Na cápsula do tempo

Nos anos 1990, o criador do seriado The Simpsons, Matt Groening criou uma série chamada Futurama onde um sujeito desejado chamado Fry é congelado no reveillon de 2000 e despertado no ano 3000. Lembro disso para retratar a minha vida tão parada em um tempo distante do presente em que nós vivemos e temos que lidar com gostos e desgostos.

Pareço ser uma capsula do tempo ambulante decifrando os tempos antigos. Me lembra de uma vez que escrevi um relato entre um debate entre políticos britânicos como Roy Jenkins e Tony Benn sobre a permanência do Reino Unido no mercado comum europeu que seria decidida em um referendo em 4 de junho de 1975 com a vitória dos europeístas.

Isso lembra as feiras do futuro realizadas nos Estados Unidos durante os anos 1930 conhecidas como Futuramas. Tanto que a cidade de Oklahoma decidiu ir além e resolveu enterrar um carro como o Chyrsler 300 de 1957 em uma rua com concreto que tinha uma proteção contra um ataque nuclear. O veículo foi desenterrado em 2007 e o mundo era muito diferente do que se imaginava.

O futuro do pretérito era diferente do que era imaginado. Temia-se um holocausto nuclear entre Estados Unidos e União Soviética. O mundo imaginava que teríamos carros voadores, não-poluentes e movidos por motores elétricos. Além de dispor uma tecnologia hi-tech. Porém, os automoveis andam sobre rodas até hoje neste planeta.

Mas temos que reconhecer que tal projeção do futuro não se concretizou como uma forma de termos a paz por via de uma modernização tecnológica comandada por computadores e mentes avançadas. Isso nos faz refletir em quais caminhos nós erramos em nossa ciência de tentar prever um tempo distante. Voltamos as cápsulas do tempo.

Lendo as newsletters

Nos anos 1950, a Austrália não tinha um jornal de circulação nacional. O grupo Fairfax tinha jornais como o Sydney Morning Herald cujo os exemplares eram enviados por avião para regiões distantes do país. Então, Rupert Murdoch cria o The Australian e os diários metropolitanos perdem força no mercado editorial com o passar dos anos.

Contei essa história para falar que estou me informando sobre política australiana por meio de um newsletter da edição australiana do jornal britânico The Guardian junto com a criação da surcusal aussie do diário americano The New York Times. Isso me faz ser um australianófilo que acompanha as desventuras do premiê Malcolm Turnbull.

Mas o hábito de abrir o meu email para ler newsletters é uma coisa que estou me acostumando rapidamente. É como se fosse abrir um jornal para ler no café da manhã como era comum nos Estados Unidos dos anos 1950 onde os madmens iriam para as agências de publicidade para discutir novas ideias atrás de um bom copo de Dry Martini.

És um mundo novo com qual estou lidando bem para ler as reportagens e os assuntos do dia mesmo não tendo um amigo para comentar sobre a política australiana, os rumos do Reino Unido e as recentes atrocidades cometidas por Donald Trump no Twitter. Me sinto aquele senhor que senta na poltrona para ler as boas novas do planeta.

Bem, eu lido bem com isso porque escrevo sobre tais assuntos nos meus blogs. Mas me pergunto porque os jornais brasileiros não fazem boas newsletters com um resumo apurado dos assuntos invés de por um monte de links para sites dos mesmos. Eles deveriam ter aprendido com o trabalho feito pelo grande Sydney Monrning Herald, The Age, The Australian, The Guardian e New York Times.

As nostalgias do nosso mundo

Em 2006, a revista Der Spiegel publicou uma reportagem sobre a onda de nostalgia nos países do leste europeu dos tempos que formavam a cortina de ferro. Tais nações celebravam o fato do comunismo ter criado um sentimento onde podia se comprar um refrigerante local para combater a coca-cola ou uma moto para rivalizar com a Harley-Davidson.

Isso me lembra dos britânicos se agarrando com o orgulho dos tempos de um império onde o sol nunca se pões ou os franceses se lembrando dos momentos onde tal nação era um polo formador de filósofos e escritores admirados por todo mundo. Mas estes tempos nunca voltam para trás e ainda perseguimos tal passado glorioso de nossas mentes.

