Explicando a China para um fã de K-Pop

As vezes, você tem um choque de realidade quando acorda cedo para ir trabalhar em troca de um salário que mal dá para pagar as contas no fim do mês. Isso é comum em um país como a China que sedia o 19º congresso do Partido Comunista para decidir os rumos da nação asiática. Mas me deparo com o desafio de como explicar isso para o fã do K-Pop.

Muita gente diz que tais pessoas são desligadas da realidade porque gostam de curtir os ídolos pop da Coreia do Sul. Mas preciso desafazer tais mitos para o caro leitor deste blog. Isso vai ser um processo interessante para se discutir enquanto você tenta conversar com o seu colega de trabalho sobre assuntos como o K-Pop e a capacidade econômica chinesa.

A Coreia do Sul é uma democracia que permitiu um florescimento de sua cultura escorada no princípio de conquistar o mundo via uma cultura global. Tanto que os filmes, séries e músicas feitos por sul-coreanos conquistam vorazmente o mercado asiático diante da perspectiva de oferecer um escapismo de uma realidade estranha para nós.

Isso é importante para os chineses, eles vivem um sistema repressivo onde a cultura ocidental é repreendida de forma voraz por ser uma ameaça ao estilo comunista de ser. O K-Pop é visto com bons olhos nesse momento porque os cantores não querem criticar os chineses. Eles só querem cantar para grandes públicos para conquistar o mercado asiático.

O congresso do Partido Comunista Chinês sinaliza nesse sentido onde o presidente Xi Jimping deseja continuar que com suas reformas econômicas e políticas para poder ditar os rumos do país tão logo termine o mandato em 2022 por ver uma forma de fazer uma mudança profunda no país. Meu amigo que curte o K-Pop vai entender disto melhor do que eu imaginava.

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A enciclopédia ambulante

Durante o século 18. Surgiu o iluminismo e junto com tal movimento intelectual onde o francês Diderot criou o conceito de Enciclopédia com o seu dicionário-enciclopédico onde tinha o conhecimento do mundo resumido em livros para ajudar os estudantes para entender como a humanidade evoluiu ao longo dos séculos por seus ideiais e feitos.

Me deparei com isso quando estava na aula de alongamento quando a minha fisioterapeuta-confidente ficou impressionada por ter comentado que acompanhei a repercussão da independência da Catalunha e expliquei que o governo espanhol poderia usar o artigo 155 da constituição de 1978 em que o Senado autoriza o premiê a intervir em uma região autonoma por meio de convocação de uma eleição regional.

A cara de espanto de minha fisioterapeuta-confidente é uma mostra de vários momentos onde as pessoas ficam impressionados comigo por ter domínio de um assunto. É como se fosse uma enciclopédia ambulante. Mas não foi fácil para mim por um bom tempo quando estudava no Colégio Educere ou nas aulas de natação onde era visto como mala de plantão.

O velho preconceito onde uma pessoa inteligente que usa sua inteligência para aprender e acumular uma vasta cultura intelectual é algo assustador para várias pessoas como colegas que sempre ficam na recuperação para não perder o ano (só para constar, passei por isso na 7º série e foi bom pra mim) por ter sido ineficiente em acompanhar uma aula.

Diderot criou a enciclopédia como uma forma de aprender sobre mundo por via de palavras e ilustrações. Isso me lembra que a minha mãe comprou uma enciclopédia de um vendedor de livros para mim em 1997 para me ajudar nos estudos. Eu usei muito tal livro e que foi corroído pelos cumpins por uma desatenção minha. Mas o conhecimento está na minha mente e não se esquece para sempre.

Minha fala complicada

Quando era pequeno. Eu via o Jornal Nacional enquanto os meus colegas de escola acompanhavam as últimas novidades da Disney. Na adolescência, eu lia os jornais e textos sobre política e humor enquanto os meus companheiros de sala ouviam Linkin Park. Na vida adulta, eu assisto a BBC e leio a Folha enquanto os meus contemporâneos acompanham Death Note.

Resumo da ópera-bufa, eu sempre sou o sujeito de fala complicada que ninguém entende com a exceção dos meus amigos que me conhecem há tempos. Muitos dos meus contemporâneos não vão saber qual é o nome do líder da oposição no parlamento australiano (a resposta é o trabalhista Bill Shorten) ou da premiê britânica Theresa May.

