Netanyahu no capitólio

Hoje, o primeiro-ministro israelense Binyamin Netanyahu fez um discurso no congresso americano. Bibi (para os israelenses) afirmou que o Irã está próximo de fabricar uma bomba atômica e que as negociações entre as potências ocidentais junto com a China e Rússia resultaram em um mau acordo. As reações entre os democratas foi de criticar Netanyahu por seu insulto a inteligência dos americanos. Em Israel, o líder da oposição Yithzak Herzog não fez nenhum comentário sobre o mesmo.

Netanyahu foi convidado pelo presidente da câmaras dos representantes, o republicano John Boehner. A Casa Branca não foi avisada sobre isso. O congresso americano é controlado pela oposição republicana diante de um executivo dominado pelo governo democrata. Os republicanos querem assegurar o voto da comunidade judaica nas eleições presidenciais de 2016 enquanto Bibi quer conseguir se reeleger com uma forte maioria no Knesset (parlamento israelense) na votação marcada para 17 de março.

Netanyahu queria ser um Winston Churchill que encantou os americanos inexperientes na segunda guerra mundial durante o discurso no capitólio em 1941. Mas usar o Irã como inimigo externo não tem sido como uma boa estratégia para Bibi por mais que políticos iranianos como o presidente Hassan Hourani afirmar em 2013 que Israel é uma ferida no Oriente Médio. A postura diplomática de Teerã adotada pelo ministro de relações exteriores Mohammed Javad Zarif de negociar o acordo sobre o programa nuclear tem agradado a população.

Javad Zarif é visto como um herói enquanto Netanyahu tenta ser o político que quer proteger Israel da ameaça iraniana, mas se esquece de problemas internos como o alto custo de vida e o conflito direto entre ultra-ortodoxos e seculares. Bibi quer ser um premiê que defendeu o estado sionista com unhas e dentes. O discurso no congresso contradiz com os relatórios do Mossad (serviço de inteligência israelense) divulgados pelo canal de notícias qatari Al Jazeera junto com o jornal britânico The Guardian que afirmam que o Irã não tem capacidade de construir uma bomba atômica.

Netanyahu fez um discurso para agradar os republicanos, mas pouco efetivo nas relações Israel-Estados Unidos. O presidente americano Barack Obama não tem paciência com a postura bélica adotada por Bibi. Mas que adianta falar disso diante de um teimoso como o primeiro-ministro. O líder trabalhista Yithzak Herzog terá que reforçar o discurso da crise do estado de bem-estar social para poder derrotar Netanyahu que saiu aplaudido por milhares de republicanos ao final de sua fala controversa.

As reformas de Arun Jaitley

No último sábado, o ministro das finanças da Índia, Arun Jaitley, anunciou o orçamento de 2015. A peça promete aumentar o investimento na economia indiana com a abertura da economia ao investimento, cortes nos impostos e a criação de um sistema de benefícios para a população de baixa renda. Esse é primeiro plano econômico anunciado pelo primeiro-ministro Narendra Modi. As propostas feitas por Jaitley podem permitir um crescimento robusto para o país poder superar a China nos próximos anos.

As propostas são:

  • A construção de 5 mega usinas de energia elétrica para aumentar o fornecimento e encerrar com os blecautes diários em várias regiões do país.
  • Mais investimentos em infraestrutura no valor de 11.3 bilhões de dólares.
  • Criação de seguro social universal que permita o acesso dos indianos a seguro subsidiado e pensões.
  • Implementação do imposto nacional de bens e serviços até abril de 2016.
  • Os benefícios sociais depositados diretamente na conta do beneficiado para eliminar a corrupção e desperdícios
  • Eliminação de taxação de fortunas sendo substituída por uma contribuição para o super ricos.
  • Corte de 25% da Corporate tax (impostos pago por empresas) nos próximos quatros anos.

Tais propostas mostram uma ampla mudança na estrutura econômica indiana. Não se via tantas mudanças desde das reformas liberalizantes feitas pelo então ministro das finanças Manmohan Singh em 1991. Jaitley pretende modernizar a economia e ao mesmo tempo, criar um estado de bem-estar social que possa beneficiar a população neste boom econômico nos próximos anos. As previsões indicam que a Índia pode crescer mais que a China no período 2015 a 2016 com estas mudanças.

Isso se deve a mudança do calculo do crescimento do PIB feita pelo governo no ano passado. Neste momento, Narendra Modi conseguiu um apoio popular as reformas que tanto prometeu para a economia. A abertura econômica ao capital estrangeiro é de grande importância para o futuro do país porque poderá expor as empresas locais a competição internacional além de permitir a atração de investimento estrangeiro em um mercado emergente e de um bilhão de habitantes.

A economia indiana vive no momento onde o protecionismo prolifera. Ao tomar a iniciativa de abertura do setor privado ao capital junto com as reformas propostas por Arun Jaitley. Modi quer mostrar que um país competitivo tem que se adaptar ao ambiente de ampla concorrência para conquistar o apoio da população e indicar o caminho certo para os próximos quatro anos de governo. A criação de um sistema de bem-estar social e os investimentos na infraestrutura mostra este aceno a população feito por Arun Jaitley.

Rio 450

Neste 1º de março de 2015, a cidade do Rio de Janeiro completa 450 anos. Outrora capital do território tupiniquim e atual paraíso das mulheres gostosas de biquínis minúsculos. Os cariocas não tem muito o que comemorar tanto por causa da violência dos morros e favelas quanto as obras urbanísticas para as Olimpíadas de 2016 tocadas pelo prefeito Eduardo Paes. Mas qual será o futuro deste vilarejo com seus contrastes e paradoxos que a população convive por ao longo deste tempo.

