O julgamento de Jason Rezaian

O Irã pode criar um novo incidente diplomático com os Estados Unidos. O correspondente do jornal americano Washington Post em Teerã, Jason Rezaian e sua esposa Yeganeh estão sendo julgados pelo tribunal revolucionário islâmico por publicar reportagens e informações contrárias aos interesses do país persa. Jason é um americano de origem iraniana. A corte não tem júri e tem sido usado por militantes linha-dura do regime iraniano para punir aqueles que criticam a teocracia local e pelo simples fato de discordar do pensamento dominante.

Teerã utiliza um sistema adotado pela revolução islâmica de 1979 para se perpetuar no poder. Mas a imprensa internacional sofre para ter correspondentes no país persa. Desde de 2009, quando uma revolta popular contra a reeleição do então presidente Mahmoud Ahmadinejad tomou conta do território. Esse tribunal foi usado para julgar os casos políticos como uma forma de repressão de qualquer tentativa de reação de uma população contra a teocracia dos aiatolás e seus clérigos e aliados.

Os jornalistas não conseguem ter acesso as informações vindas de Teerã. Uma jornalista do jornal espanhol El Pais foi expulsa do país. Enquanto outros órgãos de comunicação já retiraram seus jornalistas do Irã. Mesmo assim, serviços persas de emissoras públicas como a BBC persian e o escritório da rede de tv árabe Al jazeera mantém seus funcionários no país. A ascensão de moderados como o presidente Hassan Rouhani tem sido um alento diante da marginalização dos políticos linha-dura.

Jason e sua mulher podem pegar 20 anos de prisão. Os Estados Unidos estão empenhados em reverter a situação de Rezaian. A eventual aproximação entre EUA e Irã por causa do acordo nuclear negociado em março e que pode ser ratificado em junho mostra uma nova faceta da relação diplomática entre estes dois países. A oposição linha-dura iraniana pode tentar sabotar as futuras negociações por um tratado definitivo. O julgamento do correspondente do Washington Post é um teste para este novo Irã.

O congresso americano pode usar o julgamento de Rezaian como uma forma de pressionar o governo Barack Obama enquanto a oposição linha-dura pode exigir uma posição de Rouhani sobre como iria ser a relação entre Teerã e Washington D.C. O Washington Post está fazendo uma campanha pela libertação de seu funcionário para que ele volte para os Estados Unidos. Mas por enquanto, o julgamento de Jason Rezaian é mais um capítulo da complicada relação entre Estados Unidos e Irã.

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