Cash for access

Em vários países do mundo, o lobby é legalizado e feito de forma profissional. Mas o pagamento a políticos para representar interesses privados em parlamentos e congressos ainda gera escândalos em doses cavalares para a imprensa e a população. Isso ocorreu hoje no Reino Unido com o documentário “dispatches”, produzido pelo jornal Daily Telegraph e a rede de TV Channel 4. A gravação mostra dois ex-secretários de relações exteriories e atuais MPs, Jack Straw (trabalhista) e Malcolm Rifkind (conservador) aceitando dinheiro para defender o interesse de uma empresa fictícia sediada na China.

Os pagamentos propostos por Rifkind e Straw variam na casa de 5 mil pounds por um simples discurso até uma eventual projeto de lei para beneficiar a mesma. Isto gerou uma onda de indignação no establishment britânicos. Ambos foram suspensos por seus partidos. Isto criou uma discussão sobre o segundo emprego por MPs. Sob a legislação em vigor, MPs podem ter um segundo trabalho, desde que registrado no parlamente e não receba pagamentos de lobistas ou de empresas que possam ser beneficiadas por seus atos e leis.

Essa foi a violação cometida tanto por Rifkind quanto por Straw no documentário exibido hoje. A líder do partido verde, Natalie Bennett pediu a extinção do segundo emprego para parlamentares. Já o líder trabalhista Ed Miliband adotou a mesma linha. O primeiro-ministro conservador David Cameron prometeu medidas duras, mas já afirmou que não irá banir o second job. Tanto Straw quanto Rifkind negaram que fizeram algo de errado e pediram a transcrição do documentário para ser analisada.

O escândalo foi batizado por cash for access. Tanto que a manchete de primeira página do Telegraph dessa terça-feira jogo mais fogo na fogueira contra Straw. Rifkind anunciou que não irá renunciar ao cargo de chairman da comissão de inteligência do parlamento. Para os políticos britânicos, o cash for access pode remontar ao caso de malversação de gastos revelado pelo Telegraph em 2009 onde parlamentares foram acusados de usar verbas públicas para gastos pessoais fora de Westminster.

Rifkind pretende disputar a eleição geral de 7 de maio pelo distrito de East London enquanto Straw não vai concorrer pelo condado de Blackburn. O escândalo político pode ganhar contornos dramáticos nos próximos dias. As revelações do Telegraph e do Channel 4 pode forçar uma ampla investigação sobre o uso desregrado do second job. Só ver as imagens de Rifkind e Straw em seus dias inglórios após passar longos anos como secretário de relações exteriores é um triste fim para ambos políticos.

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