Beautiful Ones

Em 1993, o rock britânico estava estagnado e sem novidades no horizonte. Então surgiu o Brit Pop com bandas como Suede e Oasis. Era um novo frescor em um tempo duro de desilusões em relação a União Europeia, ao primeiro-ministro conservador John Major junto com a descrença no Partido Trabalhista liderado por John Smith nutrido pela população.

Isso se reflete no nosso Brasil atual  onde a população está descrente e o sentimento de que vivemos em um deserto de ideias e inspirações é inimente. Não estamos criando nada de novo. Os internautas brazucas respondem as tretas de uma rapper desconhecida enquanto um colunista acham que o povo da internet tem uma cabeça oca.

Isso impede o florescimento de uma cultura integrada. Existe boas bandas de rock desconhecidas do grande público porque não tem espaço nas rádios e se contentam apenas em serem citadas na Rolling Stone. Os adolescentes ainda insistem em memes do que ler um bom texto de Woody Allen para ter uma noção de humor em tempos de dilemas existenciais.

O Reino Unido lidou com isso a partir do surgimento de uma boa geração de humoristas e comediantes como Rik Mayall, Ben Elton, Dawn French, Jennifer Saunders, Rowan Atkinson, Mel Smith, Pamela Stephenson e Rhys Grifth-Jones. Isso permitiu sobreviver a Era Thatcher e criar uma cultura sarcástica sobre a sociedade local.

Mas o Brasil não tem isso. Parece que nós estamos fadados a sermos um eterno país do futuro. Não avançamos como deveríamos. Não temos uma cultura de empreender, criar e inovar além de não termos um bom sistema educacional. Acho que vou passar longos anos no deserto cultural brasileiro para ver nossa nação fazer uma canção do nível Beautiful Ones, do Suede. Vamos ter um longo trabalho pela frente. Mas temos que tentar.

Um país chato

Em tempos de crispação política e total falta de bom senso. Qualquer um que ouse usar um simples adjetivo ou pensar diferente da maioria é logo patrulhado por pessoas que desejam impor sua visão de mundo para os outros. Isso mostra que o nosso Brasil está se tornando um país chato onde se vossa senhoria quer ter uma liberdade como o de expressar a sua opinião é taxado por um rótulo estúpido.

Percebi isso quando vi as recentes tretas dos últimos dias. O comentarista da ESPN José Trajano acusando Danilo Gentili de ser um apologista do estupro por uma piada de 2012 publicada no twitter e agora foi revelada afim de prejudicar o humorista. Ou o pretenso filósofo Olavo de Carvalho chamando de vagabundo o colunista da Veja e blogueiro Reinaldo Azevedo por nada.

Os brasileiros são piores do que crianças do jardim de infância que precisam chamar a atenção da tia da escola porque se sentem escanteados. Parece que não amadurecemos o suficiente para tocar a nossa vida sem ficar com a prática de apontar o dedo para alguém e dizer adjetivos pejorativos como forma de demonstrar força perante aos seus pares.

Eu pergunto para os envolvidos se eles tem alguma proposta para tirar o nosso país do atoleiro invés de ficar querendo cuidar da vida alheia com suas patrulhas estúpidas e hipócritas. Vivemos em um país chato em que as liberdades são tolhidas por pessoas de diferentes espectros ideológicos cuja a função de serem piores do que a guarda vermelha da China nos tempos da revolução cultural de 1966.

Vamos parar de ficar de patrulha e olhar para o nosso próprio umbigo. Temos que criar algo novo para que a nossa nação não seja um eterno país do futuro que nunca chega ao seu destino. Eu faço a minha parte com um observador sempre pronto para propor algo para o Brasil. Só não entendo como temos gente que gosta de treta e se esquece de discutir sobre um Brasil chato.

Menos demagogia por favor

Desde de ontem, as redes sociais viraram um palco de uma guerra de trincheira envolvendo o estupro de uma adolescente de 16 anos por 33 homens no Rio de Janeiro. A garota teve que prestar um segundo depoimento no dia de hoje. Mas o que me incomoda é uma discussão demagógica onde se apontam os dedos entre homens e mulheres e não se tem propostas sobre o assunto.

