Rabin e o radicalismo israelense

Há vinte anos atrás, Israel perdia o primeiro-ministro Yithzak Rabin. Ele foi assassinado por um extremista durante um comício. Mas passado todo este tempo. As coisas não mudaram no panorama israelense em que a população está cética em torno de um acordo de paz com os palestinos e diante de ascensão de um radicalismo problemático.

O extremismo tanto dos israelenses quanto dos palestinos tem levado ambos setores de tais populações aceitarem atos de barbárie inconsequente afim de justificar atos que prejudicam a questão da paz entre os povos. Isso não é combatido seja por Israel seja pela autoridade palestina.

A grande questão seria como será dividido o território para por em prática a resolução da ONU que determina a criação do estado palestino mesmo com tantas imposições feitas por Israel devido aos problemas de segurança interna que vive o país. O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu não consegue resolver a demanda doméstica.

Rabin conseguiu um acordo com os palestinos mesmo tendo a fama de cético e não tinha o carisma de Shimon Perez. Entre os prisioneiros palestinos, ele era chamado de quebra-ossos. Mesmo assim, ele foi morto pela luta interna que acontece em Israel e alimenta o terrorismo do Hamas no lado palestino.

Temos que ser realistas. Israel quer um acordo de paz que preserva a sua segurança enquanto os palestinos querem ter um território que possa assentar a população de refugiados que vivem na Jordânia e Síria. Mas o radicalismo de ambos os lados impede que um tratado como foi feito em 1993 possa ser posto em prática como Rabin desejava antes de morrer.

Bibi é reeleito como premiê israelenses

Com 95% dos votos contados. O primeiro-ministro Binyamin Netanyahu foi reeleito para um quarto mandato. O partido governista Likud pode formar um governo de coalizão com partidos de centro, secularistas e ultra-ortodoxos. O presidente Reuven Rivlin deve chamar Netanyahu para a criação de um novo gabinete. Bibi foi parabenizado pelo líder da União Sionista, Yithzak Herzog. E assim teremos Bibi para torrar a paciência de americanos, europeus e iranianos.

A grande coalizão

Israel foi as urnas para escolher um novo parlamento. Mas tanto o Likud quanto a União Sionista obtiveram 27 assentos no Knesset. Enquanto o Yithzak Herzog prometeu dormir invés de negociar a formação de um novo governo. O primeiro-ministro Binyamin Netanyahu se declarou como vitorioso. Mas essa precipitação tem que ser evitada dado o fato de não sabermos quantos assentos irão pertencer aos partidos centristas, islamitas, extrema-esquerda e extrema-direita. Isso será divulgado na manhã de quarta-feira.

Mas o fato de tanto Netanyahu quanto Herzog adotarem posturas diferentes reforça a impressão de que os israelenses querem um governo que atue nas questões militares e sociais. O presidente Reuven Rivlin pediu um governo de união nacional entre os dois partidos. Mas uma grande coalizão entre Likud e União Sionista não terá uma maioria suficiente no Knesset (precisa-se de 61 das 120 cadeiras no parlamento para formar um governo). Ambos teriam 54 a 55 assentos e precisariam de mais um partido para ter maioria.

Nas democracias parlamentaristas, é comum ter uma coalizão formada por partidos opostos do espectro político. Mas isso exige concessões de ambas as partes. Na Alemanha, um acordo entre os democratas-cristãos e sociais-democratas permitiu a formação de um governo. No Reino Unido, Liberais-Democratas e Conservadores governam o país desde de 2010 devido a nenhum partido atingir a overall majority (maioria clara para governar sozinho) nas eleições gerais daquele ano.

Neste momento, Netanyahu celebra a vitória do Likud. Mas será que ele poderá negociar um governo de coalizão. Isso exigirá uma postura conciliadora com os partidos de direita, centro e ultra-ortodoxos. Isso vai permitir a manutenção de uma política de linha dura com os palestinos como a rejeição da criação de um estado palestino ou a determinação de defender o isolamento do Irã na comunidade internacional com o provável apoio do congresso americano sob o domínio republicano que poderia vetar um acordo nuclear entre Estados Unidos e Irã.

A manhã de quarta-feira vai ser decisiva. Os partidos pequenos podem rejeitar o apoio a Netanyahu ou Herzog pode fazer um governo de coalizão com centristas e islamitas. A comissão eleitoral irá divulgar o resultado oficial com 95% dos votos apurados. Por mais que as pesquisas de boca de urna declaram um empate entre Likud e União Sionista. Ambos vão ter um duro trabalho de negociações para formar um governo de coalizão. Será que Netanyahu e Herzog estão preparados a fazer concessões?

