Menos demagogia por favor

Desde de ontem, as redes sociais viraram um palco de uma guerra de trincheira envolvendo o estupro de uma adolescente de 16 anos por 33 homens no Rio de Janeiro. A garota teve que prestar um segundo depoimento no dia de hoje. Mas o que me incomoda é uma discussão demagógica onde se apontam os dedos entre homens e mulheres e não se tem propostas sobre o assunto.

O estupro é algo abominável por sua natureza cruel. Mas vendo a discussão nas redes sociais, percebi um debate oco onde todos querem ter a razão as custas de um sofrimento de uma adolescente que mal sabe se recuperará de um trauma tão forte em sua curta vida mesmo que os delinquentes sejam punidos pela lei após uma extensa investigação.

O direito da mulher de vestir da forma como gosta para sair e mostrar sua independência perante o mundo fica ameaçada. Mesmo se homens corretos desejam expressar seu enojamento diante de um fato escabroso. As militantes se sentem no que julgam no dever de coibir a garantia de um ser masculino demonstrar sua repulsa ao fato.

Ao mesmo tempo que vejo amigos meus criticarem as militantes por seu jeito feroz em criticar o homem e exercer um arcaico machismo onde os movimentos feministas não podem defender ideias que sejam contra o patriarcado. Para eles, as adeptas de tal movimento são fruto de uma ideologia estúpida e que nada faz para proteger as mulheres.

Apresentados os pontos de vista conflitantes. Fica nítido uma demagogia de ambos os lados que apontam o dedo, mas não apresentam uma solução. Não vejo propostas como aulas de educação sexual para que se evite uma visão tanto do machismo quanto feminista no ponto de vista ideológico ou mudanças nos artigos do código penal para criar a pena de prisão perpétua para tal crime. Afinal, menos demagogia e mais ações.

 

Uma amizade

A matéria da BBC

Quando tinha 15 anos. Toda quinta-feira a tarde ia para o Educere para praticar esportes. Sempre tinha que descer uma ladeira para ir a oficina do meu pai para ele me levasse para a casa. Uma vez, precisava de uma companhia. Então, Tiago me ofereceu a carona em sua bicicleta e descemos juntos aquela descida como algo improvável e isso foi fruto de nossa amizade.

Assim que lembro ao ver a foto do garoto hermano Santiago Fretes, mesmo andando com muletas por ter apenas uma perna. Emprestou uma de suas colegas por toda a vida para um amigo Yamil para verem juntos o jogo de despedida do atacante argentino Diego Milito pelo Racing. A mãe de Santiago tirou a foto e publicou nas redes sociais para mostrar uma amizade.

Isso comoveu toda a Argentina e o mundo ao ver a amizade tão bem representada. Um país que sempre viveu dividido entre o peronismo e o radicalismo vê dois garotos se esforçando a ver a despedida de um ídolo dando a sua volta olímpica como uma glória que carregaram por toda a sua vida como uma memória de uma infância feliz e interessante

Termos amigos é algo que nos enobrece pela vida inteira. Quando tenho um tempo, converso com o Tiago. Hoje, ele é um orgulho de sua família por ter feito a faculdade de engenharia com uma determinação que me espanta e me orgulha por ter conhecido um ser tão generoso e inteligente. Além de treinar o MMA que vejo em suas fotos publicadas no facebook.

Eu sinto que Santiago fez para ajudar seu amigo Yamil é a mesma coisa que o Tiago fez por mim. Nunca vou esquecer de um gesto de companheirismo em um momento onde comecei a ser eu mesmo. Santiago encantou um país por sua amizade leal para Yamil mesmo tendo apenas 10 anos de idade. Isso foi uma lição de vida do qual nunca poderemos esquecer.

 

Ser solteiro na Ásia

Sempre se tem a impressão de ser solteiro é algo tão bem aceito no ocidente. Mas isso é rejeitado de forma veemente na Ásia. Prova disso é uma pesada crítica da agência estatal de notícias chinesa Xinhua contra a nova presidente de Taiwan, Tsai Ing-wen. O texto tão controverso é que a China teve que apagar o artigo diante da má repercussão tanto no país quanto em Taiwan.

O fato de ela ser solteira poderia criar controvérsias porque não tem filhos ou uma família. Isso irritou as feministas chinesas. Mas como uma crítica a uma chefe de estado que defende a independência de Taiwan diante da pressão da China continental. Mas isso mostra que ser uma solteira não é fácil para o continente asiático.

Muitos países como China e Cingapura querem estimular que suas mulheres fiquem grávidas mesmo sobre restritas regras para procriar. Mas as mulheres solteiras ficam com a pecha de serem um peso para o estado. A falta de filhos pode criar empecilhos para o crescimento econômico de tais nações que estimularem o investimento pesado em educação.

A política do filho único na China está sendo revista diante de uma sociedade rica mas que pode envelhecer de forma rápida diante do fato de que casais ficam receosos em terem mais que dois filhos e pagarem uma pesada multa para o estado chinês. Isso cria a sensação de que ser solteiro é um estigma e um grande peso para as famílias chinesas.

As críticas a Tsai Ing-wen se mostram equivocadas além de mostrar que a China quer influir na política taiwanesa de forma grosseira. Mesmo que a presidente tem uma visão independentista e goste mais de seus gatos que cria em seu apartamento. Fica-se claro que os chineses terão que aprender a conviver com os solteiros mesmo uma mulher sozinha comande Taiwan.

