Jean-Louis Cremieux-Brilhac

Em certo momentos da história humana, sempre terá lugares para as pessoas que procuram em defender seus ideiais e a sua pátria em momentos de dificuldade. Essa é a história de Jean-Louis Cremieux-Brilhac. Um homem corajoso que foi a voz da França Livre durante a invasão aliada a Normandia na segunda guerra mundial. Tal operação ficou conhecida como Dia D. Cremieux-Brilhac foi voz do serviço francês da BBC para ajudar no esforço militar e informar a França ocupada pelo nazismo que tal país seria liberado.

Ele foi um herói de guerra ao escapar de campos de prisão nazistas e soviéticos. Jean-Louis defendeu a sua pátria como poucos em um momento de descrédito onde a única pessoa capaz de levantar o moral francês era o General Charles De Gaulle com seu jeito turrão para convencer os Estados Unidos e o Reino Unido. Cremieux-Brilhac era um oficial da resistência francesa que residia Londres para dar suporte para o general De Gaulle em sua luta para libertar a França do domínio nazista.

Enquanto os aliados planejavam uma operação militar sem precedentes para virar o jogo da Segunda Guerra Mundial. Jean-Louis estava apreensivo com o fato de liberação de Paris estaria próxima com o êxito da invasão da Normandia. Então, enviou um ofício a BBC para que fizesse a transmissão da operação durante todo dia em Francês. As notícias vindas de Paris indicavam uma dura resistência feita por franceses comuns que arriscavam as suas vidas por um país livre.

Sua voz foi o alívio dos franceses diante do fim de uma era de humilhação sob a ocupação nazista. As notícias vindas de Londres era o sinal que a marselhesa voltaria a ser entoada com o canto patriótico e que o desfile nazista em Paris em 1940 seria esquecido quando Charles De Gaulle voltaria a Paris como o comandante da França Livre mesmo sob os percalços que enfrentou durante o seu exílio em Londres para andar na Champs-Elyseé com a cabeça erguida e de consciência limpa.

Após a guerra, Jean-Louis trabalhou para o primeiro-ministro Pierre Mendes-France nos anos 1950. Ao longo de sua vida, Cremieux-Brilhac permaneceu com a consciência livre por ter feito um papel importante na história ao contar os franceses que o orgulho estaria de volta com uma derrota de pessoas comuns, militares e intelectuais que desejam ver um país livre diante de uma opressão nazista. Ele morreu no dia 9 de abril, aos 98 anos. A população francesa vão se lembrar da voz de Jean-Louis Cremieux-Brilhac.

Ao telefone com Putin

Em um país onde o presidente goza de uma grande popularidade. É normal que o mandatário vem a tv para responder as perguntas da população. Isso acontece na Rússia onde Vladimir Putin criou uma maratona onde responde a telefonemas de pessoas comuns e suas aflições do dia a dia. Ontem, ele respondeu as questões importantes como o fim da suspensão de envio de baterias anti-aéreas para Irã. Criticou a atuação da Ucrânia na condução do cessar-fogo. Pediu que a França entregue os navios-anfíbios Mistral.

Mas que chamou a atenção da mídia internacional foi a pergunta de um fazendeiro russo chamado John. Ele vive na Rússia faz quinze anos e questionou o presidente sobre a política agrícola do país que sofre com as sanções econômicas impostas pelo Estados Unidos e União Europeia. Putin prometeu melhorar a agricultura russa como uma forma de país não passar por problemas com tais punições ocidentais. Mas como o presidente russo vai dar subsídios aos agricultores se é notório as contendas russas com potências agrícolas como o Brasil por exemplo?

A história agrícola russa sempre foi uma tragédia digna de Dostoiévski. Desde do surgimento da União Soviética em 1922. Várias repúblicas tinham que fornecer alimentos a mãe Rússia. Isso acontecia com a Ucrânia, que tinha um solo fértil e era tido como uma fazenda soviética. Mas tais terras era consideradas Bloodlands, ou seha, áreas de conflito entre Moscou e as regiões férteis por meio de reforma agrárias desastrosas devido o mau planejamento dos burocratas de Kremlin nesse quesito.

Se o Putin promete uma revolução agrícola nas estepes russas. Ele terá que fazer um bom planejamento. A retaliação russa banindo a importação de alimentos de países da União Europeia mostra quão importante é essa questão para Kremlin. John fez uma pergunta que foi um verdadeiro soco no estômago do presidente russo porque as perguntas são selecionadas por um staff. Putin faz este tipo de programa para estar próximo da população para manter os altos índices de popularidade

Não sabemos se a Rússia está preparada para uma revolução agrícola baseada em subsídios para os agricultores como John. Isto vai depender do cenário político e econômico do país nos próximos meses diante da incerteza política na guerra civil na Ucrânia. Esse é um momento onde os russos começam a tomar consciência sobre os atos de seu amado e louvado líder. Será que as questões da próxima maratona de telefonemas na televisão russa poderá trazer novos constrangimentos para Putin?

