Narendra Modi medita para comemorar Dia Mundial do Ioga para irritar o Paquistão

Hoje, os Indianos comemoraram o primeiro dia internacional da Ioga. Mais de 35 mil pessoas fizeram a sua meditação por toda a Índia. Tanto que o primeiro-ministro Narendra Modi participou do evento. O Ioga é criticado pelo islamismo. Pelo jeito, isso foi uma forma de sacanear com o eterno inimigo Paquistão.

Modi e os soldados de terracota

Semana passada, o primeiro-ministro indiano Narendra Modi fez uma visita a China, Mongólia e Coréia do Sul. O destaque não foi algum entendimento comercial entre Pequim e Nova Delhi. Mas sim o estilo de Modi ao usar um óculos modelo Matrix durante a visita ao museu de Xian, onde estão os soldados de terracota (estátuas de areia local) e postar uma selfie com o seu colega chinês Le Keqiang. Mas o que isto significa para o futuro diplomático entre China e Índia para os próximos anos sob o governo Modi.

As previsões de crescimento para a economia indiana para os próximos anos superam as projeções econômicas chinesas no mesmo período. Isto significa que a Índia vai crescer mais que a China. Pequim busca consolidar as relações diplomáticas com o vizinho com um bilhão de habitantes como uma forma de manter o aquecimento da atividade econômica enquanto Modi procura novos parceiros para investir em um país cuja a atração de investimento externo é de vital importância para recuperar o prestígio perdido na era Mahmohan Singh.

Modi quer mostrar uma Índia pronta para uma ampla abertura de sua economia para o capital externo. Ele quer levar a prosperidade que tanto prometeu em sua campanha eleitoral no ano passado. Como ministro-chefe do estado de Gujarat, Narendra fez reformas pró-mercado. Mas como primeiro-ministro, ele tem conseguido impor uma agenda capitalista para que o elefante indiano possa estar fortalecido para uma era de crescimento acelerado tanto com capital próprio quanto por financiamento externo.

Os indianos estão fortalecendo os laços com os parceiros asiáticos. Um simples selfie de Modi com Keqiang ou a foto do premiê usando vestimentas típicas da Mongólia e tendo um cavalo como presente reforçam a tese que a ofensiva indiana tem sido bem sucedida. Narendra tenta mostrar que é um ser carismático entre os jovens para recrutar os futuros líderes do BJP com essas ações além de sair da zona de conforto de seu apoio popular entre as classes menos favorecidas com o boom econômico indiano dos anos 1990.

Com um parlamento sob o controle do BJP. Modi pode realizar as reformas necessárias para fortalecer a economia indiana e estabelecer uma política externa independente tendo Delhi tanto como um parceiro dos Estados Unidos quanto um país confiável para os investimento chineses. Essa jogada é muito precisa para o futuro econômico do país em meio ao desaquacimento econômico de Pequim e a ofensiva diplomática dos Estados Unidos na assinatura do acordo comercial do pacífico. Isso acontece enquanto Modi visita os soldados de terracota.

India’s daughter

Em dezembro de 2012, Jyoti Singh estava em um ônibus na cidade indiana de New Delhi quando foi estuprada e espancada por doze homens. Ela morreu 12 dias depois em um hospital em Dubai. A história causou uma onda de comoção nunca antes vista na história do país que teve que mudar as leis de crimes sexuais diante deste caso. Isso foi contado no documentário India’s Daughter, da documentarista Leslee Udwin que foi transmitida pela BBC Four na noite desta quarta-feira no Reino Unido.

As reações ao documentário foram exaltadas na Índia. Onde o ministro do interior Rajnath Singh prometeu uma investigação para saber como a diretora conseguiu acesso a um dos presos, Mukesh Singh. Uma parte do documentário foi exibido no programa Newsnight (BBC Two) onde Mukesh afirmou que Jyoti não deveria ter se defendido para evitar a sua morte. Ele afirmou que nenhuma mulher deveria sair de casa depois das 9 horas da noite. A entrevista de um condenado causou embaraço em Nova Delhi.

