Gosto de Cricket

Ontem, eu comentei sobre os gostos estranhos de amigos meus como aprender japonês para acompanhar os animes da vida sem ao menos entender a cultura japonesa em si. Mas como senti que era necessário mostrar uma faceta estranha de minha personalidade comum. Eu assumo que acompanho um esporte anglófilo como o Cricket a distância e afins.

Muitos dos nobres leitores e leitoras deste blog acompanha um esporte tão distante de nossa realidade onde veneramos o futebol e o vôlei? A resposta para isso dou da seguinte maneira. Eu gosto do cricket porque é uma maneira de entender a dinâmica social de países como Afeganistão, Reino Unido, Paquistão, Índia, Austrália e Nova Zelândia sem ter aquele viés estúpido.

Isso não é uma modinha estrangerista tão comum na cultura brasileira sempre no pressuposto de uma certa antropofagia exótica dos trópicos que tanto me torra a paciência por sua mediocridade reinante. Já afirmei que sou um anglo-australiano ou conhecido por ser um britânico nascido no Brasil como o meu velho amigo Fernando sempre me fala.

Isso me lembra de uma amiga editora que reclamava dos brasileiros que desejavam morar em outro país por não suportar a nossa cultura medíocre. Isso reflete o desejo de meus amigos de aprenderem o dialeto japonês ou eu vendo um jogo de cricket. Com a globalização, as barreiras seja culturais seja geográficas foram demolidas com o passar dos anos.

Minha amiga editora tem as suas razões para isso. Mas exponho de outra maneira. Quando um país não permite uma ascensão com um viés pró-mercado que valoriza o esforço individual invés de relações promíscuas com o estado. Isso cria uma cultura vibrante cuja o povo tem orgulho de partilhar. Por essas e outras, que vejo um jogo de cricket.

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O autoritarismo pessoal

Eu fico nas redes sociais para conversar com os meus amigos. Hoje, eu fui honesto com uma pessoa que fica falando de deus afirmando ser superior aos outros por ter um credo. Isso me incomodou porque acredito em deus, mas não uso como uma forma de dizer que estou acima dos outros por ter uma crença como uma reafirmar que será salvo nos últimos dias de sua vida.

Isso é uma forma de autoritarismo pessoal tão comum na vida humana. Se nos anos da Guerra Fria entre o capitalismo americano e o comunismo soviético. As ideologias eram usadas para reafirmar que o ser humano deveria ser forjado para lidar com o sistema do inesperado por via do controle de si próprios por meio de principios e da tomada de decisões.

A pessoa pensa que acreditando em deus irá salvar sua alma pela virtude da pureza enquanto os pecadores são comparados a portadores de uma lepra moral em que consiste em ter uma obediência cega aos mandamentos do senhor. Mas se esquece das pessoas que discordam de si e resiste ao tal totalitarismo do século 21 como uma forma de acreditar em principios e valores como a liberdade de opinião e religião.

Eu lido com pessoas que pensam em temas como o iluminismo sobre o prisma de uma praga intelectual que fez as pessoas separarem a moral da religião. Sem contar daqueles que vociferam contra o capitalismo e comunismo sem ao menos ter lido A Riqueza das Nações ou o Manifesto Comunista porque achavam que tem uma solução salvadora para resolver os pecados do mundo.

Se queremos que a democracia possa funcionar de forma sensata exige um pluralismo de opiniões. Ao mesmo tempo, os protagonistas de tal sociedade possam defender suas ideias e principios respeitando as opiniões alheias. Isto demanda um amadurecimento intelectual enorme. Mas por enquanto, temos que lidar com o autoritarismo pessoal que nos ronda.

Empolgação zero

Eu tenho dois blogs de futebol americano (NFL S.A. e College S.A.) em parceria com o meu amigo Ader. Mas acompanhando a semana do Super Bowl 52 que ocorrerá nesse domingo. Percebi que não havia um engajamento dos torcedores brasileiros como nos anos anteriores. Ader respondeu prontamente falando dos haters de sua franquia do coração, o New England Patriots.

