As conversas de Moscou

Moscou sempre foi uma cidade em que os rumos da humanidade são decididos pelos políticos russos no Kremlin. Não foi diferente a visita da chanceler alemã Angela Merkel e o presidente francês François Hollande ao líder russo Vladimir Putin para discutir um eventual acordo de paz na Ucrânia. O conteúdo das negociações não foi divulgado e um funcionário do Kremlin afirmou que tais líderes irão fazer uma conferência telefônica no domingo para discutir a situação do país eslavo ensaguentado pela guerra civil que dura um ano.

Neste momento, o conflito ucraniano entra em uma batalha perdida. Os rebeldes do leste do país estão organizando uma ofensiva militar contra um vilarejo controlado pelo governo de Kiev. Merkel e Hollande foram a Ucrânia ontem para conversar com o presidente Petro Poroshenko. Existe nenhum consenso de ambos os lados para encerrar a contenda. Tanto que o vice-presidente americano Joe Biden defendeu o fornecimento de armamento para Kiev e disse que a Rússia não deve redefinir as fronteiras europeias.

Para muitos analistas militares, a Europa pode estar perto do cenário da invasão soviética a antiga Checoslováquia que encerrou a Primavera de Praga em agosto de 1968. O país desenvolveu uma política independente das ordens de Moscou, que ordenou a ofensiva e a prisão de líderes políticos como o secretário-geral Alexander Dubcek. A determinação de Hollande e Merkel de tentar parar a máquina russa ou a insistência ucraniana é sem precedentes na história recente da Europa.

Putin vive um momento delicado com a queda do Rublo. Mas as ambições imperiais no consciente coletivo russo persistem. A perda da Ucrânia para o Ocidente capitalista será mais uma catástrofe política de Putin. Ele não quer ser reconhecido nos livros de história como um sujeito fraco e servil ao mundo infiel como foi Mikhail Gorbachev, que nem é citado entre os russos ou Boris Ieltsin e sua fraca predileção a bebida. Putin quer ser o presidente forte que este grande país tanto necessita em sua propaganda estatal.

Merkel e Hollande reafirmam o poder franco-alemão que cimentou a União Europeia no tratado de amizade entre os dois países assinado em 1963. Os dois políticos foram a Rússia e a Ucrânia para tentar parar a máquina da guerra. Mas não conseguiram um consenso vital e necessário para a vida dos ucranianos do leste. França e Alemanha estão fazendo a sua própria política externa sem a interferência dos Estados Unidos. Isto foi um grande avanço, mas um pequeno passo nas conversas de Moscou.

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