O genocídio armênio

Em 1915, o Império Otomano entra em guerra contra as potências ocidentais. Mas tinha um problema de ordem interna, a questão dos armênios, um povo cristão ortodoxo que é considerado adoradores do diabo por não seguir preceitos do islamismo dominante. Então, os otomanos iniciaram uma prática de genocídio sistemático. O império foi derrotado pelos aliados em 1918 e desmantelado ao longo do anos 1920. Assim surgiu a figura de países como a Turquia liderada pelo secularista Mustafa Kemal, o ataturk.

A questão é muito delicada para os turcos, que consideram o conflito com os armênios uma guerra civil. Quando o Papa Francisco citou a palavra genocídio durante uma missa na basílica de São Pedro neste domingo causou uma revolta em Ancara. O presidente turco Recep Tayyip Erdogan condenou as palavras de Francisco dizendo que a vossa santidade cometeu um equívoco. Isso é um momento políticos onde a população irá as urnas para escolher um novo parlamento nas eleições gerais de 7 de junho.

Qualquer citação do genocídio armênio é considerado crime contra espírito turco segundo o artigo 301 da constituição de 1980. Desde dos generais passando por islamitas, a lei não foi mudada. O prêmio Nobel de literatura em 2006, Orham Pamuk quase foi a julgamento por isso. Existe um clima de desconfiança entre o governo turco e a Armênia, que se tornou um país independente com o fim da União Soviética em 1991. Por mais que acordos de paz sejam feitos. A questão do conflito de 1915 ainda persiste.

Como resolver este clima de desconfiança? Erdogan é um nacionalista e ainda por cima age como um líder autoritário. Nos últimos anos, ele saiu de um político pragmático para ser um radical que comanda a Turquia como se fosse um feudo para o seu sonho otomano. A censura de um comercial da oposição e os julgamentos de adolescentes que se atreverão a fazer críticas ao presidente são um sinal que a democracia turca sofre por um período de grande autoritarismo que não vai ser desmantelado tão cedo.

A negação da existência do genocídio armênio é considerado crime em 20 países como a França. Isso reforça a tese de que tal catástrofe não é tolerada como é punida pelo simples ato de negar. Mas os armênios querem a paz com a Turquia. Isso vai exigir um reconhecimento deste crime contra a humanidade. Isso não será feito tão cedo para ser escrito nos livros escolares para que as futuras gerações compreendem o significado da morte de mais de um milhão de pessoas que Erdogan tanto esconde.

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