Carta aberta ao Paulinho

Caro Paulinho.

Parabéns para ter vindo a este mundo. Eu conheço o seu pai desde dos tempos do ensino médio. Eu prometi para ele que iria escrever uma carta aberta quando vossa senhoria saisse do ventre de sua mãe. Tenho que ser direto com você porque é um ser humano que precisa compreender o contexto do seu nascimento em um momento complicado.

Bem, você nasceu em um momento em que a França viu um centrista ser eleito presidente como Emmanuel Macron que nomeou um conservador como Édouard Phillipe para ser seu primeiro-ministro. Mas vida de um adepto do centrismo é complicado por que tem centro-direita, centro-esquerda e centro-centro no mundo comtemporâneo.

Paulinho, você terá que lidar com os coleguinhas de maternidade e a devoção de seu pai pelo PlayStation 4. De minha parte, vai ter que lidar com um sujeito que acompanha a política britânica via BBC Radio 4 e escreva sobre as nuances do mundo anglófilo para os brasileiros que ainda pensam que a Inglaterra é uma grande nação, mas se esquecem que o Reino Unido é formado por Inglaterra, Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte.

Outra questão que preciso te falar que terá lidar com um bando de gente que gosta de chamar a atenção mais do que o topete á prova de furacão do presidente americano Donald Trump. A humanidade tem ciclos seja conservadores seja liberais. Nesse momento, eu ainda não sei qual rumo que a sociedade está tomando para te informar, Paulinho.

Por fim, Paulinho. Desejo que seja uma pessoinha melhor e que seja capaz de aprender a jogar videogame com o seu pai. Faça uma escolha evolutiva da Galinha Pintadinha para CounterStrike e chegar para Assassin’s Creed para sua a vida adulta. Espero que seus pais cuidem bem de você nos anos que virão para ter uma boa educação em tempos turbulentos.

Boa sorte

atenciosamente

ass: César Augusto.

Não perder a fé na humanidade

Hoje, fui deletado por uma garota pelo fato de ela não ter confiança em mim. Ontem, tal menina se sentiu ofendida por ser comparada a minha pessoa porque eu tenho esquizofrenia leve (antissocial que não tem alucinações) e ela tem depressão leve. Ela me acha um falso por causa de um cara que me sentenciou isso a mim porque fiz críticas a ele no ano passado.

Não vou me lamentar perante as vocês. Mas isso reforça mais a minha convicção em não perder a fé na humanidade por mais que você nas mãos dos individuos escrotos. As pessoas deveriam entender que uma doença mental não define o carater de uma pessoa. Isso é feito por seus atos, atitudes e um código ético tácito feito pelo ser humano em questão.

Ser excluído de um facebook por uma desculpa esfarrapada quando fica claro que o real motivo é você ser uma pessoa inteligente e ter uma doença mental revela que os individuos estão se tornando mesquinhos em si e se esquecem que as pessoas tem sentimentos e se importam com os outros. Algo que foi esquecido por seres humanos egoístas e afins.

Se uma pessoa se dedica a difamar alguém com o objetivo de acabar com a sua reputação. Tal ser deveria entender que principios e valores são coisas inamateriais e que são a prova de calúnias e afins. Mas eles são mesquinhos que não admitem que um ser humano possa ser inteligente mesmo tendo um problema mental como no meu caso.

Quero que o rapaz e a garota vivem bem. Não vou pedir suas cabeças como se fosse um julgamento sumário. Tenho os meus vícios e virtudes. Mas sou um sujeito que arca com as consequências como uma maneira de ter uma responsabilidade em uma sociedade que pensa que o errado é certo e vice-versa. Mas não vou perder a minha fé na humanidade por causa dessa mesquinharia.

O humor em tempos de militância

Ontem, estava no twitter quando li a coluna de Lucia Guimarães no Estadão em que questionava a questão do humor americano nos tempos de pós-verdade. Os humoristas yankees se esqueceram de rir de si próprios. Tanto que investem suas piadas em críticas contundentes ao presidente Donald Trump e seus fatos alternativos.

Isso me soa chato demais. O escritor português Gil Vincente dizia que rindo corrigia-se a sociedade. Mas os nossos colegas americanos estão em uma cruzada contra a população redneck que voltou em Trump. Parece que os presidentes republicanos são mais engraçados do que os comandantes em chefe democratas na história dos Estados Unidos.

Na história recente americana, o único presidente democrata que era alvo frequente de píadas foi Bill Clinton por suas escapadas com as estagiárias. Após George W. Bush, os humoristas se engajaram em desmascarar o crápula-mor da Casa Branca entre 2001 a 2009 diante de um controverso processo eleitoral e as mentiras da Guerra ao Terror.

