O caipira de Pindamonhangaba

Eu tenho raízes caipiras pelo fato de minha família vir do campo. Tanto que nasci em um cidade do interior como Pindamonhangaba (onde moro até hoje). Isso me faz ter que me explicar porque o DDD é 12 enquanto os baladeiros cariocas usam o DDD 21. Tanto que as pessoas pensam que sou um fake por ter uma fala tão estranha para um público acostumado com palavras como sarrar.

Isso é normal para mim. Muitas pensam que uma pessoa como eu que mora em uma cidade do interior não acompanha os dramas do mundo. Existe uma visão de quem mora nas capitais ou em grandes cidades do interior de quem é um caipira possa ser um sujeito ingenuo e deslumbrado com a metrópole. Mas isto é uma visão equivocada.

Isto me lembra uma vez em que um conhecido virtual que estudava história na Unicamp não sabia da Operação Oxigene onde o serviço secreto francês queria sabotar um navio do Greenpeace na Nova Zelândia para evitar um protesto contra os testes nucleares na polinésia francesa. Então, espantado. Ele me perguntou que François Mittiterrand era um terrorista?

Muitas pessoas que moram nos grandes centros ignoram que exista uma vida inteligente em lugares improváveis como Pindamonhangaba. Não temos por exemplo, um teatro. Mas temos uma faculdade de artes cênicas junto com cursos de teatro amador onde pode entender a dramaturgia de maneira interessante e tendo alunos ávidos por conhecimento.

Isso já me fez amigos e inimigos ao longo da minha vida. Lembro de uma dançarina burlesca que me deletou de comum acordo porque me considerava chato e prevísivel pelo fato de sempre estar citando ouvir a BBC Radio 4 em 2013. Depois, um amigo me disse que ela era de Minas e ficava sendo poser em Curitiba. Coisas de um caipira de Pindamonhangaba.

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Meu lado Roy Jenkins

1967, o Reino Unido discutia se a homossexualidade ainda era considerada crime. Mas isso foi resolvido com a decisão do então secretário do interior trabalhista Roy Jenkins. Ele foi considerado o mais liberal chefe do Home Office na história por permitir que os gays não fossem punidos e ter permitido o aborto em um país em seu momento conservador como o GBR dos anos 1960.

Percebo isso quando converso com os meus amigos gays sobre variados assuntos. Eles confiam em mim como bom confidente além de não me julgarem por ser um liberal-conservative. Jenkins é considerado um verdadeiro social-democrata por entender as demandas de uma sociedade em constante mudança como uma revolução em marcha.

Isso se reflete em questões externas como a entrada do Reino Unido na então comunidade europeia em 1973 e no referendo de 1975 onde ele fez uma campanha onde gastou a sola do sapato por todo país para explicar as vantagens do mercado comum europeu para uma sociedade que estava desconfiada com o temor da perda de empregos com a integração europeia.

Um momento importante disso foi um debate entre Jenkins e o eurocético Tony Benn (então secretário das indústrias) exibido ao vivo no programa Panorama da BBC One para o desespero do primeiro-ministro trabalhista Harold Wilson que temia uma profunda divisão dentro do partido trabalhista que pudesse permitir a volta dos conservadores liderados por Margaret Thatcher.

Se sempre existiu a figura personalista de um homem que personificou os ecos de uma sociedade ansiosa por mudanças e ao mesmo tempo, se propôs ao oferecer uma agenda de ideias e propostas que julgavam ser necessárias para o futuro de sua pátria. Tenho que reconhecer o trabalho de Roy Jenkins em favor do Reino Unido e dos homossexuais.