Corbyn em Westminster

As últimas semanas no Reino Unido mostram como vai ser acirrada a disputa nas eleições gerais de 2020. O novo líder trabalhista Jeremy Corbyn prometeu nacionalizar a linha ferroviária além de construir casas para os sem-teto. Ao mesmo tempo, o shadow chancellor John McDonnell teve que rever a sua posição sobre o déficit fiscal tão logo assumiu o cargo como forma de dizer que mudou de posição pelas circunstâncias.

Corbyn está adotando posições que possam criar uma alternativa a austeridade e o déficit zero propostos pelos conservadores. Mesmo dizendo sobre a crise do custo de vida como fazia o ex-lider trabalhista Ed Miliband. Isso pode causar mais problemas diante de um eleitorado desconfiado com as propostas estatizantes defendidas de forma sistemática por Corbyn e seu shadow cabinet ao longo das últimas semanas.

Mas a principal aposta dos trabalhistas continua sendo a Europa. Diante do referendo sobre a permanência do Reino Unido na União Europeia que vai ser realizado em 2017. Corbyn pode contestar as propostas defendidas pelo primeiro-ministro conservador David Cameron, que ainda serão apresentadas nas próximas semanas. As exigências são de suma importância sobre o rumo a ser tomado nas negociações entre Londres e Bruxelas.

Corbyn vai defender a Europa como nunca diante de populismo eurocético representado pelo líder do UKIP, Nigel Farage. Os trabalhistas vão ter o apoio dos nacionalistas escoceses do SNP, liberais-democratas e setores pró-Europa dos conservadores. Isso pode ser importante para desgastar Cameron, que mesmo tendo maioria em Westminster, mas não tem controle dos parlamentares rebeldes do seu próprio partido.

Corbyn tem um cenário interessante que tanto pode fortalecer quanto enfraquecer os trabalhistas até as eleições de 2020. Mas a tentativa de ser um novo Michael Foot ou Harold Wilson pode lhe custar caro a trazer mais problemas para os trabalhistas. Ter apoio de um eleitorado centrista que tende para o lado conservador por conduzir bem a economia será um grande desafio que Jeremy Corbyn terá pela frente nos próximos cinco anos.

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