Os dias de guerra de trincheira

Na história humana, as guerras sempre se modificavam com o tempo. As batalhas de espadas e cavalos davam lugar a farta munição feita base de polvóra e armas de fogo. Os campos de batalhas se transformaram em trincheiras onde os soldados ficavam protegidos e os comandantes militares pensavam em estratégias contra o avanço do inimigo.

Se na primeira guerra mundial, tínhamos a figura das trincheiras. Tal alegoria volta com a batalha entre grande mídia contra os populistas e extremistas que exigem que suas versões dos fatos sejam levados a sério. Prova disso é o anúncio do estrategista-chefe da Casa Branca, Steve Bannon, que disse que está em guerra contra a imprensa americana tendo como alvos os jornais The New York Times e Washington Post.

Nos tempos de fatos alternativos e sites que não apuram suas informações. Poderá nascer a erva-daninha da desconfiança do público em relação ao governo e a imprensa. A população não é apenas uma criança de cinco anos de idade. Eles querem saber sobre os fatos do mundo e de sua nação sem ter que ver os canais de notícias com suas manchetes de tom sensacionalista.

Se a internet é acusada de produzir o fake news. Nós temos que servir como um apoio para a imprensa e para a população ao destrincharmos as notícias e oferecer a todos uma visão crítica sobre a cobertura de um veículo mídiatico ou de um ato de um presidente que soa controverso e impopular. Isso é importante para uma democracia e para a liberdade de expressão.

Nas trincheiras da primeira guerra mundial. Os nossos antepassados perderam suas vidas em batalhas sangrentas de rifles e baionetas. No século 21, os rifles são os computadores e as baionetas são as palavras. Em tempos de pós-verdades e conflitos de histórias. A melhor arma para dissipar as dúvidas é o esclarecimento com respeito a verdade e a realidade do mundo em que vivemos.

A claque

Em agosto de 2012, o publicitário Washington Olivetto deu uma entrevista para a revista Playboy. Na longa conversa, ele revelou que não gosta de ter uma claque que lhe bajula toda hora ou rindo de suas piadas sem graça. Pensei nisso quando conversava no facebook com a minha amiga Angélica no momento em que me perguntava porque não tinha muitas garotas aos meus pés.

Nas minhas memórias, sempre fui um sujeito que perseguia a claque, mas morria na praia. Até aprender a lidar com as pessoas sem usar algum ensinamento de livros de autoajuda que vendem milhões de exemplares e estão na lista de mais vendidos do The New York Times. Isso era uma maneira de fazer uma socialização de forma realista de minha pessoa.

Hoje, todo mundo quer ter a sua claque e arranjar namorados e namoradas em uma balada. Parece que as relações humanas foram reduzidas a um manual de instruções de montadora de carros alemães dos anos 1970 onde tudo é explicado nos mínimos detalhes para que o dono do próprio não tenha problemas com as revisões e serviços de manutenção.

Percebo isso quando vejo os conhecidos do facebook exibindo suas fotos de balada ou escrevendo frases desconexas onde simulam que estão sob efeito de alguma droga ou remédio para ser um junkie da vida. Isso não é pra mim que tem uma vida regrada e com um carisma de pinguim intelectualizado que acompanha as notícias da BBC World Service.

O medo de ficarem sozinhos no mundo é evidente. Mas a melhor maneira de evitar isso é sendo realista. As frases de autoajuda ou do pensamento positivo que infesta o mundo contemporâneo onde o fracasso é algo rejeitado com veemência não nos levam em nada. A melhor coisa a fazer é cuidar da sua vida com os pés não chão e sem ter a claque do Olivetto.

A mediocridade epidêmica

Em 1984, a Apple lançou o seu computador Macintosh com um comercial no SuperBowl onde uma mulher com uma marreta lança a mesma contra a tela de um ditador do livro 1984, de George Orwell conhecido como o Grande Irmão ou Big Brother. Ao final, o anúncio perguntava para público que estava ansioso pelo ano de 1984.

Passado-se 33 anos. A humanidade está mais medíocre do que nunca. Meu professor-mestre Johnson postou um vídeo em seu perfil no facebook onde mostra a tecnologia nos transformou em grandes idiotas. O pensador Mario Sérgio Cortella criticou o uso do emoji durante uma entrevista ao Pânico da rádio Jovem Pan. Isso é um sinal de nossa mediocridade epidêmica.

Nós não usamos as tecnologia para criar algo importante cultural. Isso transformou as redes sociais em um deserto de ideias onde os tais influenciadores digitais não tem algum senso de cultura ou sabedoria. É mais fácil eles saberem sobre a última música da Beyoncé do que explicar o contexto da Austrália e do mundo feito pelas canções do banda de rock australiana Midnight Oil.

