Garissa

Um amigo meu, Thiago Andrade, tinha me comentado sobre o seu choque sobre o massacre de 147 estudantes universitários feito pelo grupo terrorista Al-Shabab na cidade queniana de Garissa na quinta-feira passada. Bem, este assunto passou batido pela mídia tupiniquim. Mas precisamos comentar esse ato de barbárie onde o terrorismo reina na região do chifre da África, local onde os países como Quênia e Somália estão guerra contra tais facínoras para ter um pouco de estabilidade política.

Desde de 2011, Quênia lidera uma operação militar contra o Al-Shabab na Somália. A Somália não tem um governo central consolidado desde dos anos 1990. O país lida com uma guerra civil em que as tropas da União Africana são a única solução para manter um clima tranquilo. Isso enfraqueceu o Al-Shabab, que prometeu se vingar atacando alvos em tais países que participam da operação militar. Quênia já sofre com os atentados perpetrados pelo grupo terrorista somali desde de 2013 quando um shopping de Nairobi foi atacado com 67 mortes.

Os quenianos estão traumatizados e se perguntando se vale a pena continuar com a ofensiva na Somália. As promessas do presidente Uhuru Kenyatta de capturar os suspeitos por tais atentados está longe de ser cumprida. O continente africano sofre com as guerras civis, clânicas e tribais. Não se tem uma estrutura supra-nacional permanente para combater o terrorismo que atinge países como Quênia, Nigéria e Somália. Isso deverá ser pauta de uma eventual reunião da União Africana.

Os mortos de Garissa eram quenianos de origem cristã. O cristianismo é uma ofensa para os grupos terroristas que querem impor um regime de inspiração islâmica e de uma interpretação equivocada do corão. Nos últimos anos, os ataques do Al-Shabab em alvos quenianos que ficam próximos a fronteira com a Somália se tornaram mais agressivos. O grupo terrorista quer deixar uma mensagem clara para que Nairobe não interfira nas questões internas somalis e retirem suas tropas do país.

Kenyatta pode intensificar as operações na Somália afim de encontrar os responsáveis por tal massacre. As agências de notícias já afirmam que cinco suspeitos foram presos pelo governo. Mas não se sabe se tais prisões podem ajudar nas investigações sobre o atentado em Garissa. A sensação da população que deseja que a justiça seja feita é enorme. Os quenianos estão cansados de ver seus pares sendo mortos por apenas serem cristãos ou por um efeito colateral de uma operação militar em um país estrangeiro. Garissa é apenas mais um capítulo triste da história queniana.

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