O escândalo Toshiba

O Japão tem uma cultura de trabalho representada no respeito e lealdade baseada na hierarquia. Isso se reflete em sua cultura corporativa e nas empresas. Mas tal modelo de gestão que impressionou o mundo ocidental com o milagre econômico dos anos 1970 a 1980 está em crise. Hoje, o grupo Toshiba anunciou que seu executivo-chefe e presidente, Hisao Tanaka,  e seu vice-presidente no conselho administrativo, Masashi Muromachi, renunciaram após uma comissão independente encontrar erros nos balanços contábeis da empresa.

Os lucros foram inflados para atrair os investidores e acionistas mesmo com a concorrência pesada de empresas chinesas e sul-coreanas além dos problemas com divisão que cuida das usinas nucleares desde do fechamento das mesmas após o acidente nuclear na usina de Fukushima. Tal prática foi condenada pelo ministro das finanças Taro Aso afirmando que isso subestima a cultura corporativa japonesa além de prejudicar a recuperação da economia local promovida pelo primeiro-ministro Shinzo Abe.

Um funcionário não questiona as práticas adotadas por seu superiores no Japão. Mas o país asiático nunca se recuperou da bolha da crise econômica de 1987. Isso criou um cenário de deflação (onde os preços de mercados vivem em queda, mas não se tem a recuperação do poder aquisitivo da população) e uma estagnação na economia. A cultura da meritocracia e lealdade permaneceu intacta por muitos anos permitindo que um simples empregado possa se aposentar na mesma empresa que trabalhou por toda a sua carreira.

Mas desde da ascensão do primeiro-ministro Shinzo Abe e sua doutrina econômica conhecida como Abenomics, que permitiu fazer reformas na economia e um corte de gastos pelo governo afim de tirar a economia da espiral recessiva que vive desde da decada perdida nos anos 1990. Mas a desvalorização do Iene além dos planos econômicos cujo o objetivo era consolidar o crescimento da economia precisavam de um complemento que o papel do investidor privado em ter empresas competitivas.

A mudança da cultura corporativa é de suma importância para a economia japonesa. Os executivos precisam ser fiscalizados e cobrados através de metas claras e que podem ser cumpridas para a aprovação dos acionistas. Não estamos no tempo do Japão feudal onde os senhores feudais definiam o futuro de seus trabalhadores. O capitalismo japonês precisa ser modernizar para permitir a inovação tão prometida e incentivada por Abe. Esse longo caminho precisa ser feito quando os executivos fazem a coisa certa invés de pedir desculpas por terem tomado decisões erradas e com nefastas consequências para as companhias como a Toshiba.

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