E-book

O negão-cinquentão sempre comentou comigo que é uma puta do audiovisual pelo fato que não aceita trabalho sem remuneração. Ele tem esse pensamento porque tem contas a pagar. No meu caso, eu estou aposentado devido ao autismo. Mas hoje, ele me falou pra fazer um e-book das crônicas que escrevo no Homo Causticus.

Logo percebi que esse seria um trabalho enorme pelo fato de escrever desde 2010. O mundo mudou nos últimos 9 anos. Pedi ajuda a minha amiga escritora. Ela disse que não poderia ajudar e não teria tempo para ser atenciosa comigo pelo fato que isso demanda muito tempo. Algo que ela não tem.

O negão-cinquentão me recomendou a amazon para publicar o meu e-book. Mas lembrei que a empresa de Jeff Bezos paga pouco por direitos autorais para quem deseja disponibilizar um e-book em sua livraria virtual. Uma amiga escritora comentou o fato das oscilações nas vendas de seu livro em tal site.

O grande fato é que o negão-cinquentão quer alguém como eu que tenha autismo possa publicar um livro explicando porque somos assim. A lógica de um grupo social que deseja ser compreendido pela sociedade em seu trabalho de escrita permita um melhor tratamento social é uma necessidade contemporânea.

A Amazon exige que os livros sejam editados no microsoft Word. Teria que baixar tal editor de textos para que seja compátivel com a livraria virtual da empresa de Jeff Bezos. Mas para mim, só será mais tempo perdido em selecionar textos para serem publicados em um site cuja as oscilações são frequentes. Assim caminha a humanidade.

Um mediador familiar

Minha mãe cuida de mim e da minha tia surda e muda. Elas sempre travam uma briga todo o santo dia com direitos de broncas e gritos. Mas isso não me incomoda. Eu tenho que lidar com as demandas de ambas as partes por causa da necessidade de ver um bem comum aqui em casa sem ter tantos problemas.

Eu ouço os desabafos delas como uma forma de compreender a dinâmica familiar. Minha mãe sempre cuidou da minha tia a levando para aulas de alfabetização antes que eu nascesse e nessecitava-se de cuidados por causa do autismo e dos problemas de fala que adquiri por causa do hipotireiodismo.

Minha tia reclama da minha mãe e vice-versa. Cabe a mim ter que lidar com tais discussões familiares envolvendo outros parentes como os meus tios e minhas tias. A matriarca da família que era a minha avó morreu em 2016. Mas seus filhos resolveram cuidar dos problemas sem causar maiores danos.

Eu sou um dos poucos elos entre a minha mãe junto com os meus tios e minhas tias. Por ser o sobrinho mais velho e neto primogênito. Tenho que resolver isso de maneira educada e sem criar fissuras no laço familiar como acontece em outras famílias em nosso mundo tão imperfeiro como o que vivemos hoje.

Minha tia surda e muda quer que a casa esteja arrumada enquanto a minha mãe pede tempo para organizar as coisas com cuidado. Eu tenho que ouvir os problemas de ambas as partes e achar um modo onde não teremos tantas rusgas em um futuro próximo. Por isso que sou um mediador familiar.

O espírito autoritário

Meu amigo colunista do Estadão foi um dos colaboradores do lendário Pasquim em 1969. Ele lamentou o fato de não ter um local para fazer uma exposição do acervo do jornal no Rio de Janeiro. Tanto que tal evento está sendo feito no Sesc Pompeia em São Paulo. Ele me contou dos tempos difíceis que vivemos.

No Brasil de 1969, tivemos uma junta militar que era chamada de Três Patetas pelo saudoso Ulysses Guimarães diante do avc sofrido pelo presidente-general Costa e Silva. No Brasil de 2019, lidamos com um presidente com ares de imperador da pior maneira como bem descreveu o editorial da Folha de S.Paulo na edição de 30/11/2019.

