Bem-vinda recessão

Hoje, o governo teve uma péssima notícia. Nosso país está em recessão técnica (quando se tem um crescimento negativo na economia por dois trimestres consecutivos). Os economistas criticam o Planalto que faz pouco caso com isso. O Brasil está pior do que o final da novela Babilônia. Mas qual rumo devemos tomar em nossa primeira recessão causada por fatores locais como falta de controle dos gastos públicos?

Temos que reconhecer que a classe política não faz reformas necessárias para termos crescimento. O governo adota um modelo econômico fracassado e não permite uma abertura da economia ao investimento estrangeiro e a globalização com temor de um desemprego em massa. O Brasil precisa se modernizar, mas isso não é feito da maneira correta. Ainda temos o esqueleto do keynesianismo fajuto em nosso armário ideológico.

Uma economia como a nossa precisa de uma injeção de cultura capitalista. Mas temos economistas de esquerda que ficam assustados ao falarmos do neoliberalismo. Mas a Alemanha fez reformas em sistema de bem estar social como uma forma de se adequar ao euro enquanto o Reino Unido cortou na própria para controlar o deficit fiscal. Ambas as economias estão indo bem e gerando empregos e inflação baixa para não sacrificar o custo de vida.

Não se reverte uma recessão com mais gastos. O que deve ser feito são reformas estruturais para permitir que o setor privado possa andar com as próprias pernas além de criar uma segurança jurídica que o país tanto necessita para atrair o investimento estrangeiro. Uma estratégia de criação de campeões nacionais as custas do contribuinte via BNDES ou pacotes de ajuda a setores econômicos que tem efeito nulo na recuperação econômica.

Se queremos um país melhor, devemos esquecer as loucuras ideológicas prometidas por um pensamento esquerdista atrasado. Vamos precisar fazer reformas em nosso contrato social para termos um crescimento econômico sem um viés de uma promessa de uma nação igualitária. Não podemos ser um Suécia tropical como defende o professor Mangabeira Unger. Mais uma recessão é um belo soco no estômago e acordarmos para uma realidade difícil que precisa ser enfrentada.

Minha adolescência com George W. Bush

Em 2004, eu tinha 16 anos e ainda pensava em ser um jornalista. Mas tinha o meu inimigo de coração, o então presidente dos Estados Unidos, George W. Bush. Meus colegas não concordavam com suas atitudes como a Guerra ao Terror. Mas porque um adolescente se preocupa com o mundo que vive invés de conquistar uma garota e viver as porralouquices dessa fase tão curta de nossas vidas e que nos ensina muita coisa.

Tudo começou quando teve aquela confusão sobre a apuração na Flórida. Os Estados Unidos viraram motivos de chacota por ainda contarem os votos manualmente. W foi eleito após uma decisão controversa da Suprema Corte. De um presidente mediano virou um paladino do mundo ocidental diante dos atentados de 11 de setembro de 2001. A nação americana iniciou sua busca perdida por Osama Bin Laden e invadir países que considerava o eixo do mal.

Mas a minha adolescência começou com a presepada da Guerra do Iraque. Aos 14 anos, ficava de plantão acompanhando a tv para ver tal conflito começando naquele 20 de março de 2003 (isso era o prenúncio de meu trabalho como observador deste planeta). Ao mesmo tempo que dava um jeito de ficar na escola a tarde na sexta-feira para fazer trabalhos e ver as garotas dançando (coisa de garoto esforçado como este que vos fala).

E assim criei um senso de humor que era refinado ao ouvir o Pânico, ler as crônicas de Carlos Eduardo Novaes e escutar o meu hino de adolescente, American Idiot, do Greenday. Mas quando Bush era reeleito em 2004. Eu e meu colega esquerdista Jonathan ficávamos nos perguntando como uma nação como os Estados Unidos poderia reeleger um idiota como W. Era o sinal de que eu teria muito trabalho pela frente para tirar sarro deste homem.

Aos 18 anos, eu comemorei como nunca quando os republicanos perderam a maioria no senado e na câmara dos representantes. A capa da Veja onde W. estava em um barril foi uma diversão da minha vida. Mas este era o sinal do fim da minha adolescência. Ver um pato manco como George W. Bush com as suas gafes encerrava está fase da vida que vivi de forma interessante e da qual lembro com orgulho quando ouço American Idiot.

