A incompetência dos bancos britânicos

Segunda-feira passada, os executivos do banco HSBC prestaram um depoimento a comissão de contas públicas do parlamento britânica. Eles pediram desculpas pelo constrangimentos no caso da sonegação de impostos feita pela divisão de contas privadas na Suíça. A presidente de tal grupo, Margaret Hodge fez duras críticas a atuação deles os chamando de incompetentes. Hodge pediu a demissão da chairwoman da BBC Trust e ex-executiva de operações de risco do HSBC, Fiona Fairhead quando ela prestou esclarecimentos aos parlamentares.

A grande lição do caso HSBC é que os bancos britânicos não podem assumir ao mesmo tempo as funções de banco de varejo e de investimento. Nos Estados Unidos, o mercado tem instituições de investimento como Goldman Sachs ou JP Morgan que atuam no mercado financeiro enquanto o Citibank e o Bank of America trabalham para a população com financiamento para pequenos negócios e pessoa física. Isso deveria ser adotado no Reino Unido mesmo depois dos escândalos protagonizados por Barclays, Lloyds, Standard Chartered e RBS.

O temor desta separação pode causar na City London seria uma longa incursão de bancos de investimentos estrangeiros no mercado financeiro. Com a crise de 2008, o governo britânico estatizou várias instituições para evitar um derretimento da liquidez (dinheiro que circula no mercado) para investimentos e empréstimos interbancários (quando um banco empresta ao outro). Tanto que Lloyds e RBS estão totalmente estatizados dada a equivocada gestão de tais executivos naquele momento.

Com a política de austeridade adotada pela coalizão entre liberais-democratas e conservadores. A economia britânica se recupera da recessão. Mas os bancos são ainda protagonistas de escândalos financeiros como o Barclays, que manipulou as taxas de empréstimos Libor (usada em operações financeiras na Bolsa de Londres) em 2012 e o Standard Chartered, que ajudou países que sofrem com as sanções econômicas como o Irã no mesmo ano. Sem contar os pagamentos de bônus para executivos feitos pelo RBS em 2011.

Os bancos britânicos precisam ganhar a confiança do público, dos parlamentares e do governo. Isso exige profundas reformas no setor bancário como a separação da função de instituições de investimento e banco de varejo além de uma lei que permita mais poderes para que o estado possa investigar, fiscalizar e punir tal instituição e seus executivos por praticas ilegais. Mas no momento, temos que ouvir Margaret Hodge chamar tais pessoas de incompetentes diante da população.

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