A cidade onde a favela encantou o asfalto com o samba e o funk. Mas se assusta quando tem um simples arrastão em Ipanema. Os políticos sempre fizeram um populismo medíocre para angariar mais votos. Hoje, o Rio de Janeiro virou um palco do duelo entre traficantes e milicianos. O carnaval tão celebrado pelas escolas de samba foi esquecido e virou uma peça publicitária onde a Beija-Flor vence a competição com um enredo louvando a ditadura de Guiné Equatorial ou homenageando um contraventor.

O Rio de Janeiro vive uma era da aristocracia enrustida. Os intelectuais da zona sul que sempre tem críticas aos reacionários paulistas, mas sempre dependem da ajuda do porteiro cearense. Isso não permite uma evolução cultural. A cidade virou uma Hollywood por causa dos artistas da TV Globo. Tanto que vemos as fotos deles em lugares públicos como as praias ou um algum barzinho descolado onde as conversas sempre giram sobre aquela dieta do que sua atuação na novela das 9.

Sempre tem uma nostalgia dos tempos de capital do império e da república. Mas a cidade precisa sair da armadilha do passado para pensar no futuro. Não estou falando de programas coniventes com os interesses escusos. Penso que o Rio deveria olhar para frente se quiser se manter em um cartão postal mundial. Enquanto o mundo é rock n’ roll, o carioca é uma bossa nova chata pra burro onde os intelectuais da zona sul admiram como forma de cultura sofisticada para gringo ver e ouvir.

No momento que a cidade completa 450 anos. O Rio de Janeiro exige uma profunda reflexão sobre seu futuro. Não queremos saber do artista global ou da violência dos morros. O carioca quer uma cidade onde os transportes públicos sejam eficientes, a baía do Guanabara seja despoluída a tempo para as Olimpíadas de 2016. Isto exige uma ampla fiscalização do poder público. Quando o Rio de Janeiro completar 500 anos, assim a população terá orgulho desta terra tão cantada quão criticada.

Eike, grosseria, pancadaria e afins

Uma semana onde um magistrado abusou da vontade de ter um Porsche Cayenne. Os 7 dias em que a franqueza de um ministro foi fatal para ele. Um período onde o pau quebrou sobre a Petrobras. A semana segundo o Homo Causticus.

O que fazer?

Quando se tem os bens bloqueados judicialmente. Onde vão tais objetos. Simples: mande para o juiz Flávio Roberto da 3º vara criminal do Rio de Janeiro. Ele andou no Porsche Cayenne do bilionário falido Eike Batista. Bem, isso resultou um processo no CNJ. Estes juízes.

Grosseria

Em entrevista para anunciar novas medidas fiscais. O ministro da Fazenda Joaquim Levy criticou a política de desonerações da folha de pagamento como uma grosseria. Bem, Dilminha não gostou nada disso. Será que Levy levou um pito da presidente?

Pancadaria

A crise na Petrobras é mais profunda que o pré-sal. Tanto que Lulão fez um ato de defender a companhia. Mas anti-petistas e petistas caíram na porrada como nunca antes visto na história deste país. O PT ficou mais emputecido com a piada do FHC. Será que tucanos e petistas gostam de uma briguinha.

Está foi a semana pelo Homo Causticus.

Uma simples amizade

Nos tempos de Facebook, Instagram e Twitter. Parecia que as amizades estariam fadadas a uma extinção pela simples falta do contato pessoal. Mas sempre tem uma esperança ao final do túnel da incerteza. Isso exige apenas o certo realismo de ambas as partes das relações humanas. O fato de pessoas estão conhecendo mais e além de ter uma troca de afeto e cumplicidade permita que o ser humano tenha uma certa compaixão pelo próximo mesmo sendo um completo desconhecido do mundo real.

Como estabelecer uma relação de confiança com um desconhecido? Este enigma humano só é respondido quando nos arriscamos na incerteza de deste mundo. Tanto podemos acertar ou errar. Isso exige um profundo conhecimento e uma sólida intuição em favor do individuo. No momento atual, sempre teremos um espertalhão que possa explorar um incauto ser com sua lábia enquanto um samaritano se esforça para ajudar o semelhante com a palavra certa e criar um pacto de ajuda com aquele ser traumatizado com o planeta.

Por mais tenhamos boas intenções, o simples fato de criar uma amizade reforça a convicção que este mundo não está perdido em suas fraquezas e vícios. Tanto a palavra da bíblia quanto a vã filosofia nunca compreenderam a relação humana e suas nuances. O ser sempre foge dos dogmas e doutrinas para ter uma vida livre arbítrio e com princípios que a experiência lhe ensinou nos melhores e piores momentos de sua vida. Isso não se ensina em uma igreja ou em sala de aula de faculdade.

Quando comecei a ter uma vida social no Facebook. Tinha apenas a restrição de conversar com apenas com quem conheci no mundo real. Meus primeiros amigos virtuais são pessoas que converso até hoje. A palavra sempre dita com afeto ou rigidez te faz uma pessoa mais preparada para encarar os desafios deste mundo. Os livros de autoajuda sempre pregam métodos para ser fazer adorado por todos, mas não te ensinam a encarar a rejeição ou uma certa desconfiança de seu semelhante.

Enquanto o planeta vira um palco entre o otimismo acelerado e o pessimismo catastrófico. As amizades ganham corpo quando você ir a padaria para comprar pão para a família ou ajudar alguém com problemas pessoais. Isso exige paciência e honestidade ao mesmo tempo. O ser humano tem o dever de compreender outro invés de jogar pedras por rejeitar algo por um simples moralismo hipócrita. O mundo precisa de seres prontos para trazer alívio ao sofrimento. Para isso que sempre pedimos acolhida de um amigo.