A diplomacia de Merkel e Hollande

No pós-guerra europeu, Alemanha e França desenharam uma estreita relação diplomática. Isto foi o pilar para o nascimento da União Europeia. Alemães e franceses assinaram um tratado de amizade em 1963 e sempre tiveram uma grande influência na política do velho continente. O presidente francês sempre visita a Alemanha depois de sua posse para conversar com o chanceler alemão e vice-versa. Não é surpresa o acordo de paz firmado entre Rússia e Ucrânia na Bielorrússia sob a mediação franco-germânica.

A chanceler alemã Angela Merkel e o presidente francês François Hollande conseguiram parar um banho de sangue no continente europeu com uma negociação direta e frequente. Eles visitaram a Rússia e a Ucrânia para conseguir garantias do cumprimento do plano de paz no leste ucraniano. França e Alemanha foram capazes de unir forças para o improvável e sem o envolvimento dos Estados Unidos. Este foi um acordo 100% europeu e uma prova que a Europa pode resolver seus problemas internos sem a intromissão americana.

Angela Merkel mostrou ter uma força nunca antes vista. Em uma semana agitada, ela foi aos Estados Unidos, Bélgica, Rússia e Bielorrússia. Não demonstrou cansaço comum para uma senhora de 60 anos. Isso foi comentado na imprensa alemã. Isso prova o poder alemão. A diplomacia foi feita em palácios com longas horas de negociação. O fato de Merkel ser reeleita líder dos democratas-cristãos até 2017  pode reforçar a tese que pode disputar um quarto mandato a frente da chancelaria.

François Hollande tem conquistado uma boa fase politicamente falando. Ao mostrar ser um presidente que o país necessitava quando estava sob os ataques terroristas de 7 e 9 de janeiro. Ele não hesitou em nenhum momento e os franceses reconheceram isso quando aprovam a sua gestão no Palais Elyseé após meses em baixa. Não se sabe se ele poderá concorrer as eleições presidenciais de 2017 dado o fato dos socialistas terem candidatos como o primeiro-ministro Manuel Valls ou Arnaud Montebourg.

Merkel e Hollande foram capazes de fazer um acordo frágil entre Rússia e Ucrânia. Isso mostra um novo protagonismo no plano político europeu. França e Alemanha estão dando um sinal que podem romper com a influência americana sem o anti-americanismo tolo. A sensação de ver dois países unidos para tirar a Europa da paralisia mostra que o continente quer ser ouvido nas grandes questões da geopolítica mundial. O acordo de Minsk é o primeiro passo nesta direção para Merkel e Hollande.

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