Wallstrom e a Arábia Saudita

A Arábia Saudita tem uma reputação como potência do mundo árabe por defender uma interpretação do islamismo chamada wahhabismo, onde as mulheres não podem praticar atos como dirigir um carro ou a crítica a religião é um pecado mortal passível de uma punição como as 1000 chibatadas como o blogueiro Raif Badawi está passando desde de fevereiro. Não é estranho que país não permitiu o discurso de ministra da relações exteriores sueca Margot Wallstrom durante uma reunião da Liga Árabe.

Wallstrom é uma crítica do regime saudita que descreve como uma ditadura. Tanto que o país árabe teve que chamar o seu embaixador em Estocolmo para consultas. Em retaliação, os suecos não podem renovar o acordo de fornecimento de suprimentos militares que se encerra em maio. Isso na mesma semana onde o vizinho Iêmen pediu ajuda ao reino para discutir uma solução política entre grupos seculares e a minoria xiita Houthi, que ocupa a capital Sanaa desde do ano passado.

A Suécia tem uma tradição de criticar e condenar ditaduras como fazia o primeiro-ministro Olof Palmer nos anos 1960. Ele era um crítico a Guerra do Vietnã e ao regime segregacionista sul-africano Apartheid. Tanto que o país financiou a campanha anti-apartheid feita pela ANC. Palmer era amigo pessoal do líder do movimento no exílio, Oliver Tambo. Mesmo com eleições marcadas para o dia 22 de março. A atuação de Wallstrom é um sinal de coragem de país que tem uma tradição de uma política externa independente.

Wallstrom criticou o país pela execução da pena de 1000 chibatadas e 10 anos de prisão ao blogueiro Raif Badawi. Badawi criou um fórum para se ter um debate sobre a liberdade de religião e expressão na Arábia Saudita em 2008. Esse tratamento medieval em uma nação que se julga uma potência capaz de influenciar os interesses do mundo pelo simples fato de ser um dos maiores exportadores de petróleo é deprimente para manter uma monarquia que se vale de uma doutrina tão atrasada como o Wahhabismo.

Wallstrom adota uma postura crítica e respeito aos princípios de um país que não joga seus escrúpulos fora. Em um momento onde pragmatismo e a realpolitik dominam a geopolítica mundial. Não sabemos se ela continuará como ministra das relações exteriores depois das eleições de 22 de março. Os suecos preservam a tradição de uma política externa que defende valores ocidentais em um tempo de obscurantismo e hipocrisia. Ela será um verdadeiro pesadelo para a monarquia saudita.

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