Intelectualoides e idioticidas

Não entendo este mundo tão hipócrita que vivo. Os intelectualoides celebram a proibição do Foie Gras e os processos das atrizes Camila Pitanga e Nathalia Dill contra a Playboy por exibirem fotos de cenas de nudez protagonizadas por elas. Enquanto os idioticidas pedem a intervenção militar e a cabeça de Zeca Camargo (não estou ao lado deste ser que demonstrou sua sinceridade contra a música sertanejo). Parece que a terra tupiniquim está paralisada por estes seres humanos não evoluídos.

O grande problema desta nação que não investe em educação e não estimula a inteligência é que vivemos uma guerra estúpida causa por esta visão bipolar. Não estamos na Guerra Fria. Mas pedir que os brasileiros tenham um senso crítico contra essa maldição deste século é uma missão difícil de ser feita. Enquanto este que vos posta fica lendo notícias sobre a espionagem americana na revista alemã Der Spiegel, vejo um oceano de burrices produzidas por brasileiros nas redes sociais.

Tem horas que me envergonho de ser um filho da pátria amada ao ver tal produção fordista de besteiras sem sentido nunca antes visto na humanidade. Eu não mudei a minha foto de perfil do Facebook para celebrar a liberação do casamento gay nos Estados Unidos e fui criticado por uma amiga que prefiro não citar o nome por isso. Agora, nossa nação de idiotas pedem a cabeça de internautas que fizeram brincadeiras com a moça do tempo do Jornal Nacional só porque ela é negra.

Os intelectualoides vão dizer que nosso país é racista enquanto os idioticidas vão acusar as elites pelo estado da nação. O Brasil precisa parar de ser uma criança mimada que precisa de uma babá porque os pais estão muito ocupados. Os brasileiros não sabem lidar com uma democracia. Somos uma nação de pessoas que precisam ler e estudar mais para entender este mundo complexo que vivemos. Mas parece que tais pessoas gostam de gritar e xingar do que fazer um argumento inteligente.

Nosso país precisa de uma mudança cultural onde a divergência e o pluralismo são a essência de uma nação democrática que sabe lidar com as opiniões tanto controversas quanto consensuais. Precisamos discutir, esclarecer e procurar entender os fatos do cotidiano. Não queremos um pastor que guie as suas ovelhas ou um pensador com as suas ideias para a nação. Isso é pedir muito para um Brasil que vive uma guerra tola entre intelectualoides e idioticidas em nossa sociedade hipócrita.

Lulão pede para que Dilminha converse com o povão

Lulão está empenhado em salvar o governo de Dilminha. Durante um discurso para sindicalistas e trabalhadores do ramo petrolífero. O ex-presidente afirmou que sua pupila precisa por a cabeça nos ombros do povo. A última vez que um mandatário colocou a cabecinha para o povão foi no festival da guilhotina da revolução francesa em 1789.

Popularidade de Dilminha está mais baixa do que a inflação.

Em mais uma daquelas pesquisas de popularidade feita pelo IBOPE. Diliminha tem apoio de 9% da população. Tanto que Aécinho ironizou afirmando que a taxa de inflação está mais alta do que a mesma. Pelo jeito, até a alta dos preços tem mais apoio do que a presidente.

Votação da maioridade penal vai ser feita hoje para a alegria de Eduardo Cunha

O presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ) conseguiu um acordo entre os líderes partidários para votar uma versão mais branda do projeto de lei sobre a redução da maioridade penal de 18 para 16 anos. A PEC foi rejeitada ontem por falta de 5 votos (precisa de 308 votos para alterar a constituição). Pelo jeito, vamos ter que aturar a briga entre coxinhas e petralhas na internet brasileira por mais uma noite.

Calote a grega

Há poucos minutos, a Grécia deu um calote ao não pagar 1.6 bilhão de euros para o FMI. Esse é o primeiro default de uma economia desenvolvida como a grega. O primeiro-ministro Alexis Tsipras tentou uma extensão de um acordo com Eurogrupo no valor de 29.3 bilhões de euros. Mas tal pedido foi rejeitado pelos ministros de finanças dos 19 países-membros da Eurozona. Tanto que a chanceler alemã Angela Merkel afirmou que não irá negociar com Atenas até o referendo sobre o acordo que será realizado nesse domingo.

Atenas vive o pior pesadelo oferecido por um governo populista como a coalizão de extrema-esquerda Syriza. Se prometiam evitar a humilhação que os governos predecessores colocaram o país ao aceitar pacotes de medidas de austeridade para colocar a economia nos trilhos. Agora, os gregos estão desesperados em filas de bancos para sacar suas economias para evitar alguma medida desesperada do ministro da finanças Yanos Varoufakis. São os tempos difíceis que a Grécia vive nessa noite.

Os europeus se perguntam como será o day after da Grécia? Muitos gregos estarão nas filas de bancos que estão fechados por ordem do governo até a semana que vem. O referendo que foi convocado de forma inesperada por Tsipras no domingo foi um grande tiro no pé. Isso suspendeu as negociações  As instituições financeiras estão em estado falimentar caso abra suas agências bancárias porque não tem socorro do Banco Central Europeu para recompor seu caixa.

O calote foi um derradeiro ato de lucidez. Os gregos viram que um governo populista não irá salvar uma economia debilitada. A renda per capita grega é de 22 mil euros enquanto Irlanda e Portugal tem 16 mil e 12 mil respectivamente. O Syriza não propõem um corte de gastos em benefícios e pensões. Temos que reconhecer que a austeridade cega não foi a solução ideal, mas era o único caminho possível para colocar o país na recuperação de sua economia após anos de gastança sem fim.

A população irá as urnas nesse domingo. Tsipras afirmou se caso o sim vencer na votação. Ele vai renunciar ao cargo para não ser um primeiro-ministro da humilhação. Os protestos entre ativistas pró-europa e militantes que apoiam as medidas de Tsipras tomam conta de Atenas. Esse é um momento onde os gregos vão exigir uma solução para os seus problemas sem evocar o inimigo europeu. Agora, o calote grego é uma realidade dolorosa que o Syriza não vai conseguir resolver com sua política populista.