O governo entrou na justiça para impedir a exibição do documentário na Índia e no Reino Unido. A emissora de tv NDTV não transmitiu a gravação enquanto a BBC antecipou a exibição de domingo para ontem a noite. A grande controvérsia se encontra no fato de entrevistar um dos condenados. Leslee afirmou hoje que conseguiu a permissão tanto do ministério do interior quanto da prisão de Tilal Harir, onde Mukesh aguarda o dia que será executado. Os 12 homens foram condenados a morte por enforcamento.

O caso de Jyoti causou uma comoção popular nunca antes vista na história indiana. Vários organizações e entidades feministas fizeram protestos contra a cultura do estupro na sociedade local. Tanto que o novo ministro-chefe de Delhi, Arvind Kejriwal prometeu que a capital indiana seria um lugar seguro para as mulheres. Não se ouviu nenhuma palavra disso do primeiro-ministro Narendra Modi. O temor de novos protestos contra a censura imposta pelo governo ao documentário é muito grande.

Os pais de Jyoti defenderam a exibição do documentário como uma forma de alerta e evitar que outras jovens tenham o mesmo fim da filha morta. Mas o governo indiano se sente incomodado com a lembrança do caso ao mesmo tempo que país aparece no noticiário internacional como a economia que crescerá mais do que a China nos próximos anos. Os indianos querem que suas filhas tenham um futuro melhor e que seus direitos sejam respeitados. Mas as memórias do caso Jyoti Singh assustam os políticos de Nova Delhi.

As reformas de Arun Jaitley

No último sábado, o ministro das finanças da Índia, Arun Jaitley, anunciou o orçamento de 2015. A peça promete aumentar o investimento na economia indiana com a abertura da economia ao investimento, cortes nos impostos e a criação de um sistema de benefícios para a população de baixa renda. Esse é primeiro plano econômico anunciado pelo primeiro-ministro Narendra Modi. As propostas feitas por Jaitley podem permitir um crescimento robusto para o país poder superar a China nos próximos anos.

As propostas são:

  • A construção de 5 mega usinas de energia elétrica para aumentar o fornecimento e encerrar com os blecautes diários em várias regiões do país.
  • Mais investimentos em infraestrutura no valor de 11.3 bilhões de dólares.
  • Criação de seguro social universal que permita o acesso dos indianos a seguro subsidiado e pensões.
  • Implementação do imposto nacional de bens e serviços até abril de 2016.
  • Os benefícios sociais depositados diretamente na conta do beneficiado para eliminar a corrupção e desperdícios
  • Eliminação de taxação de fortunas sendo substituída por uma contribuição para o super ricos.
  • Corte de 25% da Corporate tax (impostos pago por empresas) nos próximos quatros anos.

Tais propostas mostram uma ampla mudança na estrutura econômica indiana. Não se via tantas mudanças desde das reformas liberalizantes feitas pelo então ministro das finanças Manmohan Singh em 1991. Jaitley pretende modernizar a economia e ao mesmo tempo, criar um estado de bem-estar social que possa beneficiar a população neste boom econômico nos próximos anos. As previsões indicam que a Índia pode crescer mais que a China no período 2015 a 2016 com estas mudanças.

Isso se deve a mudança do calculo do crescimento do PIB feita pelo governo no ano passado. Neste momento, Narendra Modi conseguiu um apoio popular as reformas que tanto prometeu para a economia. A abertura econômica ao capital estrangeiro é de grande importância para o futuro do país porque poderá expor as empresas locais a competição internacional além de permitir a atração de investimento estrangeiro em um mercado emergente e de um bilhão de habitantes.