Mas tenho uma interpretação diferente a isso. Quando comecei a escrever sobre futebol americano em 2013. Eu era o editor do NFL S.A e dei um duro danado para convidar gente para escrever como o Paulo, Fábio e o Gabriel. Nós sempre dávamos um jeito para acompanhar os jogos. Fábio e Paulo saíram e entraram Ader, José Paulo e o Zé Ricardo sem contar o Marcelo e o meu xará César.

Porém, o mercado ficou saturado com muita gente escrevendo sobre futebol americano e como uma lei darwinista onde quem se adapta as mudanças sobrevive ao ambiente. Vimos muita gente criando perfis de humor ou blogueiros bancando o papel de provocadores sem graça para tentar cativar a audiência nas transmissões da ESPN e do Esporte Interativo.

Mas com a exclusividade da ESPN. Percebi que tem pouca gente interessada no Super Bowl. Eu convivo com pessoas que desejam a fama com opiniões pouco aprofundadas e desejando o seus 15 minutos de fama invés de procurar escrever sobre análises táticas ou cobrindo o dia-dia das franquias. Isso prejudica o ambiente de quem escreve sobre esportes americanos.

Lido com isso em outras áreas como automobilismo onde vejo amigos com problemas para continuar o trabalho de escrever em sites e blogs porque precisa pagar as contas. Além dos gastos com servidores e pagamentos de domínios do site. Enfim, vejo este mesmo problema no futebol americano. Mas enfim, vou ver o SuperBowl 52 e lidar com os famosos de instagram e sua falta de empolgação.

Lidando com o novo

Sempre que mostro algum post para um amigo ou amiga. Eles me perguntam se não tenho canal no youtube. Então, vejo alguém com certo desdém dizendo que prefere escrever do que publicar e editar um vídeo explicando suas teses para as massas jovens que gostem de ver alguém, mas não tem paciência ou tempo para ler com a devida atenção um texto.

Minha geração é mais preocupada com animes japoneses e idolos pop sul-coreanos do que ler 1984, de George Orwell. Isso nunca me incomodou porque estou produzindo conteúdo na internet há dez anos. Porém, não posso ignorar as novas tecnologias e produzir material para atender a demanda por informações de um ponto de vista aguçado de ver o mundo.

Um intelectual da máquina de escrever vai falar do narcisismo da geração atual. Mas encaro de maneira diferente. Na segunda guerra mundial, o premiê britânico Winston Churchill disse a seguinte frase para o presidente americano Franklin Roosevelt quando o primeiro-ministro pediu armamento ao comandante-chefe: Dê-me as ferramentas, que faço o serviço.

As redes sociais como snapchat, twitter, facebook, blogs, instagram e afins são as minhas ferramentas de produzir conteúdo como fotos, texto e vídeos. Tanto que a minha fisioterapeuta-confidente me perguntou hoje sobre ter um canal no youtube. Falei que tenho um projeto que vou pôr em prática nesse ano para atender os pedidos de amigos que querem produções minhas.

Tanto que já tenho uma conta no snapchat onde estou mandando fotos em preto e branco. Quando você tem uma visão da arte como ver uma foto e alterar o filtro ou produzir um vídeo usando uma técnica própria invés de querer dar pitacos sobre o mundo contemporâneo. É a melhor forma de criar algo que possa perdurar por décadas ou durar por 24 horas.

Questões australianas

Nos últimos dias, tenho publicado uma newsletter entre os meus amigos. Minha amiga Tainara me informou que gostou dos meus textos pelo fato de ter notícias que não são discutidas pela imprensa brasileira como a política australiana. Isso me faz ter questionamentos sobre como iremos cobrir os assuntos da Anzac (Austrália e Nova Zelândia).

Percebo isso pelo fato de jornais como o americano New York Times e o britânico The Guardian abriram escritórios na Austrália. Não vejo isso no Brasil. Onde a mídia estrangeira fecha postos de trabalho reduzindo a presença dos correspondentes no nosso país enquanto jornais anglófilos iniciaram a operações como abertura de surcusais em vários países como Índia e Canadá.

Tanto que o New York Times fez uma competição entre os escritórios de Ottawa e Sydney para atrair mais assinantes de newsletters como Canadian Letter e Australian Letter respectivamente. Sem contar o trabalho do The Guardian de criar uma versão australiana de seu site para dar conta da demanda de notícias vinda do país do canguru e do coala.

