Nossas contradições cotidianas

A internet brasileira é um campo de guerra cultural entre os ativistas e zoeiros. A simples ironia feita pelo vocalista do Ultraje a Rigor, Roger Moreira por causa da hashtag #Primeiroassédio gerou uma onda de críticas nunca vista antes na história. Mas isso me inquieta ao vermos pessoas tão perfeitas moralmente no mundo virtual e imperfeitos escrotos no cotidiano. Temos que levantar um debate sobre nós mesmos e nossas atitudes.

Se nós queremos combater a pedofilia na internet por causa de uma avalanche de tweets sobre uma menina de 12 anos que participa de um reality show não se faz com hashtags ou uma cruzada moral contra os pervertidos do mundo real. Temos que ter uma autocrítica sobre nós mesmos. Mas isso é algo rarefeito no Brasil onde é mais fácil acusar, zoar e denegrir do que ter uma atitude de reconhecer os nossos erros como sociedade.

Isso é uma contradição que convivo desde que comecei a escrever na blogosfera em 2008. Já passamos por inquisições morais contra humoristas, pessoas comuns e afins que fizeram uma atitude que segundo o ponto de vista de um ativismo estúpido era uma degeneração de caráter. O politicamento correto é uma simples demonstração de hipocrisia destilada tanto por seres ideológicos quanto por porta-vozes do conservadorismo puritano.

Ao mesmo tempo que temos uma lei anacrônica sobre estupro ou uma crise existencial quando lemos uma ironia. Percebo que o Brasil é um país de contradições que não são resolvidas com um simples click. Se uma sociedade é plural, tem que preservar as opiniões antagônicas para termos um debate sensato sobre os rumos da nação. Mas somos testemunhas de uma gritaria sem nexo tanto de profetas estúpidos quanto de ativistas que mal sabem o que falam.

Se queremos ter uma ampla conscientização sobre o mundo que vivemos. Temos que olhar para o nosso próprio umbigo. Não se combate pedofilia, trafico de drogas, corrupção e afins com campanhas toscas e baladas do gênero. Temos que discutir isso sem termos ongs ou qualquer tipo de profeta que oferece o caminho da salvação tentando impor uma visão arcaica da sociedade. Vamos enfrentar as contradições ou esperar mais uma picuinha social no mundo virtual?

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