Uma estreia nervosa em Twickenham

Em 2011, este que vos posta prometeu fazer a cobertura da Copa do Mundo de Rugby. Mas devido a problemas pessoais e estruturais. Não pude realizar tal ato. Mas passado quatro anos, as coisas mudaram e permitiram ver o jogo de abertura da peleja rugbiana sediada na Inglaterra entre a dona da casa contra Fiji organizada pela Rugby Union (é que existe duas associações do Rugby, a Rugby League e a Rugby Union).

Minha amiga Dany teve problemas para acompanhar o jogo por causa da baixa qualidade do serviço de internet prestado no Brasil. Mas a sua observação sobre a força dos jogadores de Fiji é pertinente. Fiji sobre conter os avanços ingleses em Twickenham. Mesmo assim, a Inglaterra marcou cinco trys sem maiores problemas se aproveitando dos erros feitos pelos jogadores da pequena ilha de Fiji que fizeram sua dança maiori antes do jogo.

Meus amigos do grupo Rugby Brasil notaram que o nervosismo do time inglês. Isso pode mostrar um problema que os ingleses terão pela frente ao enfrentar o País de Gales na próxima rodada. A Inglaterra pontuou se aproveitando os erros de Fiji. Mas conseguiu dominar o jogo tanto no controle da posse de bola quanto nas roubadas da mesma que eram feitas pela a perda do mesmo para os jogadores da pequena ilha da Oceania.

Fiji tinha o controle do jogo. Mas os erros bobos cometidos por seus jogadores mostrava a fraqueza de um time que não tinha uma estratégia para lidar com o avanço inglês. Mesmo com o esforço de John Volavola e Nadolo. Fiji é uma equipe frágil para avançar para a próxima fase da Copa do Mundo de Rugby se não corrijir tais problemas a tempo para não perder por jogadas ineficientes nos outros jogos nesta parte da competição.

Bem, hoje foi um dia histórico para este que vos fala. Mesmo que Dany não tenha visto o jogo por causa de uma internet de baixa qualidade. É a primeira vez que vejo uma partida da Copa do Mundo de Rugby e o Homo Causticus vai cobrir está competição não por modinha. Mas sim porque é um esporte pouco explorado por nossa mídia esportiva com sua vocação monolítica para o futebol. Afinal, queremos ver os jogos em Twickenham.

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O São Paulo explica a minha vida

Em um mundo onde os jogadores pensam em seus salários astronômicos do que se tornar ídolos de uma torcida. Mas se identificar com um time de futebol por qual vai torcer por toda a sua vida é uma tarefa difícil de ser feita. É uma escolha da qual não se arrependerá. O futebol tanto te dá uma alegria quanto te dá uma tristeza ou desilusão. Foi assim que me tornei um são paulino por acaso. Tive as minhas fases de devoção ao ceticismo com o esporte bretão.

É assim que sou são-paulino. Isso começou com um anti-corinthianismo nos anos 2000. Tanto que fui taxado de corintiano por colegas (agora são adultos que tem filhos e lamentam a vida de casado). Mas a vida dá voltas. Depois da fase onde você não tem personalidade para decidir para quem torcer. Quando escolhe um time mesmo que seus pais sejam corintianos é uma forma de mostrar que um ser é individuo sem ter uma influência onde os amigos lhe tiram o sarro e aturar a burrice da mídia esportiva.

Lembro das palavras de AVC quando fala que torcer para o Barcelona ou Real Madrid é uma modinha sem limites. Ele é um torcedor do Borussia Dortmund. Eu comecei a ser são-paulino quando um técnico chileno Roberto Rojas se esforçou como nunca e renovou o espírito tricolor. A torcida viu o resultado quando o time venceu o Corinthians no primeiro turno do campeonato brasileiro em 2003. Não aguentávamos a estupidez da tiração de sarro de outras torcidas.

O futebol virou um campo das frustrações de torcedores que veem seus times como uma forma de escapismo dos problemas pessoais. Lembro de quando falei que era são-paulino para a minha professora de português no segundo ano de ensino médio. Maria Alice me disse que isso é uma maneira de mostrar personalidade. Ela era uma corintiana sensata que reclamava das perguntas toscas feitas pelos repórteres aos jogadores após o fim do jogo.

Ver o São Paulo de Luis Fabiano e Rogério Ceni vencendo o Corinthians e se fortalecendo ao longo dos anos tanto com Rojas, Cuca, Paulo Autuori e Muricy Ramalho nos fez acreditar que poderíamos ganhar no futebol e aprender com as derrotas. Hoje, Juan Carlos Osorio tem uma ingrata missão de recuperar a confiança de uma torcida desconfiada com a situação financeira do tricolor. Mas eu continuo a ser são-paulino sensato de sempre.

