Ser solteiro na Ásia

Sempre se tem a impressão de ser solteiro é algo tão bem aceito no ocidente. Mas isso é rejeitado de forma veemente na Ásia. Prova disso é uma pesada crítica da agência estatal de notícias chinesa Xinhua contra a nova presidente de Taiwan, Tsai Ing-wen. O texto tão controverso é que a China teve que apagar o artigo diante da má repercussão tanto no país quanto em Taiwan.

O fato de ela ser solteira poderia criar controvérsias porque não tem filhos ou uma família. Isso irritou as feministas chinesas. Mas como uma crítica a uma chefe de estado que defende a independência de Taiwan diante da pressão da China continental. Mas isso mostra que ser uma solteira não é fácil para o continente asiático.

Muitos países como China e Cingapura querem estimular que suas mulheres fiquem grávidas mesmo sobre restritas regras para procriar. Mas as mulheres solteiras ficam com a pecha de serem um peso para o estado. A falta de filhos pode criar empecilhos para o crescimento econômico de tais nações que estimularem o investimento pesado em educação.

A política do filho único na China está sendo revista diante de uma sociedade rica mas que pode envelhecer de forma rápida diante do fato de que casais ficam receosos em terem mais que dois filhos e pagarem uma pesada multa para o estado chinês. Isso cria a sensação de que ser solteiro é um estigma e um grande peso para as famílias chinesas.

As críticas a Tsai Ing-wen se mostram equivocadas além de mostrar que a China quer influir na política taiwanesa de forma grosseira. Mesmo que a presidente tem uma visão independentista e goste mais de seus gatos que cria em seu apartamento. Fica-se claro que os chineses terão que aprender a conviver com os solteiros mesmo uma mulher sozinha comande Taiwan.

Amina Ali Nkeki

Há dois anos atrás, 219 garotas nigerianas foram sequestradas pelo grupo terrorista Boko Haram no vilarejo de Chibok, que fica ao norte da Nigéria. Hoje, o governo nigeriano anunciou que uma garota chamada Amina Ali Nkeki foi resgatada e já está com a sua família. Mas a pergunta que fica é como está o destino de outras 218 meninas que estão sob a custódia do Boko Haram.

Nos últimos dois anos, a Nigéria elegeu um presidente como Muhammadu Buhari que manteve o seu foco no combate a corrupção. Mas não teve nenhuma novidade quando se lidava com o Boko Haram. Isso criava um sentimento de preocupação tanto em países africanos como Chade quanto em potências ocidentais como Reino Unido e Estados Unidos.

Mas com a notícia de um resgate de uma das garotas de Chibok pode se criar uma esperança em relação que outras meninas possam ser encontradas ao norte do país, principal reduto do Boko Haram. O fortalecimento das forças armadas nigerianas junto com a cooperação regional da União Africana mostra-se eficaz neste presente momento.

Outro fator foi a criação de milicias anti-Boko Haram no norte e nordeste da Nigéria. Tais grupos tem um amplo conhecimento sobre a área que fica na floresta de Sambisa, perto da fronteira com Camarões. Mas a preocupação que tais movimentos armados possam criar um cenário de uma nova guerra civil no país entre cristãos e muçulmanos gera uma preocupação para o governo nigeriano em um futuro próximo.

Amina já está com sua família e com um bebê de quatro meses que está sob avaliação em um hospital na cidade de Maiduguri. O rosto de Amina está borrado em fotos que foram divulgadas pelo governo nigeriano para a imprensa internacional. Ela ainda veste o véu muçulmano como resquício de seu longo cárcere. Mas a pergunta que fica é como estão as 218 garotas de Chibok.

 

Os 96 heróis de Hillsborough

Quando um torcedor do Liverpool entoa a canção “You’ll never walk alone”. É um sentimento de companheirismo que nasceu diante de uma tragédia como os 96 torcedores mortos no desastre no estadio de Hillsborough em 15 de abril de 1989. Mas hoje, os familiares das vítimas, torcedores do Liverpool e os cidadãos britânicos sentiram o gosto da justiça após um inquérito decidir que as 96 pessoas são inocentes de tal tragédia.

Isso é um ensinamento para os britânicos. A mudança da narrativa começou a ser feita em 2009, quando o secretário de esporte e torcedor do Everton (rival do Liverpool), Andy Burnham, anunciou que os documentos relacionados a tragédia seriam publicadas. Com isso, as famílias criaram um painel independente que foi capaz de revelar os erros da polícia do distrito de South Yorkshire junto com o serviço de ambulância local.