Bennett, Wood e Sturgeon

Essa semana, o Reino Unido leu os manifestos (programas de governo) lançado pelos partidos e hoje, viu o debate entre os líderes dos cinco partidos oposicionistas realizado pela BBC. Ed Miliband (Trabalhista), Leanne Wood (Plaid Cymru), Natalie Bennett (Verde), Nicola Sturgeon (SNP) e Nigel Farage (UKIP). Durante os 90 minutos de confronto vimos um Miliband perdido e um Farage exposto diante de uma aliança feminina entre Bennett, Wood e Sturgeon que se norteou pelo fim da austeridade da coalizão entre conservadores e liberais-democratas (cujo os líderes não participaram deste encontro).

Em um momento em que o parlamento está fragmentado. É notório a aliança entre SNP, Verdes e Plaid Cymru. Tais partidos defendem o fim da austeridade promovida pela coalizão. Além de um fortalecimento do serviço público britânico. Ed Miliband rejeita a proposta de um governo entre trabalhistas e nacionalistas escoceses. Farage ficou criticando a BBC por ter uma plateia que rejeita sua ideia onde os imigrantes e a União Europeia são os grandes males do Reino Unido que pouco se preocupa com os britânicos.

Tanto Wood quanto Sturgeon estão fortalecendo seus partidos nacionalistas para as eleições locais de 2016, onde os parlamentos galês e escocês irão escolher novos parlamentares. O SNP tem uma maioria clara e precisa manter isso para ter uma boa posição de negociar a transferência de poderes de Westminster para Holyrood. Já o Plaid Cymru defende uma dura negociação com Londres para ter autonomia em questões como impostos e programas sociais para evitar cortes de um governo trabalhista ou conservador.

Bennett prometeu em seu manifesto em fazer uma revolução política pacífica. O Partido Verde tem apenas uma parlamentar, Caroline Luccas, em Westminster. Mas está conseguindo ter uma boa performance nas pesquisas eleitorais a frente do temido UKIP, que está tropeçando em suas palavras nacionalistas e eurocéticas. A reclamação de Farage sobre a plateia da BBC tem o fato de Londres rejeita o UKIP enquanto o partido consegue uma excelente aceitação no sul da Inglaterra.

A foto onde Sturgeon, Wood e Bennett se abraçam juntas mostra que nunca três partidos estão tão unidos na formação de um novo parlamento. Se o SNP promete uma surra para os trabalhistas na Escócia e Plaid Cymru e Verdes podem tirar votos de conservadores e liberais-democratas. Isso só mostra que o Reino Unido terá mais um governo de coalizão. Mas como será está formação? Isso é um enigma nunca antes visto na história britânica onde só vai ser decifrado no dia 7 de maio de 2015.

O genocídio armênio

Em 1915, o Império Otomano entra em guerra contra as potências ocidentais. Mas tinha um problema de ordem interna, a questão dos armênios, um povo cristão ortodoxo que é considerado adoradores do diabo por não seguir preceitos do islamismo dominante. Então, os otomanos iniciaram uma prática de genocídio sistemático. O império foi derrotado pelos aliados em 1918 e desmantelado ao longo do anos 1920. Assim surgiu a figura de países como a Turquia liderada pelo secularista Mustafa Kemal, o ataturk.

A questão é muito delicada para os turcos, que consideram o conflito com os armênios uma guerra civil. Quando o Papa Francisco citou a palavra genocídio durante uma missa na basílica de São Pedro neste domingo causou uma revolta em Ancara. O presidente turco Recep Tayyip Erdogan condenou as palavras de Francisco dizendo que a vossa santidade cometeu um equívoco. Isso é um momento políticos onde a população irá as urnas para escolher um novo parlamento nas eleições gerais de 7 de junho.

Qualquer citação do genocídio armênio é considerado crime contra espírito turco segundo o artigo 301 da constituição de 1980. Desde dos generais passando por islamitas, a lei não foi mudada. O prêmio Nobel de literatura em 2006, Orham Pamuk quase foi a julgamento por isso. Existe um clima de desconfiança entre o governo turco e a Armênia, que se tornou um país independente com o fim da União Soviética em 1991. Por mais que acordos de paz sejam feitos. A questão do conflito de 1915 ainda persiste.

Como resolver este clima de desconfiança? Erdogan é um nacionalista e ainda por cima age como um líder autoritário. Nos últimos anos, ele saiu de um político pragmático para ser um radical que comanda a Turquia como se fosse um feudo para o seu sonho otomano. A censura de um comercial da oposição e os julgamentos de adolescentes que se atreverão a fazer críticas ao presidente são um sinal que a democracia turca sofre por um período de grande autoritarismo que não vai ser desmantelado tão cedo.

A negação da existência do genocídio armênio é considerado crime em 20 países como a França. Isso reforça a tese de que tal catástrofe não é tolerada como é punida pelo simples ato de negar. Mas os armênios querem a paz com a Turquia. Isso vai exigir um reconhecimento deste crime contra a humanidade. Isso não será feito tão cedo para ser escrito nos livros escolares para que as futuras gerações compreendem o significado da morte de mais de um milhão de pessoas que Erdogan tanto esconde.