Rei da Arábia Saudita demite conselheiro que deu uns socos em um fotógrafo

A Arábia Saudita vive novos tempos sob o comando do Rei Salman. Hoje, a agência de notícias estatal SPN divulgou que o monarca demitiu o chefe do cerimonial  Mohammed al-Tobayshi porque ele teve um xilique e deu uns socos em um fotógrafo que cobria a visita do rei Mohammed do Marrocos. Meses antes, Salman demitiu conselheiros e auxiliares que abusaram do poder. Pelo jeito, o novo monarca saudita está mandando a seguinte mensagem: quem manda aqui sou eu.

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Arábia Saudita termina bombardeios no Iêmen por não conseguir derrubar os Houthis

Após um mês de bombardeios aéreos. A Arábia Saudita anunciou o fim das operações militares no Iêmen. Riad considera a ofensiva um sucesso mesmo que não consiga deter o avanço da milicia xiita Houthi no país vizinho. Pelo jeito, o Irã está muito feliz com essa notícia.

As palavras de Khamenei

Ontem, o líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei publicou uma declaração sobre dois assuntos: o acordo nuclear entre o país persa e as potências mundiais e a guerra cívil no Iêmen. Ele disse que não tem garantias sobre o mesmo e afirmou que a intervenção da Arábia Saudita no Iêmen é um genocídio. Khamenei é um líder religioso muito poderoso no Irã desde da morte do aiatolá Khomeini em 1989. Desde de então, tem dado as ordens sobre o futuro e o destino do Irã mesmo desautorizando os presidentes e políticos locais.

Se temia que o Irã adotasse uma atitude agressiva contra os Estados Unidos após o apoio americano a coalizão saudita que iniciou os bombardeios ao Iêmen antes da última rodada de negociações. Mas Khamenei tem sido pragmático ao exigir apenas a suspensão das sanções econômicas impostas por potências ocidentais para que o acordo possa ser efetivado no dia 30 de junho. O presidente Hassan Rowhani e o ministro de relações exteriores Mohammad Javad Zarif tem sido habilidosos em convencer o líder supremo sobre suas ações.

Mas o outro front é a guerra cívil no Iêmen. O anúncio da saída do Paquistão no grupo de países que formam a coalizão após o parlamento paquistanês aprovar uma resolução onde se exige a neutralidade do país durante o conflito é um duro golpe para a Arábia Saudita e uma vitória para o Irã. O principal motivo do recuo de Islamabad é uso de tropas militares para uma ofensiva terrestre para conter o avanço de milicia Houthi que está perto de conquistar a cidade de Aden, ao sul do país árabe.

O grande conflito entre Arábia Saudita e Irã se dá no campo religioso onde os Sauditas são da corrente wahhabista (radicalismo sunita) enquanto os iranianos são xiitas (uma interpretação radical do islamismo). Sunitas e Xiitas disputam corações e mentes do islamismo por defender que tais grupos são herdeiros diretos do profeta Maomé. Isso explica porque temos um conflito aberto que paralisa a evolução do islamismo. Mas o rei saudita Salman e o aiatolá iraniano Khamenei estão em constante estado de desconfiança mutua.

As palavras ditas por Khamenei podem mostrar um Irã preparado para ser conciliador com as potências mundiais e agressivo em sua rivalidade regional com a Arábia Saudita diante do conflito iemenita. Não se sabe se a coalizão poderá usar tropas militares no país árabe para conter o avanço Houthi, que é apoiado por Teerã. Mas temos que esperar por novos atos feitos por sauditas e iranianos nas próximas semanas. Por enquanto, temos que esperar por mais pronunciamentos de Khamenei.

Riad contra-ataca

Há semanas, o noticiário da rede de tv qatariana Al Jazeera exibia reportagens sobre a crise política no Iêmen. Este pequeno país da península arábica. O conflito entre governo e a milícia xiita Houthi entrou em um estágio de uma guerra cívil porque o avanço do grupo rebelde a cidade de Áden, onde o presidente Adbo Rabbo Mansur Hadi estava junto com seu ministério após a tomada da capital Sanaa. O mandatário pediu ajuda do conselho de cooperação do Golfo e a Liga Árabe para intervir no caso.

