De Mandela a Zuma

Semana passada, a África do Sul lembrou os 25 anos da libertação de Nelson Mandela em 11 de fevereiro de 1990. Era um domingo ensolarado e que os anos de repressão da minoria africâner desapareceu por uns instantes. Mas passado todo esse tempo, o parlamento sul-africano expulsou os membros do partido EFF após inúmeras questões de ordem sobre o caso da reforma da casa de campo do presidente Jacob Zuma no vilarejo de Nkandla. Tanto que o oposicionista Democratic Alliance pediu aos parlamentares saíram da sessão.

A África do Sul vive um momento de desconfiança sobre a atuação de Jacob Zuma. Seu nome já foi citado em vários processos judiciais tanto em um caso de estupro em 2005 até o envolvimento em um esquema de favorecimento na compra de suprimentos militares em 1999. O partido governista ANC está no poder desde do fim do Apartheid em 1994. Mas a democracia interna da entidade não tem funcionado desde da aposentadoria de Nelson Mandela em 1999 e a crise interna entre Zuma e o ex-presidente Thabo Mbeki.

Mandela saiu da prisão como uma lenda viva. Era um símbolo da resistência contra a tirania do Apartheid. As campanhas anti-apartheid tinham ganhado folego nos anos 1980 com uma ampla adesão popular no mundo inteiro pedindo a libertação de Mandela. Quando o líder da ANC foi libertado em 1990. Os sul-africanos de origem africana choraram de emoção. Era um sinal que a vida deles iria melhorar dado o fato do governo africâner reconhecer a legitimidade de um movimento como o ANC.

Zuma é um filhote deste momento. Mas conduzir a nação arco-íris não tenho sido uma tarefa fácil. Por mais que o ANC tenha uma votação forte nas eleições gerais nos últimos 21 anos. O partido precisa fortalecer a sua democracia interna. Quando a direção do ANC expulsou o líder da juventude ANC, Julius Malema em 2012. Mostrou uma face autoritária no qual Mandela não iria permitir isso. Malema tem uma retórica contra a minoria africâner ou um crítico ferrenho a política econômica sul-africana e fundou o EFF em 2014.

Zuma é um presidente envolto em escândalos e polêmicas. Os próximos anos de governo irão exigir uma maior flexibilidade do ANC para atender as demandas de uma população que sofre com a desigualdade ou com a falta de empregos. Mandela procurou pacificar um país com feridas sociais que pouco cicatrizavam. Este é um momento onde uma simples expulsão de um partido durante uma sessão do parlamento vai exigir um estadista que saiba lidar com as críticas invés de censurar as mesmas.

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