A sobrevivência de Yatseniuk

A Ucrânia vive uma crise econômica-política desde 2014. Prova que os ânimos estão exaltados a moção de desconfiança contra o primeiro-ministro Arseniy Yatseniuk. Ele é acusado por corrupção e criticado pela demora para implementar as reformas exigidas tanto pela União Europeia quanto pelo FMI. Seu gabinete ministerial não caiu por falta de quórum.

Yatseniuk é criticado até mesmo pelo presidente Petro Poroshenko, que pediu a sua renúncia por não ter condições para governar o país. A Ucrânia precisa de dinheiro para reformar a sua economia e fazer reformas para ser efetivada com país-membro da União Europeia em 2020 como parte de um compromisso feito por Poroshenko ao longo da campanha eleitoral de 2014.

Mas a eterna desconfiança com os russos junto com a situação de guerra civil no leste do país onde as cidades de Luhansk e Donetsk declaram ser repúblicas independentes, mas que são financiados pelas autoridades russas mostra como a Ucrânia está fragilizada para tentar se recuperar da investida russa junto com um programa agressivo de reformas para revitalizar sua economia.

Os ucranianos caíram na realidade após derrubar o presidente Viktor Yanukovich após 3 meses de protestos na praça Maidan no centro de Kiev. Perceberam que a reconstrução de um país dividido tem que ser feita de uma passo de cada vez para segurar um futuro próspero na União Europeia mesmo com problemas internos como a insurreição dos territórios de leste ucraniano.

O simples fato da sobrevivência de Yatseniuk mostra que a coalizão pró-Ocidente não tem um nome para o cargo para restaurar a credibilidade do estado ucraniano tanto para o Ocidente quanto para os próprios ucranianos. O presidente Petro Poroshenko terá uma ingrata missão de realizar um governo de união nacional como forma de evitar a convocação antecipada de uma eleição geral. Assim, Yatseniuk é um morto-vivo dentro do governo até a sua saída ou não.

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A diplomacia de Merkel e Hollande

No pós-guerra europeu, Alemanha e França desenharam uma estreita relação diplomática. Isto foi o pilar para o nascimento da União Europeia. Alemães e franceses assinaram um tratado de amizade em 1963 e sempre tiveram uma grande influência na política do velho continente. O presidente francês sempre visita a Alemanha depois de sua posse para conversar com o chanceler alemão e vice-versa. Não é surpresa o acordo de paz firmado entre Rússia e Ucrânia na Bielorrússia sob a mediação franco-germânica.

A chanceler alemã Angela Merkel e o presidente francês François Hollande conseguiram parar um banho de sangue no continente europeu com uma negociação direta e frequente. Eles visitaram a Rússia e a Ucrânia para conseguir garantias do cumprimento do plano de paz no leste ucraniano. França e Alemanha foram capazes de unir forças para o improvável e sem o envolvimento dos Estados Unidos. Este foi um acordo 100% europeu e uma prova que a Europa pode resolver seus problemas internos sem a intromissão americana.

Angela Merkel mostrou ter uma força nunca antes vista. Em uma semana agitada, ela foi aos Estados Unidos, Bélgica, Rússia e Bielorrússia. Não demonstrou cansaço comum para uma senhora de 60 anos. Isso foi comentado na imprensa alemã. Isso prova o poder alemão. A diplomacia foi feita em palácios com longas horas de negociação. O fato de Merkel ser reeleita líder dos democratas-cristãos até 2017  pode reforçar a tese que pode disputar um quarto mandato a frente da chancelaria.

François Hollande tem conquistado uma boa fase politicamente falando. Ao mostrar ser um presidente que o país necessitava quando estava sob os ataques terroristas de 7 e 9 de janeiro. Ele não hesitou em nenhum momento e os franceses reconheceram isso quando aprovam a sua gestão no Palais Elyseé após meses em baixa. Não se sabe se ele poderá concorrer as eleições presidenciais de 2017 dado o fato dos socialistas terem candidatos como o primeiro-ministro Manuel Valls ou Arnaud Montebourg.