Golden State Warriors

Quem nunca viu um jogo de NBA. Deve está se perguntando porque o Golden State Warriors foi campeão ontem ao vencer o Cleveland Cavaliers no Quick Loans Arena em Cleveland. Mas o momento chave do jogo 6 das finais da NBA foi quando o Warriors começou a acertar os arremessos de três pontos. A equipe formada por Stephen Curry, Andre Iguodala e JR Smith pode mostrar que pode ser um campeão inesperado superando o Cavs liderado por um jogador consagrado como Lebron James.

Meu amigo AVC me deu um toque sobre este jogo de basquete no domingo passado. O GWS tinha desempatado a série com uma bela atuação de Curry. Nós dois nutríamos a esperança do jogo 7. O começo da partida foi interessante pelo fato do Cavaliers ter tomado a frente no placar e pelos erros dos arremessos de três pontos do Warriors. Era evidente que havia um nervosismo entre os jogadores de ambas as equipes. Eles estavam decidindo o destino de suas vidas em um simples passe.

O jogo chamou a atenção de uma amiga minha portadora de depressão. Tanto que ela fez umas piadas sobre a partida. Era primeira vez que vi uma garota tão feliz e notou o nervosismo de ambas as equipes. Depois que o Warriors virou o placar contra Cavaliers. A equipe de Cleveland perdeu o controle emocional por mais que fazia roubadas de bola e controle do passe. Mas isso não resultava em pontos para o time de Ohio. Lebron chamou para si a responsabilidade para reverter a situação.

O mérito do Warriors é ter mantido a cabeça fria e fortalecer sua principal jogada: os arremessos de três pontos. Isso permitiu ter o controle do jogo e criar uma sensação de confusão entre os jogadores do Cavaliers. Lebron teve uma atuação apagada que não lembrava a sua fala em que dizia ser o melhor jogador do planeta. Este que vos posta já viu as atuações de James nas finais de 2011 onde o Miami Heat perdeu para o Dallas Mavericks comandado pelo alemão Dick Novizck em uma atuação esplendida.

AVC notou que o time de Cleveland desistiu do jogo logo no cinco primeiros minutos do terceiro período diante da maturidade do Warriors. Stephen Curry estava jogando muito bem e isso motivou os seus companheiros de equipe desde do arremessos de três pontos, nos rebotes e roubadas de bola. Tanto que encomendei o caixão diante da queda do Cavaliers. O Golden State não ganhava um título da NBA desde de 1975. E assim Stephen Curry virou um ídolo para uma torcida orfã de conquistas.

Mayweather derruba Pacquiao

Há poucas horas atrás. O boxeador americano Floyd Mayweather derrotou o filipino Manny Pacquiao em uma luta considerada histórica por envolver grandes lutadores de uma geração. A luta em si foi uma chatice segundo os analistas. Mas o que podemos tirar de conclusões deste confronto histórico de dois homens que mobilizou a mídia mundial de uma forma nunca antes vista na história humana. O combate foi organizado com um alto retorno financeiro que atingiu a casa de centenas de milhões de dólares.

Mayweather venceu a luta por sua experiência e marra enquanto Pacquiao tinha um grande apoio da população filipina que queria ver o confronto. Ele é considerado um herói nacional para os filipinos que não tem alegrias há anos. Se temia o risco de blecaute no país asiático pela demanda de pessoas que queriam ver a luta pela televisão. Mas a tristeza deste povo foi ver um Pacquiao que sempre defendeu sua terra natal com unhas e dentes nas lutas que tanto ganhou e quanto perdeu ao longo de sua carreira.

Antes da luta começar, Mayweather pediu que duas jornalistas não fossem credenciadas. O boxeador norte-americano é envolto de polêmicas como os casos de violência doméstica. A luta ganhou ares de uma disputa global quando todas as televisões, rádios e sites enviaram repórteres para Las Vegas para cobrir esse evento. Tanto que emissoras rivais no pay per view (quando você paga para ver uma luta na tv a cabo) como o Showtime e HBO se uniram neste evento histórico por puro profissionalismo.

Isso rendeu um lucro de 230 milhões de dólares para cada lutador. Tais cifras mostram um vigor no boxe que vinha perdendo espaço para o MMA nos últimos anos. Os telespectadores invés de que ver dois homens dando chutes e pontapés. Preferiram ver dois boxeadores usando suas habilidades para ganhar uma luta com o tempo a seu favor e com socos simples invés de um nocaute espetacular como víamos nos tempos de Joe Frazier e Muhammad Ali na luta histórica de 1971.

A decisão por pontos foi a mais justa possível. Nenhum dos dois lutadores tinha a cabeça para um nocaute arrasador. Eles queriam esperar um momento de fragilidade para enfiar um soco destruidor. Mayweather era badalado por ser imbátivel enquanto Pacquiao era festejado por conseguir vitórias improváveis e ser considerado um herói em sua pátria natal como nas Filipinas. Como aqueles que viram a luta se sentiram frustrados por não ver um lance histórico. Mas fomos testemunhas de uma grande luta que não se via a tempos na histótia do boxe mundial.

