Lee Kuan Yew

Em vários países, tem a tradição de venerar os líderes da independência do mesmos. Isso não é diferente em Cingapura, onde o ex-primeiro ministro Lee Kuan Yew morreu na noite de ontem aos 91 anos. Ele transformou um pequeno vilarejo portuário e um centro financeiro sem precedentes na história da Ásia moderna mesmo com um autoritarismo em reprimir vozes dissidentes e jornalistas. Ele moldou a cidade-estado ao seu modo de viver e de pensar no futuro através de uma forte economia de mercado.

Cingapura era uma colônia britânica muito valiosa. Por sua posição estratégica, tinha a alcunha de Gilbratar do pacífico. Mas dependia muito da pesca e tinha perdido sua importância no império após o descolonização. Para sobreviver, Cingapura lutou por sua independência da Malásia nos anos 1960. Lee Kuan Yew foi muito hábil ao conseguir tal concessão sem ter uma luta sangrenta como os vizinhos malaios. Ao ver uma cidade pobre e sem recursos naturais. Ele decidiu reinventar o território.

Ao permitir um investimento pesado em educação principalmente baseada na língua inglesa e assim permitir a atração de investimento estrangeiro ao país. Lee Kuan Yew foi um estrategista mordaz. Isso permitiu um amplo desenvolvimento da cidade-estado e além da criação de um ciclo de prosperidade nunca antes visto no continente asiático com sua recente onde de industrialização incentivada por países vizinhos como Japão, Coreia do Sul e China através do tripé mão de obra barata, menor intervenção do estado e atração de capital externo.

Lee Kuan Yew não permitia as liberdades de uma democracia ocidental por ser muito caras ao país. Tanto que seu partido People’s Action Party permanece no poder desde de 1959 tendo como Lee no cargo de primeiro ministro por 31 anos (1959-1990). Ele temia as influências estrangeiras poderiam interferir no modo de vida de um simples cingapuriano. Ele admirava as reformas econômicas impostas pelo líder chinês Deng Xiaoping como a política do filho único e afins. Deng visitou Cingapura em 1978 e ficou impressionado com os feitos de Lee.

Nos últimos anos de vida, Lee continuou a influenciar na política cingapuriana por via de cargos no governo local. Ele viu seus sonhos se tornarem realidade. Mas o questionamento de um estado autoritário que permite um estilo de capitalismo agressivo e feroz são as perguntas que serão respondidas nos próximos anos. Cingapura terá um desafio de se manter como principal centro econômico do continente asiático. Mas agora, os cingapurianos estão em luto pela morte de Lee Kuan Yew.

Um comentário sobre “Lee Kuan Yew

  1. Gostei muito do texto. Cesar, como é interessante ler sobre história, política… até de sociedades distintas da nossa. Pontos que mais me chamaram a atenção: como os povos orientais respeitam seus líderes, mesmo que esses se sustentem por regimes autoritários; e como o modelo econômico dos tigres asiáticos funciona, ainda que a duras penas sustentado pela classe operária! Como seu blog, que serve à humanidade, que esse exemplo de liderança possa fazer com que reflitamos sobre nossas formas de conduzir as sociedades no mundo.

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