Os homens sem pátria

Quando estou em uma rede social. Percebo a má fama de nossa nação originada na mais pura falta de educação dos brasileiros incultos. Senti isso na pele pelo fato de escrever uma crítica para uma piada publicada no twitter onde vemos um monte de brazucas te chamando de burro e pedindo para que vossa senhoria faça uma prova do enem para usar a internet.

O lema fala o quer e escuta o que não quer está presente. Tanto que respeito este princípio. Mas o que me deixa estarrecido é o fato do brasileiro querer bancar algo que não é. Desde de palpiteiro da política americana até defendendo com unhas e dentes o Neymar na base de coações esdrúxulas porque se acha o dono do mundo e da humanidade.

Se nós combatemos uma patrulha do politicamente correto. Vemos uma onda de patrulhamento do pensamento incorreto. Os tempos orwellianos chegaram aos trópicos porque nossos bravos brasileiros são um amontoado de burros que se acham inteligentes para contestar tudo aquilo que ameaça o seu divertimento como uma crítica a uma piada de twitter.

A coragem de pensar diferente é tida como um grave pecado na terra brasilis. Os brasileiros de redes sociais são uns mendecaptos que não sabem nada sobre o mundo ao redor. Por isso que somos vistos como os malas sem alça da humanidade com uma escrita em inglês cheia de erros gramáticais no idioma de Winston Churchill postados em mensagens em que os gringos se perguntam quem são tais idiotas dos trópicos.

Esse preconceito estrangeiro já me prejudicou. Mas sempre corri atrás para conquistar a confiança dos outros e fui recompensado por isso por ser um sujeito que procura entender a cultura de várias nações. Não sou dos clichês cantados por nossas cantoras pops ou nos pensamentos de digital influencers. Cada vez me sinto menos um brasileiro porque sou um homem sem pátria.

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Eu tive sorte com os meus pais

A humanidade atual sempre culpas os pais e a família pelos males do mundo. Percebi isso quando conversava com uns amigos no whatsapp. Um amigo gay reclamava que sua mãe o criou para ser um normie. Uma amiga reclamava da falta de atenção que os progenitores não lhe deram na adolescência. Sendo que eu era o único que não reclamou dos meus criadores.

A criação familiar é que dita o sucesso ou fracasso de alguém segundo meus amigos. Eles não tem paciência para cuidar de uma criança por exemplo. Já passei por essa fase com os meus primos como o Guilherme, Lucas e Marcos. Mas nunca dei problema para os meus pais porque eles me permitiram que eu criasse asas para voar e me estimularam a entender o mundo.

Meu pai se chamava Oswaldo (ele morreu em 2013) e a minha mãe se chama Maria José. Mesmo ele estando separados. Nunca me deixaram para trás como acontecia normalmente entre os meus colegas de colégio Educere nos anos 1990. Eu lidava com o mundo tão hostil com uma inteligência sobre a história humana e tendo apoio dos meus amigos mais velhos como os adolescentes e os senhores de 70 anos.

Meus pais sempre saiam comigo para me enturmar. Meu pai tentou que fizesse amizade com um filho de um parente dele, mas que não deu certo. Minha mãe procurava administrar as rusgas entre eu e o Guilherme junto com a minha tia Nilda. A família inteira me compreendia bem e nunca me fizeram perguntas sobre as namoradinhas por exemplo.

Meu pai sempre me perguntava da faculdade (como ele se referia ao Educere) e me contava das conversas que tinha com o Tio Edu e o meu amigo Hugo (o sogro do Tio Edu e um grande homem que conversava comigo). Minha mãe ficava orgulhosa quando a diretora que chamavámos de Tia Kátia falava que andava a cavalo sózinho em um excursão da escola.

Enfim, não ponho a culpa dos meus pais por nada.

Conversa de tweet

Terça-feira, levantei cedo para ler o jornal e os emails quando recebo a informação de que a atriz Cynthia Nixon decidiu se lançar sua candidatura para o governo do estado americano de New York. Ela disputará as primárias com o atual governador Andrew Cuomo para as eleições estaduais de novembro de 2018. Fiquei espantando com isso e fui ver o twitter.

