Os apoios de Copenhague e Varsóvia

Hoje, o primeiro-ministro britânico David Cameron visitou a Polônia e a Dinamarca para conquistar apoios para a sua proposta de permanência do Reino Unido na União Europeia. Enquanto o premiê dinamarquês Lars Lokke Rasmussen defendeu a mesma dizendo ser aceitável e compreensível. A primeira-ministra polonesa Beata Szydlo apoiou o acordo afirmando que o plano bretão aumenta o poder dos parlamentos nacionais.

As palavras de Szydlo e Rasmussen vem em uma boa hora para o primeiro-ministro britânico. Isso com o fato que a campanha eurocética está dividida e deflagrada em um conflito interno sobre qual grupo vai liderar a campanha como o Vote Leave e o Leave EU. Isso facilita o trabalho dos europeístas que podem adotar uma postura única e aglutinar vários grupos com diferenças ideológicas, mas defendendo a permanência do país na UE.

A viagem a Polônia e Dinamarca tem sido estratégica porque os dois países são considerados eurocéticos e inclinados a adotar reformas na União Europeia em clausulas pétreas como a livre-circulação de pessoas entre os países-membros e o controle das fronteiras para a imigração. Tanto que Copenhague não adotou o Euro para manter sua soberania monetária.

Mas Varsóvia está receosa sobre a quarentena de 4 anos imposta aos cidadãos dos países-membros do bloco europeu que vivem no Reino Unido. Tanto que Szydlo prometeu discutir este assunto com o seu gabinete. Mas Cameron teve um encontro com o ex-premiê e lider do partido governista Justiça e Lei, Jaroslaw Kaczinski, para garantir o apoio polonês.

Nos próximos dias serão de intensas negociações entre Londres e Bruxelas sobre o acordo definitivo que possa ser aprovado pelos chefes de estado e de governo dos 28 países-membros da União Europeia. Vai ser um longo trabalho para formar um consenso que possa diminuir os ânimos tanto no Reino Unido quanto no continente europeu onde Cameron tem apenas o apoio de Copenhague e Varsóvia.

Polônia e a mídia

Ontem, a Polônia promulgou a nova lei de mídia. O presidente Andrzej Duda assinou a medida onde os diretores do canais de tv e rádio públicos tem que ser indicados ou demitidos pelo governo. Antes, isso era feito por um órgão independente. Isso criou uma grande controvérsia entre o país e a União Europeia

Duda acredita que a mídia pública polonesa tem jornalistas que podem influenciar na cobertura dos fatos. A nova lei vai ajudar a ter meios de comunicação isento, confiável e imparcial. Mas como um decreto pode garantir a credibilidade do serviço público de informações trocando diretores a qualquer momento.

Fica claro que o novo governo polonês quer uma mídia mansa. A polônia tem quatro canais de tv e 200 rádios de origem pública. O líder do partido populista Justiça e Paz, Jaroslaw Kaczinski, quer remodelar a Polônia. A simples lei que permite demitir e contratar diretores dependendo do seu humor é inaceitável.

Tanto que a União Europeia ameaça usar o artigo 7 do tratado de Lisboa em que retira o poder de voto de ministros de um país-membro do conselho europeu caso não cumpra as determinações dos princípios que regem o bloco. Tal ato poderia ser usado em último caso como uma forma de pressionar Varsóvia.

Acusar os jornalistas de influenciarem o público com a sua visão ideológica é puro primarismo cometido por um governo como o nacionalismo polonês. A oposição e a União Europeia podem conter tal absurdo promulgado pelo presidente Andrzej Duda. Mas não será fácil para reverter isso.

 

 

Eleições pelo mundo

  • Na Polônia, O conservador Andrzej Duda vence o segundo turno da eleição presidencial por 57% dos votos. Problema para os russos e alemães.
  • Na Espanha, nas eleições locais, o partido anti-austeridade Podemos e o movimento anti-corrupção Ciudadanos ganharam votos e podem complicar a vida dos conservadores e socialistas na para a eleição geral no fim do ano. Ou seja, dores de cabeça para o primeiro-ministro Mariano Rajoy.

