Os caracteres russos

No facebook, tenho uma amiga que se chama Aline. Mas por essas questões para se diferenciar de todo mundo. Ela decidiu adotar o alfabeto cirílico com suas letras de difícil compreensão no linguajar ocidental. Mesmo assim, tais letras são amplamentes usadas na Rússia e outros países que formavam a União Soviética até 1991. Porém, não entendo isso.

Não é uma questão pachequista. Mas percebo que tais pessoas usam tal alfabeto para dizer que são diferentes dos outros que adotam o estilo ocidente. Isso era correspondente as tatuagens de nomes escritos em idioma japonês onde todos se gabavam de ter um braço tatuado com o seu nome no ideograma oriental que ninguém entende.

Bem, tais pessoas fazem essa escola como se fossem um novo hype de nosso mundo como veganos musculosos, crossfiters, militantes de rede social, barbudos estilos e principalmente analista de política do Reino Unido (estou me incluindo como uma lição de autocrítica esquecida no mundo pós-moderno que vive um efêmero limbo filosófico).

Imagina se um russo usasse o alfabeto ocidental. Ele iria ser taxado de um apátrida que não tem orgulho de sua pátria-mãe. Mas os russos são conhecidos por uma boa escola literária que foi compreendida pelo mundo com a sua visão niilista dos fatos e da vida que precisava de uma tradução. Quem fazia tal trabalho eram os franceses antes da cultura de traduzir diretamente como acontece nos dias de hoje.

Não sei se Aline ainda vai permanecer com o seu nome em russo. Não sei se ela vai tatuar o mesmo em seu corpo. Penso que tal tatoo vai aparecer um código de barras em um braço que vai precisar de um leitor de códigos. Bem, vou resistir em ver o meu nome no alfabeto cirílico nos próximos anos. Assim, posso dizer que sou um resistente a invasão do império russo.

Rolling Stone e Exame

O escritor britânico George Bernard Shaw dizia que se você não fosse comunista aos 20, não tinha coração e não for capitalista aos 30, não tem cérebro. É assim que estou lidando com a minha vida ao comprar uma revista Rolling Stone junto com a Exame para ser a minha leitura de sala de espera para as próximas semanas do ano 28 deste ciclo.

Quem lê uma Rolling Stone sabe do cantor Liniker, Mas quem aprecia a Exame conhece as colunas de Vicente Falconi. Isto soa tão dispare para tu, nobre leitor deste humilde blog. Assim como as minhas leituras de sala de espera. A minha vida sempre teve que lidar com o fevor adolescente ao ouvir o Legião Urbana e ter um racionalismo para estudar o monetarismo de Milton Friedman.

Queria ser um revolucionário da música Geração Coca-Cola. Mas tive que me render ao pragmatismo de entender o mundo através das leituras da The Economist. Paulo Francis dizia que virou um adulto após rejeitar o comunismo que tanto defendeu em sua vida e ter se tornado um conservador republicano após compreender o capitalismo americano nos tempos de morador de New York.

As vezes, fico vendo um amigo meu querendo ser um artista revolucionário pós-moderno e penso que como sou um conservador que lê a Rolling Stone e a Exame para compreender tal mundo estranho e inquieto que nós vivemos. Não tenho uma verve revolucionária no sentido de uma ruptura com o nada, mas sim uma mudança na instituições de forma gradual como foi o Reino Unido do século 17.

Pode soar um conselho de um velho de 28 anos para a geração de YouTubers. Mas peço que um dia, eles possam comprar uma Rolling Stone junto com uma Exame. Não por uma indicação intelectual pretensiosa. Mas sim pelo modo de entender como funciona a revolução do Liniker ou uma gestão de empresa aconselhada por Falconi. Ambos servem para o bem da humanidade.

Os contadores de histórias

Nas últimas semanas, o mundo das histórias perdeu grandes contadores como o correspondente do New York Times durante a guerra civil na Camboja, Sidney Schanberg. O enviado especial da revista Esquire na Guerra do Vietnã, Michael Herr que escreveu o livro Dispatches. No Brasil, perdemos Geneton Moraes Neto e Goulart de Andrade.

Os jornalistas citados no primeiro parágrafo deste post foram importantes contadores de histórias. Herr e Schanberg correram atrás de histórias tanto de soldados quanto de pessoas comuns para seus livros enquanto Geneton e Goulart inovaram na forma de mostrar uma realidade para a televisão que tanto desejava contar relatos para o seu povo.

