O esporro e a agricultura francesa

Hoje, fui a uma loja de reparos com a minha mãe. Quando chegamos, o dono reclamou com um dos funcionários sobre o fato de terem pedido Super Bonder invés de outro produto que esteja em falta no estoque. Ele fez uma auditoria sobre o estoque e os custos do erro de tal funcionário. Após o esporro, conversei com tal senhor que explicou que não se pode pedir uma reposição de uma mercadoria que se tem em abundância. Ao mesmo tempo, agricultores franceses protestarão contra a política agrícola local.

Como um simples esporro e a agricultura tem em comum: a falta de prioridade. Um comerciante sempre busca agradar o cliente oferecendo produtos e serviços que atendem as demandas da população. Um agricultor tem que vender um produto de sua fazenda para atender a demanda do país. O custo disso tem de cobrir a prioridade que uma economia exige de seus protagonistas. No caso que testemunhei hoje, um pedido por mais pilhas. E na França, uma política que procure salvar a agricultura local.

O problema francês tem o agravante de uma forte política de subsídios junto com uma prática protecionista contra os alimentos produzidos fora do continente europeu. As reformas econômicas implementadas pelo primeiro-ministro socialista Manuel Valls e seu ministro de agricultura, Stephane Le Foll vão produzir sacrifícios para o tranquilo agricultor que não tem uma concorrência que faça ele procurar novos métodos e mercados para que seu alimento possa enfrentar um produto de países emergentes como o Brasil.

Quando o comerciante exigiu ver as contas de loja e viu que o dinheiro que fora investido de forma equivocada poderia lhe causar um prejuízo futuro. Mas não perdeu o seu bom humor e teve a paciência de me explicar seu método de vender um bom serviço sempre observando o que falta ou excede em seu humilde estoque afim de manter seu simples comércio competitivo em uma cidade onde a população sempre precisa comprar um material ou solicitar um serviço para a sua casa na região central de uma cidade.

O capitalismo sempre depende das prioridades de seus protagonistas. Mesmo com um agrado 600 milhões de euros para amenizar os efeitos das mudanças na política agrícola ou uma conversa sensata entre um funcionário e o patrão sobre a manutenção de seu estoque de produtos. A economia de mercado nos ensina que precisamos ter prioridades para que nosso trabalho de oferecer produtos e serviços se mantém competitivo mesmo enfrentando revoltas de agricultores franceses ou um esporro de um comerciante

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