Parece que somos cordeirinhos guiados pela temível figura do Grande Irmão tão bem retratada por Orwell e no comercial da Apple. O máximo de pensamento crítico sobre o papel da tecnologia se resume uma frase: Isso é tão Black Mirror. Numa dessas, as futuras gerações vão pensar que os meus contemporâneos se esqueceram de ler e pensar sobre o mundo.

Em 1984 (o ano), o mundo vivia o estertores da Guerra Fria entre o presidente americano Ronald Reagan e o líder soviético Andrei Andropov. O comercial da Apple falava da tecnologia como uma ferramenta liberdade individual. Mas hoje, tal objeto eletrônico virou uma espécie de criador de uma mediocridade epidêmica que não sabemos se tem cura.

A capa do livro

Tenho uma amiga no whatsapp que reclama da vida de gorda. Ontem, comentei com ela sobre a criadora e roteirista da série da HBO, Girls, Lena Durham. Lena escreve uma série em que fala dos desatinos de uma mulher urbana em New York. Mencionei o fato de que Lena é gorda e já fez cenas de sexo e nudez. Minha amiga afirmou que Lena deveria ser uma louca.

Isso lembra uma velha frase onde se dizia que nunca julgue um livro pela capa. Mas nos tempos de rótulos e patrulhas do poiliticamente correto. Aceitar o fato de ser gorda virou uma ampla discussão intelectual que não leva em nada. Tanto que se criou o termo gordofobia pelo simples fato de uma sociedade não tolerar aqueles que estão acima do peso ou são portadores de obesidade.

O que fica claro que não estamos sabendo lidar bem com a questão. O problema não está na preguiça de fazer uma dieta ou a obsessão de ter um corpo perfeito para ser aceito na sociedade. Nota-se o fato de muitos gordos querem fazer a cirurgia de redução do estômago como uma forma de controlar a diabetes, hipertensão e doenças do coração.

Mas temos que levar em conta a demagogia exercida por pessoas que pensam que todo a sociedade tem uma aversão aos gordos e culpar a indústria alimentícia de produzir alimentos com altas taxas da calorias é nefasta e pouco ajuda na questão da autoestima. Não queremos ter uma parada do orgulho gordo. Mas não iremos forçar uma dieta forçada na população por causa dos custos no sistema de saúde.

A obesidade é uma questão séria demais para ser deixada apenas por personalidades que usam tal problema para se promover de forma grotesca e deprimente. Espero que tais pessoas se recolham a sua insignificância e a sociedade procure ajudar aqueles que desejam ter uma boa saúde e aumentar a sua autoestima. Afinal, nunca podemos julgar um livro pela capa ou uma pessoa pelo seu peso e aparência física.

As desavenças

Ontem, não estava me sentindo bem por ouvir as novas desavenças de minha família. Isso me deixa incomodado e triste. É como lidar os problemas com aquela frase de que parente a gente não escolhe. Isto me faz recordar de que como era diferente dos meus colegas de escola Educere onde todos tinham famílias perfeitas como nos comerciais de margarina.

Eu era um dos poucos alunos que os pais eram separados e que o pai não ia nos eventos de dias dos pais. Isso não me chateava. Mas ficava incomodado pelo fato de ver os patriarcas dos meus colegas e não ver o meu velho. Quem fazia tal função era a minha mãe pelo fato de ser uma mulher que cuidava de mim desde que eu nasci e sempre brigava com os meus coleguinhas por causa de provocações.

Mas as coisas não eram fáceis para mim. Eu sempre tinha problemas com um primo meu. Enquanto eu tinha uma mãe presente e um pai ausente. Já meu primo tinha a minha tia e o meu tio formando aquele casal perfeito que desmoronou anos depois como um castelo de cartas. Isso reflete até hoje quando vejo os problemas de minha família.

E ainda tenho que lidar com uma tia que não aceita o fato de levantar cedo porque isso lhe incomoda. Minha mãe sempre desconfia e com razão de que estou aprontando alguma coisa. Tenho que deixar tal impressão pelo fato de fazer algo que eu gosto como ver o programa de economia e negócios da BBC News ou nos domingos, tentar assistir o The Andrew Marr Show, da BBC One.

Sempre que converso com os amigos virtuais e os reais. Eles sempre me contam sobre seus problemas familiares. Então, eu imagino a minha realidade problemática onde tenho que lidar com isso de maneira leve, mas com sinceridade. Não é fácil para todo mundo ter que aturar a mãe possessiva ou o tio encrenqueiro. Afinal, são as desavenças nossas da cada dia.