Os personagens de tais jornalistas eram humanizados nos relatos e entrevistas sem ter aquela ânsia em ganhar um prêmio Esso ou Pulitzer. Eles desejavam ir a fundo como uma maneira de fazer que o leitor e o espectador fosse um simples ser que queria ouvir as histórias que descobriam ao falar com um general ou de um sobrevivente de uma tragédia humana.

O contador de histórias tem uma função importante para a história humana ao relatar os sentimentos e registrar o testemunho de uma experiência pessoal para que podemos fazer uma reflexão para evitar uma carnificina ou entender como funciona uma máquina de fazer pães. As pessoas querem conhecer este mundo vivido pelos contadores de histórias.

Lembro do meu amigo Ron postando em seu facebook a notícia da perda de Geneton e ressaltando o fato de tal jornalista ter humanizado a derrota na copa de 1950. O Edurado lembrando das inovações de Goulart na TV. Agora, só cabe a mim registrar que nós não deveríamos perder as lições que nos foram ensinadas por Schanberg, Herr, Geneton e Goulart.

Olhos abertos

Quando personalidades públicas adotam uma posição controversa. Isso pode gerar questionamentos na imprensa tanto local quanto internacional. Isso acontece em nossa crise política onde os intelectuais de esquerda adotam um engajamento estranho e a mídia estrangeira denuncia um golpe se esquecendo a realidade tupiniquim.

Quando vejo uma The Economist mostrando uma clareza intelectual ao afirmar que o impeachment está sendo feito a luz das leis e um processo constitucional transparanete. Mostra-se uma honestidade interessante que não é adotada por exemplo pelo The Guardian e The Independent que questiona a legitimidade da condução do processo feita por dois acusados como Eduardo Cunha e Renan Calheiros.

A esquerda está entorpecida intelectualmente como uma iminente queda de um governo que está sendo julgado por seus erros e a má gestão da economia. Parece que temos a ressuscitação da Internacional Socialista. A imprensa internacional precisa conhecer a realidade brasileira e analisar o processo de impeachment de forma sensata.

Isso vale para os nossos intelectuais que protagonizam um belo abraço de afogado diante da possibilidade da população deseja ver a queda de uma presidente impopular por passar a mão em notórios acusados por crimes como corrupção e afins. Isso cria uma animosidade desnecessária além de eles não exigir um processo de expurgo por aqueles esquerdistas que cometeram os erros.

A população está de olhos abertos tanto na imprensa seja local seja internacional quanto nos políticos seja de direita seja de esquerda. Nós não queremos ser tratados como ovelhas que precisam ser conduzidos por um cão pastor. Tal metáfora serve para ilustrar a atuação de um país. O Brasil não é uma república de bananas que se ofende com qualquer crítica. O bom do processo de impeachment é que recuperamos a autoestima e um certo amadurecimento político. Assim espero.

 

Depressão

Na história humana, sempre tivemos pessoas que tinham problemas de ordem emocional. A sensação de fracasso ao deparar com o fato de não se sentir satisfeito ou feliz com a sua própria vida. Parece um profundo sentimento de rejeição a si próprio quando na verdade se trata de algo maior e enigmático.

Isso acontece com as pessoas que tem problemas mentais como a depressão. Por mais que os recentes estudos indicam que a doença tem fruto de uma desordem biológica de nossa mente. As pessoas normais tratam isso como se fosse uma fraqueza de caráter mesmo se sem saber com a realidade de um portador do mesmo.

Neste anos de convivência de pessoas em redes sociais. Encontrei gente que diz ter a cura para tal male como se fosse vender uma garrafa d’água para saciar a sede invés de procurar conversar com tal pessoa. Já conversei com os portadores e tal experiência pode compreender melhor o sentimento de frustração.

Uma pessoa depressiva não é um triste por natureza. Ele quer se superar, mas se depara com algo que é bem maior do que si mesmo. É como se fosse uma montanha em que o alpinista tem que escalar até o cume mesmo que leve a vida toda para atingir tal objetivo. Isso lhe cria um pressão social onde todos querem a cura. Mas não sabem agir da maneira correta.