A economia indiana vive no momento onde o protecionismo prolifera. Ao tomar a iniciativa de abertura do setor privado ao capital junto com as reformas propostas por Arun Jaitley. Modi quer mostrar que um país competitivo tem que se adaptar ao ambiente de ampla concorrência para conquistar o apoio da população e indicar o caminho certo para os próximos quatro anos de governo. A criação de um sistema de bem-estar social e os investimentos na infraestrutura mostra este aceno a população feito por Arun Jaitley.

Obama vai a Índia

Nessa semana, o presidente americano Barack Obama visitou a Índia. Ele se encontrou com o primeiro-ministro indiano Narendra Modi e foi o principal convidado do desfile militar que celebra o dia da república, quando entrou em vigor a constituição de 1950. Está foi a segunda visita de Obama ao país no seu mandato presidencial.  Isso reafirma o prestígio que o país asiático tem com a superpotência como os Estados Unidos. Modi e Obama ratificaram um acordo de cooperação na área da energia nuclear.

A visita de Obama mostra um prestígio que a maior democracia do mundo tem com a superpotência do planeta. O acordo nuclear que permite a instalação de usinas nucleares na Índia vai ajudar o país de vive com constantes blecautes e apagões em vários regiões do subcontinente indiano. Os Estados Unidos encontraram um aliado na região asiática que possa fazer frente a China, que está diminuindo o seu ritmo de crescimento econômico. A Índia pode ultrapassar a China na questão da economia nos próximos anos.

Tudo por causa da agenda pró-mercado assumida por Modi. O primeiro-ministro indiano tem defendido uma ampla abertura da economia para o capital privado e estrangeiro. O país vive o problema do baixo crescimento para um país de dimensões continentais. O acordo americano na área de defesa permite que os indianos tenham acesso a tecnologia americana para não depender do tradicional fornecimento bélico russo, que trouxe dores de cabeça para o governo de New Delhi.

Além da liberdade que deu ao presidente do Banco Central e para o ministro das finanças. Modi quer dinamizar a Índia. Mas pode enfrentar resistência de setores como a agricultura por exemplo. Obama conseguiu estreitar as relações com um mercado atrativo. Hollywood quer exportar seus filmes para um território dominado por Bollywood e seus musicais dançantes. No ano passado, Modi fez uma visita aos Estados Unidos que empolgou a comunidade indiana radicada no país.

A surpresa de todos foi ver Modi falando um inglês perfeito. O premiê sempre se expressou em hindi. Mas a nova face da Índia mostra que todos querem fazer concessões para ser aceitos em um mundo globalizado. A Índia passou de um spa espiritual para ocidentais para um mercado pujante e atrativo para aqueles que querem investir no país. A abertura econômica prometida por Modi pode ser uma grande jogada para o futuro da nação. Os Estados Unidos querem participar disso com os novos amigos indianos.

Bhopal

Certas palavras entram na história por fazer referência a uma tragédia. Isso aconteceu em 3 de dezembro de 1984. A cidade indiana de Bhopal foi palco de um dos piores acidentes industriais da história. Quando um tanque da fábrica de pesticidas da Union Carbide teve a sua valvula quebrada, espalhando um gás letal por toda a cidade. Isso causou a morte de mais de 8.000 pessoas em cenário de caos e desespero. As vítimas estavam com os olhos ardendo, queimação dos pulmões e espuma na boca.

O gás em questão é o isocianato de metila. A fábrica ficava em meio de um conjunto de comunidades. Bhopal tinha mais de 900 mil habitantes. A população não tinha a consciência dos riscos que corria ao viver perto da fábrica da Union Carbide.  Eles queriam apenas um local para morar. A Índia vivia os traumas do assassinato da primeira-ministra Indira Gandhi por um de seus guardas-costas. A tragédia de Bhopal mostrava que os indianos estavam sendo vítimas do annus horribilis de 1984.