Quando vi o tweet de Lúcia Guimarães comentando sobre a candidatura de Nixon. Perguntei a ela se Cynthia teria chances para lidar com uma campanha tão dura como serão as primárias do Partido Democrata. Ela argumentou com inteligência sobre o fato de Cuomo trabalhar bem com os republicanos no parlamento estadual enquanto Cynthia pode focar em questões como os problemas do metrô nova-iorquino.

Em tempos de crispação. Todo mundo quer ser o dono da razão nas redes sociais diante de suas frustrações na vida real. Lembro disse quando uma pessoa ficou irritada comigo porque defendi o presidente francês Emmanuel Macron e me desdenhou dizendo que não conhecia a realidade. Então, venho o meu amigo de direita chamado Gaudério que desejava ter uma conversa civilizada.

As pessoas ainda não estão preparadas para conviver com as opiniões contrárias. Isso parece um autoritarismo pessoal onde os apontamentos de dedos são mais comuns do que construir uma ponte de consenso entre dois mundos tão diferentes. A humanidade vive uma era de vaidade intelectual que não nos leva a nada. Além de criar rusgas desnecessárias.

Sempre vem alguém dizendo que vivemos um ódio eterno por causa do facebook e do algoritmos manipulados da Cambridge Analytica. Mas me pergunto se a humanidade já teve tal fase de crispação política em tempos onde as redes sociais não existiam como a Guerra Fria por exemplo. Mas o mundo não tem como voltar ao tempo para responder a tal pergunta.

As idéias dos amigos

Eu estou na blogosfera há 10 anos. Eu vivi muitas fases como o declínio dos blogs diante da ascensão do twitter, facebook, youtube e toda a tralha tecnológica que foi criada para que gente medíocre possa ficar famoso pro dia pra noite na base de um click. Mas sempre encontrei pessoas talentosas que fazem um excelente trabalho sem querer uma notoriedade.

Amigos no esporte a motor como Rômulo, Rafael, Fern, Cássio, Rhenius, AVC e Fernando sempre me davam apoio para poder escrever sobre automobilismo e motociclismo mostrando diferentes categorias de carros e motos que eram esquecidas pela imprensa tupiniquin tão obcecada com a Formula 1 que se esquece de outros ramos deste mundo das duas e quatro rodas.

Fern é um excelente conhecedor dos circuitos e do automobilismo argentino. Rômulo sempre procura descrever sobre a Nascar enquanto Rafael é um indyanista devoto. Cássio é um excelente conhecedor da Formula 1 dos anos 1970. Rhenius tem um blog de endurance. AVC e Fernando são dois grandes amigos que ajudaram a criar o programa Bandeira Quadriculada.

Isso me inspirou a escrever sobre um território desconhecido como o automobilismo australiano junto com o mundo dos rally. Fern me incentivou a ter um blog sobre Formula E e o Mundial de Superbike. Além de me dar apoio a escrever sobre o esporte a motor da Argentina. Esses homens que procuram explorar algo que é pouco discutido entre nós.

Ter algo comum é essencial em uma amizade como escreveu o colunista da Folha de S.Paulo Contardo Calligaris. Eles fazem parte da minha vida desde de 2013 e me ajudaram muito nos momentos difíceis. Devo tudo a tais colegas que te estimulam a fazer algo importante. Alías, assim que terminar este post. Vou criar o blog de automobilismo argentino.

Uma leitora inesperada

Ontem, postei uma leva de textos nos meus blogs. Então, recebo uma notificação do wordpress de uma leitora que tem um blog de crônicas ter dado um like em um texto que publiquei no meu blog sobre uma competição de endurance (corridas de carros cuja a duração vai de 6 a 24 horas sem parar) chamado Planeta IMSA. Fiquei surpreso por uma garota começa a ler um post de assunto tão distante de sua realidade.

O nobre leitor e leitora se pergunta como uma garota que não conhece a diferença de um carro classe DPI ou LMP se interessa mesmo assim. Não subestimo a inteligência de tal blogueira. Mas me permite fazer uma reflexão: Muitas garotas se sentem pressionadas a acompanhar os gostos de seus namorados como o esporte a motor. Mas ela ficou impressionada como a forma que escrevo sobre um assunto distante de forma simples.

Todo mundo quer estar integrado a um grupo. Percebia isso quando convivi com blogueiras it girls e de make up. Quando postava um link de um texto tão diferente como a política britânica em um espaço onde se discute diferentes formas de usar um mesmo produto coméstico. Elas não eram refratárias e me perguntavam como eu era tão bem informado.

