Tancredo Neves

Em 15 de março de 1985. O Brasil acordara com uma notícia preocupante. O presidente eleito Tancredo Neves estava internado no Hospital de Base de Brasília após sentir fortes dores no abdômen. O homem que tinha feito a suave transição da ditadura para a democracia estava com a saúde debilitada. Mas a grande questão seria quem tomaria a posse no lugar de Tancredo. Tanto os militares quanto os civis estavam cientes do momento delicado que este pobre país de esperança teria que passar.

A longa madrugada foi tomada por negociações e consultas jurídicas para um fato inesperado. Como se fosse um romance do realismo mágico latino-americano. O absurdo tomava conta da realidade. Os civis tinham que ler e interpretar a constituição feita pelos militares e ainda ter o apoio do judiciário encarnado na representação do Supremo Tribunal Federal que tinha que referendar tal interpretação. As reuniões secretas em Brasília era a única forma de se encontrar uma solução para uma questão tão complicada.

Tancredo temia que sua ausência fosse justificativa para um adiamento a posse de um civil no planalto. O presidente João Figueiredo não queria fazer parte da cerimônia de posse de seu desafeto, o vice-presidente eleito José Sarney. Mas as atas de posse do novo ministério foram assinadas por Tancredo a noite. As interpretações da constituição garantiam que o vice poderia assumir o cargo de mandatário de forma interina. Assim, Sarney assumiu o comando no Palácio do Planalto com Figueiredo saindo pela portas dos fundos.

Mas o país vivia uma longa agonia. Com um presidente internado. Sua saúde era uma questão de estado para a nascente democracia. A população queria está informada sobre a evolução do estado clínico de um homem que carregou os anseios de um país. Os jornais, rádios, TV e revistas faziam plantão tanto no hospital de Base quanto no hospital das Clínicas. Os médicos eram chamados para explicar os termos clínicos que eram usados nos boletins médicos que eram divulgados durante o dia.

Não se sabia que o presidente tinha. O país ficava atento a qualquer novidade vinda de São Paulo. Todos ainda acreditavam em ver Tancredo assumindo o cargo após sua luta pela vida. Mas quis as circunstâncias que este pobre homem morresse no dia 21 de abril de 1985. Uma nação caia em prantos, mas agradecia os esforços de tal ser por fazer a travessia de uma ditadura para uma democracia sem traumas ou revoluções. Este foi um momento onde vimos que os homens são capazes por defender seus ideais mesmo até com a sua própria morte.

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