A resiliência de uma nação

Na segunda guerra mundial, o Reino Unido resistiu bravamente a selvageria dos bombardeios nazistas. Mas no pós-guerra, a economia britânica viveu anos de austeridade e com controle sobre o consumo de alimentos através de cupons distribuídos pelo governo. Isso permitiu que a sociedade adotasse uma capacidade de adaptação a momentos adversos.

Isso se nota aqui no Brasil. Nossa sociedade sobreviveu as desventuras econômicas que tentaram conter a inflação. Mas temos a incertezas como o aumento do desemprego e uma certa confusão sobre qual plano que devemos adotar para superar uma crise política-econômica que vivemos. Nossa capacidade de absolver as pancadas para ser usada como uma motivação para solucionar o problema parece ineficaz.

As crispações ideológicas são inúteis. A sociedade demanda uma ampla discussão sobre temas importantes como reformas nos sistemas previdenciário e tributário. Além de um desmantelamento dos gastos obrigatórios do orçamento e uma desindexação de nossa economia para permitir um planejamento flexível tanto da projeção de receita quanto do levantamento de despesas.

Mas isso não se vê neste vasto território. Os analistas querem comparar o Brasil aos Estados Unidos, França ou Suécia. Mas se esquecem que tais países moldaram suas economias baseados no principio do equilíbrio da economia de mercado junto com o estado de bem-estar social. Ambos atendam os anseios de uma sociedade que deseja uma ascensão social via o trabalho duro.

Isso criou uma capacidade de resiliência onde as pessoas conseguem superar seus problemas ao ter uma criatividade para obter renda mesmo em um cenário adverso. Quando sociedades estão aptas a exigir do estado e políticos uma solução para uma crise que seja sensata e que os efeitos colaterais sejam amenizados. É disso que precisamos para o nosso Brasil.

 

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A sobriedade

Semana passada, estava no grupo de economia onde um membro tinha postado no mural uma mensagem perguntando sobre a Petrobras. Enquanto os entendidos ficavam falando mal deste desgoverno que vivemos (no qual concordo). Este que vos posta falou dos problemas e efeitos colaterais do nacional-desenvolvimentismo acarreta em uma nação como o Brasil.

O membro criticou os colegas de grupo que só xingavam o petismo e não tinham um pensamento sensato sobre a economia e elogiou a minha sobriedade nos meus comentários. Até fiquei com o ego lá em cima, mas recobri a consciência e refleti sobre o momento que nós vivemos diante das incertezas econômicas produzidas por estes governo e seus tecnocratas.

O problema não está em jogar a culpa no petismo e no tucanato. Temos que entender que a economia não aceita populismos. É como você soubesse a resposta de um problema, mas tenta forçar tal na solução de um exercício de matemática (tempos da professora Silvia). O cenário econômico exige soluções sensatas e que possam produzir resultados satisfatórios para a população.

Os governos tanto de esquerda quanto de direita tem que adotar uma agenda pragmática na economia para tentar evitar as armadilhas ideológicas só fiquem nas decisões como a expansão ou corte dos gastos públicos. As grandes reformas econômicas que foram empregadas nos últimos anos tinha o foco a questão de um estado eficiente e não-intervencionista no setor produtivo.

A economia precisa recuperar a sua credibilidade além da necessidade de reformas que possam aperfeiçoar o sistema tributário. Equilibrar as contas da previdência pública. Além de desmantelar o super-estado criado com o intuito de desenvolver a nação com o custo caro e ineficiente. Espero que os membros do grupo de economia parem de culpar alguém pelos males da nação e tente ter sobriedade para encarar a situação problemática do cenário econômico tupiniquim.

A gestão agressiva

Nessa semana, a cervejaria belga-brasileira AB Inbev anunciou a fusão com a sua concorrente britânica SAB Miller. A oferta de 104 bilhões de dólares feita pela AB Inbev expõe uma face pouco conhecida do capitalismo brasileiro ao encarar o mundo com uma receita de aquisições e fusões junto com uma gestão de corte de gastos e pessoal com uma cultura de mérito que não é visto por está parte tropical do continente americano.

