A independência sueca

Ontem, o novo primeiro-ministro sueco, Stefan Lovfen fez um discurso para o parlamento. Ele anunciou que o país irá reconhecer a Palestina como estado independente. O premiê disse que o conflito entre Israel e Palestina somente pode ser resolvido com a solução de dois estados. Isto deve ser negociado de acordo com a lei internacional, afirmou Lofven. Tanto Israel quanto Estados Unidos criticaram a medida porque isso deveria ser feito por via de negociações de um acordo de paz de ambos os lados.

Isso mostra como a Suécia mantém a sua tradição de uma política externa independente. Mesmo contrariando a posição da União Europeia. O país se tornou o primeiro país europeu a reconhecer a existência da Palestina nas fronteiras que foram determinadas em 1988 pelo líder palestino Yasser Arafat que contam a Cisjordânia e Faixa de Gaza como parte do novo estado. Os suecos apoiam um acordo de paz entre Israel e Palestina como foi feito nos acordos de Oslo, onde ambos os lados concordaram um reconhecimento mutuo.

Lofven lembra um pouco a política externa adotada pelo ex-primeiro-ministro social-democrata Olof Palmer onde a Suécia foi um intransigente aliado da campanha contra o regime racista e segregacionista do Apartheid na África do Sul. Palmer deu apoio político e ficou amigo de Oliver Tambo, líder do movimento negro ANC no exílio. A amizade de Tambo e Palmer foi capaz de mostrar que era possível um negro ser amigo de branco sem ter uma relação de hierarquia ou de submissão de um lado ou de outro.

Os suecos tem uma grande consciência política além de uma neutralidade que sempre desafiou a bipolaridade de soviéticos e americanos durante a Guerra Fria. Isto permitiu o desenvolvimento de uma industria de armamentos para não depender das vontades de ambos os lados do conflito. O país tem uma tradição de receber exilados, assilados e refugiados de várias partes do mundo como forma de permitir uma integração deste povos com a sociedade local como uma maneira de diminuir as tensões.

As palavras de Lofven mostra um retorno do país em uma política de neutralidade que sempre foi defendida pelos sociais-democratas. O novo primeiro-ministro mostra que quer mudar o panorama político internacional com um simples gesto, mas determinado a mostrar que a paz é a solução desde que se tenha uma negociação que reconheça as exigências tanto de palestinos quanto dos isralenses. Coisa que os Estados Unidos e a Europa não conseguiram fazer nos último 20 anos de conflito israelo-palestino.

Um acordo de desconfiados

Na tarde de hoje, o Egito anunciou uma trégua permanente entre o grupo palestino Hamas e Israel. O acordo foi festejado pelos dois lados. Para o Hamas, isso foi uma vitória da resistência contra os bombardeios israelenses na Faixa de Gaza. Já no lado israelense, a vitória militar foi comemorada e ao mesmo tempo criticada por setores de extrema-direita porque o premiê Benjamin Netanyahu aceitou o termo que permite o fim do bloqueio fronteiriço em Gaza. Isto vai permitir a chegada de ajuda humanitária e econômica ao território.

Israel e Hamas assinaram os termos para a negociação de um acordo para encerrar as hostilidades de forma definitva. Isso vai começar dentro de um mês. Se o acordo foi festejado em Gaza e criticado em Israel. Mostra que tal compromisso é visto com desconfiança.  Tanto palestinos quanto israelenses desejam a paz, desde de que seja negociado de forma justa. Israel exige o reconhecimento de sua existência pelo Hamas enquanto o grupo palestino quer o fim do cerco em suas fronteiras que perdura desde 2007.

Para ambos os lados, este foi pior confronto desde da guerra de 1948. Israel perdeu 64 soldados e 3 civis enquanto os palestinos perderam mais 2000 pessoas. O acordo encerra uma amarga disputa, mas não termina com o sentimento de animosidade e conflito que ambos os lados tem. A vingança exigida pelos parentes dos mortos de ambos os lados precisa ser contido pelo bom senso. Isto vai permitir que as feridas do conflito possa ser cicatrizadas como uma maneira de almejar a paz que tanto precisa.

