Os grupos de facebook

Estou há seis anos no facebook. Mas deparo com várias coisas na minha timeline como um convite para uma festa gótica cujo o fim de irritar o mundo conservador. Isso me lembra da vez que entrei em um grupo de fãs do U2 para ver se tinha informações de uma banda que fez parte da minha vida adolescente idealista que desejava mudar o mundo.

Nessas duas brincadeiras, pude conhecer pessoas inteligentes que consomem cultura de maneira voraz. Isso é bem diferente de acompanhar trocentas pessoas que falam a mesma coisa como nos grupos de automobilismo no facebook que insistem em querer convencer a humanidade que Nelson Piquet é o melhor piloto do mundo de sua geração.

Não vejo um modus operandi de trocas de ideias. Todos preferem trocar chumbo grosso tendo como o objetivo de estar com a razão acima do bem e do mal como se fosse um senhor do mundo. Mas isso é uma coisa que não tem razão em si. É como se criássemos a figura de um ser autoritário que tem o poder de decisão sobre o sagrado e o profano.

Lido com isso quando tive uma passagem em um grupo de cultura trash feita por moradores de Curitiba em 2013. Conheci pessoas talentosas e que eram descoladas. Mas a dona do grupo não aceitava o fato de eu ser um caipira de Pindamonhangaba que era chato e previsível e ainda por cima, ouvir a BBC Radio 4. Eu fui banido semanas depois.

Os grupos do facebook servem para reunir pessoas com os mesmos gostos e interesses que desejam compartilhar suas descobertas para o mundo inteiro. Mas não entendo as figuras que ainda desejam ser donos do conhecimento e estabelecer quem deve ou não deve estar presente. Isso é um sinal de nossa criancisse epidêmica dos tempos atuais.

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A síndrome de Benjamin Button

Eu estava no meu twitter pessoal quando vi uma garota comentando sobre sua paixão sobre a saga Harry Potter. Perguntei para ela se estava falando do bruxinho de Hogwarts. Ela respondeu de maneira seca. Percebi então que estou ficando um velho rabugento que não curte a infância prolongada que meus contemporâneos de geração fazem.

Se no livro do escritor F. Scott Fitzgerald chamado o Curioso caso de Benjamin Button. Benjamin nasce velho e morre jovem. Eu me sinto assim. As coisas estão sendo insuportáveis ao ver meus contemporâneos discutindo Harry Potter com a mesma devoção que não se vê nas discussões sobre o futuro de nossa nação em crise existencial.

Meu amigo-filósofo me pede para que tomasse cuidado no processo de envelhecimento rápido por ter opiniões contrárias aos Potterheads. Isso me lembra de um texto sarcástico onde ironizava tais fãs de Harry Potter e que recebeu um emoji de raiva de uma fã que não gostou de ter descrito a meu pensamento sobre o conto do bruxinho.

Eles não devem saber do meu passado como piadista não-reconhecido do governo americano do então presidente George W. Bush. Ou a minha carreira de observador não remunerado do mundo desde de 2008 por via dos meus blogs onde não poupava píadas sarcásticas sobre o ex-premiê italiano Silvio Berlusconi ou do ex-presidente francês Nicolas Sarkozy.

Eu tento equilibrar isso ouvindo a recomendação de meu amigo-filósofo. Tanto que aproveito o tempo livre para ver desenhos animados no tooncast junto com a minha pesquisa sobre filmes B dos anos 1970. Bem, não faço desgosto para quem gosta das aventuras do bruxinho de hogwarts. Mas peço que tais pessoas leem ou assistam o curioso caso de Benjamin Button para entender o enigma da vida em que nós vivemos.

O mundo precisa de gurus?

Nos anos 1960, os Beatles estavam procurando novos ares para seus álbuns experimentais como White album e Abbey Road. Então, encontraram um monge hinduísta de nome difícil de escrever. Ele ofereceu uma nova perspectiva, mas foi desmascarado pelo grupo liderado por John Lennon por se sentirem enganados por tal guru.

Deparei-me com isso hoje ao ouvir a primeira entrevista da empresária Bel Pesce ao programa Pânico após um longo hiato de um ano de silêncio após ter sido criticada por um youtuber que desconfiava que estava sendo enganado por ela pelo fato de ter não ter mencionado seu currículo universitário e não ter citado algumas coisas relacionadas a sua história.

Ouvindo a entrevista. Eu percebia que Bel continuava a ser uma daquelas palestrantes que vendia mundos e fundos invés de procurar esclarecer as dúvidas que foram levanatadas tanto pelos entrevistadores quanto para um público que desejava saber porque ela prometia realizar sonhos e vender isso como se fosse um produto de supermercado.

A histeria de criticar os haters por terem destruído uma reputação por causa de um projeto mal executado junto com as voz rouca das redes sociais que ficava irritada com uma retórica onde os mundos e fundos continuam a ser prometidos como acontecia antes do escândalo da hamburgueria por meio de financiamento virtual ainda suscita dúvidas.

O que fica claro para mim é que a figura do guru tão alimentada desde das revistas de economia até nos livros de autoajuda estão presentes.  A humanidade brasileira ainda está cega em acreditar nos pensamentos de Caetano Veloso. Os tweets revoltados de Lobão e nas palavras de Bel Pesce. Por isso que ainda me pergunto se ainda precisamos de um guru?

filhofobia

Quando era pequeno. Eu sempre queria ter um irmão. Mas a minha mãe sabia como ninguém como era duro cuidar de uma criança como este que vos posta. Eu não era uma pestinha e sempre ela tinha que me levar para APAE e psicologas para tentar resolver o problema de eu não conseguir fazer amizades com os meus coleguinhas de escola.