Muitos se assustam comigo pelo fato de não ter nada para conversar comigo. Posso ser visto como um sujeito que faz a pessoas se sentirem burras por não terem tempo para ler um jornal ou acessar um site de noticias. Ter muito conhecimento de um assunto mostra-se ofensivo porque a pessoa fica perdida com uma metralhadora de informações que mal sabia sua existência.

Isso me lembra de uma vez em que uma conhecida minha ficou impressionada por ter comentado com ela uma edição do programa Panorama, da BBC One, sobre uma força paramilitar norte-irlandesa criada para combater o IRA nos anos 1970. Isto soa como algo rotineiro para mim junto com o fato de eu ter uma fala complicada vinda de muita leitura no tempo livre.

Hoje, meus amigos conversam sobre as ultimas do front ocidental como a questão da Amazônia junto com os pedidos reiterados de renúncia de nosso presidente-mordomo-de-filme-de-terror. Enquanto eu fico escrevendo sobre as últimas atrapalhadas do secretário de relações exteriores britânico Boris Johnson. Enfim. continuo com a fala complicada de sempre.

Quem se lembra de Stanislav Petrov?

Em 1983, o mundo vivia a tensão de um confronto nuclear entre Estados Unidos e União Soviética. O presidente americano Ronald Reagan classificava os soviéticos como o império do mal enquanto o líder soviético Yuri Andropov tratava sua saúde pessoal como uma questão de segredo estatal. Mas poucos se lembram de Stanislav Petrov.

Stanislav cuidava dos computadores que monitaravam o sistema de defesa nuclear soviético quando um satélite lhe mandou um aviso que cinco misseis minutemen americanos estava prontos para atingir o território soviético. Então, ele decidiu confirmar tal aviso antes de avisar a seus superiores sobre seu procedimento em seu posto militar.

Quando ele percebeu que se tratava de sombras solares projetadas em nuvens. Ele decidiu não informar a seus superiores sobre sua decisão de não responder a uma possível ameaça nuclear americana. Isso lhe custou punições do regime soviético. Além de um ostracismo de 15 anos por tal atitude sensata que só foi descoberta em 1998 por um grupo de jornalistas que vasculharam os arquivos soviéticos.

A história de Petrov mostra como o mundo vivia uma histeria que não tinha controle. As retóricas de Washington e Moscou estavam engalfinhando o planeta com um trágico destino de uma guerra nuclear sem precedentes. Stanislav confiou em seus instintos e não em informações imprecisas dos computadores soviéticos que poderiam lhe fornecer uma decisão catastrófica.

Desde da semana passada. Quando foi divulgada de Stanislav Petrov por meio de sua família. O mundo começou a relembrar o feito de tal oficial soviético que confiou em suas habilidades do que informações imprecisas fornecidas por computadores. Ele morreu aos 77 anos e vendo o mundo em pânico por causa de uma ameaça nuclear. Enfim, estamos precisando de gente como Stanislav Petrov.

Brasileiro precisa se informar mais

Minha geração sempre é marcada por aqueles que fazem maratonas de séries no Netflix ou Amazon Prime. Mas o meus contemporâneos pouco se informam sobre os acontecimentos do mundo pelo simples fato de não se interessar por coisas como a política neozelandesa, Brexit, acordo de Paris, Quadrilhão, JBS e outros assuntos que rondam a nossa pauta diária de conversas na padaria.

Mas as opiniões políticas e geopolíticas são mais assustadoras que eu pensava. Vejo o povão quer a cabeça do corruptos em prol de uma agenda onde os desperdicios seja evitados de qualquer maneira enquanto os intelectualoides vivem discutindo sobre a decadência do imperialismo yankee diante da ascensão sino-russa em questões diplomáticas e militares.

Isso se faz presente em tempos de fatos alternativos e fake news. Além de notarmos que a população sempre recorre as midias alternativas para ouvir o canto do sabiá da boa noticia do que ler as tenebrosas análises de um colunista sobre o futuro da humanidade em meio a crises de refugiados, terremotos, atentados e ameaças de guerra.