Eu lido com isso quando vejo senhores defendendo a volta da ditadura militar ou estudante universitários desejando estar no tempo em que a União Soviética botava medo no mundo capitalista. Mas me pergunto se tais pessoas estariam dispostas a lidar com um presente incerto e um futuro enigmático de nossas vidas neste pequeno planeta.

Se saímos do plano político-ideológico. Temos uma sensação de deja-vu no mundo cultural com a celebração de lançamentos de obras-primas do hemisfério ocidental que nos faz ter uma memória sentimental de um tempo no qual nunca vivemos, mas sempre tem o fervor de cultivar uma nostalgia como uma forma de crítica a opção errada que foi escolhida pela humanidade.

Eu faço um mea-culpa por ouvir músicas antigas. Mas não procuro uma nostalgia de um tempo distante no passado da história humana. Mas quero ter uma noção exata do presente para poder lidar com as incertezas do futuro que ainda me rondam. Isso exige reflexão e tempo. Mas temos que dar um passo de cada vez para não ficarmos presos as nossas nostalgias pessoais.

A volta

Sempre fui um turrão na minha vida por ser intransigente em minhas convicções. Mas tem coisas onde podemos ser flexíveis. Hoje, após um longo exílio forçado. Voltei ao grupo de baladeiros cariocas que foi citado anteriormente por este que vos posta por motivos de afinidades com aquelas pessoas que gostam de curtir a vida na cidade maravilhosa.

Quando voltei ao whats. Meu amigo Luis festejou a minha volta. Ele é um sujeito que está sempre tentando achar a sua metade da laranja. Lembro da nossa versão brasileira do Johnny Depp conhecido como Vini Depp. Além da Nilda com sua paixão pela Moto GP junto com a seriedade do Romulo em lidar com tal pessoal e seus desejos.

Isto me sinaliza que ainda sou aceito pelos descolados como os baladeiros cariocas junto com os indies de Recife liderados por John. Mas ainda não ouço as músicas que eles gostam por eu ainda ser uma cria do mainstream perante a multidão do underground e do eletrônico que eles tanto ouvem no spotify, mas que desconheço profundamente.

Eu ainda tento uma aproximação com o pessoal de curitiba desde que perdi o contato em 2013. Não sei se a dona do grupo ainda me acha um chato e prevísivel por eu ainda ouvir a BBC Radio 4. Mas nesse caso, eu tenho minhas amigas como Jéssica, Bianca e a fonte oficial anônima para conversarem comigo sobre o mundo e a humanidade.

Tem certas coisas que ainda me fazem crer que não sou um ser solitário-turrão que cuida das dores do mundo como se fosse um anjo do filme Asas do Desejo, do cineasta alemão Win Wenders quando se deparava com a humanidade e seus dilemas na então Berlim Ocidental dos anos 1980. Mas enfim, voltei ao grupo e vou procurar não sair dele.

Será que esquecemos de algo?

Eu não sou muito de comentar a vida de celebridades porque tenho muita coisa para fazer. Mas me deparei com um polêmica pelo fato de um celebridade adolescente como a Maísa Silva deu um toco no apresentador do SBT Dudu Camargo durante um programa de tal emissora. Ao ver uma reação furiosa de ambos os lados. Me perguntei se nós esquecemos de algo?

Eu lendo as notícias de tais fatos. Percebi que a mídia culpa a internet e seus haters enquanto Dudu e a Sônia Abraão culpam a Maísa. E não vi gente fazendo uma analíse quem realmente é o hater ou perguntar para a tal garota porque não teve tato para lidar com o Dudu. Daí reforço a minha tese que esquecemos de algo em nossa mente.

Se por um lado, Dudu fez brincadeiras de gosto duvidoso para agradar o Silvio Santos. Por outro, Maísa fez uma cara de nojo só por estar ao lado de um garoto antes do começo da troca de gentilezas patrocinada pelo dono do SBT, que poucos se lembram que ele não sabe lidar com crianças ou adolescentes simplesmente porque ele lhes tratam como se fossem adultos.

