A volta de Tony Blair

No espectro político britânico, os primeiro-ministros se ausentam quando estão fora do poder. O máximo que acontece é eles aceitaram o título de Lorde ou Baronesa concedido pela rainha por seu legado ou algum cargo de emissário de instituições internacionais como União Europeia ou ONU. Mas hoje, quem quebrou o silêncio após 8 anos fora do cargo foi o ex-premiê trabalhista Tony Blair com um discurso no distrito de Sedgefield onde criticou o líder conservador David Cameron por sua tentativa de fazer um referendo sobre a permanência do país no UE.

As palavras de Blair soam como uma volta do New Labour onde ele fazia dupla com Gordon Brown. Isso foi uma revolução política que permitiu três vitórias consecutivas dos trabalhistas nas eleições gerais de 1997, 2001 e 2005. A grande questão como o New Labour que já foi renegado pelo líder trabalhista Ed Miliband que disse em 2011 que não era um Tony Blair durante a conferência anual do partido. Isso pode ser apagado quando Blair afirmou que Miliband pode ser o seu homem de confiança.

Com uma eleição muito acirrada com a clara vantagem para os conservadores. Os trabalhistas estão perdendo terreno na Inglaterra, País de Gales e Escócia. Miliband tem pedido ajuda para os expoentes do New Labour que tanto rejeitou como John Prescott e Tony Blair. Ao dizer que uma eventual saída do Reino Unido da União Europeia pode trazer um caos para a economia local. O ex-primeiro ministro tenta mostrar que os trabalhistas podem fazer um bom governo sem recorrer a um simples referendo.

Mas o caminho não é fácil. Cameron retrucou afirmando que está dando uma chance para a população ser ouvida. Já é claro que a situação de Hung Parliament (onde nenhum partido tem maioria suficiente para governar sozinho) pode forçar uma negociação para a formação de um governo de coalizão. Segundo as projeções indicam, as prováveis formações não dariam uma estabilidade para governar. Isso terá que exigir uma nova eleição para o fim do ano como aconteceu no ano de 1974.

Tony Blair volta a cena política britânica defendendo os ideais do New Labour que tanto ajudou a fundar logo após a morte de John Smith e com a colaboração de Gordon Brown. Ed Miliband precisa da doutrina que tanto rejeitou nos tempos que os trabalhistas podiam vencer as eleições gerais com folga. Mas o cenário é outro e Tony Blair traz consigo a credibilidade e o carisma que Miliband tanto sente falta. Isso pode ser a tônica nas próximas semanas de campanha eleitoral no Reino Unido.

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