Os amigos e os estranhos

Meu amigo filósofo baiano me removeu de um grupo no whatsapp porque eu falei atrocidades politicamente incorretas envolvendo o orificio anal. Mas ele me puxou um papo comigo sobre Formula 1. Já o negão-cinquentão não está preocupado com a recente escalada militar no Oriente Médio em seus tweets geopolíticos.

As amizades são essenciais no mundo contemporâneo. Mas parece que desaprendemos a fazer isso. Hoje, o Newshour, da BBC World Service; exibiu uma personagem do editor de assuntos domésticos da BBC, Mark Easton, onde ele falava de um estudo que uma pessoa é feliz se conversar com os estranhos.

Mas nos isolamos em ilhas de amizade. Não vejo os meus amigos conversando com uma pessoa estranha sobre o governo. Parece com medo em se envolver em uma discussão ríspida. Sendo que isso é comum. Mas é necessário conversarmos com alguém sobre nossas rotinas enquanto estamos em uma sala de espera.

Eu sempre converso com os estranhos. É uma forma de socializar com o próximo. Mas as pessoas ficam intimidadas comigo por medo de falarem uma besteira. Porém, tenho boas memórias disso como na vez que fui no hospital onde encontrei um porteiro que foi levar a filha e uma acompanhante cuja a avó estava internada com pneumonia que me achou simpático.

Em 2006, as pesquisas de opinião na Suécia faziam a pergunta com qual candidato a primeiro-ministro você tomaria uma cerveja em um bar. Enquanto nós queremos achar pessoas com pensamentos mais próximos do que os nossos. Esquecemos do essencial que é conversar com o próximo seja amigo seja estranho.

Spiriting Images

Sábado passado, estava dando uma fuçada no youtube quando achei a propaganda eleitoral do Partido Trabalhista para as eleições gerais de 1987 no Reino Unido. Estava lá a figura de Neil Kinnock. O homem que modernizou a vida política do Labour Party nos anos de Thatcherismo no poder.

Nos anos 1980, Kinnock teve uma briga feia com os militantes marxistas do Partido Trabalhista que estavam no controle da cidade de Liverpool. Isso rendeu o famoso discurso contra a tirania ideológica na conferência anual dos Trabalhistas em 1985. Mas ele não conseguiu se tornar premiê diante da falta de confiança no eleitorado emm sua figura.

Mas ele era uma figura frequente do programa Spiriting Images onde bonecos de cera que era criados a partir de desenhos de caricaturas de figuras políticas britânicas estrelavam o programa de humor político naquele período como a sketch que satirizava o News At Ten como News At Benn com a apresentação de Tony Benn.

A primeira-ministra Margaret Thatcher tinha sua imagem satirizada pelo programa como aquela senhora que deseja privatizar todo mundo que via pela frente na febre de seu programa de reformas chamado Big Bang. Víamos Alastair Burnet dando as informações sobre o acidente nuclear de Chernobyl.

Nos últimos anos onde estudo a política britânica. Figuras como Neil Kinnock, Tony Benn e Denis Healey são frequentes em minha mente junto com programas de humor como o Spiriting Images e The not nine o’clock news. Isso nos faz aprender sobre o modus operandi das palavras e discursos de Neil Kinnock.

A cadeira quebrou

Minha cadeira que usou aqui na cripta-escritório quebrou há poucos minutos. Mas não tenho problemas em relação a isso. Vou ter que comprar uma nova poltrona de computador porque a antiga já me rasgou três calças não sei como. Mas a economia de mercado me faz ir buscar um novo assento para mim.

Lembro que na minha coleção de edições especiais da Quatro Rodas de uma crônica onde os carros antigos foram feitos para durar mesmo durante uma transa no veículo. Assim lembro das cadeiras de antigamente que tenho aqui em casa que a minha mãe usa para escolher arroz na cozinha ou na janta.

A economia de mercado nos faz consumir coisas ou comprar algo que necessita. A revolução industrial fez com que a sociedade consumisse algo até o fim devido o baixo custo da manufatura. Assim vimos os americanos comprando Mustangs a rodo junto com os italianos que esportavam o cinquecento para os países da Comunidade Europeia.

O presidente americano Ronald Reagan sempre fazia a piada sobre a compra de um carro em um país comunista que demorava 10 anos para ser entregue. Mas os saudosos russos e poloneses sempre tem saudades do velho Lada com um carburador que expelia o gás carbônico produzido pelo motor a combustão.

Enfim, minha mãe vai comprar uma nova cadeira de computador pra mim nos próximos dias. Terei que ter paciência para não lhe atormentar sobre a minha necessidade pessoal. Assim anda o velho capitalismo onde nós temos que comprar tudo que for necessário para o nosso bem-estar material e afins.

If looks could kill

Sempre faço a função de falar de forma direta. Cheguei a tal conclusão conversando sobre o meu fracasso amoroso quando conversava com a minha amiga estudiosa de comunicação não-violenta (novo metódo de manutenção de ordem sem ferir o sentimento alheio). Ela me perguntou se já comentaram comigo por ser direto. Eu respondi que sim.

As pessoas ficam intimidadas comigo quando falo de assuntos complexos como comentou a minha amiga biologa. Os meus racicíonios são muito rápidos e uma pessoa normal não iria entender. É como se fosse a fala da Carla Bruni quando disse que o então presidente francês e marido Nicolas Sarkozy tinha 6 cérebros em meados de 2008.

Seria pedantismo de minha parte afirmar que tenho 6 cérebros como Sarkozy. Mas sinto que as pessoas se acostumam comigo rapidamente e vice-versa. Meus amigos do mundo real sempre me perguntam sobre as atualidades enquanto os cumpinchas virtuais me questionam sobre Formula 1.