Fenerbahçe

Uma ampla discussão toma conta da mídia turca. O desejo do Fenerbahçe de suspender a liga nacional pelo fato de seu ônibus ter sido alvejado por um atirador na estrada que conecta Riza e Trazbon com o noroeste da Turquia. O clube de futebol já foi suspenso da liga por manipular resultados anos atrás. A situação é muito delicada para o futebol turco onde as torcidas são apaixonadas ao extremo por seus times e não admitem derrotas humilhantes. Este é o estopim de uma nova discussão.

A suspensão de um campeonato nacional após um atentado contra um time mostra-se acertado. Isso ocorreu em muitos países europeus. Isto não seria diferente na Turquia. O Fenerbahçe era o time predileto de Mustafa Kemal, o Ataturk, o fundador da Turquia moderna. Mas suspender um campeonato exigiria dobrar os interesses comerciais e políticos. Não sabemos as reações do governo representado pelo primeiro-ministro Ahmet Davutoglu ou na figura do presidente Recep Tayyip Erdogan.

O futebol virou um campo das brigas ideológicas reprisadas do mundo político desde da ascensão do AKP em 2002. Não sabemos o motivo de um atirador decidiu atacar um ônibus onde estava os jogadores de um time que só se preocupa em vencer a liga nacional. Isso vai despertar a reação de UEFA caso a decisão dos clubes turcos de suspender ou não o campeonato nacional dada a falta de segurança dos jogadores, dirigentes, funcionários e técnicos de futebol estiver sob forte ameaça.

Os torcedores querem ver seus ídolos jogando em estádios modernos por todo o país. Mas como se faz isso com um atentado contra o futebol. Apenas o motorista do ônibus teve ferimentos leves e nenhum jogador foi ferido durante o ataque. Mas o medo se faz presente em um país onde o autoritarismo se faz presente com os jornais fazendo autocensura para não irritar o governo. A decisão de suspender o campeonato deve ser tomada de maneira corajosa pelos dirigentes.

A questão da segurança se faz presente quando não se tem uma escolta policial na hora do ataque. Os jornais estrangeiros devem dar um amplo destaque a esse fato para uma discussão sobre o futuro de futebol turco tanto no nivel nacional quanto nas competições europeias. O pedido de Fenerbahçe de pedir a suspensão se mostra muito corajosa. Mas será que a torcida e os dirigentes estão preparados para isso. Só saberemos disso quando a liga turca tomar uma decisão sobre o caso.

A glória de Michael Clarke e o meu jeito de ponto fora da curva

Sempre vivemos em um país onde o futebol ou automobilismo dão as cartas. Ouvindo a transmissão da rádio Band News, eles discutiam sobre o futuro da Formula 1. Eu enviei um tweet onde dizia que outros esportes como Rugby e Cricket ganhavam espaço entre o público jovem. Eu fui citado, mas o narrador disse que este que vos fala viajou na maionese. Não sinto raiva por isso. Isto demonstra que sou um ponto fora da curva e uma testemunha ao acompanhar a final da copa do mundo de Cricket entre Austrália e Nova Zelândia.

Minha colega Eliane Moraes me incentivou a escrever sobre tal jogo. Ser um ponto fora da curva tem as suas vantagens como não seguir as regras impostas pela mesmice. A final marcou a despedida do capitão australiano Michael Clarke. Eu pensava que a Nova Zelândia iria ganhar a partida de maneira histórica. Isso seria o primeiro título do país. Mas os australianos mostraram que estava determinados a vencer em casa com o fator torcida apoiando de maneira espetacular. Tanto que mais 93 mil pessoas lotaram o estádio de Melbourne.

A Nova Zelândia conseguiu 184 runs (quando vc manda a bola para fora do alcance do adversário) e 3 wickets (quando o jogador derruba os stumps, que são pequenos mastros). Eu imaginava que o jogo estaria perdido. Mas os analistas e comentaristas comentaram que isso foi muito importante para a Austrália que não deixou a Nova Zelândia pontuar de tal forma que permitisse uma reação quando a equipe local pudesse comandar o jogo afim de vencer no final da partida por apenas 3 wickets.

Os australianos estava entusiasmados após uma vitória sem precedentes contra a Índia nas semifinais enquanto a Nova Zelândia sofreu para passar diante da África do Sul. Ambos os times tinham uma missão: romper os seus limites para mostrar porque mereciam estar em uma final. Tanto a Nova Zelândia por ser um azarão quanto a Austrália por ser um dos países-sede da copa do mundo (junto com a Nova Zelândia). O capitão australiano Michael Clarke tinha consciência disso e tinha uma enorme pressão sobre seus braços.

O simbolismo de vermos um Michael Clarke pontuando nas últimas jogadas da partida sinaliza que os australianos reconheciam que a história estava sendo feita diante de seus olhos. A sensação de ganhar em casa mostra como é difícil ser um jogador em uma função de liderança como Clarke exerceu por muito tempo na equipe australiana. O título coroa um bom trabalho de um time esforçado. Acompanhar a final da copa do mundo de Cricket foi mais uma maneira de demonstrar que sou o tal ponto fora da curva.