Então, lidamos com um espírito autoritário. O nosso país ficou encatado com a república de Curitiba por enfrentar a desrepública de Brasilia entre 2015 a 2016. As reformas econômicas foram abandonadas em 2017 pelo presidente-mordomo-de-filme-de-terror quando conversava com um empresário em uma noite escura do Planalto.

As amizades foram desfeitas em 2018 entre os militantes da esquerda revolucionária e da direita panfletária. Todos queriam ter a razão do Ursal até o esqueleto militar. Em 2019, vejos os meus amigos e conhecidos discutindo uma reforma previdenciária com ares de prenúncio do apocalipse.

Enfim, teremos que voltar com o Pasquim para tirar sarro do status quo político. Mas tal ato de rebeldia esbarra em uma população com analfabetismo funcional e na internet onde os robôs digitais tolhem as liberdades individuais daqueles que não seguem a cartilha do espírito autoritário.

Uma conversa inteligente

As pessoas imaginam que uma mulher bonita não pode ser inteligente. Lembro do mantra do Pânico afirmando que uma gostosa não precisa estudar. Tenho uma amiga camgirl que conversou comigo e discutimos livros distópicos e filmes sexploitation sem parecermos pedantes e afins perante o público.

Ela comentou comigo que não conseguiria ver filmes como Doce Vingança (1978) e Laranja Mecânica (1971) por serem pesados demais. Mas logo expliquei que encarei de boa o Clockwork Orange quando assisti em 2006. Na época, eu tinha 17 anos e não fiquei traumatizado pela gangue de Alex de Large.

Comentei que o livro escrito pelo escritor escocês Anthony Burgess (1920-1993) é mais pesado do que próprio filme dirigido por Stanley Kubrick. Ele proibiu que Lanranja Mecânica fosse exibido no Reino Unido por ser pesado demais. Tal proibição perdurou até a sua morte em 1999 antes da estréia de Olhos bem fechados (1999).

A minha amiga camgirl não teria estômago pra ver Doce Vingança. A história de uma mulher que sofreu violência sexual e deseja a morte de seus algozes foi banido nos cinemas grindhouse americanos nos anos 1970 por ser pesado. O filme é contemporâneo de filmes de terror como Exorcista (1973) e o Massacre da Serra Elétrica (1974).

Ela tem uma amiga atriz pornô que viu o remake de Doce Vingança e comentou que o filme foi banido na época como foi citado no parágrafo anterior. Eu lembrei do filme 1984 (1983), com John Hurt. Mas prefiro o romance de mesmo nome escrito por George Orwell. Enfim, isso foi uma boa conversa.

Os professores

Em 2006, meu professor de educação física Luiz Carlos me viu lendo uma veja sobre a Guerra do Líbano. Ele me perguntou a minha opinião. Eu defendi um acordo de paz no Oriente Médio. Ele respondeu que estaria mudando a história. Ele sempre me perguntava de assuntos complicados por ser um leitor.

Em 2008, eu estava estudando inglês na Start quando o meu professor Ed, que é sul-africano, estava vendo o pôr do sol. Logo me juntei a ele em tal momento de reflexão e nós começamos a conversar sobre a música What a wonderful world, de Louis Armstrong sobre vivermos algo belo em um mundo tão cruel.

Hoje, eu reencontrei tais professores em diferentes momentos da minha ida a clinica e na minha caminhada. Luiz Carlos não lembrava o meu nome, mas me viu com um exemplar de Máquinas como eu, de Ian McEwan, enquanto Ed e eu conversamos no idioma de tal escritor britânico no nosso encontro.

Tais professores envelheceram. Mas eu não os esqueci. Luiz Carlos me via sempre com um livro na mão ou lendo o caderno Mais da Folha de S.Paulo porque estudava o existencialismo por conta própria enquanto Ed me encontrava com uma revista Bravo nas mãos quando ficou espantado porque sabia quem era Yoyo Ma.