A população estava desesperada por ajuda. Tanto que os hospitais estavam superlotados e os médicos incapazes de entender o que estava acontecendo em meio da tragédia. É como se fosse uma cenas do livro A Peste, do escritor francês Albert Camus, mas como o desespero do mundo real onde as famílias queriam entender como seus entes queridos estavam cegos, vomitavam pelos cantos, sofria uma queimação em seus fracos pulmões por inalar um gás tão letal como o isocianato de metila.

O mundo acordou se perguntando como uma cena tanto caos ocorreu naquele país longínquo e imenso. Os relatos de jornais, revistas, rádios e TVs relatavam o desespero de uma população que apenas dormia quando um gás vazou causando uma nuvem negra de mortes, preconceitos e descrença nas instituições. A sensação de impunidade era evidente em Bhopal, quem seria o culpado por uma tragédia onde famílias perderam seus entes queridos para um elemento invisível.

Passados 30 anos após a tragédia, Bhopal ainda se pergunta quem é o culpado por isso. Em 1991, o caso foi julgado pela justiça, mas nenhuma pessoa foi responsabilizada. O governo indiano pedia uma indenização de 3,3 bilhões de dólares, mas aceitou um pagamento de 470 milhões. O terreno onde ficava a fábrica está contaminado por gerações. Os sobreviventes vivem a sequelas de tal fato com o nascimento de bebês com problemas genéticos causado pela inalação de um gás tão letal. A sensação de que a justiça não foi feita permanece em Bhopal.

Mangalyaan chega a Marte

Após 10 meses depois de ser lançado. O satélite espacial indiano Mangalyaan chegou a órbita do planeta Marte. Isto foi comemorado como um feito histórico. Tanto pelo fato da Índia lançar um rôbo para Marte quanto por inspirar milhões indianos com tal ato. O primeiro-ministro Narendra Modi acompanhou a chegada a Marte do centro de comando. Agora, os jornais locais estão celebrando isso por colocar o país asiático no clube de nações que lançaram empreendimentos espaciais como fez União Soviética e Estados Unidos.

Neste momento, os indianos estão impressionados por lançarem um satélite com baixo custo comparado aos orçamentos bilionários da agência espacial americana NASA. O Mangalyaan mostra a capacidade da Índia como potência espacial e supera a China no fator de lançamento de foguetes. Mas a Índia ainda não enviou um astronauta ao espaço como fez Pequim anos atrás. Além do fato de que os Estados Unidos anunciaram na semana passada que irão enviar astronautas através de parcerias com a iniciativa privada em 2017.

O primeiro-ministro Narendra Modi afirmou que nós atrevemos ao alcançar o desconhecido. Politicamente, o Mangalyaan mostra o esforço de uma nação avançada na educação científica e ao mesmo tempo, atrasada socialmente. Em novembro de 2013, os jornais indianos festejaram o lançamento do satélite. Mas ainda tinha dúvidas se o mesmo iria alcançar a órbita de Marte logo em sua primeira tentativa. Feito que apenas a Índia conseguiu de forma espantosa até mesmo para o mais otimista cientista do programa espacial indiano.

Para muitos indianos, isso irá incentivar uma nova geração de cientistas. O programa espacial pode virar uma peça de propaganda política para Modi. Ele terá que preservar o orçamento para pesquisas espaciais em seu programa de cortes de gastos. O primeiro-ministro estava ansioso quando via a aproximação do satélite perto da órbita de Marte. O objetivo da missão é investigar a presença de metano na atmosfera do planeta vermelho além de enviar um rôbo para uma exploração espacial.

Os indianos estão tranquilos e orgulhosos com o Mangalyaan. Tanto que a própria NASA parabenizou a Indian Space and Research Organization (Isro), a agência espacial indiana pelo sucesso da operação espacial no Twitter. Agora, a população pode olhar para futuro com tantos cientistas brilhantes e um amplo apoio tecnológico que foi criado pelas mentes locais. Mas daqui a uns anos, a Índia será capaz de enviar um astronauta ao espaço? Uma pergunta que ainda não foi respondida.