A grande questão é que as newsletters produzidas pela imprensa brasileira são muito pobres de conteúdo e apenas fornecem links para matérias hospedadas nos sites invés de criar um material próprio para os emails noticiosos. Isso leva tempo para tomar corpo, mas é necessário para atrair um público que fica no computador e não tem tempo para ler um jornal ou revista.

Vou continuar com a newsletter para informar pessoas como a Tainara. Mas fica a crítica para a imprensa brasileira que não se informa sobre as tendências mundiais como fortalecer a cobertura de assuntos internacionais como envio de correspondentes para continentes como África, Ásia e Oceania invés de ficar entupindo a Europa de jornalistas.

A chatice ideológica

Estou no twitter com o meu amigo AVC para divulgar um trabalho nosso que fizemos para o blog de nossa propriedade, Bandeira Quadriculada. Então, resolvemos enviar o nosso post para uma comentarista. Resultado: ela pediu mais explicações e não nos respondeu porque estava consternada com a condenação do ex-presidente confirmada ontem.

Hoje, mais frescurites ideológicas foram confirmadas como o fato da filósofa Marcia Tiburi ter se negado a participar de um programa de rádio quando soube que um dos convidados era o líder do MBL, Kim Kataguiri. Então, resolvo ler a carta aberta escrita por ela na revista Cult onde protesta contra as pessoas indecentes e se julga no direito de não participar de encontros com uma pessoa dita fascista.

Cada vez mais que estou nas redes sociais. Me sinto intimidado a declarar uma opinião que possa desagradar a esquerda burra e a direita mendecapta. Parece que o Brasil cordial retratado por Sérgio Buarque foi jogado em uma lata de lixo sem cerimônia nenhuma em prol de um pensamento ideológico onde o desprezo mútuo é exercido de maneira militar.

As pessoas não entendem que uma democracia exige respeito a opiniões contrárias. Mas teimamos em iniciar um festival de caça as bruxas contra aqueles que julgamos heréges por simplesmente discordar de nós. Então, vem a retórica que o sistema democrático está morto dito por qualquer que se julga intelectual cuja o pensamento é consumido por tais correntes ideológicas.

Eu acho isso uma chatice. As pessoas gostam do preto e branco, mas se esqueceram do cinza. É fácil você publicar no twitter conteúdo denunciando o golpe de ambos os lados e sofrer duras críticas por ter tomado uma posição. Isso fica claro que somos um bando de crianças mimadas que não assumem os próprios atos. Então, vamos parar com tal chatice ideológica?

O porre midiático

Hoje, levantei de madrugada porque não estava com sono. Aproveitei para poder configurar três blogs que tenho no blogger sobre contos que pretendo escrever em breve. A tranquilidade da madrugada acabou quando o meu amigo tradutor me perguntou se iria acompanhar o julgamento em segunda instância do ex-presidente Lula que ocorre no momento que escrevo este post.

Tão logo foi disponibilizado o conteúdo impresso no site do jornal Folha de S.Paulo. Percebi que o dia será um porre político onde petistas e antipetistas vão tomar conta das ruas e das redes sociais para amar e odiar o nosso ex-presidente por causa do triplex no Guarujá. Todos querem ver uma solução de tal contenda seja com absolvição seja com punição.

Como se não bastasse. Meu amigo filósofo-baiano comentou comigo mais um caso de assédio sexual no BBB que poderá tomar conta do noticiário da fama e das celebridades com acaloradas discussões nos programas de fofoca e afins sobre porque um pai dá um selinho na filha bonitona. Os nossos paladinos da moral e dos bons costumes estão oriçados com isso.

Hoje de manhã. Decidi tirar um cochilo para ter energias para o resto do dia para poder escrever sobre os fatos de nosso porre midiático. Os telejornais e os canais de notícias vão fazer debates sobre o futuro do ex-presidente enquanto os programas de fofocas irão discutir o destino do paizão que mete um beijo na boca da filha bonitona como uma depravação dos contos de Nelson Rodrigues.

Enfim, teremos um longo dia em que vamos ter uma enxurrada de análises e papo furado sobre os rumos da nação ou do futuro de participantes de um reality show. Por isso que ficarei em minha cripta-escritório para acompanhar tais fatos com uma parcimônia de monge trapista. Pelo jeito, o porre midiático vai perdurar até a noite de hoje.