O trio Jorge Paulo Lehmann, Marcel Telles e Carlos Sicupira mostram que o esforço de reestruturar companhias que não tem musculatura para aguentar seu gigantismo e dar espaço para profissionais competentes que desejam render lucros no mundo corporativo é uma forma pouca conhecida do capitalismo brasileiro conhecido por empresas que vivem protegidas pelo Estado cujo pouco se propõem a fazer reformas que ajudariam a economia nacional como o livre mercado e abertura econômica.

Isso se reflete no Japão, onde o primeiro-ministro Shinzo Abe conseguiu a aprovação de um código de governança para que as empresas japonesas busquem competir de forma agressiva e uma completa reinvenção do mundo corporativo japonês. Prova disso, foi a decisão da montadora Nissan, que fechou fábricas e demitiu funcionários para se reestruturar para uma nova realidade no Japão de 2001 sob o comando do brasileiro Carlos Ghosn.

Em tempos de uma economia cada vez mais globalizada. Uma gestão administrativa feito de forma agressiva parece uma solução radical. Não estamos falando em apenas em cortar gastos e demitir funcionários. Precisa compreender se a companhia está pronta para dar um salto caso os investidores estão ansiosos por resultados nos balancetes e afins. Mas como fica a situação do funcionário demitido como efeito colateral desse modo de administração?

Não se foi feito um estudo sobre a obsessão pela empresa enxuta. Principalmente em países como o Japão, que tem uma cultura onde a pessoa começa e se aposenta na mesma empresa até há poucos anos atrás. Já no modo de administração da AB Inbev, os funcionários tem que continuar pelo os próprios méritos. Caso não consiga, ele vai ser demitido. A gestão agressiva pode indicar tanto o sucesso quanto o fracasso de uma companhia.

O acordo Trans-Pacífico

Nesta semana, doze países incluindo Estados Unidos, Chile, México, Canadá, Peru, Austrália, Nova Zelândia, Cingapura, Japão, Vietnã, Brunei e Malásia fecharam um acordo de livre comércio entre as nações banhadas pelo oceano Pacífico. O acordo Trans-Pacífico criou um bloco comercial que detém 40% do PIB mundial além de uma tentativa de isolar a China na região Ásia-Pacífico para o alívio do governo americano.

Mas quando lemos os textos dos jornais brasileiros criticando a nossa pequenez econômica em negociar acordos de livre comércio. Isso é normal, mas existe críticas nos Estados Unidos onde se tem o temor onde 18 mil empregos sejam cortados caso o acordo comercial seja ratificado pelo congresso. O fato de termos doze países signatários impressiona e reflete a descrença em um tratado global como a rodada Doha da OMC (Organização Mundial do Comércio).

Os países da região Ásia-Pacífico estão querendo criar uma nova relação exterior-comercial. Blocos econômicos procuram fazer negociações diretas e sem intermediários para poder estimular uma competição justa por novos mercados sem perder os direitos autorais e intelectuais sobre os produtos, tecnologias e serviços como sempre defendeu os Estados Unidos em sua batalha contra a falta de regulação representada pela China.

Abertura de novos mercados a produtos americanos ou japoneses poderão forçar uma concorrência. A Austrália pretende fechar acordos comerciais tanto com os Estados Unidos quanto com a China. Isso pode prejudicar a indústria automobilística local que está fechando suas fábricas como a Holden (filial australiana da GM), Toyota e a Ford devido ao alto custo de produção junto com a valorização do dólar australiano nos últimos anos.

A grande oposição ao acordo Trans-Pacífico fica no fato dos Estados Unidos ditar os termos do tratado. Mas países como Malásia e Vietnã podem fazer restrições a produtos americanos como alimentos e carros afim de proteger tais setores. Isto serviu de alerta ao Brasil que precisa começar a negociar acordos de livre-comércio como uma forma de abertura a economia ao mundo globalizado e fortalecer a mesma diante da concorrência vinda do oceano Pacífico.

AB Inbev vai comprar a SABMiller para conquistar o mundo cervejeiro

O grande destaque do mundo dos negócios foi revelado pelo jornal Financial Times. Segundo o periódico, a cervejaria AB Inbev ofereceu uma oferta para comprar a concorrente SABMiller. Com a união de tais companhias criaria uma gigante que valeria 225 bilhões de dólares. Pelo andar da carruagem, é uma demonstração do peixe grande comendo um peixinho para o bem da cadeia alimentar e dos bebedores de breja.