Hoje, eu percebi que fiz a diferença em tais homens não porque eu era um aluno aplicado. Mas porque sempre compreendia um mundo tão complicado ao meu redor com a minha vontade de estudar. Na era contemporânea onde os jovens ficam no TikTok. Meus professores querem entender por que leio Ian McEwan.

Pedantismo e Bishop

Tenho uma amiga camgirl que comentou no twitter sobre a possibilidade de youtubers entrarem no BBB20. Mas o meu pedantismo me fez mandar uma resposta culta a isso. Mais cedo, vejo os meus amigos da área cultural reclamando da curadoria da FLIP por causa da escolha da poeta Elizabeth Bishop por suas opiniões a favor do regime militar de 1964.

Como não banco Nero que pôs fogo em Roma com fins poéticos. Penso que fui pedante em dizer que ficarei escrevendo para não ver o BBB20. O reality show mobiliza as massas para ver os marombados, as gostosas e os pobres coitados. Teve uma época que a única coisa positiva em tal programa era ser um celeiro para futuras capas da Playboy em seus bons tempos.

No caso da FLIP, eu queria ir a festa literária. Mas a tal ilusão de um mundo culto caiu por terra pelo fato de vermos pessoas que entende de literatura ver com desdém a massa culta que lê Paulo Coelho e John Green. Porém, vivemos em um momento onde os escritores ficam se perguntando como agradar o crítico literário e os editores de plantão para ter um livro publicado.

Tanto a escolha de Elizabeth Bishop e a tentativa de chamar youtubers para o BBB20 mostra como o nosso país tem um problema grave sobre a questão cultural. Os youtubers vem com desprezo participar de um programa popular com o medo de terem um lado sombrio a ser revelado enquanto os escritores decidiram cancelar a Flip por causa de um esqueleto autoritário no armário de tal poeta.

Enfim, eu só sei que terei trabalho pra 2020 com a eleição presidencial americana para comentar nos blogs de política yankee como forma de exercitar o meu lado de analista quatrienal. O BBB será comentado pelos youtubers como uma forma de exercitar seu lado de influência enquanto a Flip será alvo de opiniões de gente letrada. Assim caminha a humanidade.

A leitura

Em 1994, eu tinha um colega no jardim de infância chamado Gustavo. Ele tinha uma deficiência mental e sempre gostava de ter uma revista de carro em suas mãos. Então, pedia para a minha mãe comprar uma revista pra mim para poder ver as fotos de máquinas como Ferraris e Porsches. Foi assim que comecei a minha jornada literária por meio de Motor Show e Quatro Rodas.

Em 2019, uma conhecida minha que é escritora de romances young adults se deparou com o preconceito de uma orientadora de seu doutorado na área de letras onde dizia que seus netos não liam os romances de YA. Semanas atrás, a revista americana Slate publicou uma reportagem onde escritores de YA estavam questionando o veto de um livro por causa de um integrante da comissão que fez isso não ter gostado de tal história.

Tanto a elite intelectual quanto os escritores de YA estão em uma guerra de trincheiras. Quem perde com isso é o leitor. Eu gosto de ler os livros distópicos como uma forma de entender a realidade. Mas percebo que temos vários problemas no mundo literário onde nos deparamos com egos aflorados e inflados dizendo ser curadores-mor da literatura brasileira.

Tenho as minhas críticas aos romances Young Adults. Mas a minha resposta é escrevendo do meu jeito e não fazer isso como se fosse uma cruzada contra aqueles que pensam diferentes de mim. A democracia nos ensina o convívio de pessoas de diferentes pensamentos. Isso permite que o público e o leitor possa ter o crivo em escolher uma historia onde se identifica.

Em 1994, Gustavo lia a Quatro Rodas porque gostava de carros e eu pedia a minha mãe para comprar uma revista para poder ver as fotos de tais automóveis. Hoje, eu sou um leitor que lê jornais, revistas, livros e artigos publicadas na internet. A leitura nos ajuda a evoluir como sociedade diante do fato de podermos compreender a realidade por meio da imaginação. Isso faz falta nos dias de hoje.