India’s daughter

Em dezembro de 2012, Jyoti Singh estava em um ônibus na cidade indiana de New Delhi quando foi estuprada e espancada por doze homens. Ela morreu 12 dias depois em um hospital em Dubai. A história causou uma onda de comoção nunca antes vista na história do país que teve que mudar as leis de crimes sexuais diante deste caso. Isso foi contado no documentário India’s Daughter, da documentarista Leslee Udwin que foi transmitida pela BBC Four na noite desta quarta-feira no Reino Unido.

As reações ao documentário foram exaltadas na Índia. Onde o ministro do interior Rajnath Singh prometeu uma investigação para saber como a diretora conseguiu acesso a um dos presos, Mukesh Singh. Uma parte do documentário foi exibido no programa Newsnight (BBC Two) onde Mukesh afirmou que Jyoti não deveria ter se defendido para evitar a sua morte. Ele afirmou que nenhuma mulher deveria sair de casa depois das 9 horas da noite. A entrevista de um condenado causou embaraço em Nova Delhi.

O governo entrou na justiça para impedir a exibição do documentário na Índia e no Reino Unido. A emissora de tv NDTV não transmitiu a gravação enquanto a BBC antecipou a exibição de domingo para ontem a noite. A grande controvérsia se encontra no fato de entrevistar um dos condenados. Leslee afirmou hoje que conseguiu a permissão tanto do ministério do interior quanto da prisão de Tilal Harir, onde Mukesh aguarda o dia que será executado. Os 12 homens foram condenados a morte por enforcamento.

O caso de Jyoti causou uma comoção popular nunca antes vista na história indiana. Vários organizações e entidades feministas fizeram protestos contra a cultura do estupro na sociedade local. Tanto que o novo ministro-chefe de Delhi, Arvind Kejriwal prometeu que a capital indiana seria um lugar seguro para as mulheres. Não se ouviu nenhuma palavra disso do primeiro-ministro Narendra Modi. O temor de novos protestos contra a censura imposta pelo governo ao documentário é muito grande.

Os pais de Jyoti defenderam a exibição do documentário como uma forma de alerta e evitar que outras jovens tenham o mesmo fim da filha morta. Mas o governo indiano se sente incomodado com a lembrança do caso ao mesmo tempo que país aparece no noticiário internacional como a economia que crescerá mais do que a China nos próximos anos. Os indianos querem que suas filhas tenham um futuro melhor e que seus direitos sejam respeitados. Mas as memórias do caso Jyoti Singh assustam os políticos de Nova Delhi.

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