Eu tenho esquizofrenia leve

Muitas pessoas associam a genialidade a alguma doença mental. Eu pensei bem antes de escrever tal post. Eu tenho esquizofrenia leve (um antissocial que não tem alucinações) e faço tratamento psiquiátrico desde de 2011 quando fui diagnosticado com tal doença. O meu dever é derrubar um tabu que lido ao ver meus amigos sem lhes contar porque passo com isso.

Não quero lamentações, felicitações ou conselhos. Mas sim, ser compreendido e respeitado por todos. Muitas pessoas não entendem que opiniões sinceras, mas ríspidas não ajudam uma pessoa que quer apenas viver uma vida normal. Eles teimam em nos oferecer psicólogos e terapeutas sem ao menos saber a nossa realidade e nossos problemas.

Nestes cinco anos da minha vida. Sempre me pautei em ajudar um amigo que passava por tais problemas, mas sem ser ríspido ou lhe prometer mundos e fundos com soluções mágicas para um problema tão grave. A esquizofrenia é uma doença que sempre vai ser tratada de forma esteriotipada ou subestimada de forma medíocre por aqueles que pensam que um louco pode ser genial.

As pessoas precisam parar de serem sinceras e ser mais humanas. Não é fácil lembrar todo dia para tomar um remédio ou da consulta com o psiquiatra. Lembro que pessoas no facebook já me bloquearam por dizer a palavra psiquiatra ou me oferecem tratamentos absurdos. Mas tais seres humanos se esquecem que estão lidando com uma pessoa lúcica e não uma criança de 5 anos.

A esquizofrenia não é um fetiche de inteligentinhos que desejam tomar drogas controladas ou aspiram ter uma inteligência acima do normal. Eu tenho uma vida que sempre cuidei nos últimos cinco anos. As pessoas do mundo seja real seja virtual sabem porque passei por isso. Agora lhes exijo respeito para lidar com uma pessoa doente, mas lúcida

Eu quero cuidar da minha vida e vossas senhorias, conversem comigo para saber de uma doença e não ter uma visão distorcida dos fatos. Vou ter que aturar um preconceito tolo e torpe. Mas essa foi uma decisão corajosa de falar de mim mesmo para ser compreendido e não amado por todas pessoas que passaram na minha vida nos últimos cinco anos.

Obrigado.

O humor que gosto

Sempre trabalhei com o humor nos primeiros anos do Homo Causticus. Hoje, temos uma divisão de comédia textual com os blogs Mondo Escroto, Âncora do Mundo e Factóides. Mas percebo que não temos bons textos com excelentes tiradas factuais sobre o mundo moderno onde podemos refletir para qual rumo está indo a humanidade.

Quando comecei a fazer humor. As minhas referências era o Pânico e o Casseta e Planeta. Enquanto o Pânico continua na sua investida de fazer um misto de jackass com mulheres gostosas. O Casseta estava vivendo altos e baixos, mas sempre buscando uma carreira onde sempre se procuravam ser autores que poderiam interpretar seus próprios textos.

Tentei ser um porralouca textual com a era Stand Up de Danilo Gentili e Rafinha Bastos. Mas percebi que teria que criar a minha própria voz para conseguir atingir um público que seja os meus amigos com as tiradas sobre o mundo moderno com um bom texto onde poderíamos avançar dando um passo de cada vez invés de ser um músico de um single só.

Mas desde que conheci o humor britânico. Tive condições de criar um humor próprio em que tinha a capacidade de expandir os meus horizontes através de um bom texto em que as pessoas serão capazes de entender de uma simples tirada sobre a economia francesa. Só tenho que agradecer ao Weekly Wipe e o Have I Got News For You (ambos feitos pela BBC)

A capacidade de ter um repertório de píadas e textos te faz bem para ter um senso de humor. Isso cria um humor próprio e capaz de agradar as pessoas com a sua visão única e ácida sobre uma sociedade que não é apta a rir de si mesma em momentos como uma crise política-econômica em que nosso país atravessa sem ter uma solução a vista.

Carpe Diem nos tempos modernos

Semana passada, nosso país estava de luto com a tragédia de Chapecó. Isso forçou muitos amigos meus a terem reflexões sobre o futuro. Principalmente o meu colega blogueiro do jornal gaúcho Zero Hora, Wendell Ferreira que twetted para que todos nós não deixamarmos de realizar os nossos sonhos para depois diante da incerteza do amanhã.

