Jean Charles

Há dez anos atrás, Londres vivia o pior de seus pesadelos ao ser alvo de um atentado terrorista da Al Qaeda. A Scotland Yard estava desorientada ao tentar desmantelar células terroristas dentro do Reino Unido. Mas o Brasil viu que um filho de sua pátria amada que tentava a vida na capital britânica foi morto pela polícia após uma sucessão de erros cometidos pelas forças de segurança. Jean Charles de Menezes era mais uma vítima de um efeito colateral de um estado que tentava conter uma ameaça que não tinha nome ou rosto.

Passado dez anos, a família de Jean Charles vai tentar reabrir o caso na justiça europeia. Em 2008, a corte de Londres decidiu não punir os policiais, mas deu a possibilidade do juri de usar o recurso do veredicto aberto. Isso possibilitou um acordo entre ambas as partes. Mas com a indicação de Ian Blair, chefe da Scotland Yard para uma vaga da câmara dos lordes e a promoção de Cressida Dick, a oficial que comandou a operação policial que matou Jean Charles ao posto de comando da segurança das olimpíadas de Londres em 2012.

Estes fatos surgem em um momento onde a legislação de direitos humanos britânica pode sofrer mudanças para evitar uma espécie de interferência política em cortes europeias. A família de Jean Charles deseja reabrir o caso para que a justiça seja feita mesmo passado dez anos da morte do brasileiro na estação do metrô de Stockwell. Desde de então, vários artistas como a dupla de música eletrônica Pet Shop Boys e o ex-vocalista da band The Smiths, Morrissey fizeram canções de protesto contra a Scotland Yard.

Agora, o Brasil deve atuar de forma mais intensa para que se evite a omissão que ocorreu durante o rito processual em 2005. Não estamos falando de um toma lá da cá. Mas sim de uma abertura de um novo inquérito para que as lacunas dos erros da operação da Scotland Yard sejam respondidas afim de um veredicto justo e um pedido de perdão por um erro tão fatal que tirou a vida de um brasileiro que apenas queria viver no Reino Unido para ajudar a família que vivia na zona rural de Minas Gerais.

Jean Charles é um exemplo dos erros cometidos afim de deter terroristas sacrificando as liberdades individuais usando métodos pouco convencionais. A grande questão é que o terrorismo não se combate usando os serviços de inteligência e segurança sem ter a segurança de que as informações que tais organizações tem em mãos são convincentes e que podem ajudar a deter um terrorista ou desmantelar uma célula terrorista sem usar a tortura ou matar um simples inocente como Jean Charles de Menezes.

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