Uber

Quando temos uma mudança no modo que consumimos os serviços. Sempre terá uma resistência que representa a insegurança e inútil. Esse é o caso do aplicativo de caronas pagas Uber, que está sendo criticado por taxistas de Paris, Rio de Janeiro e São Paulo. Os legislativos municipais de tais cidades estão aprovando leis que proíbem o uso do Uber só para agradar um lobby que não deseja uma concorrência que presta um bom serviço.

Por mais que a prefeitura do Rio prometa um aplicativo para concorrer com o Uber. Sinto que vai ser um tiro no próprio pé onde o estado atua tanto no papel regulador quanto no protagonismo de proteger empregos que sacrifiquem a qualidade do serviço. Sempre leio os posts de minha amiga Júlia reclamando do serviço de transporte prestado pela cidade maravilhosa tendo que ficar a noite em casa de amigos para chegar a sua casa de forma segura.

Lembro da posição do meu amigo professor Marcus Vinicius que já experimentou o Uber em viagens para fazer as palestras que ministra para acadêmicos que se interessam em estudar o Brasil e aprovou o uso do aplicativo. O sucesso do Uber vem do fato de ter um contato direto entre usuários que possam oferecer um bom serviço com um preço acessível. Tanto que o pré-candidato republicano Jeb Bush usa o Uber em suas viagens nos Estados Unidos.

Mas como um país como o nosso que vive um capitalismo primitivo. Os políticos tentam vender um ar de modernidade que não corresponde com a realidade de uma população que compra um carro para não depender do transporte coletivo. Ainda não assimilamos um maneira onde a inovação que possa responder as demandas de um público que exige bons serviços que não são oferecidos pelo estado como é uma obrigação constitucional.

Se queremos que o capitalismo evolua no Brasil. Temos que aceitar o uso de um simples aplicativo como o Uber. Não devemos aceitar regulações ultrapassadas que não permitem uma evolução do serviço prestado pelo estado. O usuário sabe os prós e contras do Uber. Cabe apenas ao cidadão a decisão de usar uma carona paga ou pegar um taxi. Mas não podemos falar disso perto de um taxista que teme a concorrência de um programa de celular.

Bem-vinda recessão

Hoje, o governo teve uma péssima notícia. Nosso país está em recessão técnica (quando se tem um crescimento negativo na economia por dois trimestres consecutivos). Os economistas criticam o Planalto que faz pouco caso com isso. O Brasil está pior do que o final da novela Babilônia. Mas qual rumo devemos tomar em nossa primeira recessão causada por fatores locais como falta de controle dos gastos públicos?

Temos que reconhecer que a classe política não faz reformas necessárias para termos crescimento. O governo adota um modelo econômico fracassado e não permite uma abertura da economia ao investimento estrangeiro e a globalização com temor de um desemprego em massa. O Brasil precisa se modernizar, mas isso não é feito da maneira correta. Ainda temos o esqueleto do keynesianismo fajuto em nosso armário ideológico.

Uma economia como a nossa precisa de uma injeção de cultura capitalista. Mas temos economistas de esquerda que ficam assustados ao falarmos do neoliberalismo. Mas a Alemanha fez reformas em sistema de bem estar social como uma forma de se adequar ao euro enquanto o Reino Unido cortou na própria para controlar o deficit fiscal. Ambas as economias estão indo bem e gerando empregos e inflação baixa para não sacrificar o custo de vida.

Não se reverte uma recessão com mais gastos. O que deve ser feito são reformas estruturais para permitir que o setor privado possa andar com as próprias pernas além de criar uma segurança jurídica que o país tanto necessita para atrair o investimento estrangeiro. Uma estratégia de criação de campeões nacionais as custas do contribuinte via BNDES ou pacotes de ajuda a setores econômicos que tem efeito nulo na recuperação econômica.

Se queremos um país melhor, devemos esquecer as loucuras ideológicas prometidas por um pensamento esquerdista atrasado. Vamos precisar fazer reformas em nosso contrato social para termos um crescimento econômico sem um viés de uma promessa de uma nação igualitária. Não podemos ser um Suécia tropical como defende o professor Mangabeira Unger. Mais uma recessão é um belo soco no estômago e acordarmos para uma realidade difícil que precisa ser enfrentada.