A ascensão de Trump

Há pouco minutos, o senador texano Ted Cruz anunciou que irá suspender a sua campanha presidencial após a vitória do bilionário Donald Trump nas primárias do partido republicano no estado de Indiana. Isso deixa claro que Trump pode conquistar a indicação dos republicanos na convenção em Julho na cidade de Cleveland, Ohio. Mas como será este Trump?

Trump sempre foi visto como um candidato falastrão e de opiniões controversas. Isso criou uma persona que é bem vista entre a classe média que perdeu os empregos durante a crise financeira de 2008 e vê o presidente Barack Obama como um ser intervencionista em questões domésticas como o porte de armas e hesitante em assuntos geopolíticos como a crise no Oriente Médio.

Enquanto candidatos como Carly Fiorina, Ben Carson, Marco Rubio, Chris Christie, John Kasich e Jeb Bush tinham uma retórica em que hesitava sobre a questão do conservadorismo enquanto Trump afirmava medidas controversas como a proibição da entrada de muçulmanos nos Estados Unidos junto com a construção de um muro entre México e EUA.

Trump conquistou o eleitorado conservador ao defender os veteranos de guerra e criticar os acordos comerciais com México e China. Ele não falou de temas caros ao conservadorismo yankee como a legalização do aborto, casamento gay a crítica ao presidente Obama em nomear um juiz para a Suprema Corte no lugar do falecida Antonin Scalia.

A grande questão para Trump será unificar o partido em torno de si além de moderar seu discurso para conquistar o voto dos independentes e centristas. Os republicanos temem uma derrota como foi 1964 com o candidato Barry Goldwater e sua visão extremista nos tempos das reformas dos direitos civis. Isso poderá ser o começo da ascensão de Trump?

Trump paz e amor

A corrida eleitoral americana está produzindo um fato novo. A ascensão de Donald Trump no partido republicano mostra uma nova face: Trump paz e amor. Isso é um trabalho de sua equipe de marketing que viu uma forma do magnata ganhar apoio tanto entre o status quo republicano quanto com os eleitores centristas e independentes.

Trump visa moderar suas palavras como uma forma de ser aceito pelos republicanos e tentar unificar o seu partido. Ao vencer as 5 primárias e caucus desta terça-feira. Donald pode conquistar um eleitorado indeciso e que tinha uma grande rejeição ao seu nome pode defender propostas controversas como deportar imigrantes ou proibir a entrada de muçulmanos nos Estados Unidos.

Sai de cena o boquirroto para entrar um ser moderado. Mas tal metamorfose pode trair eleitores que votaram em Trump durante as primárias. O eleitorado de Trump é um americano branco e que vive desconfiado de uma atitude multicultural como bem representada pelo presidente Barack Obama em que tem a pecha de ser um europeu do que um estadunidense.

Trump representa um conservadorismo esquecido que pode ser visto como uma solução para uma desigualdade que só cresce entre pobres e ricos que só pode ser resolvida com atitudes protecionistas como a revisão dos acordos de livre-comércio com países como China e México como uma forma de trazer os empregos de volta para América.

Temos um novo Trump que mostra que uma simples mudança de retórica é essencial para vencer a nomeação do partido republicano junto com uma equipe de assessores que foi montada durante as primárias e mostra-se mais afinada com a cúpula republicana e quiçá conquistar os votos dos eleitores indecisos na eleição presidencial de novembro de 2016. Agora são os tempos de Trump paz e amor.

Uma dor de cabeça chamada Wisconsin

Ontem, o estado americano de Wisconsin realizou as primárias tanto de republicanos quanto de democratas. As vitórias do republicano Ted Cruz e do democrata Bernie Sanders mostram o vigor da disputa presidencial americana e reforça que teremos uma disputa pela indicação de ambos os partidos de maneira acirrada como há muito tempo não se via.

No lado republicano, o favorito Donald Trump pode não conseguir a indicação mesmo liderando a disputa nas primárias do partido. Caso nenhum candidato atinga o número mágico de 1.237 delegados e super-delegados. Quem vai indicar o postulante será um colegiado de líderes do partido como representantes, senadores, governadores e afins na convenção marcada para julho.

No lado democrata, nota-se uma união caso Sanders ou Hillary Clinton vence as primárias do partido. Mas as recentes vitórias de Bernie diminuíram a vantagem que Hillary tinha desde do começo das primárias. Isso pode ser interessante porque os democratas não estão em uma guerra aberta e podem fazer seu candidato conquistar o eleitorado.