Isto permitiu que um novo julgamento fosse realizado para que se apurasse os erros cometidos pela polícia. O juri levou dois anos para chegar a conclusão que os familiares tanto lutaram pela honra das vítimas. Os 96 torcedores foram inocentados e iniciou-se as investigações onde a polícia de South Yorkshire está sendo questionada por ter obstruído a justiça por longos 27 anos.

Agora, o foco das investigações está na comandante da polícia David Duckenfield. A imprensa britânica estampa o sentimento de dever cumprido das famílias menos o tablóide The Sun e o jornal The Times, ambos de propriedade de Rupert Murdoch. O The Sun encampou a versão da polícia e tanto que foi banido da cidade de Liverpool mesmo pedindo desculpas em 2012.

Hoje, quando a decisão do juri foi divulgado. O Reino Unido percebeu que os individuos são capazes de mudar a versão oficial mesmo com muita luta e o inabalável fé em que um dia a justiça e a verdade fossem conhecidas de forma completa. A face de Andy Burnham após ver que seu esforço não foi em vão mostra que a canção “You’ll never walk alone” fosse cantada como um sinal de liberdade e de homenagem aos 96 heróis de Hillsborough.

Até tu Cameron

Hoje, o Reino Unido discutiu a participação do primeiro-ministro David Cameron em uma conta offshore em um paraíso fiscal aberta por seu finado pai, Ian Cameron, com a ajuda da firma panamenha Mossack Fonseca nos anos 2000. Após relutar sobre a existência de tal arranjo financeiro na quarta-feira em um comunicado liberado por Downing Street.

Mas na noite de hoje, Cameron afirmou que tinha uma participação na Blairmore Holding, empresa aberta em um paraíso fiscal aberto por seu finado pai nos anos 2000. Mas vendeu sua parte em 2010 junto com a sua esposa Samantha. Agora, membros do partido trabalhista pedem a renúncia de Cameron em um momento delicado do Reino Unido.

As eleições locais de maio junto com o referendo sobre a permanência do Reino Unido na União Europeia soam como uma trovoada em Westminster. O fato de Cameron nunca ter sido um master of the house dentro do partido conservador como foi o trabalhista Tony Blair entre 1994 a 2007 mostra que um simples pedido de renúncia pode abalar o governo britânico.

Não se sabe se o jornal The Guardian ou a rede pública de rádio e tv BBC estão dispostos a abrir uma guerra aberta contra o primeiro- ministro. Ambas fazem parte do ICIJ e apuraram as denúncias do escândalo Panama Papers. Outro fato é que Cameron deu tal declaração para a rede de TV ITV. Usualmente, o primeiro-ministro sempre faz um pronunciamento em que não favoreça uma emissora especificamente.

O líder da oposição trabalhista Jeremy Corbyn pediu que uma investigação independente sobre tal escândalo financeiro. Mas o estrago já foi feito. David Cameron terá longas semanas de explicação sobre porquê fez parte de tal empresa offshore antes de assumir o poder e defender uma postura contra a sonegação fiscal? É mais uma decepção para os conservadores.

Panama Papers

Desde de domingo passado, o mundo está discutindo as revelações feitas por investigações do ICIJ sobre 11.5 milhões de documentos da firma de serviços financeiros panamenha Mossack Fonseca. As descobertas envolvem 12 líderes mundiais junto com empresários e celebridades ao longo de 40 anos de documentação revelada.

O mérito da investigação é do ICIJ junto com órgãos de empresa que foram atrás da verdade e fizeram uma apuração séria sobre a farta documentação descoberta. Aqui no Brasi, a investigação mostra empresas envolvidas com a operação Lava Jato neste primeiro momento. Nos próximos dias, novos documentos podem ser revelados pelo portal UOL junto com o jornal Estado de S.Paulo e a Rede TV.

Há poucos minutos, a BBC One exibiu uma edição do programa de investigações Panorama sobre o caso. No Reino Unido, a imprensa chama atenção pelo fato do pai do primeiro-ministro britânico David Cameron ter se envolvido com uma atividade ilícita junto com a firma panamenha Mossack Fonseca antes de morrer há alguns anos atrás. O premiê não se pronunciou sobre o assunto.

