A derrota de Erdogan e a ascensão do HDP

Hoje, a Turquia mostrou ser surpreendente com os resultados das eleições gerais. Enquanto o mundo se esperava uma vitória do partido islamita AKP, que governa o país desde 2003. Eis que a população rejeitou as ideias do sultão-presidente Recep Tayyip Erdogan e o AKP perdeu a maioria no parlamento. Agora, o primeiro-ministro Ahmet Davutoglu terá que formar um governo minoritário ou uma coalizão. Mas a grande surpresa foi a ascensão do HDP, que é formado pelas minorias curdas, gays e por mulheres.

A ascensão do HDP mostra que a minoria curda substituiu as armas do PKK (que travou uma guerra cívil com o exército turco por 30 anos) pelo voto. O partido conquistou 10% dos votos (que permite a representação no parlamento) e pode ter 75 a 80 assentos enquanto o AKP tem 263 das 550 cadeiras segundo as projeções das emissoras de tv turcas até o presente momento. A formação hostil ao impeto do presidente Recep Tayyip Erdogan de mudar o sistema político para parlamentarista pra presidencialista foi enterrado por enquanto.

A vitória do HDP enfraqueceu o AKP de tal forma que o novo governo terá que rever suas pretensões ideológicas. O medo dos opositores de Erdogan transformar a Turquia em uma democracia para uma ditadura com direito a culto de personalidade foi derrotado pela vontade de uma população que deseja mudanças como reconhecimento de direitos da minoria curda e o trágico genocídio armênio durante a primeira guerra mundial em 1915 que foram esquecidos pela ambição de Erdogan.

A Turquia estava cansada das promessas de Erdogan. Agora, a questão das negociações do país para se tornar um membro da União Europeia podem avançar dado o desejo da oposição turca tanto curdos quanto kemalistas de avançarem nas reformas exigidas por Bruxelas. A economia vive com problemas. A Lira Turca foi desvalorizada no início do ano para estancar a sangria da fuga do capital externo. Isso fez que as taxas de crescimento caíssem de forma devastadora.

Agora, a população exigiu que o parlamentarismo fosse preservado sem a interferência do judiciário e das forças armadas. O voto é uma arma muito poderosa em tempos conturbados que um país vive pelas escolhas equivocadas feitas pelo AKP. O primeiro-ministro Ahmet Davutoglu terá uma longa tarefa de formar um governo de coalizão sem a maioria suficiente para governar sozinho. Por hora, os turcos depositam suas esperanças no HDP como uma forma de antidoto ao autoritarismo de Erdogan.

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