Polônia barra motociclistas russos por serem puxa-sacos do Putin

Hoje, a Polônia barrou 10 motociclistas russos que pretendiam refazer o trajeto do exército vermelho para conquistar Berlim na vitória aliada na segunda guerra mundial. O clube russo The Night Wolves é acusado de dar suporte para os rebeldes ucranianos e além de apoiar a ofensiva militar na Crimeia. Tal grupo é conhecido por apoiar o presidente Vladimir Putin. Tanto que os poloneses chamam de versão Kremlin do grupo Hells Angels. Pelo jeito, estes motoqueiros vão querer invadir a Polônia de qualquer jeito.

As escutas polonesas

Nos últimos anos, a Polônia vem se destacando no cenário político europeu por não ter sofrido as graves consequências da crise econômica além de ter atraído investimentos externos. Após os anos de nacionalismo dos irmãos gêmeos Jaroslaw  e Lech Kaczynski, o país tomou o rumo certo com o primeiro-ministro Donald Tusk.

Mas Tusk enfrentou a sua primeira crise polítca após 7 anos no cargo de premiê. As escutas gravadas por um empresário e que foram entregues a revista Wprost revelam a posição de ministros de Tusk e suas indiscrições em relação a permanência no governo tendo em vista as eleições gerais de 2015

As gravações revelam as opiniões de ministros como Radoslaw Sikorski (Relações exteriores) que afirmou que a aliança com os Estados Unidos é inutil e que o primeiro-ministro britânico David Cameron é um incompente em política européia. Já o Marek Belka (presidente do Banco Central)e  Bartlomiej Sienkiewicz (Interior) discutiram o papel do banco na votação em 2015 sendo que o BC é independente.

Isso criou um embaraço para Tusk, que teve submeter seu governo a um voto de confiança no parlamento para que as eleições não fossem antecipadas. Tusk obteve uma maioria tranquila para permanecer no governo até 2015. Mas criou uma fissura em um governo que parecia ter a eleição garantida.

Tusk terá que provar para a coalizão que lhe apoia que é um ser correto e capaz de liderar a Polônia pelos próximos anos. Isso exige que a votação de 2015 seja feita de forma séria e que os ministros flagrados nas gravações renunciem. Principalemente Sikorski, que tem pretenções européias. Os próximos dias serão fundamentais para o futuro polonês.

 

 

As palavras de Sikorski

O ministro das relações exteriores da Polônia, Rasdolaw Sikorski deu uma entrevista ao programa Hardtalk (BBC News) sobre a situação da Ucrânia. Ele discutiu sobre a questão Crimeia e suas consequências sobre a política européia. Sikorski afirmou que referendo da independência da peninsula é ilegal porque não foi aprovada pelo parlamento ucraniano.

Bem, as palavras de Sirkoski mostram a ascensão da Polônia como player político na Europa. Ele foi um dos representantes da União Européia que mediou o acordo entre o ex-presidente Viktor Yanukovych e a oposição. Sobre isso, O ministro afirmou que tal acordo não foi ratificado pelo líder deposto porque ele fugiu do país.

A Polônia mostra como ponte entre os interesses ocidentais e a Ucrânia. A política externa polonesa tem sido dura com os russos, mas evita a aplicação de sanções por causa do fornecimento de gás para o continente europeu. Sikorski já disse que a Rússia abriu as portas do inferno com a intervenção militar na peninsula da Crimeia.

A Polônia já autorizou o envio de caças F-15  e aviões de reconhecimento da OTAN para o seu território. O país é membro da aliança militar ocidental e tem sediado exercícios militares para caso que a situação piore. Os poloneses estão se preparado para enfrentar os russos caso for necessário, mas tem usado a diplomacia como forma de pressionar os russos.

As palavras de Sikorski tem sido importantes para decifrar os próximos passos de ucranianos, russos e europeus por causa desta crise. Temos que esperar os próximos atos que serão decisivos para o desfecho do mesmo. Mas o ministro polonês exibe cuidado e ao mesmo tempo determinação para evitar uma guerra.