Merkel e Hollande foram capazes de fazer um acordo frágil entre Rússia e Ucrânia. Isso mostra um novo protagonismo no plano político europeu. França e Alemanha estão dando um sinal que podem romper com a influência americana sem o anti-americanismo tolo. A sensação de ver dois países unidos para tirar a Europa da paralisia mostra que o continente quer ser ouvido nas grandes questões da geopolítica mundial. O acordo de Minsk é o primeiro passo nesta direção para Merkel e Hollande.

As conversas de Moscou

Moscou sempre foi uma cidade em que os rumos da humanidade são decididos pelos políticos russos no Kremlin. Não foi diferente a visita da chanceler alemã Angela Merkel e o presidente francês François Hollande ao líder russo Vladimir Putin para discutir um eventual acordo de paz na Ucrânia. O conteúdo das negociações não foi divulgado e um funcionário do Kremlin afirmou que tais líderes irão fazer uma conferência telefônica no domingo para discutir a situação do país eslavo ensaguentado pela guerra civil que dura um ano.

Neste momento, o conflito ucraniano entra em uma batalha perdida. Os rebeldes do leste do país estão organizando uma ofensiva militar contra um vilarejo controlado pelo governo de Kiev. Merkel e Hollande foram a Ucrânia ontem para conversar com o presidente Petro Poroshenko. Existe nenhum consenso de ambos os lados para encerrar a contenda. Tanto que o vice-presidente americano Joe Biden defendeu o fornecimento de armamento para Kiev e disse que a Rússia não deve redefinir as fronteiras europeias.

Para muitos analistas militares, a Europa pode estar perto do cenário da invasão soviética a antiga Checoslováquia que encerrou a Primavera de Praga em agosto de 1968. O país desenvolveu uma política independente das ordens de Moscou, que ordenou a ofensiva e a prisão de líderes políticos como o secretário-geral Alexander Dubcek. A determinação de Hollande e Merkel de tentar parar a máquina russa ou a insistência ucraniana é sem precedentes na história recente da Europa.

Putin vive um momento delicado com a queda do Rublo. Mas as ambições imperiais no consciente coletivo russo persistem. A perda da Ucrânia para o Ocidente capitalista será mais uma catástrofe política de Putin. Ele não quer ser reconhecido nos livros de história como um sujeito fraco e servil ao mundo infiel como foi Mikhail Gorbachev, que nem é citado entre os russos ou Boris Ieltsin e sua fraca predileção a bebida. Putin quer ser o presidente forte que este grande país tanto necessita em sua propaganda estatal.

Merkel e Hollande reafirmam o poder franco-alemão que cimentou a União Europeia no tratado de amizade entre os dois países assinado em 1963. Os dois políticos foram a Rússia e a Ucrânia para tentar parar a máquina da guerra. Mas não conseguiram um consenso vital e necessário para a vida dos ucranianos do leste. França e Alemanha estão fazendo a sua própria política externa sem a interferência dos Estados Unidos. Isto foi um grande avanço, mas um pequeno passo nas conversas de Moscou.

Ucrânia e Tunísia

Amanhã, ucranianos e tunisianos vão as urnas para escolher um novo parlamento. As eleições são importantes para a consolidação de conquistas como a democracia para a Tunísia ou das reformas pró-União Europeia na Ucrânia. As votações acontecem em momentos distintos como a nova constituição em Tunis e a revolta separatista no leste da Ucrânia. O domingo entrará para a história destes países como um simples gesto como o de votar faz diferença na vida da população.

Na Ucrânia dividida por uma guerra fratricida entre Kiev e os separatistas de descendência russa que moram no leste os país. Governo e rebeldes tentam um acordo de paz. A recente lei que permite uma autonomia do leste pelos próximos três anos. O presidente Petro Poroshenko tenta negociar o fornecimento de gás para o páis durante o rigoroso inverno no leste europeu. A renúncia de Arseniy Yatseniuk libera o caminho para um parlamento mais reformista e menos beligerante com Moscou.