Isso remonta ao conceito do Carpe Diem defendidos pelos poetas arcadistas no final do século 18 influenciados por tal idéia de viver sua vida como se fosse o último dia de nosso ciclo. Eu me deparei com isso quando uma amiga minha me mandou a mensagem de Eu te amo para mim após um amigo dela morrer de forma repentina e ela não poder falar com ele.

O conceito do Carpe Diem floresceu em um momento em que a expectativa de vida era de 30 anos de idade diante de doenças e guerras nos séculos 18 e 19. Mas após o fim da segunda guerra mundial em 1945. A humanidade viveu um longo período de estabilidade mundial junto com o nascimento de uma cultura para os jovens viverem suas vidas sendo donos do próprio nariz.

O carpe diem sobreviveu a autodestruição psicodélica dos anos 1960 e a ressaca da AIDS dos anos 1980. Isso redifiniu uma visão em que a humanidade apostou na longevidade das próximas gerações com a criação de medicamentos fruto de pesquisas científicas. Então surgiu o pensamento do longo prazo para aqueles que desejavam formar famílias ou até mesmo um senso de imortalidade fajuta e de uma eterna juventude.

Agora, vemos uma sensação da incerteza do amanhã pelo fato não sabermos de como será o nosso futuro tanto curto e médio quanto no longo prazo. A vida não é uma planilha econômica com previsões de crescimento sem ter a noção de uma perda no meio do caminho. Portanto, não podemos adiar nada para depois e viver o nosso conceito de carpe diem no mundo incerto como o nosso.

As indignações diárias

Ontem de manhã, levantei cedo para ver o The Andrew Marr Show, da BBC One e abri a minha conta no Twitter. Eis que encontro o perfil Humor Caustico deixando críticas honestas sobre a classe política brasileira. Aproveitei para conversar via tweet sobre tal indignação que vivemos em tempos de Lava Jato e afins. O Humor Caustico foi educado e nós dialogamos até as 7 da manhã.

Essa é uma realidade de milhões de brasileiros que tem conta em redes sociais. O Humor Caustico estava emputecido pelo fato do presidente da câmara, Rodrigo Maia ter declarado que as redes sociais serem apenas 1% da população brasileira. Sua ira santa justificava sua atitude explicita de criticar nossa classe política com a sua visão míope dos brasileiros.

Imagino milhares de brasileiros que levantam cedo para ler o jornal ou entrar em sua conta de email para ver uma newsletter. Ambos estão indignados ao deparar com manchetes de um  novo escândalo de corrupção. O pouco interesse da classe política em propor uma solução para os problemas da nação e se importaram apenas com os interesses mesquinhos.

O papel de Twitters como o Humor Caustico e sua campanha contra a corrupção consiste em permitir o prospecto de um futuro melhor para as futuras gerações. Mais tarde, o editor da revista Época, Diego Escoteguy celebrou o fato do povo que ficou martelando nas redes sociais por forçar uma entrevista coletiva do presidente Michel Temer, o senador Renan Calheiros e Rodrigo Maia.

Temos indignações diárias que expressamos o nosso descontentamento em redes sociais. Mas temos o dever de ficarmos vigilantes em relação as atitudes tomadas por nossa classe política. O Humor Caustico vai ter muito trabalho pela frente para evitar novas decepções da população brasileira sobre os políticos. Afinal, ele é um indignado como nós.

Socializável

Em 1981, a França estava decidida em eleger o socialista François Mitterrand como presidente. Temia-se o fato de Mitterrand querer estatizar empresas francesas como o setor bancário. Os jornais na época usavam o termo socializável. Passado-se 35 anos após de tal iniciativa econômica. O termo socializar é usado para outro fim: fazer novas amizades.

Meu amigo Raphael me perguntou hoje se estou melhor em socializar com os outros. Posso dizer que sim. Tem feito amigos tanto no mercado da esquina quanto na banca de jornais onde compro as minhas revistas. Além de ter o pessoal da aula de alongamento. Isto é um avanço no mundo real como nunca foi tão fácil do que o meu tenebroso inverno de 2011.

Além de conquistar os amigos no mundo virtual. Mas sinto que é um processo onde um passo para frente necessita dois passos para trás. Percebi isso quando lidei com os baladeiros cariocas se importavam mais com os nudes do que o simples fato de eu acompanhar a política francesa. Parece que ser diferente é uma ameaça para um ser socializável.

