A carta de Cameron

Na terça-feira passada, o primeiro-ministro britânico David Cameron enviou uma carta para o presidente do Conselho Europeu, o polonês Donald Tusk, com a sua proposta de reforma na União Europeia. A iniciativa foi recebida com a receio e críticas feitas tanto europeístas quanto eurocéticos sobre a credibilidade de Cameron e a viabilidade de tais propostas servirem de base a uma negociação dura entre Londres e Bruxelas.

A proposta de Cameron se resume em quatro princípios:

  • Controle da imigração intra-europeia
  • Proteção do mercado comum aos países que não adotaram o Euro como sua moeda nacional
  • A não adesão do Reino Unido no processo de integração europeia e aumentar a autonomia do parlamentos nacionais
  • E ter uma meta para as economias europeias como forma de aumentar a competitividade.

As propostas defendidas por Cameron foram criticadas pela sua falta de ambição como disse o ex-Chancellor of Excherquer conservador Nigel Lawson. A oposição trabalhista criticou a carta do primeiro-ministro conservador como é de costume. Mas a surpresa vem do próprio partido conservador onde os backbenchers eurocéticos como John Redwood e Jacob Rees-Mogg fizeram discursos duros contra o governo.

Isso remonta a 1975, quando o Reino Unido realizou um referendo sobre a permanência do país na Comunidade Europeia. Isso dividiu o governo trabalhista do premiê Harold Wilson que tinha duas figuras antagônicas como o europeísta Roy Jenkins e o eurocético Tony Benn. A divisão entre os trabalhistas fortaleceu os conservadores europeístas como o ex-primeiro-ministro Edward Heath e a então líder da oposição conservadora Margaret Thatcher que venceram a votação com uma ampla vantagem.

A carta de Cameron mostra quão complicada vai ser a negociação entre Londres e Bruxelas sobre a permanência do Reino Unido na União Europeia. As concessões terão que ser honestas para ambos os lados. Isso vai ajudar a esclarecer a população sobre as vantagens e desvantagens de permanecer como membro da família europeia como dizia o ex-presidente da comissão europeia Jacques Dellors. Esse é o começo de uma longa negociação sobre o futuro da Europa e principalmente do Reino Unido.

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