Na Tunísia, após a revolução de Jasmim, que derrubou o ditador Zine Abedine Ben-Ali em janeiro de 2011. O país viveu uma pacífica transição com eleições para a escolha de uma assembleia constituinte que redigiu uma nova constituição. Mas luta entre extremistas e as forças de segurança impediu maior avanços sociais. A disputa entre o partido islamita Ennahda e o laico Nidaa Tounes pode permitir formar um governo de união nacional e a escolha de um novo presidente.

Ambos os países vivem entre o oceano da incerteza e o céu da esperança. As populações acreditam que dias melhores virão para que tais nações possam se recuperar de um passado violento. Os tunisianos não querem um radicalismo de um lado ou o rumo do autoritarismo enquanto os ucranianos querem ter o direito de tomar conta de seu próprio destino sem a interferência de Moscou ou a pressão ocidental. Ambos querem votar por um futuro melhor.

Este domingo 26 de outubro será histórico para que estes países digam ao mundo o seu desejo por uma democracia e ser aceitos pela comunidade internacional do jeito que eles são. Ambos tem culturas tão diferentes, mas a população clama por ser ouvida de forma honesta. Se a Ucrânia carrega a esperança da resistência contra um inimigo tão poderoso como a Rússia. A Tunísia anseia por um governo de união entre a elite laica e a população islâmica. Esse não é um dia qualquer.

Entre a Europa e a anistia

Nesta terça-feira, o parlamento ucraniano aprovou o acordo de associação com a a União Europeia além de uma lei especial que dá anistia aos separatistas pro-Rússia e autonomia para as regiões de Donetsk e Luhansk. Tal arcabouço foi fruto do acordo de cessar-fogo entre rebeldes e Kiev. Mas os ucranianos de origem ou descedência russa não aceitaram a oferta porque querem o status de cidadãos especiais que o governo russo deu após a proclamação das repúblicas populares de Donetsk e Luhansk.

O acordo com a UE foi celebrado pelo presidente Petro Poroshenko e o primeiro-ministro Arseniy Yatseniuk. Este é o primeiro passo para que o país eslavo para uma futura adesão ao clube europeu. Com essa estratégia, Poroshenko permite que a Ucrânia possa ter a apoio ocidental mesmo com as crescentes tensões com a Rússia. O teste para a Europa e Ucrânia será quando o inverno rigoroso chegar e os europeus terão problemas como o fornecimento de gás russo para esquentar as casas europeias.

Já a lei que anistia os rebeldes além de garantir a autonomia as regiões de Luhansk e Donetsk tem um futuro incerto. Mesmo com uma trégua entre ambos os lados. Os conflitos continuam no leste do país. Ambas as partes acusam um ao outro de romper com o acordo mediado pela Bielorússia e União Europeia. Moscou está estranhamente silencioso enquanto a isso. O presidente russo Vladimir Putin não fez nenhuma declaração a respeito dos recentes acontecimentos na Ucrânia.

Neste momento, os ucranianos querem paz e se tornar um país sem a influência de Moscou. O acordo de associação com a União Europeia permite isso pelo fato de iniciarem as negociações para a inclusão do país na entidade. Mas os próximos passos dados no leste do país eslavo mostram que está paz entre Kiev e os rebeldes pode ser tanto duradoura quanto frágil. Este é o desafio que o presidente Petro Poroshenko se propôs a resolver de forma pacífica, mas que a população precisa ter esperanças para um futuro melhor do que este presente tão conturbado.

O czar do Kremlin

Neste fim de semana, a Ucrânia anunciou um cessar-fogo com os rebeldes pró-Rússia no leste do país. Para muitos analistas, isso confirma a supremacia do presidente russo Vladimir Putin. Ele estabeleceu o plano de paz entre Kiev e os separatistas de Luhansk e Donetsk. Mas os relatos de conflitos entre ambos os lados do conflito na cidade portuária de Mariupol, que fica no mar de Azov reforça a tese que isso precisa de muita negociação.