Nós nos esquecemos de fazer tais perguntas: 1) Porque Dudu age assim? 2)Será que a Maísa deveria ter um jogo de cintura? 3) Porque Silvio Santos tinha um certo prazer em ver uma situação constrangedora para ambas as partes sem intervir para divertir o seu telespectadores que desistam de assistir a TV aberta para ver um filme na TV a cabo? 4) Quem são os haters de Dudu e Maísa e como eles afetam tal cenário de guerra de redes sociais?

Tais perguntas que nós deveríamos fazer quando lemos uma nota sobre a vida das celebridades. Me deparo que tais notícias são usadas para nossas críticas pecaminosas sobre uma vida que invejamos por fora e desejamos por dentro. Se nós queremos entender como vamos lidar com isso daqui pra frente. Vamos ter que perguntar para Dudu e Maísa.

Conversando com as novas gerações

Sempre mostrei os meus fracassos em tentar contato com está nova geração de humanos. Mas nem tudo está perdido. Estou conseguindo fazer novos contatos com tais jovens e tendo êxito de ter amizades com diferentes gerações. Não se trata apenas de falar das séries teens ou descrever o mundo pós-internet para os rookies deste tempo.

É fácil ser um rabugento que critique as novas gerações. Tanto que isso foi discutido em vários países desde de 2016 quando os britânicos decidiram sair da União Europeia para reviver um passado glorioso assim como os americanos elegeram Donald Trump ao ouvir o canto do passáro de reviver os tempos gloriosos do make america great again.

Mas não via uma maneira de aproximar as gerações mesmo tendo ressalvas por ambas as partes. Os jovens desejam uma revolução enquanto os velhos querem uma forma de preservar suas conquistas. Isso é uma equação cuja a resposta não se encontra em uma página de opinião de um jornal ou em um tweet publicado no facebook.

Esse é um trabalho demorado e que demanda uma ampla compreensão sobre o ser humano em si. Os jovens seja americanos seja britânicos queriam eleger Bernie Sanders ou manter o Reino Unido na União Europeia. Mas tais aspirações foram varridas do horizonte por pura vaidade misturada com uma nostalgia de tempo que não voltará ou uma incerteza do futuro.

Então, temos que procurar um dialogo entre gerações para que seja importante estudar o passado para entender o presente e mudar o futuro. Isso poderá manter o bom senso da humanidade que foi esquecido nos últimos anos. Isto demandará trabalho e além de uma constante troca de ideias para que nós possamos dar um passo certo mesmo sendo um jovem ou um velho.

Os seres incolores

Em 2013, o escritor japonês Haruki Murakami lançou um romance chamado o incolor Tsuruku Tazaki e os anos de peregrinação. Em tal obra, Murakami retratou a solidão junto com o fato de Tsuruku ser rejeitado por um grupo de amigos na adolescência por ser um sujeito desinteressante e graças a um novo amor, ele correu atrás de seu passado.

Eu lido com isso ao ouvir os desabafos de meus amigos, conhecidos e parentes. Parece que a vida não lhe foi generosa se for comparada com um vizinho próspero ou um conhecido felizardo. É como se fosse aqueles encontros de colegas de escolas para comparar quem deu certo ou errado logo após sair da certeza dos anos escolares para a incerteza do mundo adulto.

Outro romance que retrata bem isso é a tetralogia Coelho do finado escritor americano John Updike. Onde ele conta os desatinos de Harry Rabbit, que estava predestinado a ser um astro do basquete. Mas por causa de uma lesão. Ele se contentou a ser um vendedor de carros japoneses nos tempos em que o status do americano é ter um Cadillac.

Nós não temos controle sobre o nosso destino. Mas percebo que as pessoas com quem convivo se sente incomodadas ao ver uma pessoa que deu certo ou que seja interessante. Meus amigos de MBTI lidam com essa frustração a todo tempo ao ver um extrovertido feliz ou vejo todos aqueles que liam a saga Harry Potter se perguntando se são sonserina ou grivinólia da vida.

A pergunta que me faço é se estamos lidando com seres incolores como retratados no romance de Murakami. Tsuruku é incolor em japonês e foi rejeitado por seus amigos que tinham nomes de cores no idioma nipônico. Isso nos permite uma reflexão sobre nós mesmos a nossa capacidade de reinventarmos em um mundo tão cinzento como o nosso.