As disputas de ambos os lados são interessantes. Após uma pausa na maratona de debates que se reinicia amanhã com o encontro organizado pela CNN no lado republicano. Enquanto Bernie e Hillary fazem um duelo por ideias. Os republicanos se digladiam entre Ted Cruz, Donald Trump e John Kasich para ver quem conquiste o eleitorado que mantém uma distância prudente da política.

O cenário parece indefinido para ambos os lados. Existe uma certa aura de esperança em que Sanders, Clinton, Trump, Cruz e Kasich tentam se apresentar. Mas vemos mais troca de insultos no campo republicano e uma hesitação no lado democrata que parece afastar o eleitor de centro e independente. Mas a dor de cabeça de Wisconsin pode solucionar isso.

O ponto fraco de Trump

Ontem, a CNN realizou o debate entre os pré-candidatos republicanos Donald Trump, Ted Cruz, Marco Rubio e John Kasich. O que ficou claro que o ponto fraco de Trump é a política externa. Mesmo acostumado a adotar um tom provocador que despeja insultos a qualquer um que lhe faça críticas. Trump adotou uma postura sóbria durante o encontro de ontem sem ter insultos e afins.

A iminente vitória de Trump nas primárias nos estados de Ohio e Flórida pode acabar com as pretensões presidenciais de Marco Rubio e John Kasich. Ambos dependem de tais votações como uma forma de se manter no páreo. Mas as pesquisas indicam que Trump pode vencer na próxima terça mesmo tendo uma formidável rejeição entre o status quo dos republicanos.

Hoje, Trump ganhou o apoio de Ben Carson. Este é o segundo candidato das primárias que apoia Trump. O governador de New Jersey, Chris Christie já declarou seu engajamento a Donald. Isso mostra quão dividido está o partido. A obsessão em derrotar a democrata Hillary Clinton pode ser um fator de união entre os republicanos antes da convenção partidária de julho.

O foco dessa nova retórica é conquistar o eleitorado latino. Mesmo tendo dois senadores de descendência cubana como Marco Rubio e Ted Cruz. Ainda se tem uma resistência em torno de tais nomes por não adotarem uma posição em favor da legalização de mais de 11 milhões de imigrantes ilegais através de uma reforma no sistema de imigração que vem sendo postergada desde do governo George W. Bush.

Se Kasich, Cruz e Rubio querem derrotar Trump. Eles vão ter que adotar uma postura focada em questões externas. O único que apresentou proposta para política externa foi o senador Lindsey Graham em que pedia o emprego de tropas militares no Oriente Médio. Essa pode ser a nova trincheira onde o ponto fraco de Trump vai ser explorado a exaustão para evitar uma derrota para Hillary Clinton em novembro de 2016.

A desistência de Carson

Após as vitórias de Donald Trump e Hillary Clinton nas primárias republicanas e democratas na Super Terça. Hoje, o site Politico.com confirmou a primeira baixa desta fase. O neurocirurgião Ben Carson anunciou sua desistência da corrida presidencial. Ontem, Carson soltou uma nota pedindo bom senso para os concorrentes dentro do partido republicano como Trump, Cruz, Rubio e Kasich para o debate de amanhã.

Carson afirmou em nota divulgada hoje que não disputará outro cargo político em um futuro próximo e não vai apoiar algum candidato republicano. Isso abre uma batalha política dentro do partido onde o status quo conservador terá que lidar com um outsider como Donald Trump e a inexperiência de Marco Rubio e Ted Cruz junto com falta de carisma de John Kasich.

O principal defeito de Carson é sua falta de tato com questões externas além de declarações desastradas ditas ao longo da campanha. Ele se apoiava na retórica do bom cristão e pouco tomava iniciativa durante os debates republicanos que participou e suas falas eram pobres intelectualmente falando. Mas que tinha um público que o apoiava por ser um versão republicana de Barack Obama por sua história de vida.

Mas temos um cenário interessante para os republicanos. Com as vitórias de Marco Rubio (Minnesota), Donald Trump (Geórgia, Massachusetts, Virginia, Vermont, Tennesse, Arkansas e Alabama) e Ted Cruz (Texas, Oklahoma e Alasca) poderão forçar um debate entre os status quo e os militantes diante do valor do conservadorismo na vida dos americanos.