O estupro é algo abominável por sua natureza cruel. Mas vendo a discussão nas redes sociais, percebi um debate oco onde todos querem ter a razão as custas de um sofrimento de uma adolescente que mal sabe se recuperará de um trauma tão forte em sua curta vida mesmo que os delinquentes sejam punidos pela lei após uma extensa investigação.

O direito da mulher de vestir da forma como gosta para sair e mostrar sua independência perante o mundo fica ameaçada. Mesmo se homens corretos desejam expressar seu enojamento diante de um fato escabroso. As militantes se sentem no que julgam no dever de coibir a garantia de um ser masculino demonstrar sua repulsa ao fato.

Ao mesmo tempo que vejo amigos meus criticarem as militantes por seu jeito feroz em criticar o homem e exercer um arcaico machismo onde os movimentos feministas não podem defender ideias que sejam contra o patriarcado. Para eles, as adeptas de tal movimento são fruto de uma ideologia estúpida e que nada faz para proteger as mulheres.

Apresentados os pontos de vista conflitantes. Fica nítido uma demagogia de ambos os lados que apontam o dedo, mas não apresentam uma solução. Não vejo propostas como aulas de educação sexual para que se evite uma visão tanto do machismo quanto feminista no ponto de vista ideológico ou mudanças nos artigos do código penal para criar a pena de prisão perpétua para tal crime. Afinal, menos demagogia e mais ações.

 

As primeiras reclamações

Tão logo o presidente interino Michel Temer assumiu o poder. Ele terá que aparar umas arestas como a recente crítica feita pelo deputado federal Paulinho (SD-SP) contra o ministro da fazenda Henrique Meirelles pelo simples fato de defender uma reforma da previdenciária como uma forma de cortar custos com o funcionalismo ao longo dos anos.

Se não bastasse as críticas por ter um ministério sem negros e minorias junto com o fato de extinguir pastas como Cultura e Ciência e Tecnologia. Isso despertou a ira das comunidades tanto artísticas quanto científicas por ter nomes como pouca identificação com tais assuntos importantes para o desenvolvimento do país em meio a crise.

As reformas para equilibrar as contas públicas junto com o corte de ministérios para encarar uma nova realidade mostra uma visão pragmática e menos ideológica onde se tem um claro objetivo em por o país nos trilhos mesmo que tenha que enfrentar resistências em fazer cortes e uma capacidade de criar um cenário onde a economia possa crescer e gerar empregos.

Temer frustrou as expectativas ao nomear um ministério de políticos invés de chamar os tais notáveis. O presidente interino quer resolver os problemas da nação apelando para um vasto apoio no congresso para que se possa aprovar as reformas necessárias para por o país nos trilhos. Seu foco em ter uma base aliada fiel e comprometida com suas ideias não é fácil.

O presidente interino terá que dissipar as dúvidas em torno das medidas que serão tomadas tanto na economia quanto na área social. Isso vai permitir que o mandatário tenha uma marca em sua gestão para se diferenciar dos erros cometidos pelo governo passado. Isso vai exigir uma ampla habilidade política para lidar com as primeiras reclamações.

 

Entre cusparadas e estupidez

Não vejo TV por ficar muito tempo no computador. Mas percebo a reação irada despertada pela participação do ator José de Abreu no Domingão do Faustão onde teve que se explicar sobre uma cusparada que deu em um casal por lhe criticar seu petismo vigilante. Mas não entendo como os brasileiros podem soar tão imaturos politicamente falando.

Todos pedindo a sua demissão. Mas não quero defender um cara que dá uma cuspida desnecessária. Os brasileiros são ótimos em jogar a culpa nos outros, mas péssimos em reconhecer seus defeitos. Isso me soa uma imaturidade política sem tamanho entre os coxinhas e petralhas que mal sabem o significado da palavra pluralismo, mas usam e abusam ao citar-la.

Os brasileiros precisam de um pouco de civilidade quando tratam de política. Não adianta usar a velha desculpa esfarrapada da retórica do nós contra eles ou fazer patrulhas ideológicas como se fosse uma cruzada patriótica. Vamos discutir a política de forma honesta e acompanhar isso de forma atenta como faz outras nações do mundo.

