A primavera malaia

Sempre um governante que vê uma manifestação que pede a sua renúncia e que tem uma forte adesão popular começa a sentir que hora de parar de negar a existência de algo errado com país e passa viver em um mundo paralelo. Isso não é diferente na Malásia onde o primeiro-ministro Najib Razak nega veementemente o uso do fundo soberano estatal 1MDB para receber 700 milhões de dólares de origem desconhecida durante a campanha eleitoral do ano passado.

A Malásia é um país onde um partido está no poder desde de sua independência em 1965. Tal monolitismo político permitiu o desenvolvimento da economia local, mas restringiu a oposição e a democracia. Quando a população vestiu as camisetas amarelas como uma forma de protesto pedindo a renúncia de Razak. Isso mostra que os malaios querem um país menos corrupto e autoritário e ao mesmo tempo, mais liberdade para denunciar e exigir um governo melhor.

Razak é criticado por seu estilo luxuoso onde os gastos são muito altos diante de seu ego inflado. A renúncia tão exigida está sendo apoiada pelo ex-premiê Martihir Mohamad, que fez um discurso hoje onde pediu que os malaios derrubem o primeiro-ministro. Nas últimas semanas, Mohamad é um vigoroso crítico de um governo onde alguns ministros afirmam que os 700 milhões de dólares serviram para combater uma conspiração judaica.

Quando os malaios foram as ruas de Kuala Lumpur. Razak apelou nas redes sociais para que a parte da população malaia de origem chinesa não endossasse os protestos. Najib tem apoio da população por meio de uma política agrícola baseada em subsídios. Mas o carnaval onde mais de 25 mil pessoas reunidas em Kuala Lumpur para exigir a sua renúncia lhe causou um grande soco no estômago por ver as pessoas perderem medo da polícia ou de represálias.

Essas são as maiores manifestações do país desde de 2012. A revolta pode ganhar força nos próximos dias com o avanço das investigações feitos pela agência anti-corrupção. Caso fique comprovado que houve uma ação ilícita por parte de Razak. Os malaios vão aderir aos protestos e exigir sua renúncia como foi feito neste fim de semana. Isso é começo de uma longa primavera malaia da população que veste a camisa amarela e um longo pesadelo para Najib Razak.

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