Um acordo histórico

Hoje, Sérvia e Kosovo assinam um acordo diplomático que normaliza as relações entre tais nações. Ambos os países integravam a antiga Iugoslávia. Mas uma guerra civil entre as etnias albanesa e sérvia criou um do mais sangrentos conflitos do fim do século 20. Tal façanha foi mediada pelo comissária de relações exteriores da União Europeia, Federica Mogherini. Isso pode ajudar no ingresso de Sérvia e Kosovo na UE em um futuro próximo.

Esse acordo é histórico por reconhecer os direitos e deveres entre os governos de tais países. Kosovo vai preservar os kosovares de origem sérvia enquanto a Sérvia reconhece a independência da nação de origem albanesa. Isso é um avanço nunca antes visto na península do Balcãs. Isso vai permitir um salto na região que viveu os traumas de conflitos étnicos onde a morte era apenas um mero detalhe em uma batalha de sangue e ódio.

Mas com a independência de Kosovo feita em 2008 e a prisão de autoridades sérvias responsáveis por massacres de kosovares e albaneses de origem islâmica durante a guerra civil de 1990 a 1995. Isso criou uma estabilidade política e o reconhecimento que a paz é conquistada por passos concretos e não por promessas que não são cumpridas. Ambos os países demonstram que estão preparados para dar um próximo passo.

Mas a aceitação de Sérvia e Kosovo na União Europeia terá um longo caminho pela frente. Outros países da antiga Iugoslávia como Croácia e Eslovênia (que são membros da UE) precisam aprovar a entrada da Sérvia sem contar a resistência da Bósnia-Herzegovina que ainda sente as consequências do longo conflito com os sérvios. O primeiro-ministro sérvio Aleksandar Vucic teve que sair as pressas de uma cerimônia dos 20 anos do massacre Srebrenica em julho passado.

O longo caminho da paz entre sérvios e kosovares ainda vai passar por muitos obstáculos. Mas a assinatura deste acordo de normalização de relações diplomáticas é um passo importante para a integração dos dois países na União Europeia. Isso seria um feito muito importante para a manutenção do ordem nos Balcãs após mais duas décadas de desconfiança. Mas hoje pode celebrar um avanço em meio a compreensão de ambos os povos.

Discutindo o tabu das drogas

Nas últimas semanas, o nosso país discute a descriminalização do porte de drogas. Invés do legislativo discutir uma lei sobre isso. Um processo judicial está sendo julgado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) cujo o ministro-relator Gilmar Mendes foi a favor da mesma. O julgamento foi paralisado pelo pedido de vista de Luiz Fernando Fachin. Mas temos que entender como as engrenagens de uma possível legalização do porte de substâncias psicoativas.

A guerra contra as drogas começou nos anos 1970 pelo presidente americano Richard Nixon como uma forma de deter a contracultura e uso sem controle de psicoativos como maconha, heroína e LSD. Mas tal abordagem se mostrou ineficiente passado mais de 40 anos. O consumo de substâncias ilícitas aumentou de forma drástica e isso foi associado como uma forma de escapismo aos problemas que a humanidade sofre além de alimentar a indústria da corrupção em países-produtores como Colômbia e México.

A influência de criminosos como Pablo Escobar foi capaz de paralisar as instituições locais. Era como se fosse uma cheirada de cocaína de um americano causasse a morte de um colombiano. A Colômbia mergulhada na violência nos anos 1980 vivia a mesma situação do México nos últimos 9 anos onde os cartéis dão as cartas com execuções cruéis e a exposição dos desafetos mortos em praça pública como se fosse um aviso de alguém contrariar seus interesses.

A discussão está baseada em desmontar a estrutura criminosa em prol da legalização das drogas que possa oferecer o surgimento de uma indústria especializada. Mas não discutimos tanto a questão de saúde quanto o lado da educação que possam conscientizar a população sobre os prós e contras de um processo tão controverso. O papel do judiciário como poder moderador e analisar tal processo como uma maneira de esclarecer o status da lei nesse quesito.

Quando o julgamento sobre o descriminalização do porte de drogas retornar. A população terá que se informar sobre como funciona o processo de combate de uma guerra perdida de repressão onde o estado toma consciência sobre qual a maneira correta de combater o narcotráfico sem ter tantas perdas de vidas em países como México e Colômbia. Cabe a este humilde blog traduzir este debate com um texto simples sobre tal mudança.

