Riad contra-ataca

Há semanas, o noticiário da rede de tv qatariana Al Jazeera exibia reportagens sobre a crise política no Iêmen. Este pequeno país da península arábica. O conflito entre governo e a milícia xiita Houthi entrou em um estágio de uma guerra cívil porque o avanço do grupo rebelde a cidade de Áden, onde o presidente Adbo Rabbo Mansur Hadi estava junto com seu ministério após a tomada da capital Sanaa. O mandatário pediu ajuda do conselho de cooperação do Golfo e a Liga Árabe para intervir no caso.

Para a surpresa de todos que acompanham a situação iemenita. A Arábia Saudita iniciou uma operação militar para conter o avanço Houthi no sul do país. Riad adotou o discurso de salvar um governo legítimo. Está é a segunda intervenção militar Saudita em 4 anos. Em 2011, tropas sauditas foram enviadas ao Bahrein para ajudar a reprimir os protestos da maioria xiita contra a monarquia sunita da nação insular. Isso gerou críticas de muito países como o Qatar e uma ampla cobertura da Al Jazeera neste caso.

Desde da morte do rei Abdullah e a ascensão de seu sucessor, Salman. A monarquia saudita está mantendo o status quo de um regime autoritário que tem a complacência dos países ocidentais por ser o maior produtor de petróleo do mundo. A notícia da invasão elevou os preços da commodity. Isso cria a sensação de que a dinástia Saud detém os rumos do mundo desde da primeira crise do ouro negro em 1973. A sensação de que um país que tem uma draconiana doutrina religiosa pode ditar regras ao mundo.

As intervenções pontuais no Iêmen e Bahrein mostra uma atitude de que a democracia é um temor para um país que controla sua sociedade e que não permite a liberdade de opinião e expressão. O caso do blogueiro Raif Badawi que foi condenado a 10 anos de prisão e 1000 chicotadas por ofender a religião expõem de forma delicada o relacionamento entre os sauditas e sua monarquia baseada em uma doutrina retrógada como o Wahhabismo defendido com fervor pelo governo local.

Os próximos dias serão decisivos para os iemenitas. Não se sabe se Riad enviara tropas para lutar junto com o governo local para conter os Houthis no norte do país e as filiais locais de grupos terroristas como Al Qaeda e Estado Islâmico. Os Iranianos consideram a operação como ilegal e isso pode atrapalhar nas negociações sobre o programa nuclear que estão sendo conduzidas por americanos na Suíça. Por enquanto, as bombas caem em Sanaa e Áden para salvar um governo fraco e fortalecer uma monarquia tão controversa como a Arábia Saudita.

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