Neste momento, o Egito ressurge como mediador confiável. O país que vivia sobre desconfiança desde da queda do ex-presidente Mohamed Mursi e a ascensão do atual mandatário Abdul Fattah al-Sisi. Além da atuação de novos protagonistas como o Qatar e Turquia, que apoiavam o Hamas. O acordo foi abençoado pelos Estados Unidos, principal aliado de Israel. A autoridade palestina sai fortalecida por manter a união entre os grupos Hamas e Fattah em um momento delicado.

Os próximos dias, o acordo dos desconfiados será testado como forma de ambos os lados estão comprometidos com a paz. Hamas e Israel silenciaram as armas para ter a sensatez das negociações. Mas tais conversas serão a prova final de cada lado pode fazer para que o Oriente Médio vive uma era de tranquilidade em meio a instabilidade mundial. Isto vai posto a prova quando israelenses e palestinos irão voltar a negociar em Cairo. Mas por enquanto, menos um problema para atormentar a mente do lideres mundiais.

 

A garota e o soldado

fonte: fanpage.it fotográfa:  Nada Jaffal
fonte: fanpage.it fotográfa: Nada Jaffal

Quando pensamos em um conflito armado. Temos personagens que ficam marcados em nossas memórias tanto pelos seus jeitos quanto pela atitude. Isto nos faz refletir sobre a guerra em si. A garota que foi flagrada resgatando seus livros em sua casa em descombros e o soldado israelense Hadar Goldin, que está desaparecido.

A trégua feita pelo grupo palestino Hamas e Israel durou menos de um dia. Ambos os lados se acusam para justificar o reínicio dos ataques na Faixa de Gaza. Mas a questão é como terminar este conflito? Com uma solução militar ou um acordo diplomático podem encerrar isso.

A menina dos livros fez um ato de coragem ao pegar seus livros para sair do planeta cruel para um mundo calmo que foi idealizado por sua imaginação. Isto é momento onde vemos que a cultura como uma forma de escapismo de uma realidade tão dura quão incerta.

O soldado israelense Hadar Goldin é um jovem de 23 anos que estava sob o serviço militar. O tenente Goldin desapareceu quando estava um tunel do Hamas na Faixa de Gaza. O pai do militar pediu que Tel Aviv ache seu filho com segurança. O Hamas negou que tivesse capturado Goldin.

A garota e o soldado são exemplo de vítimas do destino trágico do conflito israelense-palestino. São duas pessoas que queriam viver as suas vidas. Mas a guerra e a insensatez das armas modificaram a história de Goldin e da menina palestina que queria apenas ler. Hamas e Israel vão refletir sobre seus atos bélicos?

 

Gaza

Ontem, as tropas israelenses iniciaram uma operação militar no território palestino Faixa de Gaza. O objetivo é destruir a infraestrutura do grupo Hamas, que usa a área para lançar foguetes contras as cidades do país judaico como resposta a ofensiva promovida pelo premiê Benjamin Netanyahu.

Este é um momento onde o Oriente Médio fica sob intenso holofote. Os países árabes pediram uma reunião urgente para discutir a situação na Faixa de Gaza. A ONU e ONGs de ajuda humanitária pedem uma trégua para poder socorrer os feridos e fornecer mantimentos aos palestinos que vivem sitiados.

Os bombardeios feitos por Israel afim de garantir o direito de defesa se mostram ineficazes. É como se uma erva daninha não tivesse controle. O Hamas ganha apoio entre os palestinos por defender os interesses da população além de ter uma retórica de vingança ao qualquer ato bélico israelense.

As tentativas de tregua negociadas pelo Egito não atingiram o seu objetivo. Israel e Hamas se mantém como eternos inimigos que não tem o bom senso de sentar a mesa de negociações para resolver suas contendas. Isto se reflete um maniqueísmo entre palestinos e israelenses que não leva a nada.

A invasão israelense pode não dar certo e ter o efeito colateral de fortalecer o Hamas como protagonista na política palestina. A população de Gaza clama pelo fim dos combates além de pedir ajuda para que suas vidas volte ao normal. Mas isso é pedir demais em um momento de insensatez no Oriente Médio.

Qassam e Iron Dome

Nesta semana, Israel iniciou uma operação militar para tentar conter o lançamento de foguetes pelo grupo palestino Hamas na Faixa de Gaza. O missil em questão é chamado de Qassam e já atingiu cidades israelenses como Jerusalem e Tel Aviv, mas sem feridos por causa de sistema de defesa local chamado Iron Dome (sistema de misseis que interceptam os qassams)

Este é mais um capítulo do eterno conflito entre os palestinos e israelenses. A nova escalada militar israelense tem como objetivo acabar com a capacidade de defesa do Hamas. O grupo palestino defende o fim da existência do estado judaico. Tanto que é considerado terrorista por Europa e Estados Unidos.