Ter que ser o amigão legal que paga um camarote ou ter que se camuflar para ser aceito pelos outros é complicado. Ser uma pessoa diferente ou socializável segundo os seus pares pelo simples fato de agradar o semelhante e se esquece de ser você mesmo onde pode se perder. Isso afeta os nossos valores e principios que são esquecidos para ser socializável.

Eu percebi que tenho ser eu mesmo por uma questão de humanidade e não para ser mais um produto das redes sociais onde existe um mundo perfeito que esconde as falhas de uma sociedade doente que não acredita em si mesma. Se voltarmos para 1981, a França socializou as tais empresas, mas teve que rever isso durante todo o mandato de Mitterrand. É assim tanto na França quanto na vida.

Inveja e os outros

Durante a minha fase existencialista. Eu lia o cadernos Mais da Folha sobre o centenário do filosófo Jean Paul Sartre em 2005. Quando conheci a frase: O inferno são os outros. Hoje, penso como um liberal-conservador. Mas senti tal frase de volta quando li a crônica do articulista português João Pereira Coutinho sobre a questão da inveja.

O texto retratava os beneficios e os maleficios da inveja na vida humana. Isso me fez refletir sobre a vida junto com o significado da frase de Jean Paul Sartre. A humanidade sempre teve uma relação de amor e ódio contra alguém que desejava mudar o curso do mundo ou simplesmente um ser humano que tinha uma vida melhor do que o seu vizinho.

Sempre temos a visão de que a inveja é uma erva daninha do mundo que precisa ser extirpada do planeta. Mas temos que reconhecer que o desejo de melhorar a vida mediante a existência de uma concorrência com outra pessoa é interessante. Porém, tem o fato de tal sentimento ser destrutivo e além de se tornar obssesivo e aprisionar a sua vida para um fardo sem solução.

Mas como lidamos com um sentimento tão incontrolável. O ser humano não é ser racional tão descrito pela filosofia ao longos do séculos desde da ascensão do pensamento iluminista ou a tentativa de criar o homem novo como foi defendida pelo pensamento comunista em livros do filosófo Karl Marx e endossado por pensadores posteriores a isso como a Escola de Frankfurt como Theodore Adorno e Max Horkheimer.

Estamos falando de um pecado cometido pelo imperfeito ser humano que é pouco estudado pelos intelectuais e usado como uma forma de criticar o mundo por um viés ideológico para afirmar os valores e principios. Se tanto a frase de Sartre junto com o texto de Coutinho reforçam o pensamento que a inveja é problema tanto do individuo quanto da humanidade.

O enigma do mundo respondido por um pretenso escritor?

Em março de 2009, a Playboy Brasileira publicou uma entrevista com o escritor alemão Tomas Alexander Hartmann. Ele se propôs a escrever um livro chamado A Tarefa onde solucionava a questão da vida em 13 páginas cujo o comprador deveria desembolsar 153 milhões de euros para um ano de trabalho para um ser hedonista que se gabava de ter duas namoradas e ter escrito livros de variados temas.

Passado-se 7 anos. Deu um google e o livro foi realmente escrito e seu único exemplar está em um museu de um Sheik árabe. Pelo jeito, os mandatários muçulmanos estão indecisos sobre suas vidas e tiveram que apelar para um sujeito ocidental. Mas a questão principal é como a humanidade demanda respostas rápidas para os dilemas humanos serem respondidas pelos escritores.

Parece que nós precisamos de um guru que possa sanar nossas incertezas. Pobre gente que deseja mudar o mundo através de um conselho de um mestre de ioga da Índia ou apelar para um controverso escritor francês. Não quero me gabar por ser uma pessoa que não apela para tais pessoas pelo simples com o conhecimento de causa de anos de idas as psicologas na infância e na vida adulta.

A humanidade sempre exige respostas certas para as perguntas erradas. Então, eles apelam para qualquer um que se proclama o grande mestre da humanidade como o próprio Tomas. Um escritor de livro autoajuda. Um intelectual que escreve uma coluna de jornal ou um palestrante que se gaba de ter trabalhado junto com as mentes avançadas do Vale do Silício.

Bem, Hartmann deve estar um pouco envergonhado por ver que sua ambiciosa tarefa caiu nas mãos de um sheik de Dubai. Pelo jeito, a humanidade se livrou de mais uma mente que se dizia ter a solução dos problemas do mundo. Mas nosso amigo Hartmann publicou mil exemplares em diversos idiomas e o livro se trata de uma poesia. Por essas e outras que prefiro os poemas de Fernando Pessoa do que a megalomania de Tomas Alexander Hartmann.