Eu informadus

Estou conversando com a minha amiga angolana. Angola tem problemas estruturais como a educação e a precária infraestrutura junto com o fato da democracia de partido único com o MPLA no comando desde de sua independência em 1975 do estado português cuja a guerra colonial nas antigas colônias africanas e territórios ultramarinos motivou a Revolução dos Cravos em 1974 com a derrubada do regime salazarista.

Eu lhe tinha informado sobre os campos de concentração na província chinesa de Xinjiang por estar ouvindo a BBC World Service. Nossa conversa sobre as democracias de partido único me fez ela perguntar porque as pessoas não tem acesso tais informações mesmo com a internet permitindo a livre-circulação de informações mesmo em países que lida com os líderes nos dois lados do atlântico sul no momento.

Eu comentei que muitas pessoas no Brasil ficam espantadas comigo por estar informado sobre o mundo e a humanidade. Isso me lembra de uma vez onde falei sobre isso em um grupo de facebook onde fui chamado de funkeiro. Sem contar a história de ser comparado a um terrorista por estar assistindo o BBC News At Ten por causa do processo de construção de uma usina nuclear no Reino Unido por um grupo de baladeiros cariocas.

Eu não fico espantado com isso devido a nossa deseducação intelectual onde uma sociedade quer saber sobre a nova dança do Tiktok do que ler um livro. O que me deixa surpreso é que o brasileiro não tem um estímulo intelectual para aprender. Parece que toda fonte de informação do mundo está em uma rede social invés de consultarmos uma biblioteca em nossas casas para termos um acesso a informação e cultura.

Isso não espanta nos tristes trópicos brasileiros….

As pessoas que ficam em nossas vidas

Eu tinha um amigo de skype que era jornalista formado e tinha esquizofrenia assim como eu. Ele era uma das pessoas que mais entendiam de HQs que encontrei na minha vida. Porém, nossa amizade não deu certo diante de problemas pessoais. Outro dia, lembrei de outro ser que fomos amigos quando ele estava lidando com a leucemia. Mas não conseguimos ir pra frente porque ele pensava que o adicionei por ser um doente quando justamente eu queria alguém pra conversar.

Essas pessoas ficaram pelo caminho….

Isso me lembra de uma amiga chamada Christine. Ela é uma amigona dos tempos do Instituto e ficava preocupada comigo por me sentir solitário. Ela me viu com um especial da Super Interessante sobre psicologia e me pediu para ler emprestado. Eu estava receoso porque já tive problemas com isso. Mas emprestei mesmo assim e ela me devolveu a revista intacta. Isso foi importante para termos uma grande amizade.

No fim do 3º ano do ensino médio. Eu falei que os meus amigos eram uns fantasmas. Christine me corrigiu e me deu um puxão de orelha para lembrar das amizades. O pessoal da Máfia me ajudou muito na minha recuperação com as nossas conversas no Facebook em 2011. Isso foi importante para mim porque não me senti mais um solitário no mundo onde as pessoas querem falar de si para todos os cantos.

Meus amigos virtuais me ajudaram a lidar com isso. Porém, era uma espécie de amizade líquida por causa das desavenças e das minhas mancadas digitais. Eles tinham outras prioridades ou eu lembrava de uma fase difícil que queriam esquecer tais momentos dolorosos cortando laços com as pessoas que tiveram contato. Eu não vou ficar bravo com isso porque tenho a minha vida e sei como é complicado reconhecer as suas fraquezas.

Mas ainda me lembro de Christine que é casada com o meu amigo Renan e mora na Irlanda….

Um homem na Alexanderplatz

Um 1981, Ranier Werner Fassbinder filmou a peça Berlin Alexanderplatz como uma forma de obra derradeira sem saber que morreria um ano depois. A história de um homem perdido em seus dilemas na cidade de Berlim rendeu um remake em 2020 que está arquivado no meu computador e ainda não vi. Mas as pessoas querem ter razão sobre tudo e pensam que uma cultura ou obra de arte é algo de sua propriedade invés de ser domínio público.

Falo disso porque o contexto de Berlin Alexanderplatz é tratar de Berlim na década de 1920 quando a Alemanha vivia a República de Weimar onde comunistas e nazistas brigavam entre si nas ruas diante de uma nação que estava em um processo de reconstrução no meio de uma pesada indenização da primeira guerra mundial que custou 95 bilhões de dólares (isso foi quitado em 2008 na ocasião do evento de 90 anos do fim do conflito).

Sempre teremos libertários e autoritários. Mas as redes sociais viraram uma Berlin Alexanderplatz onde a população quer caçar aqueles que pensam diferente. Isso demonstra que precisamos amadurecer intelectualmente em um momento onde as pessoas do meio cultural estão com um tacape nas mãos enquanto os seres politizados utilizam de uma retórica de porrete para tratar os humanos com algo sob controle.