Muitos republicanos moderados estão preocupados com o populismo de Trump e a batalha fraticida entre Cruz e Rubio para conquistar o eleitorado latino mesmo que ambos não terem falado uma única palavra em espanhol por mais que são descendentes de cubanos. John Kasich ainda resiste com a sua campanha. Mas não sabemos se os republicanos poderão fazer uma boa campanha até as primarias da Flórida em 15 de março. Mas eles sentiram falta das poucas palavras de Ben Carson.

Esqueceram do Kasich e do Carson

Há poucos minutos, a rede CNN realizou o seu debate entre os pré-candidatos republicanos. Donald Trump, John Kasich, Ben Carson, Ted Cruz e Marco Rubio protagonizaram um encontro onde as propostas foram esquecidas e o festival de ataques pessoais foi enorme entre o trio Trump-Cruz-Rubio. Tanto que Carson e Kasich ficaram calados durante o mesmo.

Nesse encontro ficou nítido que Trump está preparado para responder perguntas incomodas com uma troca de ofensas. Foi assim que lidou com Cruz e Rubio durante todo o debate além de fazer críticas aos jornalistas presentes e ainda criticou o candidato republicano nas eleições de 2012, Mitt Romney, pelo simples fato de exigir a prestação de contas de seus impostos.

Ted Cruz e Marco Rubio trocaram críticas sobre o plano de imigração proposto pelo presidente Barack Obama. Ambos prometeram revogar a reforma do sistema de saúde implantada por Obama em 2014 em contrapartida de criar um sistema mais sofisticado e menos custoso para as empresas como uma forma de gerar empregos com um custo de mão de obra mais barato.

John Kasich defendeu uma maior atuação dos Estados Unidos na área militar junto com as reformas fiscais na economia americana para conter o deficit fiscal. Ben Carson adotou a mesma postura de debates anteriores de não se envolver em confronto direto com os outros postulantes além de afirmar que o ditador norte-coreano Kim Jong-un é um ser instável.

Este foi o último debate antes da super-terça quando 12 estados realizam primárias, caucus e primacaucus para a escolha do candidato do partido republicano. Mas ficou claro que o debate se manteve entre Trump, Cruz e Rubio. Parecia que os jornalistas e o moderador Wolf Blitz se esqueceram da presença de Ben Carson e John Kasich. Afinal, temos 5 pré-candidatos para uma vaga para a corrida para a Casa Branca no dia 8 de novembro de 2016.

Habla español?

Na madrugada de hoje, a rede de tv americana CBS realizou o debate entre os pré-candidatos republicanos. Donald Trump, Jeb Bush, Marco Rubio, Ted Cruz, John kasich e Ben Carson participaram de tal encontro que antecede a primária do estado americano da Carolina do Sul, que deve acontecer no sábado que vem. Mas o confronto direto entre os postulantes produziu faíscas.

Jeb Bush e Donald Trump trocaram farpas sobre a Guerra do Iraque, 11 de setembro e o governo de George W. Bush (irmão de Jeb) e a imigração ilegal. Marco Rubio e Ted Cruz apontaram os dedos tanto na questão conservadora quanto na origem cubana de ambos os candidatos com direito a Cruz falando uma frase em espanhol após Rubio acusar que ele não sabe falar tal idioma. John Kasich pedia mais propostas para a campanha enquanto Ben Carson se manteve calmo durante o quebra-pau republicano.

O resumo da ópera-bufa republicana mostra que a campanha negativa pode derrubar o partido nas eleições de 8 novembro. Enquanto os democratas focam sua campanha em torno das questões sociais. Os republicanos estão na busca desesperada pelo conservadorismo puro-sangue que só faz o partido perder votos ao longo da disputa presidencial.

Prova disso é a discussão sobre a indicação de um novo juiz para a Suprema Corte devido a morte do magistrado de tendência conservadora Antonin Scalia. O presidente democrata Barack Obama já afirmou que vai indicar um nome nas próximas semanas. Os pré-candidatos republicanos com a exceção de Donald Trump criticaram tal medida porque prejudicaria a pretensão de revogar as ordem executivas promulgadas por Obama.

A grande questão que fica é se os republicanos podem conquistar os votos tanto de centristas quanto de independentes após o processo de indicação do candidato para a corrida da Casa Branca. As críticas feitas por John Kasich mostram que existe alguém com bom senso e vencer os democratas com propostas e debate os problemas da nação do que uma simples questão se Cruz ou Rubio habla español.