Os heróis anônimos

Em tempos onde o terrorismo parece um monstro difícil de ser combatido pelo mundo. A notícia de três passageiros americanos que foram capazes de conter um terrorista de origem marroquina que iria atirar em um trem que fazia o trajeto Paris-Amsterdã é um sinal de que o Ocidente não vai se rebaixar diante do autoritarismo e o medo imposto por seres humanos que acreditam que a morte de inocentes justifica sua causa suicida.

Hoje, os três americanos: Spencer Stone, Alex Skarlatos e Anthony Sandler; receberam a honraria Legião da Honra das mãos do presidente francês François Hollande por terem salvado vidas que seriam ceifadas por um terrorista. O fato de terem sentado na primeira classe por causa do sinal de wi-fi além de terem prestado serviço militar além de terem um treinamento de defesa pessoal que foi capaz de evitar mais uma tragédia.

A grande questão é como combater o terrorismo sem limitar as liberdades individuais como aconteceu nos Estados Unidos pós-11 de setembro reforça a sensação de qualquer lugar do mundo é inseguro quando um terrorista armado e determinado em matar inocentes por uma causa perdida e ser uma espécie de purificador de um mundo impuro onde sua ideologia é a única solução para consertar este planeta tão pecaminoso.

A culpa não está nos ocidentais, mas sim nos radicais que acreditam em instaurar o medo para que o mundo retroceda de forma brutal. Os nossos intelectuais acusam o colonialismo e os interesses das potências mundiais que forjou um exército de terroristas dispostos a sacrificar a sua própria vida em nome da morte de inocentes cuja a simples culpa de serem pessoas que vivem bem sem ter uma religião ou uma ideologia que norteia suas vidas.

Os três americanos são um exemplo que o Ocidente perdeu a paciência com os terroristas que apenas desejam a morte do todo aquele ser que é infiel em sua concepção deturpada por radicais que desejam exportar o ódio e o medo por ser uma forma de vingar aqueles que sofreram com o colonialismo sem precedentes. Nós queremos ser pessoas livres que tais heróis anônimos exemplificam de forma tão corajosa.

Jornalismo e democracia

Hoje, conversei com o âncora britânico Alistair Stewart. Ele sempre twitta durante as corridas de Formula 1. Mas nesse domingo, ele criticou o jornalismo que é influenciado por um viés político como os jornais conservadores e a própria BBC. No Reino Unido, os diários de direita uma posição refratária a qualquer ideia de esquerda como a ascensão do parlamentar trabalhista Jeremy Corbyn ou a BBC faz um duelo com o governo de plantão por sua ideologia de independente.

Eu lembrei de uma frase de uma lenda do jornalismo britânico, Alistair Burnett. Ele morreu em 2012 e apresentou o ITV News At Ten por 25 anos. Ele sempre dizia que a notícia é uma coisa importante para a democracia. A população sempre quer a sua inteligência respeitada e ter os fatos políticos como uma análise pragmática e questionar tanto a oposição quanto o governo como uma forma de esclarecer os meandros da informação.

Os jornais e revistas adotam posições políticas como forma de honestidade intelectual com as pessoas. Mas não fecham os olhos para os erros dos governantes que apoiam por mais que tenha uma ligação ideológica. Burnett era uma referência em jornalismo por ser imparcial no mundo da parcialidades. Suas perguntas duras e sensatas sempre diferenciavam da rigidez de um jornalista da BBC como finado Robin Day ou editor de política da emissora na Era Thatcher, John Cole (morto em 2013).

Em uma democracia recente como o Brasil. A idéia de independência editorial precisa ser fortalecida e precisamos melhorar nossa cobertura de política. Isso exige que nós expulsemos os nossos preconceitos ideológicos porque o jornalismo não é de esquerda ou de direita, mas o jornalista pode ser tanto um liberal quanto um conservador. A população e órgãos de imprensa precisam criar uma relação de confiança baseada na honestidade e transparência.

Se a notícia é essencial em uma democracia como disse Sir Alistair Burnett. Devemos compreender o esforço intelectual de entender os bastidores do poder e procurar fazer uma prestação de serviço público onde a população tem uma arma de fiscalização do trabalho das instituições como executivo, judiciário, legislativo e a própria imprensa. O trabalho de um jornalista só termina quando um leitor se sente informado sobre o seu cotidiano e o mundo ao seu redor.