Tenho lidado com isso há muito tempo. Vivemos em uma democracia onde vicios e virtudes são expostos em primeiras páginas, capas de revistas e homepages de sites noticiosos. Minha geração se sente ofendida a todo momento por ler reportagens que não lhe agradam e pedem que os jornalistas peçam demissão por não ter cumprido com os compromissos de tais leitores.

Peço que a minha geração possa amadurecer para ler a traulitada de informações que nos chegam por emails, tweets, posts e afins. Isso pode permitir que tenho o tal senso crítico tão festejado pelo intelectuais diante do fato que a população brasileira tem pouco acesso a livros, jornais e revistas. Não tem jeito para a que o brasileiro precisa se informar mais antes de opinar

Pergunte se for necessário

Hoje, o Rock in Rio anunciou o cancelamento do show da cantora americana Lady Gaga por ela ter tido uma crise de fibralmogia, uma doença onde o paciente sentes dores por todo corpo. Muitos fãs dela ficaram tristes por isso. Mas os meus amigos de futebol americano tiraram sarro disso incluindo este que vos posta por atos de tais little monsters.

Essa rixa começou no Superbowl 51 onde Gaga fez o show do intervalo. O narrador da ESPN Brasil, Everaldo Marques, usou o seu bordão Isso é ridicula para elogiar o show. Mas ele foi criticado pelos little monsters. Meus amigos de futebol americano começaram a trocar farpas com os fãs de Gaga. E hoje, eles celebraram o cancelamento do show dela.

Eu acompanhei tal jogo e um conhecido meu e fã de Gaga venho me perguntar como foi o show dela. Eu respondi que foi normal porque estava mais atento ao jogo entre Atlanta Falcons e New England Patriots. Então, ele me respondeu dizendo a frase Heteros como se fosse algo ele são gente que não liga para o show da diva Lady Gaga e seus little monsters.

Tal dúvida foi dissipada hoje quando perguntei para um amigo gay sobre o real significado para a palavra Hetero no linguajar LGBT. Eles usam tal termo como uma forma de discordar das posições intelectuais e morais das pessoas que se relacionam com o sexo oposto como casamento e a formação familiar. Isso se refere a analogia ao termo trouxas tão citado na saga Harry Potter para rotular a humanidade que não era adepta a magia de Hogwarts.

Em um momento onde as pessoas acusam uns as outras como uma forma de rotular a humanidade em meio de uma guerra cultural onde não temos nem vencedores nem perdedores. Acho necessário fazer as perguntas sobre termos e afins para saber realmente como estamos falando para um público que anseia pela luz do conhecimento no meio da escuridão da ignorância. Só basta fazer pergunta e tudo se esclarece.

A fonte amiga de informação

Eu vejo as minhas newsletters e me deparo com boas histórias onde a humanidade dá mostras que não perdeu a gentileza. Hoje, estava lendo o Guardian Australia onde o colunista Jonathan Drennan contou a história dos amigos Jarryd Haines e Mark Smith em que mostra que a amizade é algo tão importante em tempos de ódio mutuo e obscurantista

Jarryd tem problemas de visão decorrente de um câncer que teve aos 9 anos de idade. Então, Mark conta os lances do jogos de futebol australiano para Jarryd não perder nada. O gesto de tal amigo foi celebrado na Austrália como um sinal de solidariedade de uma paixão que une dois amigos que se esforçam para se ajudar a ver um jogo de AFL.

Isso me lembra do meu trabalho de escrever sobre o mundo e a humanidade. Eu tinha um conhecido chamado Enzo. Quando acontecia um evento importante da história como o conclave que elegeu o Papa Francisco. Ele me enviava mensagens no facebook me perguntando as últimas de vaticano pelo fato de não confiar na imprensa brasileira.

A função de Mark é bem retratada pelos correspondentes internacionais que trabalham no estrangeiro contando os fatos de tal nação para um público distante que não tem acesso a isso. É um trabalho de pombo-correio onde as mensagens são descritas e enviadas de maneira fiel para contar ao mundo e a humanidade sobre uma realidade tão diferente do que convivemos.

O gesto de Mark foi celebrado pela mídia australiana como uma amizade entre dois garotos que foi capaz de superar tais problemas para assistir um jogo da AFL. Isso se mostra importante em um momento onde as pessoas ficam em bolhas e não procuram sair do casulo para que possam ver as várias fontes de informação vindas de bons amigos como Jarryd e Mark.