Para a surpresa de todos que acompanham a situação iemenita. A Arábia Saudita iniciou uma operação militar para conter o avanço Houthi no sul do país. Riad adotou o discurso de salvar um governo legítimo. Está é a segunda intervenção militar Saudita em 4 anos. Em 2011, tropas sauditas foram enviadas ao Bahrein para ajudar a reprimir os protestos da maioria xiita contra a monarquia sunita da nação insular. Isso gerou críticas de muito países como o Qatar e uma ampla cobertura da Al Jazeera neste caso.

Desde da morte do rei Abdullah e a ascensão de seu sucessor, Salman. A monarquia saudita está mantendo o status quo de um regime autoritário que tem a complacência dos países ocidentais por ser o maior produtor de petróleo do mundo. A notícia da invasão elevou os preços da commodity. Isso cria a sensação de que a dinástia Saud detém os rumos do mundo desde da primeira crise do ouro negro em 1973. A sensação de que um país que tem uma draconiana doutrina religiosa pode ditar regras ao mundo.

As intervenções pontuais no Iêmen e Bahrein mostra uma atitude de que a democracia é um temor para um país que controla sua sociedade e que não permite a liberdade de opinião e expressão. O caso do blogueiro Raif Badawi que foi condenado a 10 anos de prisão e 1000 chicotadas por ofender a religião expõem de forma delicada o relacionamento entre os sauditas e sua monarquia baseada em uma doutrina retrógada como o Wahhabismo defendido com fervor pelo governo local.

Os próximos dias serão decisivos para os iemenitas. Não se sabe se Riad enviara tropas para lutar junto com o governo local para conter os Houthis no norte do país e as filiais locais de grupos terroristas como Al Qaeda e Estado Islâmico. Os Iranianos consideram a operação como ilegal e isso pode atrapalhar nas negociações sobre o programa nuclear que estão sendo conduzidas por americanos na Suíça. Por enquanto, as bombas caem em Sanaa e Áden para salvar um governo fraco e fortalecer uma monarquia tão controversa como a Arábia Saudita.

Arábia Saudita bombardeia Iêmen para irritar o Irã

Nas últimas horas, a Arábia Saudita inciou uma campanha de bombardeios contra os militantes Houthis no Iêmen. A medida foi tomada após o avanço das milicias rebeldes na cidade de Áden, no sul do país, onde estava sediado o governo do presidente Abdo Rabbo Mansur Hadi, que pediu uma ajudinha dos vizinhos de turbante para conter o avanço de tal grupo tribal. Os Houthis são apoiados pelo Irã que é inimigo de estimação da Arábia Saudita. Pelo jeito, a Arábia Saudita sempre gosta de intervir em questões internas de países vizinhos na base de bombas e soldados

Wallstrom e a Arábia Saudita

A Arábia Saudita tem uma reputação como potência do mundo árabe por defender uma interpretação do islamismo chamada wahhabismo, onde as mulheres não podem praticar atos como dirigir um carro ou a crítica a religião é um pecado mortal passível de uma punição como as 1000 chibatadas como o blogueiro Raif Badawi está passando desde de fevereiro. Não é estranho que país não permitiu o discurso de ministra da relações exteriores sueca Margot Wallstrom durante uma reunião da Liga Árabe.

Wallstrom é uma crítica do regime saudita que descreve como uma ditadura. Tanto que o país árabe teve que chamar o seu embaixador em Estocolmo para consultas. Em retaliação, os suecos não podem renovar o acordo de fornecimento de suprimentos militares que se encerra em maio. Isso na mesma semana onde o vizinho Iêmen pediu ajuda ao reino para discutir uma solução política entre grupos seculares e a minoria xiita Houthi, que ocupa a capital Sanaa desde do ano passado.

