O efeito Bloomberg

A disputa presidencial americana pode ganhar um novo personagem. O bilionário Michael Bloomberg pode se candidatar de forma independente a presidência dos Estados Unidos. Tal fato foi citado ontem aqui neste humilde blog. Mas pode ser devastador mais para os democratas quanto para os republicanos. Muitos jornalistas estão ansiosos pelo anúncio de Bloomberg.

Michael Bloomberg foi um dos yuppies do mercado financeiro americano dos anos 1980. Tão logo saiu de uma corretora de bolsa de valores. Decidiu criar uma agência de notícias do mercado financeiro. Assim nasceu o seu império midiático e sua fortuna estimada de 40 bilhões de dólares ao ver um setor pouco explorado e com um excelente retorno para si mesmo.

Não satisfeito, se candidatou-se ao cargo de prefeito de New York para a sucessão de Rudolph Giulani pelo partido republicano em 2002. Se elegeu e foi reeleito duas vezes por causa de sua visão de cidade. Tanto que se desligou dos republicanos e se tornou um candidato independente, que lhe deu uma maior liberdade para aprovar medidas controversas como o controle de porte de armas e leis restritivas aos fumantes.

Mas a maior preocupação de democratas e republicanos é como Bloomberg pode tirar votos de ambos os partidos. Principalmente do futuro candidato democrata por que Michael tem ideias que se assemelham ao ideário de tal partido. Isso seria um efeito inverso como a candidatura do empresário texano Ross Perot nas eleições presidenciais de 1992, que tirou votos do presidente republicano George Bush.

Bloomberg tem feito duras críticas ao rumo da campanha eleitoral americana. Tanto que disse que a mesma é um insulto a inteligência dos eleitores e já manifestou seu apoio a Hillary Clinton e Jeb Bush. Mas nos últimos dias, a imprensa americana já publicou entrevistas onde Michael afirma que pode disputar as eleições em Novembro e que a decisão final será tomada em março. Este é o efeito Bloomberg.

Dixville Notch

New Hampshire é palco da segunda primária da corrida presidencial americana. Tanto democratas quanto republicanos vão escolher aqueles que são anti-estabilishment como Bernie Sanders e Donald Trump respectivamente. Mas este pode ser o fim da linha os pré-candidatos como Jeb Bush e Chris Christie que dependem e muito dos resultados que serão divulgados durante a noite de hoje.

Mas o primeiro resultado já foi divulgado no distrito de Dixville Notch onde Bernie Sanders venceu no lado democrata enquanto John Kasich foi vencedor na disputa republicana. Teremos que esperar por mais resultados ao longo do dia de hoje que possam confirmar a previsão feita no condado. Isso será de suma importância para ambos os partidos.

No lado republicano, a cúpula do partido crê em uma boa posição de Marco Rubio. Mas as pesquisas eleitorais encomendadas nos últimos dias dão Rubio como quarto colocado. Isto se deve a péssima performance no debate de sábado organizado pela rede de TV ABC. Marco foi severamente questionado por Chris Christie por sua falta de experiência por ser senador de primeiro mandato.

No lado democrata, Hillary Clinton tenta amenizar uma derrota acachapante no estado para Bernie Sanders. Sanders quer conseguir um boa vitória em New Hampshire para seguir na campanha eleitoral. Tanto que participou de um sketch do programa de humor da NBC, Saturday Night Live, onde fez troça de seu próprio sobrenome e de sua plataforma democrata-socialista.

Mas a corrida pela Casa Branca pode ter um novo protagonista, o ex-prefeito de New York Michael Bloomberg já afirmou que considera disputar a presidência por considerar o debate eleitoral como um insulto a inteligência aos eleitores americanos. Isso pode criar calafrios em republicanos e democratas. Será que os moradores de Dixville Notch gostaram da novidade?

O temor norte-coreano

No sábado, a Coreia do Norte confirmou que lançou um foguete ao espaço com o objetivo de colocar um satélite em órbita. Mas a Coreia do Sul afirmou que tal procedimento falhou e se tratou de um teste de um míssil. Nas últimas horas, o Pentágono confirmou que pretende ajudar Seul na construção de um sistema de defesa anti-míssil para um eventual ataque norte-coreano.

Ontem, a Coreia do Sul pediu uma reunião de emergência do conselho de segurança da ONU para tratar de tal problema. Mas ficou nítido que o ditador norte-coreano Kim Jong-Un apela para os mísseis e ogivas nucleares como uma forma de esquivar-se dos problemas internos como a fome e tentar controlar uma possível rebelião de sua população de suas loucuras megalomaníacas.

A Coreia do Norte está fora de controle. Nem mesmo a China consegue conter os ímpetos de Kim Jong-Un. Isso foi tratado no debate entre os candidatos republicanos nas eleições presidenciais nos Estados Unidos com a dura fala de Donald Trump afirmando que vai pressionar Pequim tanto na questão da Coreia do Norte quanto na área da economia americana.

Mas os norte-coreanos podem ter mais problemas. A China está cansada das atitudes tresloucadas de Pyongyang mesmo tendo um tratado de defesa mutua entre os dois países. Isso cresce com a retórica nacionalista do primeiro-ministro japonês Shinzo Abe que aumentou o investimento no setor militar e mudou a interpretação do artigo 9 da constituição de 1947 em que permite uma investida militar japonesa no exterior como forma de ajudar países aliados como os Estados Unidos.

Kim Jong-Un utiliza de sua retórica belicista como uma maneira de chantagear as potências mundiais. Os Estados Unidos estão pedindo uma nova rodada de sanções como forma de punição pelo recente teste militar. Até agora, a China não se manifestou contra o lançamento de tal foguete. E assim cresce o temor norte-coreano de criar uma instabilidade no continente asiático.