Eu vejo vários conhecidos intrigados comigo. Parece que necessistam se afirmar perante a mim porque tenho os tais 6 cérebros. Eu sei que não vou agradar todo mundo. Mas precisam me diminuir em praça pública porque sou o autista com um pensamento cosmopolita que pensa fora da caixa do interior.

Em 1985, a banda Heart lançou If Looks could kill. É uma música que fala sobre uma frustração amorosa. Em 2013, o escritor Fernando Moraes deu uma entrevista a Playboy onde dizia que escrever é fazer inimigos. Ou seja, os 6 cérebros sarkozistas estão mais a vapor do que eu e a minha amiga de comunicação não-violenta imaginamos.

O interior

Meus amigos de teoria junguiana me chamaram de volta no grupo do whatsapp. Mas reencontrei um sujeito querendo afirmar a sua fé perante nós como uma forma de atestado de bom moço. Mas quando conversa comigo. Ele fica falando de deus pelo fato de eu ser deísta (acredito em deus, mas não confio nas religiões).

Isso é comum nas cidades do interior de nosso país. Lido com amigos que não tiveram oportunidades para estudar o existencialismo francês do pós-guerra ou ler um livro sobre história contemporânea. Muitos se atem a biblia para a fonte de suas respostas sobre o mundo e a humanidade com a palavra de deus.

Sempre vi as brigas entre o religioso e o ateu no grupo porque ambos queriam confirmar suas teorias sobre o mundo. Ambos moram na mesma região do que eu. Eles não tiveram a minha formação onde questionava o mundo através de minhas descobertas ao ler o caderno Mais, da Folha de S.Paulo nos anos 2000.

A necessidade de reafirmação de um ponto de vista em uma comunidade afastada dos grandes centros é difícil. Pindamonhangaba tem tanto igrejas seja católicas seja evangélicas quanto bibliotecas. Eu sou um rato de biblioteca que lia pra burro. Isso me permitiu ter uma visão mais aberta sobre a sociedade.

O religioso quer afirmar a sua posição perante o grupo com o medo de ser censurado. O ateu saiu porque teve problemas com um amigo meu. Ambos desejam ter uma vida diferente onde possam prosperar sem ter tantos julgamentos sobre o ponto de vista. Assim caminha a humanidade e a vida em Pindamonhangaba.

O não-jornalista

Tenho amigos de Formula 1. Eis que surge uma futura jornalista que faz uma crítica afirmando que as notícias sobre o esporte a motor rende poucos likes. Meus cupinchas começaram o Dia D de respostas argumentativas sobre tal argumento controverso. Ela recuou depois de tal fúria de gasolina e aerodinâmica.

Eu pensei que ela estivesse pilhando os meus amigos. Mas ao ler as respostas e os argumentos dela. Chego a conclusão que os não-jornalistas são mais competentes do que os futuros jornalistas. Eu imagino que ela quer trabalhar na imprensa de famosos onde os likes projetam os autores de tais matérias.

Mas percebi que ela ainda estava perdida ao ver tantos não-jornalistas como nós respondendo educadamente e com bons argumentos. Meus amigos de F1 criaram o seu próprio espaço para publicar artigos e notícias. Isso criou uma imprensa alternativa ao mainstream as avessas onde pessoas com boa escrita e conhecimento técnico são valorizadas.

Falo disso como pessoa que começou a carreira de não-jornalista de esporte a motor no Vida de Paddock em 2013. Tínhamos uma dificuldade em achar redatores para o blog. Meu primeiro chefe apelidado de Índio por morar em Manaus fez um concurso onde fui escolhido junto com 3 colegas. O blog fechou as operações no ano passado.

A futura jornalista não sabe que essa imprensa alternativa de esporte a motor cresce por meio de uma demanda por informações junto com um público que deseja debater a Formula 1 até a Moto GP com boas teses a serem discutidas nas redes sociais. Então, os não-jornalistas são mais competentes do que os futuros jornalistas.

Meus fracassos amorosos

Ontem, mais um toco que tomei da minha amiga de F1 assustada com o fato de lidar com autista e esquizofrenico como eu. Ela me bloqueou no twitter e no instagram. Sinto que não darei certo nessa coisa de namorar tão em voga nos últimos dias. Meu amigo AVC me consolou após o baque de tal fora em rede social.

Mas a vida moderna nos prega que temos que estar casados e ter filhos para a preservação da humanidade. Ultimamente, tenho conversado com grandes amigos como o Mexicano do facebook e a minha amiga trans antes de tal baque de rede social. Eles me compreendem muito as minhas ansiedades sociais.

Por outro lado, lido com as vozes libertárias que afirmam que temos que abraçar o hedonismo como o negão-cinquentão por e seu fraco por festinhas de adultos. Mas o pior medo dele é ser internado em um hospital para seus últimos dias de vida invés de morrer em uma onda infernal de Mentawai.

Todos tem um desejo descontrolado para transar. Parece que esquecerem o romantismo. Então, vem uma sexóloga pregando o poliamor pelo fato de libertarem os desejos adultos. Mas sempre tenho que avisar que isso é coisa de gente rica que gasta muito nas festinhas adultas com o medo de serem descobertos.

Eu tenho decidido ser solteiro porque não tenhos condições para ser um marido, namorado ou pai. Isso não é uma decisão fácil. Mas lido tranquilamente com isto pelo fato que a minha saúde mental é a prioridade do que um romance onde mais me chatearei do que ter um prazer. Enfim, tenho um fracasso amoroso.