Meus amigos de blogosfera

Em um meio digital onde não se tem cooperação e amizade não prospera. Quando comecei a escrever em blogs por meio do incentivo do meu professor Johnson (a que o chamo de John Major). Eu não conhecia ninguém do mundo da blogosfera para trocar idéias e falar de blogs. Não havia uma cena de blog devido a ascensão de redes sociais como Twitter e Facebook.

Quando cheguei a blogosfera era um cenário de fim de festa. Os artistas da globo que tinham contas no bloglog logo abandonaram para ir ao festival do twitter e eu ficava penando para atualizar o Escritor Andarilho mesmo tendo uma internet discada e lenta. Mas não abaixei a cabeça em relação a isso e fui criando conteúdo desde de 2008 até hoje.

Hoje, tenho amigos blogueiros que comentam e compartilham suas opiniões nos meus blogs e além de um incentivo de leitores de vários cantos do mundo que postam seus comentários em inglês. Isso mostra uma aceitação da língua portuguesa em um momento onde os escritores brasileiros insistem em escrever em inglês para ser aceito na revista Granta do que entender a cultura anglófila.

A blogosfera está renascendo sem ter a pecha de blogs pagos pelo governo ou de diários virtuais escrito por garotas que ditam a moda. Nesses anos de escrita percebo um movimento de blogueiros interessados em escrever e publicar textos que são interessantes junto com uma boa formação de layouts e a diagramação dos mesmos no blog.

A blogosfera saiu do estágio de festa de adolescente para um local de debates dos temas do mundo adulto. Isso permite a revelação de novos redatores e blogueiros que desejam postar textos com um estilo autoral que não era visto desde do fim da década de 2000 pelo fato de meio mundo ter ido para o twitter e o youtube. Assim, vou ter mais leitores e amigos no fim desse texto que vc está lendo, caro leitor.

A conta não fecha

Quando estou insone por não ter tomado os remédios. Eu venho para a cripta-escritório para escrever. Mas vejo problemas quando com as minhas amigas que dormem tarde para levantar cedo para mais uma jornada de trabalho. Tanto que a amiga Fran protestou no twitter por causa do horário difícil de exibição de seu programa favorito, o Masterchef.

Sem contar a minha fonte oficial anônima que lida com problemas graves para dormir. Quando ela está insone e eu estou vendo alguma corrida no continente asiático ou assistindo um jogo de futebol americano na segunda-feira a noite. Eu faço-lhe companhia para não se sentir só via facebook conversando com ela até que a esteja com sono.

Mas percebo que a conta não fecha. Atualmente, não temos aquela questão de trabalhar de dia e descansar de noite. As empresas trabalham por 24 horas por dia e 7 dias por semana em um regime sem parar. Pobre o funcionário que não se adapta a este método de trabalho onde a filial de Hong Kong inicia os trabalhos quando ele for para a cama.

No meu caso, eu tenho que me programar para acompanhar as corridas de Formula 1 e de Moto GP na região da Ásia-Pacífico ou ver o Monday Night Football quando a diferença de fuso-horário entre Brasil e Estados Unidos é de 3 horas. Isso exige uma condição física e mental para ter um planejamento que não sofra com o desgaste de tal jornada.

Bem que a Band poderia atender o pedido de Fran em exibir o Masterchef em um horário melhor para que ela possa dormir no horário correto. A minha fonte oficial anônima precisa ter uma certa tranquilidade para poder fazer suas coisas sem ter o fantasma da insônia. Enquanto a mim, vou ter que tomar rumo e ver como vou fazer para assistir o treino de classificação do GP da Austrália de Formula 1.

As notícias do meu email

Trabalhar na blogosfera te exige que vossa senhoria leia jornais, revistas e newsletters. Exatamente, eu sou um assinante de tais emails informativos produzidos pelo jornal britânico The Guardian e do diário americano The New York Times. Isso é a minha maneira  de ter uma boa pauta para escrever neste humilde blog e postar conteúdo no meu portal.

Ultimamente, as pessoas não leem jornais porque a assinatura física é muito custosa quando vale a pena ler um site do New York Times com aquela conta humilde de 10 textos grátis por mês. Aqui no Brasil, assino a Folha e tenho uma conta gratuita do Estadão para ler colunistas como Lucia Guimarães, Helio Gurovitz e Sérgio Augusto. Ambos sigo no twitter.