Isso permitiu ter leitoras por um bom tempo por falar de assunto distante. Depois criei um blog para escritores que não deu certo por falha minha. Mas isso me ensinou muita coisa sobre ser editor e me deu duas surpresas como os meus amigos Geici e Daninho. Além de ter ganhado leitores inesperados como uma psicológa que gosta de minhas crônicas e afins.

Eu me pergunto se tenho uma forma de escrever que atrai os leitores inesperados por ter uma escrita simples para descrever assuntos complicados. Em tempos onde os escritores usam uma linguagem rebuscada e com termos politicamente corretos com o objetivo de enquadrar qualquer um que faça algo diferente do habitual. Tenho uma leitora que vai acompanhar a Imsa.

Humor em tempos de pós-verdade

Ultimamente, o mundo tem discutido o fenônemo do fake news nos tempos da pós-verdade. Ainda mais neste momento em que o facebook alterou o seu algoritmo e configurações da timeline para restringir a circulação de notícias falsas devido ao puxão de orelhas que levou de governos como o americano, britânico e alemão a respeito disso nos últimos meses.

Mas como fica o humor?

Falo disso pelo fato de querer publicar um texto de humor factual sobre os fatos do cotidiano sem ser classificado como uma notícia falsa do mundo das versões alternativas. Isso é importante para se discutir para que nasce uma nova geração de redatores como o pessoal do Planeta Diário e da Casseta Popular que criaram o Casseta e Planeta.

Minhas experiências em relação a isso foram na criação de blogs e de um portal de humor factual como o Noticias S.A. Mas posso ser acusado de ser um agitador da ordem pública ao trazer o caos para a humanidade se escrever um post sacana sobre o presidente russo Vladimir Putin sobre sua careca reluzente e a falta de apreço pela democracia.

Hoje, todos querem tolhir o próximo na questão de humor dizendo que uma piada é capaz de criar uma onda de intolerância sem precedentes na história moderna como se fosse um pandemia do vírus Ebola. A humanidade perdeu a inocência, irônia, sarcasmo e bom senso em algum momento quando estávamos derrubando o muro de Berlim ou no fim da União Soviética.

O humor é uma forma de reflexão sobre a humanidade que não pode ser esquecida por um parâmetro escroto estabelecido por alguém que deseja censurar o outro ao seu bel-prazer reacionário. Se desejamos um mundo menos hipócrita para as futuras gerações de seres humanos. Vamos ter que nos despir do narcisismo para rir de nós mesmos sem o menor pudor do mundo.

O homem do Shipping Forecast

Eu sempre procuro ouvir a BBC Radio 4. Antes de encerrar os trabalhos de mais um dia. Eles transmitem o boletim do tempo para quem é um simples marujos dos mares que necessitam de informações sobre as marés e o mar revolto. Gosto de ouvir isso porque me lembra a solidão do individuo que lida com o mundo estando em um farol na costa britânica.

Faço essa analogia diante da necessidade do mundo ter o seu norte para guiar-los no planeta das incertezas que vivemos todos os dias. Mas a figura de um homem isolado do mundo com as suas angústias e anseios é fascinante em uma época onde nós queremos estar conectados com as redes sociais para dividir nossas experiências como uma forma de exibicionismo.

Muitos se perguntam sobre a vida dos homens solitários como o ouvinte do Shipping Forecast e dos hikikomoris japoneses que fazem atividades triviais na madrugada como ir ao supermercado para não incomodar a vizinhança em volta junto com um sentimento de vergonha de si próprio por se considerar um eterno fracassado perante a sociedade.

As analogias de mar revolto e do homem solitário nos soam como algo que vai além da reflexão humana. Isso faz que nós revertemos um cenário de desolação de nossa vida solitária para acharmos alegrias em um mundo onde a tristeza e a brutalidade imperam com amplo domínio de nossas vidas. Assim sempre veremos a realidade destruindo os nossos sonhos.

Então, vamos lidar com a realidade como uma certa tenura que não deve ser esquecida mesmo nos tempos brutais que nós convivemos todos os dias. Este escapismo deve ser encarado como uma forma de ver o mundo pela gentileza. Mas a brutalidade fez que nós perdessémos as nossas inocências que são recuperadas pelo o homem do Shipping Forecast.