As indecisões do trabalhismo

O Reino Unido está vivendo um momento importante com a disputa pelo cargo de líder do partido trabalhista. O favorito é Jeremy Corbyn. Corbyn é conhecido por sua retórica socialista que se diferencia de outros três candidatos que adotam a visão social-democrata do New Labour como Liz Kendall, Andy Burnham e Yvette Cooper. Tanto que tem um apoio tácito do ex-first minister escocês Alex Salmond em uma entrevista para The Andrew Marr Show (BBC One) para o líder das pesquisas Corbyn.

A disputa do partido exige uma renovação ideológica dentro dos estertores trabalhistas. Corbyn tem uma visão socialista que era adotada por Tony Benn enquanto Burnham, Cooper e Kendall adotam a estratégia da dupla Tony Blair e Gordon Brown. Só que isso foi abandonado por Ed Miliband, que levou os trabalhistas a uma derrota histórica na Escócia. Hoje, a BBC Scotland realizou um debate entre os candidatos a líder do Scottish Labour, Kezia Dugdale e Ken Macintosh onde defendem um independência entre o trabalhismo escocês e o britânico.

A grande questão é como será feito o renascimento do partido trabalhista. Se na era Miliband, tínhamos um partido adotando uma doutrina socialista em que tinha o foco a crise do custo de vida do que as soluções para conter o deficit fiscal do governo britânico. A autoausteridade imposta pelos conservadores como uma forma de ganhar votos e apoios decisivos para a vitória na eleição geral de maio passado. Os trabalhistas precisam recuperar o campo perdido tanto no Reino Unido como na Escócia.

Se a luta continua como disse Ed Miliband em seu discurso de renúncia. Mas como essa batalha será feita? A eleição de Corbyn pode exigir um novo partido. Ele é um azarão que está surpreendendo nas pesquisas com sua retórica anti-austeridade. Em um momento onde os cortes de gastos e benefícios prometido pelo Chancellor of Exchequer George Osborne prometeu na proposta orçamentária apresentada semanas atrás com o claro objetivo de conter a dívida pública junto com reformas para aumentar a produtividade da economia britânica.

Com isso, os conservadores ganham campo pela batalha pelo eleitor centrista. O enfraquecimento do viés social-democrata representado por Burnham, Cooper e Kendall junto com a ascensão de Jeremy Corbyn reforçam que o trabalhismo poderá viver um período de ostracismos como na Era Thatcher. A militância trabalhista precisa escolher um líder que possa unificar o partido e ser preparado para a batalha do referendo da permanência do Reino Unido na União Europeia. Enquanto isso, somos testemunhas da indecisão trabalhista.

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