Mas os meus contemporâneos de geração não se importam com o hábito diário de se informar. Lembro de uma vez que uma amiga me debochou no whatsapp pelo fato de eu acompanhar as eleições francesas enquanto uma amiga dela contava-lhe as manchetes do site de famosos EGO. Isso é um sintoma de nossa mediocridade epidêmica.

Eu tenho um trabalho de informar os meus amigos. Isso inclui a minha nova fisioterapeuta-confidente e a minha função de shadow information secretary para o meu amigo MV para discutirmos sobre política britânica. Mas sinto um certo menosprezo em nossa nação que valoriza mais uma bunda do que discutir a geopolítica mundial

Ainda pretendo assinar algumas newsletters de jornais australianos como o Sidney Morning Herald e The Australian para poder acompanhar as discussões políticas locais como a mudança da constituição para o reconhecimento do povo aborígine como nação fundadora da Austrália. Mas isso é apenas mais um newsletter para a minha caixa de mensagens do meu email.

Onde podemos debater?

Tenho um amigo com pensamento conservador que teve de defender suas ideias diante de uma amiga minha que defende o ideário de esquerda. Ambos travaram um bom debate. Mas senti que a questão é desgastante diante do fato que não podemos debater as nossas ideias sem sermos atacados como se fossemos hereges durante a inquisição espanhola.

Isso é um estágio de nosso primarismo intelectual. Não temos uma tradição intelectual tanto de esquerda quanto de direita. Isto faz que os debates virem verdadeiros valetudos onde os argumentos são esquecidos logo na primeira ofensa com um adjetivo pejorativo ou ser execrado por defender uma tese controversa para um grupo.

O finado intelectual Umberto Eco falava que a internet está sendo tomado por imbecis. Não estamos falando das pessoas de forma generalizada. Mas sim dos pequenos ditadores tanto da minoria quanto da maioria que desejam que suas ideias sejam impostas a todos com argumentos como proteger a democracia dela mesma e outras besteiras.

O problema é que não temos uma cultura de debate que visa o pragmatismo e o consenso. Vivemos uma tirania da ideologia onde aqueles que pensam diferente do pensamento dominante serão perseguidos como os jesuítas portugueses durante o Japão feudal como foi bem retrato no filme silêncio, de Martin Scorcese por sua devoção a fé.

Não podemos tratar a questão debate como se fosse uma pregação de jesuíta. Mas temos que deixar claro que a livre-circulação de ideias tem de ser preservada em uma democracia. Em um sistema democrático que se permite argumentos e contra-argumentos para que se possa chegar a um consenso que o meu amigo conservador e a minha amiga esquerdista desejam.

 

A mediocridade do senso crítico

Ultimamente, temos muitos gurus e intelectuais que estão presentes na opinião pública como mestres da humanidade. Não sou um anti-intelectualista, mas me pergunto como temos uma mediocridade das pessoas que tem certa cultura ou que ficam nas trincheiras acadêmicas fazendo denúncias contra a esquerda e a direita nos tempos atuais.

Eu vejo isso quando leio as colunas dos cadernos de cultura dos jornais. Percebo que os colunistas trazem respostas elaboradas para os problemas da humanidade para um leitor que fica no mundo dos livros de autoajuda junto com profundos estudos sobre as ideologias e a filosofia contemporânea. Mas se esquecem de criar um pensamento próprio sobre isso.

Então, surge a mediocriade do senso crítico que reduz nossos pensamento pela lógica do que eu estou certo e os outros estão errados e vice-versa. Os intelectuais se esforçam para criar as teorias que possam explicar sobre o momento do mundo. Mas não tem um contato com a realidade de fora do mundo acadêmico como os estudantes que fazem militância política nas reuniões do DCE.

Temos que ter uma linha própria de pensamento e não sermos tutelados por pessoas que se julgam ter as respostas para os nossos problemas. A função de um intelectual é jogar uma luz do conhecimento para as trevas da ignorância. Mas percebo que temos a arrogância intelectual junto com a soberba da burrice que não permite avançarmos como sociedade.

O senso crítico é uma maneira de não ser manipulado. Mas se tornou algo que justifique atos deploráveis do ser humano com o argumento de que o conhecimento usado como patrulha ideológica é uma ameaça ao mundo. Invés de nós ficarmos apontando o dedo para outros. Vamos montar um pensamento autocrítico e sincero sobre ti mesmo.