Os apoios de Copenhague e Varsóvia

Hoje, o primeiro-ministro britânico David Cameron visitou a Polônia e a Dinamarca para conquistar apoios para a sua proposta de permanência do Reino Unido na União Europeia. Enquanto o premiê dinamarquês Lars Lokke Rasmussen defendeu a mesma dizendo ser aceitável e compreensível. A primeira-ministra polonesa Beata Szydlo apoiou o acordo afirmando que o plano bretão aumenta o poder dos parlamentos nacionais.

As palavras de Szydlo e Rasmussen vem em uma boa hora para o primeiro-ministro britânico. Isso com o fato que a campanha eurocética está dividida e deflagrada em um conflito interno sobre qual grupo vai liderar a campanha como o Vote Leave e o Leave EU. Isso facilita o trabalho dos europeístas que podem adotar uma postura única e aglutinar vários grupos com diferenças ideológicas, mas defendendo a permanência do país na UE.

A viagem a Polônia e Dinamarca tem sido estratégica porque os dois países são considerados eurocéticos e inclinados a adotar reformas na União Europeia em clausulas pétreas como a livre-circulação de pessoas entre os países-membros e o controle das fronteiras para a imigração. Tanto que Copenhague não adotou o Euro para manter sua soberania monetária.

Mas Varsóvia está receosa sobre a quarentena de 4 anos imposta aos cidadãos dos países-membros do bloco europeu que vivem no Reino Unido. Tanto que Szydlo prometeu discutir este assunto com o seu gabinete. Mas Cameron teve um encontro com o ex-premiê e lider do partido governista Justiça e Lei, Jaroslaw Kaczinski, para garantir o apoio polonês.

Nos próximos dias serão de intensas negociações entre Londres e Bruxelas sobre o acordo definitivo que possa ser aprovado pelos chefes de estado e de governo dos 28 países-membros da União Europeia. Vai ser um longo trabalho para formar um consenso que possa diminuir os ânimos tanto no Reino Unido quanto no continente europeu onde Cameron tem apenas o apoio de Copenhague e Varsóvia.

A Europa rejeita Cameron

Quando um continente tem problemas graves e um líder de um país tenta apresentar uma proposta para reformar as instituições continentais. Isto cria um sentimento de ojeriza e rejeição a qualquer palavra dita por ele. É assim que transcorre as negociações entre o primeiro-ministro britânico David Cameron com a União Europeia para a permanência da ilha britânico no bloco europeu.

A proposta apresentada por Cameron não agrada tanto europeístas quanto eurocéticos. O acordo que inclui a quarentena de quatro anos para que imigrantes europeus tenham acesso aos programas sociais junto com a clausula que permite que os parlamentos nacionais possam vetar leis e decisões feitas pela União Europeia cria uma sensação de que pouca coisa foi feita.

Cameron quer evitar mudanças nos tratados que regem a União Europeia, que demandaria uma ampla discussão entre os países-membros. Com a proposta que foi aprovada nessa semana poderia alterar o processo de admissão de novos países-membros junto com a alteração dos futuros acordos transnacionais. Isso cria um embaraço onde o premiê britânico aparece como um naufrago em uma ilha deserta.

Essa sensação é evidente pelo desconforto da imprensa local pelas proposta feita por Cameron. O primeiro-ministro exigia grandes mudanças e amplas reformas na União Europeia para depois prometer apenas novos controles sobre o sistema migratório junto com a resolução dando poderes aos parlamentos nacionais para vetar leis aprovadas pelo bloco europeu.

Há duas semanas da cúpula da União Europeia em Bruxelas mostram quão difícil será convencer os 27 líderes europeus sobre a necessidade das mudanças propostas por Cameron. Com a oposição do presidente francês François Hollande e dos mandachuvas dos países do leste europeu. Teremos uma longa negociação que vai exigir mais argumentos do que uma retórica fraca como foi adotada por David Cameron.

Cameron: ame ou deixe-o

O Reino Unido está vivendo dias de tensão sobre a proposta de acordo feita entre o primeiro-ministro David Cameron junto com o presidente do conselho europeu, Donald Tusk. Ambos vão se encontrar amanhã em Londres para discutir mudanças na minuta que garante a permanência da nação britânica na União Europeia. Mas Cameron sofre críticas tanto dos conservadores quanto dos trabalhistas.

Se no próprio partido conservador existe um racha entre europeístas e eurocéticos. Isto se agrava pelo descontentamento de ambos os lados com um acordo de permanência pouco ambicioso e que não cumpre a promessa de uma mudança radical sobre questões como imigração e a relação entre Londres e Bruxelas como foi prometido por Cameron ao lançar o referendo em janeiro de 2013.

Mas o conflito entre europeístas e eurocéticos é nítido no parlamento britânico. Enquanto conservadores como o ex-secretário de defesa Liam Fox, Jacob Rees-Mogg e até o prefeito de Londres Boris Johnson questionaram a capacidade de Cameron como negociador. Já os trabalhistas defendem a permanência do Reino Unido na União Europeia, mas com ressalvas a condução da negociação feita pelo premiê britânico.

Até a data do referendo é vista com desconfiança. Os first-ministers da Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte não querem que a votação seja realizada em junho caso o acordo seja aprovado pelos 27 países do bloco europeu. Cameron já enfrenta oposição do presidente francês François Hollande, que criticou a proposta de que os parlamentos nacionais possam vetar leis europeias.

Assim, David Cameron desperta a seguinte frase entre os britânicos: Ame ou deixe-o.