A renúncia de Tsipras

Hoje, a Grécia viveu mais um dia de uma eterna crise política. O primeiro-ministro Alexis Tsipras renunciou ao cargo e convocou novas eleições gerais para setembro. A decisão foi tomada após a perda de apoio de parlamentares de seu próprio partido, a coalizão anti-austeridade Syriza nas recentes votações para aprovar as reformas econômicas exigida pela troika FMI/BCE/UE como contrapartida para receber um novo pacote de ajuda.

A maioria criada pelo Syriza se desgastou diante de tomar decisões controversas além de não cumprir a promessa de acabar com a austeridade que era proposta por Bruxelas. Mas logo viu a dura realidade de negociar as reformas duras para estabilizar a economia. A presepada de se convocar um referendo sobre as negociações com a União Europeia criou uma animosidade entre o Atenas e os ministros de finanças da Eurozona.

O maior crítico do populismo grego foi ministro das finanças da Alemanha, Wolfgang Schäble, que recebeu com alivio a aprovação do novo pacote de resgate feito pelo parlamento alemão além da implementação das reformas exigidas por Bruxelas. A saída de Yanis Varoufakis do cargo de negociador-chefe dando lugar ao discreto Euclid Tsakalotos permitiu que a negociação avançasse em pontos nevrálgicos sem ter arroubos populistas.

Tsipras tinha que aprovar tais reformas diante do desgaste de sua agenda populista. A convocação de novas eleições pode permitir a volta do Syriza no comando dado o fato de que establishment grego como o conservador Nova Democracia e o socialista Pasok ainda estão perdidos desde do início da crise grega em 2010. Tais partidos terão que repensar como irão se fortalecer em um momento que as palavras do Syriza encantam a população que não suporta a austeridade.

Os gregos terão que ter muita paciência para ver melhoras na economia local e a redução da taxa de desemprego que está na casa de 25% da população economicamente ativa. Esse novo momento propiciado pela renúncia de Alexis Tsipras pode tanto fortaceler quanto enfraquecer o líder do Syriza mesmo não conseguindo cumprir as promessas que encantaram uma população desacreditada na classe política que não consegue estancar a crise que ronda o país europeu.

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