Não vamos bancar os defensores da vida bela e pedir que os portadores tomem remédios ou vão fazer terapia. Eles querem ter alguém para conversar e não ser julgado como se fosse uma inquisição espanhola. A depressão não se cura com teorias da felicidade, mas se controla quando alguém compreenda o outro. Então, porque não conversa com um amigo ou amiga. Não é a solução, mas eles podem ter alguém em que podem confiar.

Boston Globe

Um jornal é sempre feito pelos jornalistas até mesmo com problemas de distribuição. Esse foi o caso do Boston Globe, que encontrou uma solução para o mesmo. Chamar os profissionais como repórteres, editores, produtores de conteúdo e afins para ir os centros de distribuição para entregar a edição dominical mesmo com um frio congelante no final de semana passado.

A notícia dada pelo blog de jornalismo do jornal Folha de S.Paulo me surpreendeu ao ver profissionais tão engajados em uma função como entregar um jornal para solucionar os problemas de distribuição que foram relatados pelos assinantes e leitores. Até mesmo o CEO do Boston Globe, Michael Shehann entregou 376 exemplares.

Esse ato do Boston Globe mostra que os jornais são importantes para a era digital. Desde da venda do Globe do New York Times para o dono do Boston Red Sox e acionista do Liverpool. O jornal ganhou uma injeção de folego. Tanto que a história dos bastidores das reportagens sobre abusos sexuais cometidos por bispos católicos em Boston virou um filme chamado Spotlight.

Os jornais americanos estão se reinventando. O The Washington Post está indo bem após a sua compra pelo dono da Amazon, Jeff Bezos. O Boston Globe consegue fazer frente até para um jornal tão consagrado como o The New York Times. Além do fortalecimento do Wall Street Journal feito pelo magnata australiano Rupert Murdoch.

O simples ato dos profissionais do Globe de ir a luta para ter noção exata em solucionar os problemas de distribuição do jornal é admirável. O diário entre 115 mil assinantes de dia de semana e 205 mil na edição dominical. O vigor de oferecer um bom trabalho além de se ater aos pequenos detalhes fortalecem a relação com os leitores.

 

A Polônia de Jaroslaw Kaczynski

A história é feita de capítulos que serão escritos por personalidades que lideram uma sociedade, um país e uma nação. Mas quando uma votação é considerada histórica por seu ineditismo. Temos que prestar atenção sobre quais fatores justificam o usar o termo histórico. Isso aconteceu hoje na Polônia, onde o partido conservador Lei e Justiça venceu as eleições gerais tendo a maioria absoluta no parlamento e elegendo Beata Szydlo como primeira-ministra.

Podemos creditar esse feito ao ex-primeiro ministro Jaroslaw Kaczynski. Apesar de enfrentar um drama pessoal como a perda de seu irmão gêmeo e presidente Lech em um acidente aéreo na Rússia em 2010. Ele reconstruiu seu partido ao fazer oposição ao centrismo do Plataforma Cívica, da ex-primeira minista Eva Kopacz e do atual presidente do conselho europeu e ex-premiê Donald Tusk, que defendem uma postura pró-Europa.

Mas o conservadorismo polonês pode refletir nas relações com a União Europeia e pode ajudar na proposta britânica de reformar a entidade que não tem aliados no continente europeu. O euroceticismo é uma das bases do partido. Quando foi primeiro-ministro entre 2006 a 2007, Jaroslaw usava um tom nacionalista contra alemães e russos por causa do projeto de um gasoduto que passaria pelo território polonês.

Beata Szydlo é uma desconhecida do público polonês. Tanto que se tem o temor que Jaroslaw possa assumir o cargo passado o período pós-eleitoral. Mas sua biografia como filha de um mineiro é uma inspiração para uma população que viveu pessoas de origem simples liderar o país como o sindicalista Lech Walesa. Ela prometeu reformas em legislações sociais como o aborto e corte de impostos para favorecer a igreja católica.

Um partido conservador como o Lei e Justiça tem apoio da população rural por defender um moralismo ligado ao catolicismo, que é um simbolo de patriotismo diante da Alemanha luterana e da Rússia ortodoxa. Jaroslaw conseguiu o feito do Lei e Justiça poder governar sozinho no parlamento sem nenhum agremiação de esquerda sendo representada por não superar a clausula de barreira desde de redemocratização em 1989. Essa é a polônia de Jaroslaw Kaczynski