada. Meu grande amigo Johnson me incentivou a ter um blog por causa disso em 2008 quando fazia o curso técnico de informática. Tanto que lhe apelidei de John Major e me chamava de Senhor Winston por causa de nossas conversas e de um certo humor interno que nós criamos durante a nossa convivência.

Hoje, as pessoas ficam impressionadas por fazer algo tão diferente do habitual como ficar gravando vídeos para um canal no youtube como uma forma de comunicar-se com os adolescentes. Enquanto eu converso com tais pessoas quando me perguntam sobre o Brexit e o Maio de 1968 como o meu primo Lucas quando está fazendo seu trabalho de escola.

Mas hoje, a humanidade está em sua fase de mediocridade pandêmica. A busca pelo conhecimento virou slogan de um extraterrestre fajuto. Tanto que um amigo intelectual não deseja que seja formados um novo público para assistir os filmes da Nouvelle Vague como Acossado e Jules e Jim. Enfim, continuo a ser um caipira sofisticado nesse presente momento.

Contraponto

Ontem, meu amigo Javier me chamou no whatsapp para fazer parte de um podcast sobre política. Logo vendo a pauta, percebi que tinha pouca coisa sobre a direita. Enviei uma mensagem pra ele afirmando que seria um advogado do diabo por fazer contraponto sobre seu idéario social-democrata sendo eu um liberal-conservador estilo britânico (liberal na economia e na moral e conservador na política).

O nobre leitor e leitora vão pensar que vou quebrar o pau pra cima da esquerda. Mas na verdade vou tratar de discutir o pensamento ideológico que ronda a nossa nação. Eu já defendi o direito do Jair Bolsonaro de falar suas asneiras em 2011 quando ele foi processado por Preta Gil por causa de um mal-entendido da pretensa cantora. Mas o processo não foi pra frente no STF.

O Brasil vive uma guerra de trincheiras entre lulistas e antilulistas. Isso sufoca a discussão de idéias e propostas tanto da esquerda quanto da direita. Sem contar que o nosso sistema partidário é uma zorra total no quesito de termos partidos demais para poucas ideias. Isso que terei de fazer nos debates que travarei com os amigos de Javier no podcast.

O Brasil precisa de idéias e de uma agenda comum em assuntos como livre-comércio e imigração. Mas nossos pachequistas querem discutir as melhores formas de xingar o oponente sem ter processo judicial. Isso me deixa irritado porque não permite um debate sério sobre os problemas da nação em um momento onde enfrentamos problemas econômicos.

Se queremos um país melhor. Vamos ter que debater propostas para assuntos relevantes como a previdência sem termos o populismo de plantão. Meus colegas de podcast e eu vamos ter que lidar com um ambiente hostil onde o deserto de idéias e de homens e mulheres se faz presente. Enfim, terei que ser um contraponto a tal desconforto ideológico.

Melancolia

Eu lido com um ambiente hostil. Não me faço de coitadinho vitimista, mas reconheço que vivemos tempos complicados. As pessoas perderam a gentileza e entraram em uma profunda era de melancolia onde a alegria não existe mais. Falo disso quando li o texto de um dos redatores do site Sensacionalista, Marcelo Zorzanelli, onde ele assume que tem depressão e faz piada disso.

Eu tenho esquizofrenia leve (antissocial que não tem alucinações) e vejo muitos conhecidos virtuais que reclamam de problemas pequenos como ter um transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH). Parece que tais pessoas lidam com uma melancolia interna onde não tem senso de humor para falar da longa lista de remédios que toma em casa.

Nessa vida de tomar remédios a noite. Lidei com gente que ficava irritada com o glamour disso porque parece que você tem algo diferente do habitual. Todos querem se sentir especiais perante a sociedade. Mas se esquece que isso não vem com uma receita azul de um remédio tarja preta. Então, todos nutrem a tal melancolia para pedir atenção a humanidade.

Minha geração não sabe lidar com os problemas do cotidiano. Parece que deseja ter defeitos para justificar a sua busca por uma novidade da indústria farmacêutica para conter os sintomas de uma depressão e esquizofrenia. Sem contar com o niilismo de fundo de quintal onde ninguém leu Nietzche e a escritores russos como Tolstoi e Dostoiévski.

Criou-se um mito onde a tristeza é algo que permite o florescimento da criatividade como aconteceu com as drogas e afins. Então, a melancolia se faz presente em um momento onde a humanidade vive um deserto de ideias e afins. Não é glamuroso ter uma doença mental. Mas é digno assumir isso e evitar o vitimismo tão comum atualmente.

O exílio dadaísta

O Dadaísmo era um movimento artístico criado em 1913 como uma forma de questionar a arte apartir do nada. Assim que o artista francês Marcel Duchamps criou a obra Urinol, em que se tratava de uma privada com pequenas modificações que quase foi para o lixo por causa do desconhecimento da irmã de tal provocador. Isso foi até o final da 1º guerra mundial onde os artistas viviam em seu exílio na Suíça.

Bem, eu fiz um exílio dadaísta quando decidi que não iria acompanhar o julgamento do habeas corpus do ex-presidente porque não me interessava. O nobre leitor e leitora se pergunta como tal ato de desprezo factual ocorreu enquanto os rumos da nação estavam sendo decididos por 11 magistrados que redigiram longos votos com citações de cânones do direito brasileiro?

A resposta para isso se chama poupar-se da guerra de trincheiras nas redes sociais. A política brasileira virou um fla-flu ideológico que não tem rumo. Todos querem que suas opiniões sejam aprovadas por louvor pela plebe. Eles resistem em aceitar conceitos como presunção de inocência ou transitado e julgado por simplesmente chamar a atenção de seus pares nas redes sociais.

Meus amigos de twitter ficavam comentando os votos dos ministros com sensatez enquanto eu ficava fazendo uma pesquisa sobre uma atriz pornô no Pornhub. Eu ajudava o homem que consertava a tv de uma tia minha enquanto a plebe estava determinada a dizer que o ex-presidente deveria viver livre ou ser preso imediatamente por respeito a sociedade.

Acompanhar a política brasileira virou um inferno de dante que me chateia pela falta de propostas sobre assuntos de grande relevância como a economia ou uma agenda para impulsionar os acordos de livre-comércio. Mas isso não é discutido pelos intelectuais da máquina de escrever ou pelos especialistas de redes sociais. Enfim, fico em meu exílio dadaísta.