O adiamento nigeriano

No sábado passado, a comissão eleitoral da Nigéria anunciou o adiamento das eleições presidenciais e legislativas marcadas para o dia 14 de fevereiro por seis semanas. A votação vai ocorrer em 28 de março. O pleito foi adiado por causa do conflito entre o exército e o grupo radical Boko Haram no norte e nordeste do país. O Boko Haram iniciou ataques a países vizinhos como Niger, Camarões e Chade. Isso exigiu uma reunião da União Africana, que decidiu criar uma força-tarefa para combater o mesmo.

Mas como fica a democracia nigeriana? o presidente Goodluck Jonathan iria disputar a eleição com o candidato da oposição, Muhammadu Buhari. Buhari foi um ditador entre os anos de 1981 a 1983, quando foi derrubado do poder. Jonathan representa o PDP (People’s Democratic Party) enquanto Buhari é do All Progressive Congress (APC). A muita desconfiança e temor de fraudes no processo eleitoral. Isso vai exigir a presença de observadores estrangeiros para fiscalizar a lisura da votação.

Neste últimos quatro anos, Jonathan não conseguiu controlar a força do Boko Haram, que protagonizou massacres no norte do país no afã de construir um califado islâmico. O sequestro de mais de 200 garotas no vilarejo de Chibok é um exemplo disso. Buhari promete combater o Boko Haram e a corrupção como disse em seu discurso de vitória nas primarias do seu partido que ocorreu no ano passado. Goodluck sofre com uma crise de populariade, mas permanece forte para o pleito.

O adiamento da votação pode criar um clima de instabilidade no país. O exército está pedindo ajuda de países vizinhos para combater o Boko Haram. que ataca vilarejos de outros países vizinhos. A União Africana pediu ajuda a ONU e a União Europeia para enviar tropas para combater o grupo terrorista. Em um momento tão delicado, a oposição critica o governo por adiar a eleição por temer fraudes e conflitos entre grupos políticos rivais em várias regiões do país como aconteceu em 2011.

A Nigéria evoluiu muito desde do fim dos 30 anos de regime militar. Mas ainda é uma democracia que tem apenas 16 anos de idade e que precisa se fortalecer. O país é a maior economia do continente africano, mas é pequeno para lidar com as mazelas da corrupção e o terrorismo. Tanto que um dos oponentes contrários ao adiamento foi o Estados Unidos porque o ato emitiria um sinal de fraqueza ao mundo. Mas os nigerianos querem escolher um novo presidente mesmo que isso custe a vida para o Boko Haram.

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