A confissão de Jean-Luc Kister

Ontem, o mundo repercutiu a declaração do ex-agente do DSGE Jean-Luc Kister. O francês assumiu sua responsabilidade na Operation Satanique. Em 24 de setembro de 1985, dois agentes franceses colocaram duas minas explosivas no navio do Greenpeace, Rainbow Warrior, que estava ancorado na Nova Zelândia. A ONG ambientalista iria fazer um protesto contra os testes nucleares conduzidos pela França na Polinésia Francesa em 1985. Isso causou a morte do fotografo português Fernando Pereira.

Kister deu uma entrevista ao site francês Mediapart e a tv neozelandesa TVNZ onde assumiu a culpa pelo atentado e que tinha consciência sobre tal ato. A França conduzia testes nucleares na Polinésia Francesa. Mas o Greenpeace via tais experimentos como risco para o ecossistema local. O Rainbow Warrior era uma forma de fazer protesto e evitar a detonação de uma bomba atômica. Isso era visto com desconfiança em Paris.

A morte de Fernando criou um clima de questionamento sobre o serviço secreto francês, DSGE. A confissão de Kister reforça que a Operation Satanique tinha o apoio de Paris. Principalmente do presidente François Mittiterrand. As reportagens publicadas pelos jornais como Le Monde em 1986 e o britânico The Guardian em 2005 divulgavam documentos secretos que evidenciavam a participação do governo e um ato de terrorismo como o próprio Greenpeace classificou.

O fato de uma ativista ambientalista como a socialista Ségolene Royal está entre os tripulantes do barco causou a demissão do então ministro da Defesa Paul Quiles. O governo francês pagou uma indenização de 8.2 milhões de dólares ao Greenpeace. Dois agentes franceses foram condenados pela justiça neozelandesa por 10 a 7 anos de prisão. Mas foram soltos dois anos depois. A sensação de impunidade ainda está presente.

A França parou de testar suas bombas atômicas em 1996. Mas as revelações de Kister mostram como uma operação de sabotagem ainda causa calafrios em Paris. O Greenpeace ainda quer justiça. Algo que não pode ser alcançado. Por mais que Kister peça perdão pelo ocorrido. A Operation Satanique completa trinta anos com uma lembrança de que um estado pode fazer de tudo para que seus interesses não sejam prejudicados mesmo custando vida inocentes.

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