O que me irrita é ver o facebook com memes pedindo a cabeça de alguém como se fosse o período do Terror da Revolução Francesa onde poucos sobreviveram a loucura revolucionária. Os brasileiros precisam compreender que política é feita de discussões e propostas pragmáticas que são feitas como uma matéria-prima intelectual para a consciência da população.

Não quero que amizades sejam desfeitas porque se tem uma discordância política. Quero um país melhor que não ficam entre cusparadas e a estupidez para termos uma nação melhor para as futuras gerações. Será que é muito para pedir um país onde se tem uma discussão civilizada e sem ter a figura de um ser paternalista ou maternalista. Afinal, o Brasil é maior do que uma cusparada de José de Abreu.

A política e os meus amigos

Em tempos que é mais fácil xingar um político do que propor um projeto alternativo para o nosso país. Eu tenho que lidar com um certo desconhecimento da população tem sobre questões políticas. Isso me lembra um amigo que cita uma teoria conspiratória com tanta convicção que deixo de prestar atenção a sua fala para ler uma matéria do New York Times.

As pessoas tem que entender que a política não é como um futebol onde as pessoas se digladiam por jogadores que mal chutam uma bola de maneira decente. O Brasil padece do mal de não termos uma tradição política e ainda não saber lidar com o contraditório. Os brasileiros confiam em sites de credibilidade duvidosa do que ler uma Folha de S.Paulo.

Isso as vezes torra a minha paciência. Tanto que a minha mãe me chama atenção por exceder no volume de minha voz quando me deparo com uma situação dessas. Isto lembra a conversa que tive com umas amigas no twitter em que elas reclamavam da falta de pessoas para conversar sobre política de maneira sóbria e sensata para entendermos o Brasil.

Se não bastasse isso, o meu amigo professor da FAAP reclamou do tratamento nada lisonjeiro dado por militantes maoístas por ele simplesmente defender uma tese de viés conservador. Parece que o nosso Brasil é pior do que um jardim de infância sem ter aquela diretora ou o inspetor de alunos (isso me lembra o meu amigo que virou padre que cuida de andarilhos por sua bondade e sempre ficar de marcação em minha pessoa).

Isso nos dá um desânimo sem tamanho. Mas temos esperança de um certo amadurecimento político onde a população possa discutir a política sem ter o fator do fla-flu maniqueista. Assim, meu amigos possam defender suas teses com bons argumentos e possam ter um senso de questionamento sem ter que basear suas teorias de uma fonte de credibilidade duvidosa, xingamentos políticos e maoístas irritados.

Golpe em New York

Os presidentes brasileiros sempre tem uma predileção de fazer discursos na ONU. O Brasil é o primeiro país a abrir as assembleias gerais das Nações Unidas por uma tradição para evitar o predomínio de Estados Unidos e União Soviética durante a Guerra Fria. Mas hoje, o discurso de um mandatário tupiniquim serve apenas para agradar o público interno.

Foi isso que fez a presidente Dilma Rousseff ao comparecer a assinatura do acordo do clima de Paris. Ele fez um discurso de 7 minutos sem mencionar a palavra golpe. Invés disso, afirmou que o Brasil vive um retrocesso. Bem, a palavrinha mágica foi mencionada a exaustão durante uma entrevista coletiva para a imprensa brasileira em New York.

O que fica claro é que a retórica do governo se resume a simples palavra: Golpe. Parece um samba de uma nota só. A presidente deveria se defender do processo com argumentos. Mas isso é esquecido em se tratando de uma esquerdista que justifica suas palavras para lutar contra um inimigo íntimo como Michel Temer ou interno como a sociedade.

O Brasil é um país onde a população é de direita e a elite é de esquerda. Ambos vivem se digladiando para ser um porta-voz dos oprimidos para denunciar uma tentativa de ruptura do status quo. Propostas como a convocação de uma eleição presidencial antecipada feita pelo senador João Capiberibe (PSB-AP) soa uma tentativa de por panos quentes.

A nação quer resolver tais problemas sem soluções mágicas ou retóricas ridículas. Isso exige respeito as instituições e a constituição de 1988. O processo de impeachment está transcorrendo de forma correta mesmo tendo uma condução demagógica. Agora, o Brasil quer uma solução para tais problemas que não será resolvido com a menção da palavra golpe em um discurso da ONU.