Usando a imigração

Há menos de um mês para o referendo. O Reino Unido pode ter uma virada no cenário com a decisão dos eurocéticos em focar na questão da imigração invés de falar das vantagens econômicas do Brexit. Isso foi revelado pelo editor de política do programa Newsnight (BBC Two) Nicholas Watt após a enxurrada de dados econômicos divulgados neste fim de semana.

A dificuldade dos eurocéticos em reverter o cenário é lembrada no referendo de 1975 sobre o mercado comum europeu. O então anti-marketeer trabalhista Tony Been mostrou um cenário catastrófico caso a entrada de produtos dos países-membros da então comunidade europeia afetaria a economia britânica que provocaria a perda de empregos.

A campanha pro-marketeer em resposta adotou uma postura de esclarecer os efeitos da adesão a CEE gravando performances de estrelas da campanha como os trabalhista Roy Jenkins e Shirley Williams falando com o público sobre as dúvidas em relação a entrada do país ao bloco europeu e assim mudou o jogo para que o Reino Unido permanecesse na CEE.

Em 2016, as negociações feitas pelo primeiro-ministro David Cameron que reforçam os controles sobre o benefícios de programas sociais e sobre a imigração entre os países-membros. Tanto os europeístas quanto os eurocéticos não conseguem atrair um eleitorado com questões complexas que pouco afetam a vida do cidadão como as regulamentações de Bruxelas.

Se os eurocéticos usarem os dados da imigração junto com o medo da perda de emprego do britânico para um encanador polonês como foi feito nos referendos pela constituição europeia de 2005 na França e Holanda. Poderemos ter um cenário onde os temores podem ditar o rumo se não houver um amplo debate sobre o Brexit sem termos os populismos e temores de ambos os lados.

Esquecemos de fazer amizades

Tenho vários amigos nas redes sociais. Mas muitos me reclamam da falta de uma certa cumplicidade. Parece que esquecemos de fazer amizades. Temos que nos adaptar a realidade de computadores e smartphones. O que nos falta é um pouco de sensibilidade ao lidar com o outro não como um ser superior, mas como uma pessoa normal.

Quando estou em um chat. Uma pessoa me pergunta se quero jogar xadrez. Se queremos criar uma amizade não se faz uma questão com um revolver nas mãos. Isso pode assustar muita gente. Eu faço uma autocrítica onde sou agressivo com uma amiga pelo fato de conversar com um cara que ela trata como se fosse um irmão mais velho e com seu maternalismo coruja.

O ser humano precisa de alguém que não te peça para jogar xadrez ou te trate como se fosse a sua mãe. Mas tem o outro lado onde a pessoa trata os outros de maneira fria e como se fosse algo descartável. Estamos falando de sentimentos e as pessoas precisam de uma solidariedade tão bem retratada no filme A procura de Eric, do cineasta britânico Ken Loach.

Todos parecem ter as soluções dos problemas humanos para impor ao próximo e se esquecem de entender a realidade dos mesmos. Não estamos falando do tal homem novo personificado nas ideologias autoritárias como comunismo, fascismo e nazismo. Mas sim de uma pessoa normal que tem que lidar com os problemas cotidianos de uma sociedade.

Vamos ter que reaprender a fazer amizades como uma forma de criar laços com o próximo que pode nos ajudar tanto nas alegrias quanto nas tristezas. Teremos decepções e frustrações em um futuro próximo. Não podemos negar isso. Mas não custa poder ajudar o mundo ao criar um afeição por um semelhante para uma vida inteira.

Porque temos um preconceito?

Não comento sobre o mundo das celebridades porque tem muita gente que dá palpite sobre tal. Mas preciso fazer uma reflexão sobre a recente onda de preconceito pelo fato da atriz Bruna Linzmeyer namorar uma mulher mais velha e isso foi descoberto pelo jornal Extra e criou uma revolta em pessoas na internet com comentários tolos e ignorantes.

Parece que nós não nos conformamos que uma linda mulher tenha o direito de namorar uma lésbica. Se só deixa claro como somos tão preconceituosos com o simples fato de pedirmos que mudemos a orientação sexual de uma pessoa como se fosse uma lavagem cérebro-sexual sem necessidade perante a nossa sociedade tão moderna.

Como pessoas ainda não admitem que outros seres humanos tenham o direito de decidir sobre suas vidas sem lhe pedir permissão. Bruna queria manter a discrição do namoro. Mas o jornal Extra é conhecido por vasculhar a vida de celebridades como forma de chamar a atenção de seus leitores mesmo que a mesma trabalhe na Rede Globo (cujo o jornal e a TV pertencem ao mesmo grupo midiático).

O preconceito de não aceitar que uma atriz possa namorar uma mulher é de certa forma um retrato de um país onde o homossexualismo é tratado como uma aberração e que tem que ser feito as escondidas. Se não aceitamos que um galã possa sair do armário porque tem de atender as expectativas de um público ou até mesmo ficamos divididos diante de uma cena de beijo gay.

Nosso país não tolera tanto o sindicalismo gay quanto o puritanismo hipócrita. A sociedade precisa discutir tais tabus de forma madura para evitar uma patrulha de ambos os lados. Se queremos que os nossos filhos podem crescer em um ambiente onde todos são aceitos. Vamos ter que combater o simples fato de pessoas se intrometerem em um namoro de uma atriz bastante talentosa como Bruna Linzmeyer para entendermos melhor o diferente.