As palavras de Khamenei

Ontem, o líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei publicou uma declaração sobre dois assuntos: o acordo nuclear entre o país persa e as potências mundiais e a guerra cívil no Iêmen. Ele disse que não tem garantias sobre o mesmo e afirmou que a intervenção da Arábia Saudita no Iêmen é um genocídio. Khamenei é um líder religioso muito poderoso no Irã desde da morte do aiatolá Khomeini em 1989. Desde de então, tem dado as ordens sobre o futuro e o destino do Irã mesmo desautorizando os presidentes e políticos locais.

Se temia que o Irã adotasse uma atitude agressiva contra os Estados Unidos após o apoio americano a coalizão saudita que iniciou os bombardeios ao Iêmen antes da última rodada de negociações. Mas Khamenei tem sido pragmático ao exigir apenas a suspensão das sanções econômicas impostas por potências ocidentais para que o acordo possa ser efetivado no dia 30 de junho. O presidente Hassan Rowhani e o ministro de relações exteriores Mohammad Javad Zarif tem sido habilidosos em convencer o líder supremo sobre suas ações.

Mas o outro front é a guerra cívil no Iêmen. O anúncio da saída do Paquistão no grupo de países que formam a coalizão após o parlamento paquistanês aprovar uma resolução onde se exige a neutralidade do país durante o conflito é um duro golpe para a Arábia Saudita e uma vitória para o Irã. O principal motivo do recuo de Islamabad é uso de tropas militares para uma ofensiva terrestre para conter o avanço de milicia Houthi que está perto de conquistar a cidade de Aden, ao sul do país árabe.

O grande conflito entre Arábia Saudita e Irã se dá no campo religioso onde os Sauditas são da corrente wahhabista (radicalismo sunita) enquanto os iranianos são xiitas (uma interpretação radical do islamismo). Sunitas e Xiitas disputam corações e mentes do islamismo por defender que tais grupos são herdeiros diretos do profeta Maomé. Isso explica porque temos um conflito aberto que paralisa a evolução do islamismo. Mas o rei saudita Salman e o aiatolá iraniano Khamenei estão em constante estado de desconfiança mutua.

As palavras ditas por Khamenei podem mostrar um Irã preparado para ser conciliador com as potências mundiais e agressivo em sua rivalidade regional com a Arábia Saudita diante do conflito iemenita. Não se sabe se a coalizão poderá usar tropas militares no país árabe para conter o avanço Houthi, que é apoiado por Teerã. Mas temos que esperar por novos atos feitos por sauditas e iranianos nas próximas semanas. Por enquanto, temos que esperar por mais pronunciamentos de Khamenei.

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