A Suécia tem uma tradição de criticar e condenar ditaduras como fazia o primeiro-ministro Olof Palmer nos anos 1960. Ele era um crítico a Guerra do Vietnã e ao regime segregacionista sul-africano Apartheid. Tanto que o país financiou a campanha anti-apartheid feita pela ANC. Palmer era amigo pessoal do líder do movimento no exílio, Oliver Tambo. Mesmo com eleições marcadas para o dia 22 de março. A atuação de Wallstrom é um sinal de coragem de país que tem uma tradição de uma política externa independente.

Wallstrom criticou o país pela execução da pena de 1000 chibatadas e 10 anos de prisão ao blogueiro Raif Badawi. Badawi criou um fórum para se ter um debate sobre a liberdade de religião e expressão na Arábia Saudita em 2008. Esse tratamento medieval em uma nação que se julga uma potência capaz de influenciar os interesses do mundo pelo simples fato de ser um dos maiores exportadores de petróleo é deprimente para manter uma monarquia que se vale de uma doutrina tão atrasada como o Wahhabismo.

Wallstrom adota uma postura crítica e respeito aos princípios de um país que não joga seus escrúpulos fora. Em um momento onde pragmatismo e a realpolitik dominam a geopolítica mundial. Não sabemos se ela continuará como ministra das relações exteriores depois das eleições de 22 de março. Os suecos preservam a tradição de uma política externa que defende valores ocidentais em um tempo de obscurantismo e hipocrisia. Ela será um verdadeiro pesadelo para a monarquia saudita.

A morte de Abdullah e a ascensão de Salman

Há pouco minutos, a Arábia Saudita está de luto. O rei Abdullah morreu aos 90 anos por uma infecção pulmonar consequência de uma pneumonia. O sucessor do monarca morto será o príncipe Salman, que tem 79 anos. Mas a grande dúvida é como ficará as reformas políticas e sociais feitas por Abdullah ao longo de dez anos de reinado. Por mais que permitisse o acesso das mulheres aos cargos públicos e o direito a voto. Abdullah hesitava em avançar neste campo como a permissão para que elas possam dirigir por exemplo.

A televisão estatal parou a sua transmissão de versos do corão (o livro sagrado do islamismo) em sinal de respeito e luto ao rei morto. Não se sabe como será o funeral do monarca ou como é o pensamento de Salman. A Arábia Saudita é um importante aliado dos Estados Unidos no Oriente Médio além de ser o maior exportador de petróleo do mundo. Nos último anos, Abdullah tinha que conter uma insatisfação social além da queda abrupta dos preços do ouro negro com a concorrência da produção do gás de xisto nos Estados Unidos.

A Arábia Saudita tem um papel importante em um momento de mudanças no mundo árabe. Abdullah autorizou o envio de tropas para o Bahrein para conter uma onda de protestos além de mediar o acordo político entre governo e oposição no Iêmen que permitiu o exílio do ex-ditador Ali Abdullah Salleh em 2011. O país era visto com um mantenedor do status quo árabe além de conter a influência do Irã e as rusgas com as novas potências regionais como Emirados Árabes Unidos e Qatar.

O príncipe Salman terá que conter a insatisfação interna tanto de grupos liberais quanto de clérigos conservadores. Neste ano, o país vai as urnas para eleger os membros dos conselhos municipais além de ser a primeira votação onde será permitida a participação feminina tanto nas urnas quanto em cargos. Abdullah prometeu que as mulheres podem participar no principal órgão do governo, a shura, um conselho que auxilia o rei nas questões de estados e de governo com a participação de notáveis, religiosos e príncipes.

Não se sabe como será o futuro da participação da Arábia Saudita na luta contra o grupo terrorista Estado Islâmico ou se terá alguma mudança na política de exportação de petróleo. O novo monarca terá um longo trabalho pela frente. Mas a questão da saúde do novo rei é um assunto de estado pelo fato de Salman ter 79 anos. Abdullah morreu aos 90 e assumiu o poder em 2005 aos 80. Este tema é muito delicado e se a Arábia Saudita quer ter um futuro melhor. Eles terão que dar um voto de confiança a Salman.