Neste momento, os bombardeios israelense tem efeito nulo sobre a capacidade militar do Hamas. Tanto que já mataram mais de 100 pessoas em Gaza. Isso força um amplo debate para discutir como terminar com os ataques de Israel quanto os lançamentos do grupo palestino.

A questão que tanto os articulistas pró-Israel e quanto os colunistas pró-Palestina não entendem é que um conflito como esse não pode ser pensado em simples maniqueismo. Isso exige que nós temos que pensar que não existe santos no Oriente Médio. Ambos os lados já usaram o terrorismo e conflitos militares como resposta as questões internas,

Um conflito como esse exige uma ampla compreensão para entender como isso pode se resolver. Não precisamos de articulistas que defendem um lado ou outro. O mundo quer saber como isso pode ser resolvido de forma justa e responsável. Por enquanto, os Qassams e Iron Dome respondem de forma militar a está questão.

O enterro de Naftali Frenkel, Gilad Shaar e Eyal Yifrach

Ontem, Israel entrou de luto ao saber que os três adolescentes judeus que desapereçam na Cisjordânia foram encontrados mortos. Naftali Frenkel, Gilad Shaar e Eyal Yifrach são vítimas de um conflito histórico entre dois povos que procuram a paz, mas enfrentam percalços.

Mas qual estratégia do primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu terá que tomar para encontrar os responsáveis por tal crime. Por mais que o governo culpe o grupo palestino Hamas por tais mortes. Fazer qualquer ataque as bases do grupo na Cisjordânia é um risco a ser considerado.

Durante o enterro de tais jovens. Netanyahu disse que eles (Hamas) santificam a morte, Nós (israelenses) santificamos a vida. As palavras do primeiro-ministro foram calculadas para evitar uma escalada de violência na região. Tanto que o gabinete de segurança se reuniu duas vezes nas últimas 24 horas.

Até agora, a autoridade palestina não se pronunciou sobre os últimos acontecimentos. Mas a entidade que está sob um acordo entre os grupos Hamas e Fattah terá que iniciar uma investigação ou uma cooperação com as autoridades israelenses para achar os culpados de tal crime.

As famílias de tais jovens pediram que Netanyahu não abordasse a hipotese de retaliação militar ou intensificação de construções de novos assentamentos na Cisjordânia.  As palavras do primeiro-ministro foram contundentes ao afirmar que terá a resposta. Mas não foram firmes em dizer como isso irá acontecer.

Naftali Frenkel, Gilad Shaar, Eyal Yifrach e Ahmad Arafat

Hoje, Israel vive um drama com o desaparecimento de três adolescentes judeus na Cisjordânia. Naftali Frenkel e Gilad Shaar (ambos com 16), e  Eyal Yifrach (com 19 anos e que tem dupla cidadania israelo-americana) foram vistos na última vez em uma estrada perto de um assentamento. O premiê israelense Binyamin Netanyahu pediu ajuda ao presidente palestino Mahmoud Abbas.

Netanyahu acusou o grupo palestino Hamas pelo sequestro. O Hamas é considerado uma organização terrorista por Estados Unidos e União Européia e tem um histórico de conflitos com o estado israelense. Tanto que a entidade já declarou a sua intenção de destruir Israel por conta da rixa com os palestinos.

Este momento para que Israel e a Autoridade Palestina procurem uma cooperação para tentar encontrar tais garotos. Mas tanto o radicalismo de ambos os lados impede que a sensatez seja a força para que as familias de tais jovens possam rever eles com vida e sem traumas. Isto é o mais importante.

Ambos os lados estavam próximos de um acordo de paz. Mas a teimosia de Netanyahu aliada a intransigência do Hamas impede que uma negociação avance para termos uma solução de um conflito que marca a história do Oriente Médio desde dos tempos biblicos.

Soldados israelenses conduziram operações de busca na Cisjordânia. Tanto que o jovem palestino Ahmad Arafat  foi morto por um tiro na cabeça.  Mas isso não adianta em nada. Tanto Naftali, Gilad, Eyal e Ahmad são vítimas de um conflito sem solução e que está longe de acabar de forma pacífica.