A humanidade tem o seu lado amadurecido que está adormecido por nossa inércia. Precisamos chamar a responsabilidade pra si para arrumar o mundo. Temos que reconhecer a nossa imperfeição para um mundo imperfeito como uma forma de aparar as arestas para lidar com uma realidade de inflação alta e descrença institucional que toma conta de um mundo onde as pessoas estão desnorteadas com a avalanche de informações a todo momento.

Alexanderplatz resistiu a duas guerras enquanto Berlim estava dividida pelo Muro da vergonha. Pessoal, temos que assumir a nossa responsabilidade com este momento atual…

Uma namorada que não tive

Durante toda a minha vida de adolescente. Eu tentei namorar tanto sendo pré-adolescente quanto sendo V for vendetta. Lembro dos tempos do Educere onde um beijo na boca rendia uma suspensão na escola onde os meus colegas ficavam em panelinhas para tentar namorar. Uma vez, um colega meu gastou muito em um correio elegante que nada adiantou para tentar um namoro. Hoje, ele é um dono de um curso de idiomas enquanto ela é uma bela mãe (efeito Instagram/Facebook).

Por mais que eu fosse desastrado com as garotas nos tempos de Educere. Eu era o único que tinha o hábito de falar com as estagiárias de pedagogia mesmo sendo um garoto de 13 anos de idade. Eu era muito avançado para a minha época pelo hábito de acompanhar o noticiário. Isso em uma época que não tínhamos redes sociais em 2001. Logo entendo a frustração dos meus colegas de Educere em não ter uma namorada.

Quando fui para o instituto em 2004. Logo tivemos uma greve de professores por quase 3 meses. No retorno as aulas, eu fui fazendo amizades com as garotas da escola mesmo sendo um garoto de 15 anos no 1º ano de ensino médio. Eu conhecia as minhas amigas por meio de amigos em comum já que não tinha internet em minha casa. Eu ficava na biblioteca para aproveitar o tempo livre pra aprender sozinho por conta própria.

Os meus colegas do instituto tinham namoradas. Eu não ficava abatido por não ter uma namorada. Mas me sentia só por não ter uma garota que me amasse com quem poderia falar de nossas músicas românticas. Isso piorava enquanto escutava tais canções no rádio onde estava em minha formação musical com bandas como Aerosmith e U2. Logo entendia tais sofrimentos como um jovem sem um amor.

Na única que pedi uma garota para namorar. Ela recusou por causa das cicatrizes de um namoro que não deu certo com um amigo meu. Eu fiquei desnorteado com tal recusa que preocupou a minha mãe por causa do autismo. Porém, eu tinha um grande amigo da Fatec como o Alexandre que me chamou para uma conversa e aquilo mudou a minha vida porque descobri a seção de mídia global do UOL e me interessei por política internacional.

Hoje, estou bem e mas agradeço a ela por ter me amadurecido no meio de uma dor. Assim caminha a humanidade.

Um membro do partido trabalhista

Em 2017, eu estava pesquisando sobre a eleição geral de 1997 no Reino Unido que foi capaz de eleger Tony Blair para o cargo de primeiro-ministro após 18 anos do Partido Trabalhista como força de oposição aos Conservadores dos premiês Margaret Thatcher e John Major. Eu via um amigo que estava assistindo a entrevista do nosso então presidente de filme de terror no canal de notícias da Vênus Platinada irritado com a vida.

Muitos me perguntam porque me interessei pela política britânica. Isso começou em 2011 quando estava na pior e comecei a acompanhar a BBC no momento onde eu não tinha um escritório propriamente dito porque não tínhamos uma mesa para que pudesse fazer as minhas refeições na cripta-escritório naquela época após a minha mãe me prometer um quarto com um local de trabalho onde pudesse fazer as coisas com calma.

Com o passar dos anos, fui montando o meu escritório onde podia assistir a BBC no computador e acompanhar os programas como Question Time e Newsnight. Sem contar o hábito de assistir o lendário Panorama. Eram os tempos do governo de coalizão entre conservadores e liberais-democratas junto com o Partido Trabalhista sob o comando de Ed Miliband com quem conversava com a minha amiga fonte oficial anônima.

Ela estudava sociologia na época e conhecia o sociólogo marxista Ralph Miliband, pai de Ed e David Miliband. Nós falávamos de humor britânico pelo facebook e ainda sinto saudades de nossas conversas. Então, comecei a escrever sobre política britânica no Homo Causticus quando via a temporada anual das conferências partidárias com as entrevistas dos líderes partidários no programa Andrew Marr Show da BBC One.

Com a reforma da minha casa em 2019. Eu finalmente tenho um escritório onde trabalho sem problemas por me sentir bem. Isso ajuda a ficar mais tempo na minha casa e lidar com uma pandemia que não mostra sinais de declínio nos números de contágios mesmo com as vacinas sendo disponibilizadas pelo público. Enfim, ainda me torno o membro do Partido Trabalhista defendendo o New Labour de Tony Blair e Gordon Brown.