O falcão Netanyahu e a pomba Herzog

Amanhã, Israel irá as urnas para escolher um novo parlamento. Mas hoje, o primeiro-ministro Binyamin Netanyahu anunciou que não irá permitir a criação de um estado palestino. Enquanto o líder oposicionista Yithzak Herzog, da coalizão de centro-esquerda União Sionista afirmou que vai melhorar as relações com os palestinos. Mas o governista Likud e a União Sionista podem eleger 21 e 25 parlamentares na votação de terça-feira. O fiel da balança é o partido centrista Kulanu liderado por Moshe Kahlon.

O falcão Netanyahu reforça seu discurso na questão militar. Ao dizer que não vai permitir a criação do estado palestino por que isso pode fortalecer o terrorismo e destruição de Israel defendida pelo grupo Hamas. Ele reforça a tradição dos primeiros-ministros linha dura que o país tinha nos anos 1980 e 1990. O último desta linhagem foi Yithzak Rabin, que foi assassinado por um extremista em 1995. Netanyahu tem uma tradição militar onde foi oficial das forças especiais das forças de defesa israelenses.

A pomba Herzog surgiu dos escombros do partido trabalhista e foi reforçada com o apoio da ex-ministra de relações exteriores e da justiça Tzipi Livni. A União Sionista tem um enfoque na questão social e na melhoria nas relações entre Israel e a Autoridade Palestina. A coalizão de centro-esquerda quer uma fronteira segura, mas abandona a retórica bélica adotada pelo falcão Netanyahu. As pesquisas divulgadas neste fim de semana reforçam a sensação de que a União Sionista possa formar um governo de coalizão.

Está eleição reforça a impressão de um Knesset muito fragmentado. Nenhum dos partidos poderá eleger os 61 parlamentares dos 120 assentos para governar com tranquilidade. Isso dá mais poder aos partidos centristas como Kulanu, de Moshe Kahlon e Yesh Atid, de Yair Lapid. Sem contar as coalizões ultra-ortodoxas como Jewish Home, de Naftali Bennett e a aliança entre grupos árabes, islamitas e socialistas como o Hadash liderado por Ayman Odeh, que procura bloquear a volta de Netanyahu.

Amanhã, os Israelenses irão as urnas para escolher um novo parlamento em um país fragmentado. O falcão Netanyahu e a pomba Herzog terão que ser hábeis para conseguir formar um governo de coalizão após o resultado oficial que será divulgado na noite de terça-feira. Isso exigirá um amplo apoio político e popular para as novas políticas que podem ser adotadas pelo futuro primeiro-ministro. Mas uma ave de rapina e um simples pássaro mensageiro irão duelar pelo o ninho sionista nos próximos dias.

PS: O Homo Causticus irá cobrir as repercussões das eleições israelenses ás 17 horas horário de Brasília.

Netanyahu no capitólio

Hoje, o primeiro-ministro israelense Binyamin Netanyahu fez um discurso no congresso americano. Bibi (para os israelenses) afirmou que o Irã está próximo de fabricar uma bomba atômica e que as negociações entre as potências ocidentais junto com a China e Rússia resultaram em um mau acordo. As reações entre os democratas foi de criticar Netanyahu por seu insulto a inteligência dos americanos. Em Israel, o líder da oposição Yithzak Herzog não fez nenhum comentário sobre o mesmo.

Netanyahu foi convidado pelo presidente da câmaras dos representantes, o republicano John Boehner. A Casa Branca não foi avisada sobre isso. O congresso americano é controlado pela oposição republicana diante de um executivo dominado pelo governo democrata. Os republicanos querem assegurar o voto da comunidade judaica nas eleições presidenciais de 2016 enquanto Bibi quer conseguir se reeleger com uma forte maioria no Knesset (parlamento israelense) na votação marcada para 17 de março.

Netanyahu queria ser um Winston Churchill que encantou os americanos inexperientes na segunda guerra mundial durante o discurso no capitólio em 1941. Mas usar o Irã como inimigo externo não tem sido como uma boa estratégia para Bibi por mais que políticos iranianos como o presidente Hassan Hourani afirmar em 2013 que Israel é uma ferida no Oriente Médio. A postura diplomática de Teerã adotada pelo ministro de relações exteriores Mohammed Javad Zarif de negociar o acordo sobre o programa nuclear tem agradado a população.

Javad Zarif é visto como um herói enquanto Netanyahu tenta ser o político que quer proteger Israel da ameaça iraniana, mas se esquece de problemas internos como o alto custo de vida e o conflito direto entre ultra-ortodoxos e seculares. Bibi quer ser um premiê que defendeu o estado sionista com unhas e dentes. O discurso no congresso contradiz com os relatórios do Mossad (serviço de inteligência israelense) divulgados pelo canal de notícias qatari Al Jazeera junto com o jornal britânico The Guardian que afirmam que o Irã não tem capacidade de construir uma bomba atômica.

Netanyahu fez um discurso para agradar os republicanos, mas pouco efetivo nas relações Israel-Estados Unidos. O presidente americano Barack Obama não tem paciência com a postura bélica adotada por Bibi. Mas que adianta falar disso diante de um teimoso como o primeiro-ministro. O líder trabalhista Yithzak Herzog terá que reforçar o discurso da crise do estado de bem-estar social para poder derrotar Netanyahu que saiu aplaudido por milhares de republicanos ao final de sua fala controversa.