A diferença da investigação feita pelos documentos revelados no Panama Papers para os vazamentos feitos pelo site Wikileaks em 2010 foi a ampla apuração dos dados além do trabalho jornalístico de investigação que foi feito durante um ano pelo ICIJ até que fosse divulgado na noite de domingo. Isso muniu de argumentos e dados sobre um esquema de corrupção e de sonegação fiscal.

A grande questão é como vai ser nos próximos dias. Na Islândia, o primeiro-ministro Sigmundur Gunnlaugsson está tendo que se explicar e a população exige a renúncia do mesmo. Na Argentina, o presidente Mauricio Macri pode ter a sua imagem de reformista e bom gestor abalada por esse escândalo em poucos meses de mandato. O Panama Papers fará bons estragos assim que novos documentos forem revelados.

Kim Philby

Kim Philby, British double agent, reveals all in secret video

Fonte: BBC

As noites de domingo sempre me reservam boas histórias. Mas agora descobri que existiu um agente secreto britânico que trabalhava para os soviéticos durante a Guerra Fria. Seu nome é Kim Philby. Agora, a BBC descobriu um vídeo onde Philby deu uma palestra para a polícia secreta da Alemanha Oriental; a temida Stasi em 1986 onde confessou sua traição a pátria da Rainha Elizabeth II.

A descrição do relato de Philby feito pelo correspondente de segurança da BBC, Gordon Corera mostra com detalhes como um espião britânico serviu de agente duplo para favorecer os soviéticos. Kim é tratado como um herói pela Stasi por virar as costas para o lado capitalista pelo seu ideal socialista tão declarado em seu desejo de ajudar a União Soviética.

Philby se sentia como um estranho no ninho por lidar com um sistema de classes que era o império britânico onde os oficiais do MI6 eram recrutados por seus superiores em universidades britânicas. Isso foi relatado nos livros de Ian Fleming, um ex-agente secreto da marinha britânica na série de livros 007 que alçou a fama de ser personagem mais famoso, James Bond.

Mas a palestra de Philby mostra que agia pelo ideal socialista mesmo estando em um serviço de espionagem reconhecido por sua eficiência como o MI6. No vídeo, ele reconheceu que traiu a pátria britânica para ser tido como um herói para os regimes comunistas alinhados mesmo não querendo publicidade sobre seus atos de espionagem a serviço de Moscou

Kim Philby  viveu na União Soviética até a sua morte em 1988. Ele não viu que seus serviços de espionagem não evitaram o fim de tal nação que prestou serviços de espionagem como agente duplo foram em vão em 1991. Agora, ele está sendo relembrado como o traidor que agiu por um impulso socialista, mas que tem uma grande mácula em sua história pessoal.

 

No Más

Ontem, o presidente americano Barack Obama disse a frase “no más” durante uma visita a praça da memória em Buenos Aires. A viagem de Obama para a Argentina tem um simbolismo carregado. Na quinta-feira passada, os argentinos se lembraram dos 40 anos do golpe militar de 1976 que permitiu a ascensão do general Jorge Rafael Videla e colocou o país em um período tenebroso em sua história.

A frase No Más significa Nunca mais em uma tradução literal. Mas o simbolismo de tais palavras vem do fato de serem ditas durante o julgamento de Videla e seus colaboradores em 1985. A frase foi dita pelo promotor Júlio César Strassera tão logo terminou seus trabalhos no tribunal. Era uma fala que representou a vontade dos argentinos.

Mas os longos 7 anos de um regime autoritário não são fáceis de serem esquecidos. Obama iria visitar um dos centros de tortura no período militar. A temida escola de marinha mecânica. Mas o roteiro foi mudado porque causaria uma onda de protestos que envolvem a participação dos Estados Unidos dando-lhe apoio aos generais-presidentes argentinos.

Obama lembrou aos argentinos a dura oposição feita pelo então presidente democrata Jimmy Carter, que defendia os direitos humanos de forma ferrenha e questionava as atitudes tomadas pela ditadura militar na Argentina. Mas o próprio Obama reconheceu que os Estados Unidos demorou para esboçar uma reação a este triste período da história argentina.

Mas a frase de Strassera mostra um vigor nunca antes visto na história argentina. Mesmo com a revogação das leis de anistia promulgadas para evitar um conflito aberto entre civis e militares nos anos 1980. As palavras do promotor mostraram ser importantes e ganharam o apoio popular por resumir um momento de lutar pela democracia contra o autoritarismo.