O humor americano viveu um período de freio-mão puxado durante a Era Obama. As únicas piadas sobre Barack foram feitas por ele mesmo nos jantares dos correspondentes da Casa Branca. Isso criou uma sensação de uma lua de mel prolongada entre os humoristas e o presidente democrata por um medo da volta de um republicano.

Agora, vemos um momento em que os humoristas fazem piadas sobre o topete de Trump como se fossem guerreiros da liberdade de imprensa. Eu desejo que tenha boas tiradas contra Trump, mas peço que nossos colegas americanos menos politicagem e mais sarcasmo anárquico para encararmos os tempos de pós-verdade e de fatos alternativos.

O infantil virou brega

Anos atrás, eu escrevi um texto sobre ser criança por influência de um senhor que prometia a cura da minha esquizofrenia se adotasse hábitos de infância. Pois bem, eu abandonei tal método para o meu bem estar e tal sujeito me bloqueou no facebook porque defendi a democracia e fui contra a volta de uma intervenção militar.

Passado esse tempo, me deparo que os meus contemporâneos parecem ser imaturos. Eu explico, eles querem voltar as certezas dos tempos de infância por temerem a insegurança do mundo adulto. Nada contra pessoas que gostam de assistir desenhos nos canais de assinatura como eu faço. Mas faço oposição a essa obcessão por sermos tão infantis.

Esquecemos de amadurecer. Um exemplo disso é que uma garota não gostou de um texto meu no Mondo Escroto onde criticava o Harry Potter. Invés de ser um comentário sensato. Foi um simples emoji com ares irritados. Os nossos jovens adultos contemporâneos são um bando de adolescentes idiotas e que não sabe cuidar da própria vida.

Imagino isso em outros países como a Itália onde uma geração de adultos ainda não saiu da casa dos pais porque custa caro viver de maneira independente. O que me irrita é ver os meus contemporâneos lendo Harry Potter invés de encarar um 1984 de George Orwell ou Admirável Mundo Novo de Aldous Huxley para refletir sobre o mundo pós-verdade.

Posso soar um velho anacrônico. Mas esses infantilóides podem não amadurecer a tempo de encarar os desafios do mundo. O medo de envelhecer é constante. Mas temos que viver a vida sem ter que bancar um velho rabugento ou um jovem babaca. Espero que essa autocrítica permita uma evolução e não uma solução para enganar trouxa como quase fiz para agradar um ego alheio.

Não sou compreendido

Quando convivemos em sociedade. Lidamos com pessoas que não fazem questão de te compreender como uma maneira de afirmar que só deseja que vossa senhoria seja uma mula de carga de seus interesses. Eu lido com isso quando vejo o meu twitter onde as pessoas postam citações de música sertaneja invés de pedir ajuda ao próximo com sinceridade.

Eu sou um sujeito anacrônico para os tempos atuais. Nunca me encaixei em uma sociedade de consumo desenfreado de silicone e músicas idiotas. Se as pessoas pedem sinceridade como se fosse uma condição essencial para a relação humana. Eles jogam no lixo logo na primeira oportunidade para se aproximar de um ser com o fim interesseiro.

Percebo isso com muita frequência. Sempre vai ter alguém dizendo que faz algo melhor do que você. Mas na hora da verdade, ele refuga como se fosse um cavalo de hipista. Parece que fica intimidado em lidar com alguém que pode lhe humilhar em questão de segundos com vários argumentos irrefutáveis que tal pessoa não irá assimilar direito.

As pessoas pensam que twitter é um grande megafone humano onde as pessoas aplaudem tudo que voce fala. Mas isso não é uma sessão de perguntas ao premiê britânico na câmara dos comuns. Precisamos entender a dinâmica de troca de tweets que podem ser importantes para esclarecer um assunto intricado para as mentes leigas.

Parece que a nossa humanidade não procura entender as dinâmicas sociais em favor de serem autênticos. Mas isso me soa um festival de grosseirias personalistas para declamar que são pessoas únicas. Eu não sou compreendido pelos meus pares. Porém, mantenho a minha educação e a polidez como uma forma distinta de civilidade em tempos incivilizados.

Se queremos ter a tal sinceridade almeijada por todos. Temos que compreender os processos sociais e não ficarmos em nossas bolhas tolas e ineficientes. Isso é como se fosse um processo de integração a uma sociedade sem perder a sua individualidade junto com a polidez que o mundo dos idiotas tanto anseia e que me faz dizer que não sou compreendido.