Netanyahu e sua intransigência

Os regimes parlamentaristas permitem que um governo fique um dia ou 18 anos no poder dependendo da coalizão formada pelos partidos. Hoje, Israel viu a notícia de que o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu anunciou a antecipação das eleições gerais em dois anos dado o fato de dois ministros centristas, Tzipi Livni (Justiça) e Yair Lapid (Finanças) foram demitidos por discordar das políticas adotadas pelo premiê como a lei que declara Israel como estado judeu. Assim quebrando o principio de igualdade entre os povos que fazem parte da nação israelense.

Netanyahu decidiu dissolver o Knesset (o parlamento israelense) por sentir que sua frágil coalizão de governo não teria força para aprovar uma lei tão controversa. As divergências na condução da política para os palestinos tem sido motivo para que a coalizão fosse desfeita. Um dos ministros mais controversos de Netanyahu, Avignor Lieberman, defendeu o juramento de lealdade ao estado israelense para aqueles que não são judeus. Isso provocou a ira dos moderados e da comunidade internacional.

O fato de muitos israelenses terem sido atacados por palestinos em Jerusálem Oriental nas últimas semanas causa preocupação para o Netanyahu. O muro que foi construído na Cisjordânia dava uma sensação de tranquilidade para os israelenses. Mas a recente revolta palestina provoca o sentimento de insegurança que foi esquecida pela população desde da construção do mesmo em 2002. O temor de novos ataques reforça o clima de crise política no gabinete de Netanyahu.

Netanyahu pode adotar um tom moderado enquanto os centristas adotam um discurso conciliador. A defesa do princípio da igualdade entre judeus e os povos não-judeus é uma batalha onde o radicalismo não pode ser visto como algo favorável. O premiê pretende formar uma coalizão com os partidos religiosos de tendência ultra-ortodoxa, que ganha força desde da eleição de janeiro de 2013. A intenção de radicalizar em uma fala para agradar partes do eleitorado é muito perigoso neste momento.

Com a dissolução do Knesset nessa sexta-feira. As eleições podem ser convocadas para março de 2015. O prazo de três meses de campanha política serão decisivos para o futuro de Netanyahu. Com a pressão internacional para reconhecer o Estado Palestino tem provocado uma reação de encorajamento entre os palestinos. Israel quer se manter como uma democracia avançada e mantendo o princípio da igualdade que tanto lhe fortaleceu em seus mais de 60 anos de história. Só falta Netanyahu reconhecer isso.

Os mártires da sensatez

Em um mundo onde a insensatez dos radicais ganha espaço. Pessoas que são mortas como os reféns que são decapitados pelo grupo terrorista Estado Islâmico, os 5 israelenses mortos em uma sinagoga por dois palestinos e os 43 estudantes mexicanos que estão desaparecidos. Tais atos geram uma repulsa, mas permite uma reflexão sobre tais humanos podem ser mártires do bom senso diante dos absurdos feitos por seus semelhantes que desprezam a consideração pelo próximo.

O caso da morte de israelenses por palestinos em Jerusalém. A pergunta que fica é se tal muro construído em volta da Cisjordânia tem pouco efeito. A sensação de segurança que tal construção transmitia foi abalada pelas recentes mortes de israelenses por ataques inesperados por palestinos que se sentem como cidadãos de segunda classe como foi relatado no controverso livro do ex-presidente americano Jimmy Carter em 2006.

As recentes decapitações feitas pelo grupo Estado Islâmico mostra a determinação da organização de chocar o hesitante mundo ocidental. A sua visão radical, problemática e equivocada do Islã mostra como pessoas frustradas querem ter uma projeção de suas vidas apenas pelo ato de planejar massacres contra as minorias étnicas no Iraque ou sequestrar voluntários ocidentais como uma forma de pressionar qualquer governo que pensa em lançar ataques contra a entidade.

Enquanto México vive tempos difíceis, o sequestro  e morte de 43 estudantes da cidade de Iguala mostra um estado fraco diante da força dos carteis de drogas, milicias anti-carteis conhecidas como Los Vigilantes. Isto cria uma crise política sem precedentes para o presidente Enrique Peña Nieto. A questão da construção de uma mansão em troca de favores de construtoras gerou uma revolta além de vários protestos exigindo uma investigação independente sobre o desaparecimento de tais jovens.

Estas pessoas que morreram foram vítimas de uma insensatez e da desesperada demanda por atenção para os problemas que existem em tais países.  Suas mortes permitem uma reflexão sobre o mundo que vivemos. Isso é de profunda importância para um planeta perdido entre o radicalismo e a hesitação. Todos querem que tais assassinatos precisam ser investigados de forma justa e transparente em respeito a memória de tais mártires da sensatez.