Percebo hoje que os meus contemporâneos estão nervosos só de saber que terão um filho. Lembro do meu amigo Hawk com orgulho de ter um rebento como poucos. Mas tem gente que tem horror a crianças pelo simples fato de perder a liberdade de ser um homem ou mulher livres e sem amarras pelo fato de não ter que cuidar de alguém.

Isso é uma tolice. Eu não tenho filhos porque não daria conta. Mas vejo os meus contemporâneos sendo os velhos narcisistas de sempre que temem que uma criança estrague suas vidas. Isto me lembra o filme Love, de Gaspar Noé onde Murphy fica se lamentando de ter tido um filho do que ser um atleta sexual para a sua amante Elektra.

Hoje, os meus contemporâneos querem ter filhos. Mas esqueceram do fato de cuidar de uma criança exige trabalho e custo-bebe é alto porque tem a conta da TV fechada, a mensalidade da escola junto com o salário da babá que cuida do rebento enquanto o casal está trabalhando para pagar tais contas com um esforço árduo que todo mundo entende.

No meu caso, meus pais foram mais maduros e responsáveis que a geração atual de pais e mães. Posso ter nascido de forma acidental, mas tenho orgulho pelo fato de minha mãe e meu pai ter orgulho de um filho que tinha problemas psicológicos. Mas nunca se abateu. Bem, estou vendo um bando de mimados e imaturos com filhofobia extrema.

Minhas amigas mais velhas

No filme “O Estranho caso de Benjamin Button”. Button faz amizade com uma senhora de idade interpretada por Tilda Swilton. A relação afetiva de um homem e de uma mulher em um hotel com poucos hospedes durante a segunda guerra mundial se faz presente na minha vida quando lembro de minhas amigas mais velhas que fiz no mundo virtual.

A amizade se construiu através de meu jeito educado de ser. Em tempos em que o amadurecimento foi deixado de lado em prol de uma eterna adolescência imatura e medíocre. Ter amigas mais velhas te dá uma sensação que possa compartilhar experiências em uma conversa através de uma troca de ideias interessante para ambos os lados.

Eu me sinto um Benjamin Button onde tenho uma maturidade de adulto mesmo para uma criança de 11 anos que vai voltando a tenra idade aos 28 anos quando vê um desenho da Hanna Barbera em um canal de desenhos animados que só existe no mundo das TV por assinatura. Isso seria um equilíbrio perfeito para um sujeito de minha estirpe.

Minhas amigas mais velhas como Rosana e Ana Paula se impressionam comigo por ser um jovem que tem uma mentalidade onde discute as grandes questões do mundo moderno como o Oriente Médio e o Brexit atrás de um computador onde faz piadas que este planeta que perdeu juízo com as suas lutas internas que ninguém compreende direito.

Essa é uma reflexão que faço quando converso com a Ana Paula e a Rosana. Afinal, sou um ser jovem que faz reflexões sobre a vida e deseja ter amigas mais velhas para poder conversar sobre as últimas do continente europeu e da política britânica por exemplo. Porém, é muito importante ouvir a voz da experiência como dizia o jogador do Tabajara Futebol Clube, Wantuirson, interpretado pelo casseta Beto Silva.

Enfim, essas amizades valem a pena.

Entre os detritos do Skylab e os pagamentos da BBC

Eu escrevo sobre política britânica e australiana rotineiramente desde do ano passado. As minhas fontes de informação são as newsletters do jornal britânico The Guardian e do diário americano New York Times. Além do serviço do Daily Telegraph junto com algumas visitas esporádicas no The Australian e acompanhar o twitter.

Percebo que certos fatos passam despercebidos por nossa imprensa tupiniquim. Um exemplo é a queda de detritos da estação espacial americano SkyLab em 1979 que assustou os moradores do sul da Austrália. Na época, o então premiê australiano Malcolm Frasier disse que estava impressionado com a avançada tecnologia yankee tinha caido em sua nação. Tanto que o presidente americano Jimmy Carter pediu desculpas.

Outro fato dessa dicotomia é não termos alguém em Londres para cobrir a mídia britânica. Amanhã, a BBC irá divulgar a lista de empregados que ganham mais de 100 mil pounds por ano como uma contrapartida que o governo exigiu para renovar a Royal Charter que criou a emissora pública de rádio e TV. Isso cria controvérsias em Londres.

Mas nossa imprensa pede que os nossos correspondentes em Londres foquem apenas em cobrir a última exposição do National Gallery invés de se credenciar para acompanhar os eventos no Nº10 da Downing Street e no parlamento britânico em Westminster. Pior ainda a negligência da mídia em mandar um correspondente para a Austrália em um momento de expansão dos serviços do Guardian e do NYT.

Fico me perguntando porque os nossos jornalistas e editores ainda pensam que Londres é uma cidade onde os britânicos tem o sotaque como estivessem falando com batata na boca e que a Austrália é um território de bichos exóticos como o Canguru, Coala e o Ornitorrinco. Afinal, ainda somos um país fechado para a cultura anglo-australiana. É uma pena para nós que gostamos de falar inglês e ver Doctor Who.