Entre carros e aborígines

Nesta terça-feira, o primeiro-ministro australiano Tony Abbott se meteu em uma encrenca de duas frentes. Ele apoiou o corte de gastos na manutenção de 150 comunidades aborígines no estado de Western Australia promovidas pelo premiê local Colin Barnett e fim do programa de ajuda a indústria automobilística do país devido a transferência da produção automotiva das montadoras Holden, Ford e Toyota para países como China e Japão (que tem um acordo comercial com Canberra assinado no fim do ano passado). Isso pode aliviar e prejudicar o governo ao mesmo tempo.

A questão dos aborígines vem em um momento se discute a realização de um referendo sobre uma mudança na constituição australiana que pode considerar tal povo local como a nação que deu origem a Austrália. O fechamento das 150 comunidades remotas pode custar caro a um governo cujo o premiê se considera o primeiro-ministro do povo indígena. Isso é um avanço se tratando que Abbott é um conservador. O porta-voz de assuntos indígenas da oposição trabalhista, Shayne Neumann disse que os comentários de Abbott são um grande incomodo e altamente ofensivos.

Já no caso da montadoras, o programa Automotive Transformation Scheme (ATS) foi desativado dado o fato do anúncio do fim da produção de Holden(subsidiária da GM no território australiano) e Ford até o fim de 2017. A Toyota pretende exportar os carros produzidos no Japão via o acordo de livre-comércio entre os dois países. Isso deve gerar demissões no setor automotivo. Tanto trabalhistas quanto verdes estão preocupados com tais perdas podem significar para a economia  australiana.

A questão central é o cortes de gastos para conter o deficit do país. Daqui algumas semanas, o treasurer Joe Hockney irá anunciar o orçamento para 2015. Abbott precisa conter gastos, mas faz uma economia estúpida ao anunciar fim de subsídios para as comunidades aborígines ou a indústria automobilística. Isso não alivia a situação da economia local. Quando os indígenas querem assistência do governo em uma região remota não faz por preguiça, mas sim para manter as raízes de seus antepassados enquanto os trabalhadores querem manter seus empregos na Holden, Ford e Toyota.

A coalizão liberal terá que ser honesta sobre o estado da economia e principalmente se tais cortes são necessários para sanear as finanças do estado. Isso exige uma ampla explicação para que esses sacríficios não forem em vão. Os aborígines querem preservar suas tradições em meio a modernidade enquanto o australiano quer ter um carro possante como motores V8 que são fabricados no país. Mas Tony Abbott deve ter esquecido as demandas feitas por tais pessoas em detrimento ao corte burro de subsídios do estado.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s