O avanço europeu nos países eslavos ou de influência moscovita tem sido duramente criticada por Moscou. Putin não quer ver a prosperidade ocidental perto de sua fronteira. Isso poderia influenciar os russos a pedir reformas econômicas e democráticas que possam prejudicar a hegemonia política de Putin. Mas isso é uma constante dilema que a população anseia um estado forte diante das fraquezas do ocidente.

Putin conseguiu força após o ataque de terroristas a cidade de Beslan, que fica no problemático sul do país eslavo. Quando decidiu fortalecer seus poderes na nomeação de governadores de suas provincias. O presidente russo deu sinal que a era dos czares estava de volta e com apoio da população de enfrentar todos aqueles que ameaçavam a estabilidade de Moscou, de opositores ou qualquer pessoa que ameaçava as pretensões do líder do Kremlin.

Este ascensão permitiu que Putin ficasse no comando da Rússia por 14 anos. Para muitos russos, o presidente russo tirou o país de sua ressasca moral do fim da União Soviética e fortaleceu o mesmo com os altos preços de commodities como minério e petróleo. Isto permitu que a classe média ascendesse de forma impressionante e a população apoiasse um líder com taxas de populariedade a nivel de 80% de aprovação.

O Czar Putin tenta reviver o passado soviético com a influência em questões chave como Síria e Ucrânia. Mas caso o cessar-fogo falhar. Isso mostra que o presidente russo não tem controle sobre os rebeldes separatistas. Eles desejam ser russos de qualquer forma. Mas a batalha pela Ucrânia ainda não terminou. O líder eslavo terá que mostrar muita disposição para mudar tal cenário desastroso em favor do Kremlin.

As maçãs polonesas de Sirkoski

O mundo está de alerta sobre os recentes eventos na Ucrânia. Mas sempre tem espaço para algo provocativo como fez o ministro das relações exteriores da Polônia, Radoslaw Sirkoski. Ele entregou maçãs para os jornalistas antes de entrar na sede da OTAN em Bruxelas para discutir a crise no país europeu. Tal fruta é alvo de disputa política entre Moscou e Varsóvia desde que o Kremlin baniu a venda de alimentos de origem ocidental.

A reunião da OTAN mostra o tom dramático que ganhou o conflito ucraniano. Desde da divulgação de fotos de satélite indicando a presença de tropas russas no país. Kiev tomou a decisão de pedir a adesão a aliança militar ocidental como forma de se proteger de possível invasão eslava. Mesmo após da tentativa de negociar um fim a guerra cívil em território da ex-república soviética mediada pela Bielorússia foi um fiasco.

O presidente russo Vladimir Putin acusa a Ucrânia pelo atual escalada do conflito. Mas teme-se uma invasão de separatistas russos na região do mar de Azov. As cidades costeiras de Mariupol e Novoazosk estão sendo palco da batalha entre Kiev e rebeldes. Enquanto isso, a revolta na cidade de Donetsk foi paralisada. A trégua tácita é mais um recuo de ambos os lados para receber suprimentos bélicos de Bruxelas e Moscou para continuar as operações.

Neste momento, a OTAN vive um dilema. Ela poderá entrar em guerra contra Moscou. Mas a Europa está preparada para uma guerra depois de quase 70 anos de paz? A diplomacia tem sido exercida como uma ponte entre os anseios de Moscou e Kiev. O ocidente pode pedir uma intervenção militar para defender a Ucrânia da Rússia. Mas como será feito tal operação após o trauma diplomático da guerra do Iraque em 2003?

Os Estados Unidos e a União Européia apelam para as sanções econômicas contra a Rússia. Mas isso tem um efeito nulo para a economia russa, que está fazendo acordos com China e países latino-americanos. Se a OTAN subir o tom contra Moscou. Isso pode acarretar problemas como o fornecimento de gás para a Europa durante o inverno. Mas os europeus só querem saber das provocações polonesas feita por Sikorski.