Uma crise chinesa

Quando lemos a manchete de primeira página da edição de hoje do jornal Folha de S. Paulo sobre a virulenta queda da bolsa de valores de Xangai e Hong Kong. O fim da era de prosperidade chinesa parece ter chegado ao fim. Pequim anunciou que baniu a participação de pequenos acionistas que não podem pagar as ordens de venda junto com a retirada de investimentos de grandes investidores do mercado de ações. Mas será que o mundo está preparado para uma crise econômica de proporções gigantescas.

A China viveu longos 30 anos de milagre econômico onde a economia dobrava de tamanho em curto espaço de tempo. Se antes os chineses não participavam do comércio mundial. Agora, o país asiático é segunda maior economia do mundo. A prosperidade produzida pelas reformas econômicas conduzidas a mão de ferro pelo Partido Comunista desde da ascensão de Deng Xiaoping e que passou por Jiang Zeming, Hu Jintao e Xi Jimping mostrou a força do capitalismo agressivo promovido por um estado autoritário.

A China é um país-fábrica por ter uma farta oferta de mão de obra qualificada e barata. Isso permitiu que o governo acumulasse receitas e criar uma maneira de financiar investimentos tanto no território chinês quanto em países estrangeiros. Mas o efeito colateral é a sensação de uma competição desenfreada entre as províncias para conquistar o interesse do investimento estatal na construção de novas cidades em um amplo processo de urbanização forçada para acomodar a onda de migração da população rural para os centros urbanos.

A crise financeira chinesa ganha contornos dramáticos quando os pequenos investidores colocaram suas economias como uma forma de garantir uma aposentadoria ou um futuro melhor. Isso se mostra uma versão da crise de 1929 quando os americanos compraram muitas ações como uma maneira de ganhar dinheiro. Mas os papéis não valiam nada quando uma avalanche de ordens de venda diante de uma população que não tinha dinheiro para comprar e derreteu as fortunas de tais pessoas.

O mundo se pergunta como o gigante chinês irá lidar com os problemas de seu gigantismo. O país precisa reduzir a intervenção do estado na economia na forma das empresas estatais ou de capital misto. Isso vai permitir um fortalecimento do setor privado. Mas o presidente Xi Jimping está preocupado com os escândalos de corrupção que abalam a popularidade do partido comunista. A questão que fica é se a China está preparada para está nova fase de seu capitalismo selvagem.

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