A independência do BC

Semana passada, o presidente do Senado Renan Calheiros (PMDB-AL) defendeu o projeto de lei que garante a independência do Banco Central dizendo que isso seria o “ajuste dos ajustes”. Ontem, em um artigo publicado pelo jornal Folha de S.Paulo. Renan reforçou a sua tese afirmando que uma eventual independência do BC poderia dar uma maior credibilidade a economia brasileira. A tese defendida por Calheiros foi rejeitada pelo Planalto que afirma que o BC já tem uma autonomia operacional.

Este é um tema caro ao governo, que durante a campanha eleitoral rejeitou isso afirmando que tal fato daria um poder aos bancos. Mas cada vez mais tal teoria é dinamitada pelos fatos como o ajuste fiscal feito pelo ministro da Fazenda, Joaquim Levy. A independência do BC permitiria que a instituição possa agir sem os interesses políticos de plantão. A defesa de Calheiros ganha apoio daqueles que acreditam que um estado menor é mais eficiente do que o intervencionismo tosco do petismo.

Tem que se reconhecer que o papel do banco central é de fiscalizar e defender a política monetária e não atender os interesses do setor financeiro ou produtivo. O BC tem de ficar de olho na inflação e no crescimento econômico. Mas a mentalidade atrasada de um país de economistas de universidades esquerdistas impede um debate inteligente sobre a função do BC em uma economia moderna. Não apenas como um simples órgão regulador mas como uma instituição de grande credibilidade que representa o estado.

O Brasil é um país do atraso. Se os economistas vivem criticando o neoliberalismo como uma praga moderna. Mas se esquece que o intervencionismo estatal foi capaz de levar as economias de mercado do mundo ocidental ao declínio no começo dos anos 1980 junto com o segundo choque do preço do barril de petróleo. Não estamos no tempo de criar empresas campeãs nacionais com o dinheiro da população para afirmarmos que o Brasil é uma economia competitiva e globalizada.

Isso é uma tragédia grega. Temos que profissionalizar a gestão pública. Isso se faz quando temos instituições que cuidam das políticas de estado de forma sensata. A independência do Banco Central é de fundamental importância para termos uma economia globalizada e que o governo possa ter um órgão independente e funcional. A população e os investidores precisam de uma instituição capaz de gerir um cenário econômico sem os populismos políticos. Por incrível que pareça, a tese de Calheiros é mais correta para este momento.

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s